sexta-feira, 10 de junho de 2011

A intolerância religiosa é pecado

Durante a assembléia da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), realizada entre 2 e 3 de junho, em Salvador, Bahia, um painel sobre o tema da intolerância religiosa ofereceu expressivas matizes para uma interpretação propositiva das dinâmicas inter-religiosas no Brasil e ao redor do mundo.

Apesar de reconhecerem que a intolerância religiosa tem estado presente ao longo da História e durante toda caminhada das igrejas, as apresentações dos painelistas e as reações da plenária revelaram o rechaço unânime a este tipo de manifestação."Somos todos iguais diante de Deus. No projeto divino para o ser humano, não há lugar para o preconceito, a marginalização e demonização de religiões que sejam diferentes das nossas", afirmou um dos palestrantes, o Pastor Djalma Torres, da Igreja Batista Nazaré, presidente do CEPESC – Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristãos.A caminhada de vida e o significado místico dos exemplos dados em vida por Irmã Dulce, que atuou na Bahia e, recentemente, foi beatificada pela Igreja Católica, foi lembrada pelo antropólogo Jaime Sodré, que apresentou alguns elementos-chave para o diálogo e cooperação inter-religioso a partir do Candomblé."A Irmã Dulce nunca discriminou ninguém. Quando as pessoas chegavam ao hospital em busca de ajuda, ela não exigia nenhum atestado de fé católica, mas mostrava uma atenção integral a todas as pessoas socialmente vulneráveis. Para muitos de nós, do Candomblé, ela já é santa pelos seus feitos.", ele disse."A intolerância religiosa é uma das facetas do racismo", afirmou o secretário municipal da reparação da cidade de Salvador, Ailton Ferreira, que apontou a questão do preconceito e das represálias a outras expressões de fé como algo fortemente direcionado ao povo negro, cigano ou indígena.Falando em nome da CESE, a diretora executiva Eliana Rolemberg lembrou que o organismo ecumênico tem feito esforços para promover espaços de troca de experiências e conhecimento mútuo, como a proposta "Construindo Diálogos", que, em 2010, reuniu pessoas ligadas às igrejas associadas à CESE e outras igrejas - principalmente batistas - à Universal do Reino de Deus e a terreiros de candomblé. "Temos também a proposta de elaboração de uma cartilha que chame atenção para a importância do tema da intolerância religiosa", acrescentou.O debate promovido pela CESE remeteu a várias pistas de um protagonismo mais efetivo da CESE, das igrejas e outras organizações ecumênicas no sentido de promoverem e desenvolverem ferramentas metodológicas capazes de tornar mais visível e presente uma abordagem não exclusiva ou fundamentalista em contextos marcados pela diversidade religiosa.

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