sábado, 4 de junho de 2011

Pesquisa discute os “sem religião”

Cientista social alega que aumento do grupo pode significar maior independência de pensamento
Eduardo Paulanti

A tese intitulada os sem religião e a crise do pertencimento institucional no Brasil: o caso fluminense, teve como objetivo entender o significado de se autodeclarar “sem religião” no Brasil. O trabalho é da autoria de Denise dos Santos Rodrigues, Doutora em ciências sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O artigo foi publicado em 17/08/2009, e está disponível no banco de teses da Uerj (http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/index.php).

Primeiramente, a pesquisadora argumenta que os sem religião não constituem um único grupo, com uma crença comum como os demais segmentos citados pelo censo. Na verdade, se trata de uma categoria residual, agregando indivíduos por sua ausência de vínculos com instituições religiosas.

Entre os grupos estudados, foram encontrados indivíduos que se definiam como ateus ou agnósticos, que foram classificados como sem religiosidade. Também foram identificadas pessoas que se afastavam das instituições religiosas para estabelecer uma relação com o transcendente, que foram denominadas “com religiosidade”.

Distante de uma classificação mais precisa, os censos realizados pelo IBGE não fazem diferenciação dos diferentes grupos citados. Em entrevista exclusiva para a Agenc, o presidente da ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), Daniel Sottomaior, resumiu a insatisfação da instituição: “há muitas dezenas de denominações religiosas que receberam essa deferência, incluindo algumas com uma dúzia de membros. Mas os milhões de ateus no Brasil (dado que temos devido a diversas pesquisas particulares) não têm esse mesmo direito”.
Segundo a pesquisa, o aumento do número de pessoas “sem religião” expressa o afastamento das instituições religiosas do domínio privado, onde as individualidades se manifestam das mais variadas formas, em pleno exercício de suas autonomias. Nesse estado, aproximar-se ou afastar-se do transcendente torna-se uma questão de foro íntimo, cuja decisão cabe a cada individuo na sua intimidade. No entanto, essa decisão gera uma série de conflitos e preconceitos, que raramente são punidos. “O preconceito e a discriminação têm formas semelhantes de atuação com todo tipo de vítimas: existe desde a piada ‘inocente’, à hostilização em situações sociais, perda de empregos, rejeição por parte da família, ameaças de morte, etc.”, lembrou o presidente da ATEA.

Para Daniel, o problema da laicidade do Estado interfere diretamente no pleno exercício da cidadania: “é preciso informar a sociedade e mobilizar a todos para fazer valer o art. 19 da Constituição. Para ateus e todas as minorias religiosas, os atentados à laicidade nos colocam como cidadãos de segunda classe.”






Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons