segunda-feira, 20 de junho de 2011

UOL Estilo aceita o desafio e cria "casting" negro para a Osklen


A Osklen realizou um dos melhores desfiles para o próximo verão brasileiro. Nesta edição, potencializou seu design de moda sofisticado com a riqueza da cultura afro-descendente de uma maneira nada óbvia ou estereotipada. Para que a homenagem ficasse completa, a grife não necessariamente precisaria colocar para desfilar apenas modelos negros na passarela. Oskar Metsavaht, porém, afirmou que esta era a sua intenção inicial. “Pensamos em fazer um ‘casting’ 100% negro, mas não conseguimos”, disse, em entrevista ao UOL, e também à Folha de S.Paulo, em diferentes ocasiões. “É impossível, não dá. Da mesma maneira que não dá para fazer um ‘casting’ só de loiros. Te desafio a fazer um casting 100% loiro ou negro”, propôs, ressaltando a importância não só da etnia ou cor de cabelo, mas da altura e do talento para desfilar. Pronto, a polêmica estava instaurada.
Como o assunto em questão é a falta de mais negros e não de loiros no desfile, e nos surpreendeu a dificuldade da grife em alcançar um objetivo (que ela mesma havia se imposto) aparentemente tão viável num país em que grande parte da população é afro-descendente, resolvemos aceitar o desafio. No programa "O melhor e o pior do SPFW" publicado no UOL na última quarta (15), sugeri, de maneira irônica e também realista (afinal, segundo o censo do IBGE publicado em 2008, há mais de 85% de negros na Bahia e menos de 40% nas regiões Sul e Sudeste, onde a Osklen é sediada) que, considerada a alegada dificuldade do estilista em formar o time de beldades afro-descendentes em São Paulo ou no Rio, que fôssemos "bookar" os modelos em Salvador. Nem foi preciso.

Na galeria de fotos que você vê nesta página, a equipe de moda e beleza do UOL selecionou 60 modelos de agências sediadas em São Paulo e no Rio. Todas as 35 opções de garotas têm 1,75 metro ou mais, e os 25 garotos, acima de 1,81 metro, alturas consideradas padrão para a passarela. Tirando os 13 modelos escolhidos pela Osklen e incluídos em nossa seleção, sobrariam 47 para preencher as 26 vagas ocupadas por modelos brancos (segundo Metsavaht, por falta de opção no mercado).

Instrutor de passarela da agência Elite e assessor pessoal de modelos como a top Fernanda Tavares e Emanuela de Paula, Dinho Batista defende o argumento de Metsavaht. "Não basta a modelo ser magra, alta e negra (ou loira) para ser aceita em um casting. É preciso levar em conta o perfil que a marca procura", diz. Ele também afirma que consegue ensinar, com alguns pares de horas, um modelo inexperiente a desfilar. "Levo cerca de 10 aulas de 1 hora cada para treinar uma menina do zero para uma passarela básica, sem muito salto. Uma semana, então, seria suficiente." Ficam, portanto, as sugestões para as grifes que quiserem aproveitar nossa pesquisa e melhorar a representação dos negros na moda das próximas temporadas, ou mesmo cumprir a cota (também controversa e não realizada pela maioria das marcas) de pelo menos 10% de modelos negros, sugerida para os desfiles. (COM PRODUÇÃO DE GEOVANNA MORCELLI)

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