quarta-feira, 28 de setembro de 2011

SIM, NÓS EXISTIMOS!

Em 1944, Abdias Nascimento (1914-2011) fundou o Teatro Experimental do Negro (TEN), no Rio de Janeiro. Apesar da descrença e do preconceito instituído, o TEN irrompe a cena teatral brasileira apresentando-se como “um amplo movimento de educação, arte e cultura”. O TEN nasce da insatisfação de seus fundadores com o racismo e a ausência de políticas públicas para o povo negro. O TEN gritou para o país e para o mundo que o povo negro brasileiro estava fora de cena. Quase sete décadas depois, continuamos gritando a mesma coisa.
Gritamos no Estado e na Salvador, cidade com o maior contingente negro fora da África. Gritamos, em plena era do Renascimento Africano, na qual as organizações negras diaspóricas efetivam um árduo e bem sucedido revisionismo acerca da contribuição negra para o desenvolvimento da humanidade. Salvador/ Bahia ignoram.
Foram realizadas, aqui na capital do estado, três edições do Fórum Nacional de Performance Negra, reunindo mais de 150 grupos, entre companhias de teatro e dança negros do país, afirmando “nós existimos e queremos discutir às políticas públicas para a cultura negra no Brasil”O nosso país, diga-se de passagem, tem uma cultura híbrida. Há nele uma cultura oficiosa e uma cultura em resistência. O Fórum certamente pertence à segunda. Mas quem resiste? Por que resistem? Se não resistem, onde estão incorporadas as políticas debatidas?
Até os dias atuais, no Estado baiano, a verba pública destinada para cultura das artes cênicas se concentra nas mãos dos mesmos grupos mantenedores da cultura eurocêntrica, norte-americana e elitista brasileira. Seja na política de esquerda ou de direita, os grupos se repetem e alimentam uma engrenagem rotativa de estratificação da verba pública. Os projetos Culturais reverberam este espelho o narciso-elitista.
É fundamental a existência destes projetos na cidade, para o intercâmbio e a difusão cultural do estado com o país e o mundo, mas precisamos entender o porquê que de artistas negros e negras ainda continuarem com uma expressividade mínima ou nula no cenário das produções teatrais em Salvador e no Estado.



Ângelo Flávio
Ator e Diretor Teatral, também é  Apresentador , Dramaturgo e Arte-Educador.
Fundador do Coletivo Teatral Abdias Nascimento na UFBA - CAN
contatos : 71 - 9111 - 4825 / 88824601

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