sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Valmir repudia ataques racistas contra Miss Universo


Na madrugada desta terça (13/9), a angolana Leila Lopes foi consagrada a nova Miss Universo. Lopes é a segunda negra a ganhar a coroa em toda a história do concurso. Antes mesmo de ser eleita, Lopes vinha sofrendo ataques racistas de sites internacionais, fato que foi repudiado pelo deputado federal, Valmir Assunção (PT-BA) nesta quinta (15/9).
“Não há adjetivos para descrever tamanha intolerância sem fundamentos e ainda sob inspiração de uma idéia que assassinou tantos serres humanos no mundo”, disse Valmir.
Para o deputado, ao eleger uma negra de Angola, país assolado por uma guerra que durou 38 anos que dizimou mais de 2 milhões de pessoas, estamos vivenciando um importante aspecto simbólico, não só do reconhecimento da beleza negra, mas também da luta contra o preconceito racial.
“Estas pessoas não se vêem apresentando programas televisivos, ou raramente se enxergam nas novelas, ou em qualquer programa de televisão nas concessionárias públicas que são as cadeias televisivas deste país. A representação do negro na mídia e na publicidade, na maioria das vezes, é condicionada a algo negativo, avivando o preconceito. Tomara que este título possa contribuir para um passo a frente contra o preconceito de raça”, completou Valmir Assunção.
SR. VALMIR ASSUNÇÃO (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna nesta manhã, primeiro, para fazer uma saudação à revista Raça, que completa 15 anos.
A revista Raça, dirigida por Maurício Pestana, seu editor, tem feito um trabalho de divulgação que eleva a autoestima dos afrodescendentes, e é considerada um veículo de comunicação nacional.
Então, eu quero ressaltar a importância da revista Raça para todo o povo brasileiro e parabenizar o Maurício pelo trabalho que vem desenvolvendo à frente dessa revista.
Um outro registro, Sr. Presidente, é em relação ao concurso Miss Universo, que aconteceu no último 13, e pela segunda vez na história uma negra se torna a mulher mais bonita do mundo.
Esse fato não pode passar simplesmente sem registro nesta Casa porque hápreconceito e racismo muito grandes na sociedade mundial. E digo isso porque antes de acontecer o concurso Miss Universo diversos sites em todo o mundo falavam de Leila Lopes, que é de Angola, um país que passou 38 anos em guerra civil e teve sua população diminuída em 2 milhões de pessoas e ainda tem mais 1.700 refugiados.

Então, Sr. Presidente, é preciso ressaltar que não podemos aceitar e nem concordar com essas atitudes de racismo que acontecem no Brasil e no mundo.
Por isso, parabenizo a Miss Universo, que é de Angola, um país que merece o respeito de todos nós!
Muito obrigado, Sr. Presidente.
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Veja abaixo discurso na íntegra: 

PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS PELO ORADOR

O SR. VALMIR ASSUNÇÃO (PT-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os afrodescendentes brasileiros hoje podem se orgulhar de terem um órgão que resgate não apenas a auto-estima de negros e negras no Brasil, mas que lhes dê a devida importância étnico-cultural, resgatando a sua história na construção do Brasil e a sua importância na construção da sociedade atual, em todos os seus segmentos.Falo da Revista Raça Brasil, maior publicação do segmento negro na América Latina, que completou agora em setembro 15 anos de existência. A publicação, que surgiu em 1996, tinha inicialmente como proposta, atender parcela da população negra como estimulador da auto-estima, porque era comum à época, o afro-descendente não aparecer em revistas, em comerciais, ou como modelos, porque, como bem disse o atual editor e diretor da publicação, Maurício Pestana, negro na mídia, até então, era só o rei Pelé.E a revista veio com a responsabilidade de ser a porta-voz da afrodescendência, através de um veículo de comunicação e circulação nacional que os contemplasse, e, ao mesmo tempo, funcionasse como um contraponto aos meios de comunicação tradicionais, que não consideravam a população negra como importante no contexto social. Mostrou que os afrodescendentes têm peso na nossa sociedade, que são consumidores, construtores e protagonistas desse processo de desenvolvimento, e por isso mesmo, merecem respeito.Contrariando aqueles que consideravam que os negros deveriam ter papel secundário na sociedade, a revista teve ampla aceitação na sociedade e na sua primeira edição, vendeu 270 mil exemplares. E isso graças à persistência de pessoas como Aroldo Macedo criador e primeiro editor, de inúmeros outros profissionais que acreditaram no projeto, e da atual equipe, liderada pelo editor e diretor Maurício Pestana.No Brasil existem inúmeras publicações voltadas para os adolescentes, para jovens, mulheres, políticos, acadêmicos, religiosos, empresários, mas quase ou nada havia de publicações destinadas especificamente ao público afro-descendente. Algo que contasse a sua história de lutas, que lhes valorizasse a cultura, que estimulasse a auto-estima, apesar de mais da metade da população brasileira ser formada por afro-descendentes.Hoje, esta publicação, que completou 15 anos de edições ininterruptas, faz história, sendo a maior revista do segmento negro na América Latina. Superou desafios de uma sociedade que teimava, e ainda teima em alguns segmentos, ser discriminatória. Firmou-se no mercado editorial do país, ampliando os seus propósitos de não mais apenas mostrar que o negro e a negra são pessoas bonitas, que existem como consumidores, e que são, como os brasileiros, fundamentais para o desenvolvimento econômico e social da nossa sociedade.Está de parabéns o Maurício Pestana e todos os que colaboraram e colaboram para que a revista Raça Brasil seja esse sucesso editorial que hoje faz parte não apenas do acervo cultural e literário dos afro-descendentes, mas de todos os brasileiros e brasileiras que lutam para que sejamos cada vez mais um país sem preconceito racial.Muito obrigado!Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, realmente acredito que o mundo está mudando nobres deputados. É perceptível afirmar tal assertiva no campo político quando Lula, um operário nordestino assumiu em 2002 a presidência da república deste país. Depois quando pela primeira vez na história dos Estados Unidos da América um negro foi eleito presidente da república. Ou até mesmo pelo simples fato de um homem comum, filho do campo, e fruto das lutas dos sem-terra e do movimento negro como eu, estar aqui nesta honrada Tribuna a proferir este discurso.As lutas sociais avançam, e apesar da tentativa de criminalização dos movimentos sociais, da homofobia, do machismo e racismo que ainda existem no Brasil, pudemos perceber as milhares de pessoas que foram as ruas de Salvador neste domingo durante a Parada Gay, assim como temos uma mulher presidenta da república, e a secretaria das mulheres e de promoção da igualdade, importantes instrumentos políticos criados no governo Lula foram mantidos pela atual presidenta.Coloco estas questões para chegar ao concurso da Miss Universo, que na madrugada desta terça, dia 13 de setembro, elegeu a Miss Angola, Leila Lopes, como a mulher mais bonita do mundo. Ao eleger uma negra de Angola, país assolado por uma guerra que durou 38 anos, entre lutas pela Independência e Guerra Civil, que só teve fim em 2002, e dizimou mais de 2 milhões de pessoas e deixou 1 milhão e 700 mil refugiados, estamos vivenciando um importante aspecto simbólico, não só do reconhecimento da beleza negra, mas também da luta contra o preconceito racial.O racismo é ainda tão forte no mundo que mal Leila Lopes se consagrou vencedora que sites internacionais com inspirações nazistas e pró-raça ariana proferiram insultos contra a sua cor. Antes mesmo do concurso se iniciar, manifestações racistas foram proferidas contra outras candidatas negras e muçulmanas, questionamento a seriedade do Brasil ao sediar este tipo de concurso. Não háadjetivos para descrever tamanha intolerância sem fundamentos e ainda sob inspiração de uma idéia que assassinou tantos serres humanos no mundo.O Brasil tem 51% de sua população da cor negra, população esta que começou a ser incluída na sociedade através de Programas do Governo Lula, como o Bolsa Família, Agricultura Familiar, Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida e que continuam avançando durante o governo da Presidenta Dilma que tem como objetivo erradicar a miséria do país. E a miséria neste país tem cor e local. Ela énegra e está localizada em maior número no norte e nordeste deste país.Estas pessoas não se vêem apresentando programas televisivos, ou raramente se enxergam nas novelas, ou em qualquer programa de televisão nas concessionárias públicas que são as cadeias televisivas deste país. A representação do negro na mídia e na publicidade, na maioria das vezes, é condicionada a algo negativo, avivando o preconceito contra a raça.Como falei anteriormente, o aspecto simbólico da vitória de Leila Lopes éalgo a ser registrado e afirmado. Raras vezes vemos negros e negras superarem a hegemonia do conceito de beleza, que não condiz com a realidade brasileira, que muitas vezes não condiz com a realidade de muitos países. Tomara que este título possa contribuir para um passo a frente contra o preconceito de raça e que seja um grande viva àdiversidade com o qual estamos inseridos em toda a sociedade mundial.Parabéns Leila Lopes, parabéns Miss Angola, parabéns a todas as mulheres negras do mundo.Sr. Presidente, solicito a V.Exa que divulgue este pronunciamento pelo programa A Voz do Brasil e demais meios da casa.Muito obrigado!

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