sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Seminário sobre doença falciforme reúne especialistas do Brasil e da África em Salvador



O 1° Seminário Brasil-África de Doença Falciforme da FIOCRUZ, iniciado em Salvador nesta sexta-feira (28), tratou do desafio para o tramento da doença a partir do conhecimento das variações existentes em cada lugar do mundo onde a mesma aparece.

Na ocasião, o chefe do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade do Kuwait, professor Dr. Adekunle Adekile, traçou um perfil sócio-econômico do país, que possui a maior densidade demográfica do mundo. Uma rede formada por vinte hospitais universitários, nove federais e vários administrados por governos estaduais na maioria das cidades atende os mais de 148 milhões de habitantes do país, cujos fenótipos clínicos mais comuns da doença falciforme foram apresentados.
A pesquisa exposta recrutou 139 pacientes nigerianos (de sete localidades) portadores da doença, que tiveram suas amostras sanguíneas estudadas. Foram analisados fatores como a predisposição para infecções, mais comuns em crianças. Verificou-se que 70% dos casos de infecção eram pneumonia. Ponto positivo da pesquisa foi a queda da prevalência da anemia falciforme desde o início dos estudos, em meados da década de 1990.
Pesquisa semelhante realizada no Kwait e também apresentada no seminário mostrou que 25% das crianças possuem a doença e, na população adulta, o índice sobe para 40%. Nesse país, a persistência da hemoglobina fetal (HbF) em pacientes com Anemia Falciforme varia entre 15 a 30%. O significado clínico da associação da persistência da hemoglobina fetal na anemia falciforme é favorável, porque inibe o desenvolvimento das moléculas de hemoglobina decorrentes da mutação.
Dr. Mohamed Cherif Rahimy, professor de Pediatria e Genética Médica e Diretor do Centro de Doença Falciforme do Benin, falou sobre o perfil clínico dos pacientes e sobre a importância do diagnóstico da doença. Ele traçou um paralelo entre as pesquisas nos países desenvolvidos e nos países subdesenvolvidos e falou da necessidade de estabelecer uma colaboração entre Brasil África e Europa para ampliar as pesquisas e o tratamento da doença falciforme.
O uso de hidroxiuréia promove a elevação dos níveis de hemoglobina fetal (Hb F) em pacientes portadores de síndromes falciforme. Alguns especialistas sustentam que seu uso traz aos pacientes falcêmicos uma melhora significativa em seu estado. Dra Marilda Gonçalves, presidente do evento e pesquisadora da FIOCRUZ, pondera que o uso universal da hidroxiuréia interfere na fertilidade. O Seminário Brasil-África de Doença Falciforme da FIOCRUZ termina amanhã, com palestras sobre acompanhamento pediátrico, triagem neonatal, diagnóstico laboratorial- Biologia Molecular, entre outros temas.

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