sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Afro XXI: Documento vai orientar ações contra o racismo


Começou a ser elaborado, nesta quinta, 17, o documento-base do novo marco legal internacional regulatório para a criação e execução de políticas públicas de enfrentamento ao racismo e promoção da igualdade racial. O texto será construído a partir dos debates ocorridos nas 21 mesas-redondas previstas para o Afro XXI - Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes.
Definido como a Carta de Salvador, o documento a ser elaborado na capital baiana será o marco legal regulatório que vai definir, para os próximos dez anos, as ações conjuntas de promoção à igualdade e de combate ao racismo e à discriminação nos países da diáspora africana.
A Carta de Salvador está sendo elaborada exatamente dez anos após a III Conferência Mundial contra o Racismo, Xenofobia e Discriminação Correlatas, ocorrida em Durban, na África do Sul.
“Para o verdadeiro avanço da promoção da igualdade racial, é fundamental que as ações apontadas neste encontro sejam de fato executadas. Espero levar para o meu país uma proposta que garanta a implantação de políticas públicas eficientes no combate às desigualdades entre os povos”, declarou Ricardo Weeks, secretário-executivo da etnia negra do Panamá.  Hoje, ao fim das mesas-redondas, os debates serão sistematizados para serem entregues, amanhã, aos chefes de Estado presentes ao evento, para a aprovação do documento.
A solenidade oficial de abertura do Afro XXI ocorreu ontem pela manhã, com a presença do governador Jaques Wagner, da ministra de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros, do secretário-geral da Ibero-América, Enrique Iglesias, e das representantes da sociedade civil Epsy Campbel, dos países ibero-americanos, e Rita Bárbara, pela população brasileira.
Para marcar o início dos trabalhos no Centro de Convenções, Valdina Pinto, makota do Terreiro Tanury Junçara, representou os religiosos de matrizes africanas. Ela fez oração em quicongo, língua do povo banto, e outra em iorubá. A makota pediu paz e harmonia a Oxalá e Ogum, pelo fortalecimento da luta em prol da igualdade. “Esse é um momento especial. Temos aqui pessoas de várias partes do mundo, unidas para criar mecanismos que exterminem o racismo”, discursou makota Valdina.
Anfitrião - Anfitrião do encontro, o governador Jaques Wagner afirmou que é preciso que as nações reconheçam que têm uma dívida histórica com o continente africano e, portanto, devem contribuir com o crescimento e fortalecimento dos países da África. 
“É preciso devolver ao continente africano o sacrifício dos seus filhos, que foram espalhados pelo mundo, na condição de escravos, para construírem outros países.

Precisamos agora criar tratados de cooperação e oferecer o que temos de melhor, como políticas de geração de emprego e tecnologia”, destacou o governador.
Wagner aproveitou, ainda, para mandar um conselho para a presidente Dilma Rousseff. “Presidente, a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) não pode virar apenas um braço da pasta de Direitos Humanos. A luta de promoção da igualdade é por direitos, que em alguns momentos nem existiram. Aqui na Bahia, acreditei que poderia unir a luta da igualdade racial e de gênero, e os movimentos me cobraram a separação. E só agora é que percebi que deveria criar os dois órgãos. Mas reconheço que o mando de campo é da senhora e estou apenas enviando o meu palpite”, brincou.

Fonte: A Tarde

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