segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Praça do Reggae


Salvador - O Reggae foi um ritmo muito importante antes da "recuperação" do Centro Histórico. A cultura desse ritmo foi fundamental para a criação do Olodum e deu sentido a palavras que a população pobre e negra passou a associar ao Pelourinho: Jamaica, negritude, contestação. Leia mais...
Essa cultura se inventava e se reproduzia fundamentalmente em dois lugares especiais: o Bar do Reggae, na Rua João de Deus, e o Cravinho Rastafari, na Gregório de Matos. 

O Governo tentou domesticar o Reggae com a criação da Praça do Reggae tentando tirar de circulação os rastafáris do Pelourinho juntando-os num só lugar, para tanto removeu os tradicionais bares (Bar do Reggae, Negro’s Bar e o Cravinho Rastafari) para uma praça cercada, onde se pagava para entrar após uma prévia revisão policial, havia dois desembargadores e cinco juízes de plantão para esconder a estética natural do povo negro dos turistas.

Praça do Regggae

As limitações institucionais não conseguiram impedir o pulsar de vida na Praça do Reggae e uma nova resistência memorável e histórica espalhou-se pelo ar e assim um novo conjunto de vida floresceu como se regado pela água da chuva e fertilizado pelos cantos do Reggae. Desta forma as parcerias naturais da resistência negra foram se fortalecendo no lugar onde se pretendia enfraquecê-la. 

O comércio informal de artesanatos, souvenir’s, quituteiras e estéticas negra estabeleceu-se no espaço como uma magia dos Orixás. Neste cenário surge fortemente à presença da mulher negra que sempre foi subjugada e marginalizada no processo de formação da sociedade brasileira, como atesta Cecília Moreira Soares em seu artigo intitulado "As Ganhadeiras - Mulher e resistência negra em Salvador no século XIX".

Quem consegue mensurar, quanto a cultura negra têm trazido de divisas e vendido a imagem de identidade da Bahia e do Brasil? E agora que toda uma história começava a se fazer sentido, que toda uma memória começava a se cristalizar num espaço de identidade por conta da luta de ressignificação, esse espaço é desmontado pelo governo, sem nenhum aceno a outro melhor.

E os elementos que davam vida à Praça do Reggae ficaram a deriva. Os sujeitos desta cultura que ocupavam a Praça sequer foram computados como pessoas no lugar. 

É como se fossem estacas e concretos ou outros objetos que precisavam ser destronados; a exemplo de duas jovens negras que há 11 anos desenvolviam a estética negra neste espaço, construíram uma clientela em toda região metropolitana, interiores do estado e internacional e já serviram de reportagem e divulgação da mídia e governos. 

As meninas resistiram e se recusaram a retirar seus matérias de trabalho que se encontram hoje junto aos entulhos da malfadada obra. Mas como estas são frutos da resistência histórica da população negra, não se abateram e buscaram apoio no Ministério Público Estadual e foi atendida pela Promotora de Justiça e Cidadania Drª Márcia Regina dos Santos Virgens, que as atendeu muito bem e informou que buscará soluções junto aos órgãos competentes. 

E por falar em providencias o que será que fará os representantes oficiais do povo negro baiano!!! 80% Não é problema, é solução.

Diante de fatos como este, perguntamos: O que querem falando em turismo étnico? Será que mais uma vez a única intenção é a nossa doação do legado de luta e resistência de nossos antepassados aos descendentes dos seus algozes – que são nossos inimigos nos dias de hoje! O nome de Mestre Pastinha é festejado e dá lucro ao turismo; mas, não podemos esquecer como ele perdeu o lugar da sua academia.

A cultura negra tem se tornado um grande diferencial na sociedade internacional. Senhores marqueteiros dos shoppings da cidade usem a criatividade e ofereçam stands nas praças principais de seus empreendimentos para que muito (a)s jovens habilitado (a)s e em busca de inclusão social possam trabalhar com dignidade. E de “quebra” realizem concursos dos melhores stands durante todo verão.

Não digam que não falamos de flores!
Movimento Popular Pela Igualdade Étnica/Racial e Pela Representatividade.
Círculo Palmarino 


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