sexta-feira, 29 de abril de 2011

Antes de dar corda no seu relógio

Muito se fala sobre o livre arbítrio, sobre a capacidade de escolher com liberdade e conscientemente. O livre arbítrio é uma das conquistas mais valorizadas pela nossa civilização. Por exemplo: em época de férias, é você, e você apenas, quem escolhe a hora de acordar, conversar, comer e dormir, certo?

Errado. Para dar corda ao assunto, deixe-me explicar por quê.

Imagine seu corpo como um grande relógio. Melhor ainda, como um aglomerado de mais de cem relógios sincronizados, determinando a hora de sentir sono, fome, ir ao banheiro etc. Esses relógios internos existem de verdade e determinam um ciclo chamado Ritmo Circadiano (desde já: circadiano significa “ciclo de um dia”). A ciência que os estuda possui até mesmo um nome: Cronobiologia.

O Ritmo Circadiano mantém seu corpo alerta durante as horas de claridade e ajuda a relaxar à noite. É capaz até mesmo de lhe acordar na hora certa pela manhã quando você se esquece de ajustar o alarme na cabeceira. Infelizmente, esse mesmo relógio lhe acorda nos dias em que você poderia dormir até um pouco mais tarde…

Nos mamíferos – e você quase certamente é um deles –, o relógio biológico localiza-se numa porção do cérebro chamada Hipotálamo. Mas não perca tempo tentando encontrar o seu. Apenas certifique-se de que ele continue funcionando por mais algumas décadas. Em alguns insetos, o relógio biológico está na retina dos olhos. Nos pássaros, ele pode ser encontrado no hipotálamo ou na glândula pineal.

Hormônios
Em todos os casos, esses relógios estão vinculados a receptores sensíveis que sincronizam o relógio interno com a luz do sol. Funciona da seguinte maneira: ao atingir receptores na retina, a luz solar desencadeia estímulos que viajam por fibras nervosas até o cérebro, dando corda no seu mecanismo de horários.

Essas fibras também transmitem sinais que afetam níveis hormonais relacionados ao ajuste do relógio interno. Por exemplo: os níveis de Cortisol (um hormônio relacionado ao metabolismo e ao sistema de imunológico) são maiores entre 6 e 8 da manhã, diminuindo gradualmente durante o dia. Ao mudar o padrão de sono, os níveis de Cortisol também se alteram.

O hormônio do crescimento (GH), por sua vez, aumenta com o sono em crianças – os níveis máximos são atingidos nas primeiras duas horas de sono. Se a criança apresenta distúrbios do sono, a produção de GH cai, prejudicando seu desenvolvimento.

Os derrames e os ataques cardíacos são mais comuns no período da manhã do que em qualquer outro horário do dia. Muitas pessoas podem pensar que não é seguro, então, exercitar-se pela manhã. Todavia, a culpa não está no exercício, mas nas alterações do Ritmo Circadiano: entre outras coisas, os níveis elevados de Cortisol fazem com que o sangue se coagule mais rapidamente por volta das 8 horas da manhã.

A pressão também se eleva nesse horário, permanecendo assim até o final da tarde, quando começa a cair, atingindo seu ponto mais baixo durante a noite. Ainda, atletas experimentam picos de temperatura, força e flexibilidade no final da tarde – e este é o melhor período do dia para competirem. À tarde, a sensibilidade à dor também é menor.

Atrasado
O relógio interno pode ser regulado por estímulos não-luminosos, como exercícios, drogas, remédios e hormônios. À medida que envelhecemos, o marcapasso cerebral perde células, alterando os ritmos circadianos – e isto, associado ao uso de vários remédios e à falta de atividade física regular, pode explicar o relógio “desregulado” de pessoas mais idosas.

Dormir uma ou duas horas mais tarde além do horário habitual também pode causar problemas. É mais difícil acordar na manhã seguinte e não raramente passamos o dia irritados e com dor de cabeça. Isso pode não ser simplesmente “falta de uma noite bem dormida”, mas uma alteração no padrão do ritmo circadiano. Neste caso, a pessoa está em um ritmo em que o corpo quer descansar das 4 da manhã até às 5 da tarde. E aí, seu dia de praia foi-se.

Manter um horário regular para o sono e as refeições, praticar exercícios durante o dia (e não à noite, quando você aumenta a carga de adrenalina e prejudica o sono) e relaxar por alguns minutos antes de ir para a cama são táticas que ajudam o bom funcionamento do seu relógio biológico.

Agora sim, dê corda à vontade.

Fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/10558.html

Grupos radicais usam a internet como ferramenta para espalhar a ideologia

Lançamento do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento

Será no dia 10 de maio, às 14h, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro – Rua Evaristo da Veiga 16, 17º andar, Centro


Na cerimônia, a jornalista Miriam Leitão e o professor Muniz Sodré farão palestra sobre “A questão negra na mídia contemporânea”

Em 2011, Ano Internacional dos Afrodescendentes declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Sindicato lança a 1ª edição do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento. Fruto da iniciativa da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), o prêmio estimulará anualmente a cobertura jornalística qualificada sobre temas relacionados à população negra.
O lançamento será no dia 10 de maio, às 14h, no auditório do Sindicato – Rua Evaristo da Veiga 16, 17º andar, Centro, e contará com as presenças da jornalista Miriam Leitão e do professor Muniz Sodré que farão uma palestra sobre “A questão negra na mídia contemporânea”. Na ocasião, Abdias Nascimento, um dos principais ícones da luta contra o racismo, será homenageado com uma placa com o seu registro profissional de jornalista, datado de 1947.
Batizado em homenagem a este ativista histórico dos direitos humanos, o Prêmio destacará a produção de conteúdos jornalísticos que contribuam para a prevenção, o combate às desigualdades raciais e a eliminação de todas as formas de manifestação do racismo. Desta forma, objetiva estimular a prática de um jornalismo plural com foco na promoção da igualdade racial.
Para Miriam Leitão, o Prêmio “vai incentivar o país a falar de um assunto que é sempre tratado como não existente: o racismo. Quanto mais falarmos das nossas desigualdades, mais conheceremos o problema, quanto mais o conhecermos mais perto estaremos da sua solução”, aposta a jornalista. Já Muniz Sodré acredita que o recorte não é racial, mas sim axial: “O negro é o eixo novo de uma mudança nas relações sociais, porque, como o proletário em Marx, tornou-se classe histórica no país.”
Homenagear Abdias Nascimento, para ambos, contribui para a construção de uma mídia mais plural e igualitária. De acordo com Miriam Leitão, “Abdias Nascimento tem uma vida inteira de coerência na mesma luta, da qual é precursor no Brasil, de apontar a desigualdade racial como uma das chagas nunca curadas”. Muniz Sodré complementa, afirmando que “homenagear Abdias Nascimento com um prêmio de jornalismo é restituir ao jornalismo de hoje, tão empenhado em serviços de consumo, algo da pública voz cívica que ele tinha no passado, a exemplo da imprensa abolicionista e republicana. Abdias é voz de pulmão cheio”.
Inscrição e premiação
O Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento contempla sete categorias: mídia impressa; televisão; rádio; mídia alternativa ou comunitária; fotografia; Internet; e categoria especial de gênero, com destaque para as reportagens com foco nas demandas femininas. A melhor reportagem de cada categoria receberá o prêmio de R$ 5.000,00. Os vencedores serão anunciados em uma grande festa que ocorrerá em novembro, mês de comemoração da Consciência Negra.
As inscrições para o Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento estarão abertas no período de 11 de maio e 19 de agosto de 2011. Estão aptos a participar do Prêmio jornalistas profissionais em todo o país. As reportagens inscritas devem ter sido veiculadas ou publicadas entre 1 de janeiro de 2009 e 30 de abril de 2011.
Entre os temas sugeridos para concorrer ao Prêmio, estão: saúde da população negra, intolerância religiosa, juventude negra, ações afirmativas, empreendedorismo, desigualdades, direitos humanos, relações raciais, políticas públicas, populações e comunidades tradicionais e discriminação racial.

Abdias: breve biografia
O ex-senador Abdias Nascimento é um ícone no combate ao racismo no país. Nascido em 1914, desenvolveu vasta produção intelectual como ativista, político, pintor, escritor, poeta, dramaturgo. Natural de São Paulo, participou dos primeiros congressos de negros no país. Já no Rio de Janeiro, criou o Teatro Experimental do Negro (TEN) na década de 1940. Como jornalista, foi repórter do Jornal Diário, além de ter trabalhado em vários periódicos. Fundou o Jornal Quilombo e também é filiado no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro desde 1947.
Pressionado pela ditadura, se exilou nos Estados Unidos durante 13 anos. De volta ao Brasil, ocupou os cargos de deputado federal e senador. Hoje, aos 97 anos, é professor emérito da Universidade de Nova York e Doutor Honoris Causa por várias instituições de ensino superior, entre elas, a Universidade de Brasília e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Cojira-Rio
Desde 2003, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro lida com questões relacionadas à discriminação racial no mundo do trabalho secundado pela educação. Atualmente, a equipe é formada por Angélica Basthi (coordenação), Sandra Martins (coordenação), Miro Nunes (coordenação), Isabela Vieira (integrante) e Camila Marins (integrante).
http://pt-br.facebook.com/people/Cojira-Rio/100001842288734


Mais informações sobre o Prêmio:
www.premioabdiasnascimento.org.br


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Deputado Bolsonaro bate boca com Jean Wyllys e diz que é discriminado por ser hétero

Em reunião da comissão de Direitos Humanos e Minorias nesta quarta-feira, com presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em sessão sobre o sistema nacional de segurança pública, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), colega de comissão do gay assumido Jean Wyllys, usou seu tempo para responder o que entendeu ser uma provocação de Wyllys, que afirmou que é preciso combater o preconceito e a violêcia hmofóbica. O ex BBB usou a frase “Estimular ódio e assassinato não é liberdade de expressão”, o que Bolsonaro se sentir atingido.

Wyllys argumentou a questão do crime de ódio, e pediu providências ao ministro. “O ministro disse que o crime tem muitas causas e uma das causas é o ódio, fruto do racismo e do preconceito. E esse ódio vem sendo estimulado nas redes sociais”, disse o parlamentar. Em sua fala, Bolsonaro então criticou mais uma vez o Plano Nacional de Cidadania LGBT e o kit Escola sem Homofobia. Chamou o conteúdo do programa de pornográfico e afirmou que estimula o homossexualismo entre crianças e disse conhecer pais que têm vergonha de ter filhos gays. Disse ainda que Wyllys seria “o professor de homossexualismo da Câmara” e traçou um paralelo entre o Escola sem Homofobia e professoras prostitutas dando aula para crianças.

A presidente da comissão, Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), interrompeu a discussão e chamou atenção de Bolsonaro que negou que tenha ofendido qualquer parlamentar. Wyllys disse que se sentiu ofendido com a afirmação do colega. “O senhor me ofendeu porque eu sou homossexual assumido e me senti ofendido sim”. Bolsonaro então retrucou: “O problema é seu. Eu não teria orgulho de ter um filho como você”. “Estou sofrendo preconceito heterossexual”, disse Bolsonaro quando foi censurado pela presidente da comissão.

Ao retomar a palavra, o ministro Cardozo disse que discordava de Bolsonaro e afirmou apoio ao Escola sem Homofobia, afirmando que é um meio importante para combater o preconceito nas escolas, local, segundo ele, onde nascem muitos dos preconceitos. O ministro ainda mostrou apoio ao Plano Nacional LGBT que busca minimizar a desigualdade no Estado brasileiro entre homos e heterossexuais e combater a violência homofóbica.

Fonte: http://www.revistaladoa.com.br/website/artigo.asp?cod=1592&idi=1&moe=84&id=17853

Ativistas da Educafro ocuparão loja em ato de protesto

S. Paulo - Rompendo a passividade e a inércia que tem caracterizado a postura do movimento negro oficial diante dos casos seguidos de violência a negros, vítimas de seguranças de grandes empresas de supermercados e shoppings, ativistas da Rede Educafro prometem ocupar uma das três Lojas Americanas, no centro de S. Paulo, para marcar o 1º de Maio – Dia do Trabalho.

Segundo o diretor executivo da entidade, Frei David Raimundo dos Santos (foto), o ato de ocupação e os protestos servirão para repudiar o mais recente espancamento de um trabalhador negro, Márcio Antonio de Souza, numa loja das Americanas, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Márcio, acusado do furto de ovos de Páscoa pelos quais garante ter pago, conforme Nota fiscal exibida pela família, foi torturado por um homem identificado como Décio Garcia de Souza, funcionário da empresa S & V Segurança.

Barbaramente espancado, o vigilante teve o nariz fraturado em três partes e o seu olho esquerdo se mantém fechado, com suspeita de comprometimento da retina. Nesta sexta-feira,(29/04), ele passará por nova avaliação médica para saber se já pode enfrentar a cirurgia para correção das lesões.

Indignação

“Não é possível mais tolerar esses abusos”, disse o Frei David, acrescentando que outros protestos deverão acontecer, também em shoppings e supermercados de S. Paulo, como o Walmart e o Extra, onde recentemente ocorreram episódios envolvendo violências a negros, tratados por suspeitos de furto de mercadorias pelas quais já haviam pago.

No Walmart da Avenida dos Autonomistas em Osasco, a dona de casa Clécia Maria da Silva, 56 anos, ao ser tomada por ladra de produtos pelos quais havia pago, sofreu uma crise hipertensiva e teve que ser removida para o Hospital Montreal onde permaneceu hospitalizada por mais de 4 horas.

No Extra da Marginal do Tietê, na Penha, seguranças abordaram e levaram para uma sala reservada três garotos – um dos quais, um menor de 10 anos – e os mantiveram, sob a ameaças e xingamentos racistas, para que confessassem o furto de mercadorias. Os dois casos estão sendo investigados, respectivamente pelo 9º DP de Osasco e pelo 10º DP da Penha.

Protesto

No protesto nas Lojas Americanas, segundo o Frei, será exigido que a empresa indenize a família e adote ações afirmativas visando capacitar seus funcionários e os seguranças contratados para prestar serviços nas suas lojas, para lidar com clientes negros.

Também será pedido o acompanhamento da investigação por parte de representantes do Ministério Público Estadual e Federal. “É necessário que os agressores sejam indiciados, julgados e condenados com base na Lei. Os Governantes brasileiros continuam não combatendo todas as formas estruturais de discriminações. Exigimos políticas públicas urgente”, acrescentou Frei David.

O Frei lembrou o caso ocorrido com o também vigilante Januário Alves de Santana, numa loja do Carrefour de Osasco. “Indignados por estes contínuos atos de racismo a Educafro convoca todos os seus guerreiros/as para que juntos mostremos nosso descontentamento diante da continua exclusão do povo negro”, concluiu.

Concentração

A concentração dos ativistas para o protesto está marcada para as 10h, na sede da Educafro, à Rua Riachuelo, 342, centro. O nome da loja que será ocupada está sendo mantido em sigilo, porém, é certo que será uma das três existentes no centro de S. Paulo.

Depois do protesto, os manifestantes seguirão para as celebrações do Dia do Trabalho, organizado pela CUT no Vale do Anhangabaú, que este ano tem como tema “Brasil-África: fortalecendo a luta dos trabalhadores”.

O ato terá a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será homenageado, e falará por meio de uma teleconferência com o ex-presidente, Nelson Mandela, direto da África do Sul.

Fonte: Afropress

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Museu Afro Brasil comemora o centenário de Carybé e recebe em São Paulo o Grande Mural dos Orixás

Dia 28 de abril inaugura as exposições “Grande Mural dos Orixás – Carybé” e “Deuses D’África – Visualidades Brasileiras

Dia: 28 de abril
Hora: 19h30
Local: Museu Afro Brasil – Parque Ibirapuera (Portão 10)
Classificação: Livre
Grátis

Em homenagem ao centenário de nascimento do artista Carybé o Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo inaugura no próximo dia 28 de abril, às 19h30 duas exposições Deuses D’África – Visualidades Brasileiras e Grande Mural dos Orixás – Carybé, apresentando 19 painéis vindos de Salvador (BA) para o evento comemorativo. Com curadoria do artista plástico e Diretor-Curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araujo, as exposições fazem parte da programação que o museu dedicará ao Ano Internacional dos Afrodescendentes (ONU) até o mês de dezembro.


28/04 a 29/05 – Exposição Grande Mural dos Orixás – Carybé - a mostra homenageia o centenário de nascimento do artista Carybé, incluindo 19 painéis representando os deuses d’África no Candomblé da Bahia. As obras que formam o Grande Mural dos Orixás pertencem à coleção do Banco do Brasil BBM S/A, em comodato no Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia. A representação dos deuses africanos é composta de pranchas de madeira, com 3 metros de altura de cedro entalhadas, levando ainda incrustações de ouro, prata, búzios da costa, cobre, latão, vidros e ferro conforme a simbologia do culto. O argentino, radicado no Brasil, Hector Julio Paride Bernabó, nasceu em 7 de fevereiro de 1911, na cidade de Lanús. Inquieto e irreverente ficou conhecido simplesmente como Carybé. A exposição apresenta pinturas, relevos, esculturas e esboços que marcaram a trajetória deste maravilhoso artista. A ele são creditadas as principais representações simbólicas e míticas do universo africano da Bahia, resultado de sua vivência e dedicação à terra que adotou. Carybé morreu no dia 2 de outubro de 1997, em Salvador.


28/04 a 29/05 – Exposição Deuses d’África. Visualidades Brasileiras – a representação das divindades afro-religiosas cultuadas no Candomblé da Bahia, a partir de uma visão ampla desta representação simbólicas, une a arte de grandes artistas como Carybé, Mario Cravo Junior, Osmundo Teixeira, Zélia Pólvoa, Reginaldo e Hélio Oliveira. Para representar a arte dos terreiros, esculturas, objetos e bonecas sagradas de Detinha de Xangô e Bezita de Oxum, que foram trazidas do interior do centenário Ilê Opó Afonjá, tombado Patrimônio Histórico, e o mais antigo terreiro de candomblé que se tem notícia, servindo de modelo para a criação de todos os outros que surgiram a partir de 1910, quando foi fundado por Eugenia Anna dos Santos (13.07.1869 a 03.01.1938), a Mãe Aninha, Obá Biyi.


Outras Exposições

- Exposição Elos da Lusofonia - apresenta a arte dos países de língua portuguesa a partir da obra de artistas contemporâneos do Brasil, Portugal e Angola e a ligação com a arte ancestral africana, passando pela tradição dos bijagós, da Guiné-Bissau; dos quiocos de Angola; e dos macondes de Moçambique. Todos os países de língua portuguesa estão representados nesta mostra que apresenta cerca de 200 obras, entre fotografias, pinturas, esculturas (máscaras, cerâmica e madeira) e bidimensionais (pinturas, gravuras e colagens) de artistas que compõe a Arte Tradicional dos países de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. A Arte Contemporânea apresenta o trabalho de Agnaldo M. dos Santos (Brasil), António Olé (Angola), Fernando Lemos (Portugal/Brasil), Francisco Brennand (Brasil), José Tarcísio (Brasil), José de Guimarães (Portugal), Matias Ntundu (Moçambique), Maurino Araujo (Brasil), Mestre Didi (Brasil), Renato Spindel (Brasil) e Rubem Valentim (Brasil). Até 29 de maio.

– Exposição Lutadores do Mundo - de Cesare Pergola - São 30 pinturas em óleo sobre tela retratando lutadores posicionados para ação, de diversas localidades e modalidades, onde o artista faz uma analogia ao esforço pela sobrevivência, tão semelhante nos cinco continentes. Entre os movimentos retratados estão a luta indígena Huka-Huka, Capeoria e Lutadores de Angola. Com curadoria de Emanoel Araujo, o pintor e artista visual italiano faz uma metáfora, às lutas da humanidade tanto antiga como contemporânea. Durante o período da mostra serão exibidos dois vídeos de autoria do artista sobre Sumô e Muay-Thai, bem como um objeto luminoso. Até 29 de maio.

- Exposição Panos e Tapas. Joias e Adornos d’Africa – Revela a importância dos tecidos em muitas culturas do continente africano, destacando a produção têxtil de dois importantes povos da África Central: os kuba e os imbuti, mais conhecidos como Pigmeus.
O povo kuba (República Democrática do Congo), é famoso por sua produção de tecidos de ráfia, predominantemente feito por homens, enquanto as mulheres se ocupam dos bordados e apliques. Os painéis de ráfia são unidos para formar enormes saias, usadas por homens e mulheres. São tecidos conhecidos pela ausência de representação naturalista e marcados pelos sistemas gráficos e combinação de figuras geométricas, muitas vezes emprestados das cestarias, onde os animais tambéms são referências. Já os imbutis (pigmeus) da floresta Ituri do noroeste do Congo fazem tecidos a partir da casca da figueira tropical. São decorados com padrões geométricos ou figurativos, desenhados muitas vezes com uma vareta ou com os dedos. As mulheres preparam os tecidos para os dias de festividades e os padrões podem ser pintados também no corpo. Os belos tecidos dão extensão ao culto da beleza. Nesta amplitude inserem-se os Adornos, mostrando como a mulher se enfeita, numa extraoridinária necessidade de reinventar sua própria beleza. Entre os tecidos e adornos figuram peças indispensáveis no culto à beleza: as joias africanas (anéis, brincos, colares e tornozeleiras...) de diversas regiões, sobretudo da Costa Ocidental africana. As tapas, são tipos de tecidos produzidos a partir de “entrecascas” de árvores. Essa técnica Essa técnica tradicional é comum também nas ilhas Samoa e é desenvolvida a partir de estamparia monocromática com intrincados desenhos geométricos e riscados que se assemelham aos traçados das gravuras em metal. Até 29 de maio.


Maio

12/05 a 24/07 - Exposição Hereros de Angola - de Sérgio Guerra
Uma série de imagens, vestimentas e objetos dos povos Hereros, que vivem entre Huíla e Namibe, em Angola mostram a paixão do fotógrafo e publicitário pela cultura africana. Pouco ainda se sabe sobre esta etnia que se divide em subgrupos: mukubais, muhimbas, muhacaonas, mudimbas e muchavícuas. A viagem resultou em mais de 10 mil imagens, sendo que 200 foram selecionadas pelo curador Emanoel Araujo, para esta exposição. Os hereros são um povo mítico, com uma história marcada por sangue. Resistiram à escravidão e se opuseram à dominação alemã, o que os tornou vítimas de um dos maiores genocídios da história. Hoje fazem parte de uma extensão batu de cultura pastoril, e ocupam a região semi-desértica, da província Namibe, no Sudoeste de Angola.

24/05 a 28/08 - Exposição As Mulheres Negras da Irmandade da Boa Morte de Cachoeira - O trabalho dos fotógrafos Adenor Gondim, Pierre Verger e Valter Fraga, se misturam às suntosas roupas, jóias e a arte sagrada das mulheres da confraria religiosa da Boa Morte para compor esta exposição que tem curadoria do artista plástico, Emanoel Araujo. Imagens, peças e objetos remontam uma história que se confunde com a maciça importação de escravos da costa da África para o Recôncavo canavieiro da Bahia, em particular para a cidade de Cachoeira, a segunda em importância econômica na Capitania da Bahia durante três séculos. O fato de ser constituída apenas por mulheres negras, numa sociedade patriarcal e marcada por forte contraste racial e étnico, emprestou a esta manifestação afro-católica, como querem alguns autores, notável fama, seja pelo que expressa do catolicismo barroco brasileiro, de indeclinável presença processional nas ruas, seja por certa tendência para a incorporação aos festejos propriamente religiosos de rituais profanos pontuados de muito samba e comida.

24/05 a 27/05 - Seminário Internacional: I Encontro Afro-Atlântico na Perspectiva dos Museus - Em comemoração ao Dia da África (25 de maio), o Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo promoverá de 24 a 27 de maio, o I Encontro Afro Atlântico na Perspectiva dos Museus. Especialistas de vários países estarão reunidos para refletir a forma como os museus estão representando o continente africano por meio de suas elaborações conceituais-curatoriais. Um tema que envolve discutirá também as diversas possibilidades de interpretar a arte africana tradicional e contemporânea e sua inserção em museus nacionais e internacionais. Entre os temas que serão discutidos estão: A Arte Africana: Como decifrar seus enigmas?; Arte africana e o Conceito de Arte; Arte Contemporânea: Artistas Africanos e Museus; e Coleções em Debate.
Os especialistas confirmados: Abdou Sylla (IFAN-Senegal); Constantine Petridis (Museu de Arte de Cleveland); George Preston (Museu de Arte e Origens – EUA); Henry Drewal (Universidade de Wisconsin-Madison); Karen Meildoune (Museu de Arte Africana do Instituto Smithsonian); Lisa Binder (Museu para a Arte Africana – EUA); Robert Farris Thompson (Universidade de Yale); Samuel Sibidé (Museu Nacional do Mali); Susan Vogel (Universidade de Columbia) e Emanoel Araujo (Museu Afro Brasil).


Junho
02/06 a 24/07 - Exposição Dia Mundial do Meio Ambiente com Frans Kracjberg e Orlando Azevedo - Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 05 de junho. O Museu Afro Brasil abre espaço para o trabalho de dois grandes artistas, que fazem da natureza a principal obra prima. Do pintor, escultor e fotógrafo polonês Frans Krajcberg, a criação figurativa da natureza brasileira através das maravilhosas esculturas. Do fotógrafo Orlando Azevedo imagens que resultaram de sua recente viagem à Roraima, onde registrou as belezas naturais das extensas áreas de floresta tropical, num trabalho inédito.

Sobre o Museu Afro Brasil

O Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, é um espaço de preservação e celebração da cultura, memória e da história do Brasil na perspectiva negro africana, assim como na difusão das artes clássicas e contemporâneas, populares e eruditas, nacionais e internacionais.
Localizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo, foi inaugurado em 23 de outubro de 2004 e possui um acervo de mais de 5 mil obras. Parte destas obras, cerca de 2.100, foram doadas à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo pelo artista plástico e curador, Emanoel Araujo, idealizador e atual Diretor-Curador do Museu. A biblioteca do museu, cujo nome homenageia a escritora, "Carolina Maria de Jesus", possui cerca de 6.800 publicações com especial destaque para a coleção de obras raras sobre o tema do Tráfico Atlântico e Abolição da Escravatura no Brasil, América Latina, Caribe e Estados Unidos. A presença negra africana nas artes, na vida cotidiana, na religiosidade, nas instituições sociais são temas presentes na biblioteca.
O museu mantém um sistema de visitação gratuita para todas as exposições e atividades que oferece; um Núcleo de Educação com profissionais que recebem grupos pré-agendados, instituições diversas, além de escolas públicas e particulares. Através do Núcleo de Educação também mantém o programa "Singular Plural: Educação Inclusiva e Acessibilidade", atendendo exclusivamente pessoas com necessidades especiais e promovendo a interação deste público com as atividades oferecidas.
Em 2009, a Associação Museu Afro Brasil, que administra o museu tornou-se uma das Organizações Sociais ligadas à Secretaria de Estado da Cultura. A gestão compartilhada do Museu Afro Brasil atende a uma resolução da Secretaria que regulamenta parcerias entre o governo e pessoas jurídicas de direito privado para ações na área cultural.

Outras Exposições

As Exposições

· Antífona – A mostra destaca o trabalho do fotógrafo ensaísta, Gal Oppido. São 27 registros de rostos e corpos de intensa feminilidade produzidos como forma de retomar a discussão sobre o papel da mulher da atualidade. Cada uma das fotos apresenta mulheres com personalidades e características diferentes, traduzindo a visão do artista sobre o feminino liberto. “ A mulher que recentemente tem sua sexualidade afirmada igualitariamente perante uma sociedade até então de acento masculino, abrindo um horizonte para a compreensão dos inúmeros vínculos afetivos possíveis entre os humanos”, explica Gal. Para conceituar este novo trabalho, e o sentido de liberdade que ele impõe, o fotógrafo mergulhou na obra do poeta Cruz e Souza, de onde emprestou o título da exposição. “Ele (Cruz e Souza) de vasta erudição dirige sua crítica para esta sociedade serpenteada pelo racismo, preconceito e discriminação, sem abandonar o seu fazer poético, donde escolhi o poema Antífona, para animar as imagens resultantes deste ensaio”, conclui. Fotógrafo ensaísta, Marcos Aurélio Oppido é nome marcante quando o assunto é a fotografia aplicada às áreas de artes cênicas, expressão corporal e arquitetura. Expondo desde 1981, seus trabalhos integram acervos do MASP, MAM e MIS. Gal inicia sua carreia aliando a fotografia ao desenho, fortalecendo-se anos depois como fotógrafo independente. Conhecido por seu trabalho extremamente autoral explora o corpo, a efemeridade do tempo, a simbologia de objetos abandonados e a relação do homem com a matéria. De 26 de fevereiro a 17 de abril.


· A Natureza Viva de Frans Krajcberg – de 25 de janeiro a 27 de fevereiro. Uma seleção de fotos que revelam a grande paixão do artista, que é também um assumido defensor da natureza. Da visão deste amante solitário surgem imagens de beleza sedutora. As folhas, as flores, as matas e as florestas. Para esta mostra, o curador Emanoel Araujo selecionou 16 imagens que fazem parte do Calendário 2011 da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Frans Krajcberg é escultor, gravador e fotógrafo polonês, naturalizado brasileiro e radicado desde 1972, no Sul da Bahia , onde vive e trabalha entre milhares de espécies nativas que ele mesmo plantou em seu sítio. “ Ele é um descobridor da beleza e do poder de fazer surgir, no meio das mais profundas florestas carregadas do silêncio e da intocabilidade, a sua voz de defensor eterno e apaixonado. Ele é um cultivador dos seres vivos, que acolhidos pelo seu olhar, se abrem para o Sol e se mostram em seu esplendor...”, disse Emanoel Araújo.

· As Bandeiras do Vodu e os Primeiros Momentos do Terremoto”- A exposição apresenta objetos sagrados haitianos ao lado do trabalho fotográfico dos brasileiros Anderson Schneider e Caio Guatelli, jornalistas que foram à capital Porto Príncipe para a cobertura da catástrofe que assolou o país em janeiro de 2010. A mostra comemora o lançamento do catálogo “O Haiti Está Vivo Ainda Lá”, da exposição apresentada no ano passado com 350 peças – entre bandeiras, garrafas e recortes sagrados. A publicação, lançada em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, apresenta o colorido da arte religiosa e dos símbolos sagrados do Vodu, com bandeiras bordadas, garrafas estampadas, bonecas rituais, recortes de chapas de metal e de borracha. Nesta mostra objetos e imagens colocam lado a lado o sagrado e a resistência do povo haitiano marcado por traumas e infortúnios. A arte religiosa é representada por cerca de 70 objetos sagrados presentes nos rituais de Vodu. Já as imagens refletem o caos, a dor e a resistência de um povo diante da destruição de sua terra natal. São 70 fotos de Anderson Schneider e Caio Guatelli que mostram as ruas de Porto Príncipe tomadas por escombros, sobreviventes, cadáveres, equipes de socorro e militares. “Espessas colunas de fumaça erguem-se de todos os cantos da cidade como legiões de valquírias negras, levando aos céus as feridas da terra – feridas que deixaram com ainda menos os que já quase nada tinham”, narrou Anderson. As fotos de Caio traduzem momentos de angústia vividos no cumprimento do dever de repórter. “O cenário da cidade destruída pelo terremoto fica ainda mais caótico, quando barulhos de tiros soam no meio da correria. O cheiro de cadáveres agora se mistura ao de pólvora, e a tragédia parece só aumentar”disse. De 25 de janeiro a 24 de abril


A Arte do Povo Brasileiro. Quatro Olhares. Uma Homenagem - destaca a espetacular e autêntica arte popular brasileira. São cerca de 100 obras feitas em barro, madeira e tecido com colorido e lirismo que representam cenas do cotidiano religioso, de festas populares e do imaginário do povo brasileiro. Com curadoria do artista plástico, Emanoel Araujo, Diretor-Curador do Museu Afro Brasil apresenta obras de Maurino Araujo (esculturas de madeira), Lafaiete Rocha (esculturas de madeira), Madalena Reinbolt (tapeçarias), Agnaldo Manoel dos Santos (esculturas de madeira), Maria Cândido Monteiro (barro), Heitor dos Prazeres (pintura), Nhô Caboclo (esculturas de madeira), Nino (esculturas de madeira), Noemisa (barro), Mestre Vitalino (barro), Nino (esculturas de madeira), Família Julião (esculturas de madeira), entre outros. Nesta exposição 30 obras são assinadas por Maria Cândido Monteiro (1961-2010), uma das principais artesãs brasileiras, que morreu em agosto deste ano, e tão bem soube representar através da arte a vida de sua gente. Até 24 de abril.

Mostra de Arte Contemporânea com Almir Mavignier, Delmar Mavignier e Gerárd Quenum – mostra paralela à 29ª Bienal de São Paulo, com três importantes nomes da arte contemporânea. A exposição apresenta a obra gráfica do artista brasileiro, residente na Alemanha, Almir Mavignier, um dos fundadores do movimento da arte concreta, que esteve por muito tempo ausente dos espaços artísticos do Brasil. Aos 84 anos tem merecido reconhecimento internacional pela grande produção artística e pelos extraordinários cartazes publicados na Europa. Ser um discípulo de Max Bill e sua atuação como professor da escola ULM enriquecem seu extraordinário currículo. Ao lado de suas obras tem nesta mostra as produções de seu filho Delmar Mavignier já consolidado como artista gráfico na Alemanha, onde também reside. Já Gérard Quenum é um dos principais artistas francófonos e representa uma nova geração da arte contemporânea do Benin, que desde o inicio dos anos 90 venceu os limites de África, ganhando a atenção de colecionadores do Ocidente. É uma arte de criação excêntrica onde destaca o singular estilo escultural com objetos reciclados e o uso de bonecas descartadas trabalhadas com misturas de objetos e materiais diversos. Até 27 de março

Guernica Esteve Aqui – Com curadoria de Emanoel Araujo, a mostra apresenta duas releituras da mais importante obra do século XX, o painel Guernica, de Pablo Picasso, a mais política de todas de suas obras, já que narra um episódio da guerra Civil Espanhola , quando os alemães bombardearam a pequena cidade de Guernica, 1937. No Museu Afro Brasil a homenagem está na visão contemporânea do artista plástico Fernando Ribeiro e na ampliação do cartaz da exposição da obra em Milão (1953). Desde sua fundação em 23 de outubro de 2004, o Museu Afro Brasil ocupa o imponente Pavilhão Manoel da Nóbrega, o antigo Palácio das Nações, sede da Segunda Bienal Internacional de São Paulo. Um evento que teve a iniciativa do industrial Francisco Matarazzo Sobrinho, que criou este importante evento dedicado às artes plásticas internacionais, atraindo para a capital paulista os olhos do mundo. A Bienal trouxe para o Ibirapuera a obra de Pablo Picasso. Sim, o Guernica esteve aqui, no Palácio das Nações, hoje em exposição no Museu Reina Sofia, em Madrid, depois de longos anos de exílio no Museu de Arte moderna de Nova York. Foi realmente um grande desafio a vinda para a América do Sul da mais importante obra do pintor espanhol.

A história do Parque – O IV Centenário - Nas comemorações dos 56 anos do Parque Ibirapuera esta mostra apresenta boa parte dos milhares de objetos produzidos para o IV Centenário de São Paulo, tendo em vista que o próprio Parque foi uma das obras para a dita comemoração. São publicações comemorativas das revistas “O Cruzeiro” e “Manchete”; álbuns de figurinha; coleções de lenços de seda estampados com imagens de São Paulo; miniaturas e coleções de objetos de porcelana com imagens da comemoração dos 400 anos da cidade. Objetos curiosos foram selecionados para mostra como a bandeja com a pintura de Oscar Pereira da Silva com cenas da Fundação de São Paulo; o projeto de Marcos Concílio, que dentro de uma mala antiga reproduziu o símbolo do IV Centenário (2004) e ainda um original do “Álbum do IV Centenário da Fundação de São Paulo”, um presente da Colônia Japonesa à cidade editado com ilustrações coloridas, fotos em preto e branco (capa de couro, 79 páginas, em português-japonês).
A mostra também homenageia dois personagens da historia de São Paulo, Francisco Matarazzo Sobrinho, Presidente da comissão do IV Centenário e grande idealizador da Bienal Internacional de São Paulo, e Diretor do Museu de Arte Moderna, na sua origem, e o arquiteto Oscar Niemeyer autor do extraordinário projeto arquitetônico. Até 27 de fevereiro
· A Arte Ancestral e Contemporânea do Benin – exposição em torno da produção artística e cultural do Benin que reforça a influência decisiva da nação africana sobre a formação histórica e civilizatória brasileira. Obras de artistas convidados participantes da mostra ‘O Benin está Vivo Ainda Lá” (2008), representantes de uma nova geração que optou pela arte contemporânea. E quando se pensa em arte contemporânea neste caso, se pensa também no sentido da ancestralidade. Entre os artistas estão Charles Codjo Placide Tossou (fotografia),Tchif (acrílica com pigmentos naturais), Aston (instalação), Ladis (giz sobre tela) e Dominique Antonin Zinkpè (pintura e escultura), entre outros. A exposição apresenta a África como um mosaico de etnias, culturas e línguas de imensa variedade. O Benin, com 110 mil quilômetros quadrados (menor que o estado do Acre), é habitado por 6,5 milhões de pessoas espalhados em 60 etnias e línguas. O país situa-se no Golfo de Benin, no oceano Atlântico.

Exposição “De Arthur Friedenreich a Edson Arantes do Nascimento. O Negro no Futebol Brasileiro” – Fotos, ilustrações, objetos e publicações de época retratam os grandes negros do futebol brasileiro. Leônidas, Garrincha, Pelé e Arthur Friedenreich, futebolista que brilhou entre as décadas de 20 e 30, quando o futebol era esporte amador estão entre os personagens importantes que figuram entre as caricaturas, imagens, entrevistas e reportagens da imprensa especializada que brilhavam nas páginas das revistas “O Cruzeiro”, “Manchete” e “Placar”. A exposição também homenageia o escritor e jornalista Mario Filho, autor do livro “O Negro no Futebol Brasileiro”. Mario Filho era irmão mais velho do cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues. Textos de Nelson Rodrigues sobre o tema também podem ser vistos na mostra. Arthur Friedenreich, filho de um comerciante alemão e de uma lavadeira negra brasileira, nasceu no bairro da Luz em São Paulo, em 18 de julho de 1892 e morreu, em 1969, aos 77 anos.
Tempos de Escravidão, Tempos de Abolição: Iconografias e Textos - A mostra revisita dois diferentes tempos, apresentando documentos históricos, fotografias de época, aquarelas, pinturas, publicações e esculturas de ícones negros abolicionistas. Primeiro, um tempo não definido, do começo da escravidão no Brasil e em outros países das Américas, mostrando as atrocidades desta instituição infame, através de narrativas de negros e sobre navios negreiros. São narrativas em célebres poesias como “O Navio Negreiro” de Castro Alves, que também inspirou Cassiano Ricardo e o poeta americano Langston Hughes e, também “O Escravo” de Joaquim Nabuco. Depois, os Tempos da Abolição, destacando grandes personagens da vida pública brasileira, envolvidos com o abolicionismo. O poeta Luiz Gama; o escritor, romancista e jornalista José do Patrocínio; Joaquim Nabuco; o engenheiro André Rebouças; o Antonio Bento, do Grupo Abolicionista “Os Caifazes” ; o poeta Castro Alves; o médico baiano, Luiz Anselmo da Fonseca, autor do livro “A Escravidão, o Clero e o Abolicionismo” (1887). Destaque para as mulheres nordestinas da Sociedade Abolicionista Feminina: Olegária Carneiro da Cunha, Maria Augusta Generoso Estrela e Carolina Ferraz. Até 24 de abril.
São Paulo, Terra, Alma e Memória - a exposição apresenta três grandes panoramas fotográficos inéditos, com imagens de Theodor Preising e Valério Vieira; 24 postais de Guilherme Gaensly, publicações e homenagem a personalidades que marcaram época. As fotos retratam a São Paulo de 1912, com fotos de Theodor Preising,; de 1925, um panorama com seis fotos de parte da região central da cidade; e de 1930, um outro panorama da Coleção de Ruy de Souza e Silva. A mostra tem painéis que homenageiam a cantora Carmen Miranda, o abolicionista Luís Gama, o líder da Revolta da Chibata João Candido, o cartunista Ângelo Agostini e o compositor Adoniran Barbosa. A mostra apresenta ainda A Memória Editada da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo uma homenagem à empresa gráfica defensora e propagadora da memória social, artística e cultural do Estado de São Paulo e do Brasil.
Formas e Pulos – O Saci no Imaginário - Símbolo de mestiçagem e resistência desde os tempos da Colônia e do Império, quando os negros enfrentavam os capitães do mato com golpes ágeis de capoeira, o Saci congrega a cultura multirracial que forma o povo brasileiro e plasma sua identidade, resgatando as representações de um duende genuinamente nacional em esculturas, objetos, publicações, gravuras e cartazes de diversos artistas, em suportes e técnicas variadas. Curador: Vladimir Sacchetta. Longa duração

Secretario de Estado da Cultura: Andrea Matarazzo
Diretor Curador: Emanoel Araujo
Diretor Executivo: Luiz Henrique Marcon Neves
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº
Parque Ibirapuera- Portão 10
São Paulo- SP - Brasil
CEP: 040094-050
Fone: 55 11 3320-8900

Assessoria de Imprensa: Claudia Alexandre
Contato: comunicacao@museuafrobrasil.org.br

Claudia Alexandre - Assessoria de Imprensa
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Pastas de direitos humanos, mulheres e negros sofrem com caixa minguado

O status de ministério ficou apenas no nome de quem ocupa o cargo. As secretarias especiais, criadas no governo Lula para garantir aplicação de recursos em áreas sensíveis, amargam desde 2003 a falta de dinheiro em caixa. Neste ano, as três pastas juntas — Direitos Humanos, Políticas para Mulheres e Igualdade Racial — terão R$ 431 milhões para gastar. O valor é 30% menor que o orçamento, por exemplo, do Ministério da Pesca, órgão com a menor destinação de recursos na lei orçamentária —- R$ 553 milhões — e que passou longe da disputa dos partidos por cargos.

Além de limitados, os orçamentos das secretarias especiais sofrem todos os anos com o contingenciamento. “A liberação dos recursos é toda no fim do ano. O que acontece é que as pastas não conseguem nem gastar. Os programas sociais não param, precisam de dinheiro o ano todo”, destaca a especialista em segurança pública e gênero Eliana Graça, que critica a transparência da aplicação de verba. “Grande parte dos projetos são feitos por prefeituras e organizações não governamentais, sendo que muitos convênios são aprovados sem análise técnica e sem acompanhamento”, destaca a especialista.

No ano passado, dos R$ 239,3 milhões previstos para ações de direitos humanos no país, apenas R$ 191,2 milhões foram pagos. O que significa dizer que o governo investiu menos de R$ 1 por brasileiro nessa área. A pasta é responsável por programas de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, proteção de pessoas ameaçadas, ações de acessibilidade e de defesa dos idosos.

Os cortes no orçamento deste ano também já afetaram as secretarias. A execução nas três pastas está abaixo de 10%, sendo que o pior índice está registrado na Secretaria de Políticas de Igualdade Racial, que gastou menos de 3%. A pasta de Direitos Humanos executou 4% do orçamento previsto para este ano.

Mesmo Dilma Rousseff tendo garantido prioridade para a infância no seu governo, até agora não houve novos investimentos no enfrentamento da violência sexual contra crianças e jovens. Apesar dos R$ 12,3 milhões disponíveis para a ação, menos de 1% está empenhado e nada foi pago. O Programa Nacional de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei (Pró-Sinase) também não teve aporte de recursos. Os dados são de um estudo preparado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) com a série histórica de gastos dessas secretarias, que compõem o orçamento social do governo.

“Há um aumento nos recursos das secretarias em geral por conta da pressão dos movimentos por emendas no Congresso, mas a verba ainda está muito aquém do ideal para os temas. É impossível combater o problema da violência contra a mulher, por exemplo, com R$ 35 milhões. Chega a ser ridículo”, afirma Eliana.

Muito a fazer
A Secretaria Especial da Mulher começou 2003 com R$ 33,8 milhões, quando teve uma execução de R$ 5,6 milhões, e chegou, no ano passado, a R$ 109 milhões, com R$ 96,1 milhões gastos. Além da violência, a secretaria tem, entre as atribuições, a elaboração de políticas públicas de gênero, incluindo ações de incentivo ao empreendedorismo e melhorias nas condições de trabalho.

A Igualdade Racial tem o pior cenário. Dos R$ 94 milhões autorizados no orçamento deste ano, pouco mais de R$ 2,2 milhões foram gastos até agora, sendo que R$ 2,1 milhões são voltados para o pagamento de despesas administrativas. O restante — menos de R$ 100 mil — foi investido no programa Brasil Quilombola e em ações de promoção de políticas afirmativas. O governo passado estabeleceu uma agenda para a assistência das 1.739 comunidades remanescentes de quilombos. O projeto era atender, até o fim do ano passado, essas áreas, localizadas em 330 municípios de 22 estados brasileiros.

“Ainda estamos muito longe de colocar esses temas como prioritários ou dentro de uma política transversal, como prevê a lei. Igualdade Racial, Mulheres e Direitos Humanos não estão, de fato, agregadas ao núcleo duro do governo”, critica Eliana. O Correio entrou em contato com as secretarias e não obteve retorno.

Mais uma
O governo Dilma anunciou a criação de uma estrutura nova: a Secretaria Especial de Aviação civil, ligada à Presidência da República. A pasta, que também tem status de ministério, será responsável por articular políticas para os aeroportos brasileiros. A intenção é reduzir a possibilidade de colapso na aviação civil durante eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. A estrutura atual da Esplanada é composta por 37 ministérios.

“Fiscais da cidadania” intensificam o combate a atos de discriminação na internet

Os brasileiros estão mais atentos e não hesitam em levantar suas vozes para protestar e denunciar casos de homofobia (aversão aos homossexuais), misoginia (discriminação contra as mulheres), xenofobia (aversão a estrangeiros) e racismo (contra negros e indígenas, sobretudo). Como “fiscais da cidadania”, pesquisam e encaminham às autoridades endereços de redes sociais, blogs e sites que pregam o ódio ao outro.

É o que um grupo de leitores do portal da Fundação Cultural Palmares (FCP) vem fazendo, há alguns meses, ajudando o Governo a aprimorar os mecanismos de fiscalização e repressão às manifestações de discriminação e intolerância. Em pesquisas minuciosas e sempre atualizadas, rastreiam aqueles que se utilizam da internet para difundir conteúdos racistas e agregar pessoas com as mesmas tendências criminosas.

Agrupados em sites de relacionamento, como o Orkut, principalmente, internautas constroem e/ou seguem slogans como “Lugar de preto é no presídio”, “Pegue sua arma e atire num negro” ou “Negro bom é negro morto” – para citar alguns casos de racismo explícito. Muitas dessas comunidades começaram a ser excluídas a partir de março deste ano, após as denúncias começarem a chegar ao “Fale Conosco” da Palmares.

MISOGINIA – Mas enquanto as comunidades com teor racista estão sendo deletadas, as misóginas permanecem ativas, recebendo mais membros, inclusive. Na comunidade “O mito da mulher decente”, pelo menos três tópicos ferem a integridade moral da mulher, por meio de termos chulos e ofensivos, e descrevem métodos para a prática de crimes contra as pessoas do sexo feminino.

Numa clara apologia à violência sexual, pedem “Condicional para estuprador já!”; ensinam “Como estuprar uma mulher”; e sugerem que “Mulheres precisam apanhar para serem felizes”. Seguindo o mesmo viés, a comunidade “Estupro é culpa da mulher” argumenta que o fato de as mulheres se vestirem ou se comportarem de uma maneira específica em determinados contextos autoriza os homens a violentá-las…

Outra comunidade, intitulada “A mulher é inferior ao homem”, lista os supostos motivos pelos quais as mulheres não deveriam ser tratadas com equidade ou respeito – um comportamento misógino injustificável, que atenta contra os direitos humanos da população feminina e precisa ser combatido, por estar na raiz das violências físicas praticadas contra milhares de brasileiras, diariamente.

Contra os homossexuais, há comunidades como “Jesus não gosta de gays” e “Gay bom é gay morto. Homens são as maiores vítimas das agressões verbais e físicas, vistas como “necessárias”, para “converter” e “corrigir” o “problema”. A violência é incentivada e ensinada em tópicos abertos a qualquer usuário do site, numa incitação criminosa ao ódio na rede mundial de computadores.

XENOFOBIA – Após o terremoto que atingiu o Japão no início de março deste ano, foram criadas páginas debochando do assunto e da população atingida. Comunidades como “Japão, chamem os Power Rangers”, e “Rezo para a destruição do Japão” difundem conteúdo xenófobo contra aqueles que também ajudaram a construir a identidade brasileira.

O Brasil ainda não possui uma legislação específica para crimes de internet, para punir as pessoas envolvidas em atos como os acima mencionados. Mas uma dupla de amigos foi condenada a dois anos de prisão no Paraná por manter um site com conteúdo ofensivo a negros e judeus, com base no arcabouço legal que criminaliza a prática da discriminação racial.

No processo, Rodrigo Marcel Ribeiro e Adriano Nunes Motter foram acusados de racismo por usarem termos como “Maldita corja sionista” e “negros malditos”. Em sua defesa, os acusados argumentaram que a manifestação não seria racista e estaria protegida pela liberdade de expressão (sic). O mesmo argumento usado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), após ter sido denunciado por ato de discriminação.

Na decisão da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, o desembargador Luiz Osório Moraes Panza negou os recursos apresentados pelos advogados de defesa: “Os apelantes, conscientes da ilicitude, praticaram, induziram e incitaram a discriminação e o preconceito (…) através da criação do site, de amplo acesso, atingindo a um número indeterminado de pessoas”, escreveu, em relatório.

CRIMES
Racismo e xenofobia são crimes previstos na Constituição Federal, puníveis com multa e prisão, como registrado nas leis 7.716/89 e 12.288/10 (Estatuto da Igualdade Racial). A misoginia e a homofobia, porém, ainda não foram tipificadas. O presidente da Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, já solicitou audiência à Procuradoria Geral da República, para dar continuidade ao processo de encaminhamento das denúncias de racismo que chegam à Fundação.

Fonte: Palmares

Fundação Cultural Palmares oferece vagas para estagiários de jornalismo

Por Fernanda Lopes

A Fundação Cultural Palmares (FCP) no Distrito Federal oferece duas vagas de estágio para estudantes de comunicação social com habilitação em jornalismo. O principal critério de seleção é o interesse dos candidatos em trabalhar pela promoção e preservação da cultura afro-brasileira. Os estagiários serão lotados na Assessoria de Comunicação da Palmares, cuja sede fica em Brasília.

Fruto da luta do Movimento Negro, a Fundação Palmares é uma instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), que há 22 anos trabalha pela preservação, proteção e disseminação da cultura negra, além de combater o racismo e lutar pela igualdade de oportunidades para a população afro-brasileira. Portanto, os candidatos deverão ter conhecimento ou interesse por essas temáticas.

O estudante que tiver alguma experiência, conhecimento ou interesse por políticas públicas direcionadas à população negra e queira trabalhar pela promoção dos direitos dos descendentes de africanos escravizados deverá encaminhar o currículo pelo Fale conosco do portal Palmares ou entrar em contato pelo telefone (61) 3424-0166, até o dia 01 de maio.



Praias são fechadas por condomínios

Pescadores, marisqueiras e nativos lutam pelo direito de ir e vir nas praias e rios dos 42 quilômetros de orla de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador. Eles alegam que alguns loteamentos se apropriam de áreas públicas e se intitulam de condomínios, proibindo a entrada de moradores da região.

Segundo os denunciantes, muitas vezes eles são barrados nas entradas dos loteamentos por seguranças e policiais armados. Revoltados com a situação, eles pedem providência aos poderes públicos.

De acordo com Roberval Oliveira, representante da Associação Diáspora Solidária, dezenas de loteamentos estão utilizando a monenclatura errada de condomínios para privatizar as praias. Segundo ele, o fato vem causando transtornos para os moradores, que não estão podendo tirar o próprio sustendo do mar.

. “Queremos abertura das vias públicas para qualquer cidadão, sem que as pessoas sejam barradas ou constrangidas. Somente o Estado tem direito de parar o cidadão em via pública e pedir identificações”, finalizou Oliveira, informando que os moradores já encaminharam uma denúncia junto ao Ministério Público (MP), no dia 14 de setembro do ano passado.

De acordo com o vereador Jorge Curvelo (DEM), uma sessão na Câmara foi realizada na última quinta-feira (14), para discutir o problema. No encontro, que teve a participação de representantes da prefeitura de Camaçari, Ministério Público e comunidade, os moradores disseram que a situação está insustentável. Muitos pescadores alegaram que precisam caminhar cerca de quatro quilômetros para ter acesso à praia devido à proibição.

Ainda de acordo com o vereador, uma comissão foi formada na Câmara para apurar as denúncias. Ele informou que ainda esta semana pretende se reunir com o prefeito da cidade para saber quais providências serão tomadas. “Muitos daqueles condomínios são registrados na prefeitura como loteamentos.

Após a apropriação, os moradores transformam em condomínios. Eles alegam que colocam portaria em busca de segurança. O que não lhes dá o direito de proibir entrada e saída dos cidadãos que precisa circular pelo local. Os pescadores alegam que não conseguem mais tirar o próprio sustento no mar”, concluiu o vereador.

De acordo com José Cupertino, secretário da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), há algum tempo o problema vem acontecendo na região. Segundo ele, a maioria dos empreendimentos construídos na orla de Camaçari tem licença apenas para construção de loteamentos, o que não é permitido intitular o espaço de condômínio.

Ele pede que pescadores e nativos que estejam se sentindo prejudicados que formalizem uma denúncia junto à Sedur. “Eles não podem proibir o acesso de ir e vir das pessoas. Sei que muito deles estão preocupados com a segurança, o que não os permite criar uma portaria de condomínio sem autorização da prefeitura.Vamos fazer o possível para resolver o problema”, disse o secretário.

A Tribuna entrou em contato com funcionários do condomínio Arembepe Aquaville, localizado no Rio Capivara, apontado como um dos locais que a população não tem acesso livre, e o administrador Jair Jorge informou que o empreendimento tem licença da prefeitura para manter a portaria. Segundo ele, as pessoas precisam se identificar e dizer qual o motivo de estar ali no local para ter acesso ao rio.

De acordo com Jorge, a medida foi tomada devido aos assaltos que ocorriam com frequência dentro do condomínio. “Aqui as pessoas precisam se identificar por medida de segurança. Não autorizamos entrada de bebidas alcoólicas nem pesca com bomba. Temos autorização para fazer essa exigência”, finalizou Jorge.

Já no condomínio Praia do Pirui, em Arembepe, um outro local apontado, a equipe foi informada por um segurança da portaria que, para ter acesso à praia, teria que entrar por um beco com cerca de dois metros de largura. O mesmo não quis dar detalhes sobre o acesso ao local.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Combate à homofobia é tema de audiência da Comissão da Igualdade


O dia 17 de maio foi instituído como Dia Nacional de Combate à Homofobia, a partir de decreto assinado pelo ex-presidente Lula em junho do ano passado. Para discutir ações concretas para diminuir o preconceito e a discriminação contra a comunidade LGBT, a Comissão Especial de Promoção da Igualdade (Cepi) do Legislativo baiano promove uma audiência pública, na próxima terça-feira (26/04), às 9h30, na sala Eliel Martins, na Assembléia Legislativa da Bahia (CAB).


Foram convidados para a audiência representantes do GGB (Grupo Gay da Bahia); Gapa Bahia (Grupo de Apoio a Prevencao a AIDS da Bahia); Núcleo de Gênero e Sexualidade (Nugsex Diadorim) da Uneb; LBL (Liga Brasileira de Lésbicas); Glich (Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual); Atras (Associação de Travestis de Salvador); entre outras entidades.


Marco LGBT - A data virou marco para o movimento porque, há duas décadas, em 17 de maio de 1990, a Assembleia Mundial da Saúde, órgão da Organização Mundial de Saúde (OMS), retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças.


No âmbito nacional, a comunidade aponta avanços com a elaboração do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBTT e o Programa Brasil sem Homofobia e, no Estado da Bahia, destaca a promoção e implementação de políticas públicas de combate à discriminação aliadas à edificação de uma cultura de paz, buscando erradicar todos os tipos de violência.

Racismo e truculência policial


O Brasil inteiro pode assistir pela televisão as crudelíssimas cenas em que um policial, ao abordar um garoto, lhe arranca uma corrente do pescoço e dispara 4 ou 5 tiros a queima roupa. Como se não bastasse, o obriga a caminhar até a viatura. Após perder muito sangue, o menino cai antes de entrar no carro. Com muita sorte o garoto sobreviveu e foi inserido no programa de proteção a testemunhas. Este episódio aconteceu no dia 17 de agosto de 2010. O policial justificou seu comportamento dizendo que o menino estava armado e o recebeu com violência. No entanto, além de desarmado e acuado contra o muro, a truculência só findou quando outro policial impôs limite com um tiro para o alto. Todos vimos.

Em 26 de julho de 2010, um garoto é morto a queima roupa por policiais em Fortaleza na garupa da moto do pai. Segundo os policiais, foi uma abordagem trágica. O pai não parou e o policial não hesitou. Com um tiro na cabeça o garoto com 14 anos perde a vida.

No dia 22 de setembro de 2010 outro adolescente de 17 anos morreu após levar um tiro em frente à sua escola por um disparo de uma policial militar na tarde de quarta-feira, 22, em M'Boi Mirim, São Paulo. A policial alega que foi um tiro acidental.

O estudante negro Helder Souza Santos no dia 06 de fevereiro de 2011 em Jaguarão / RS foi abordado de forma truculenta por policiais militares para uma revista. Ao questionar o procedimento o estudante foi agredido, jogado no chão e algemado com ofensas racistas.

Como estes adolescentes de periferia (ou não), pobres e negros, outros milhares perdem a vida no encontro com quem tem como ofício garantir a segurança. Embora muitos casos ocorram na surdina o processo de extermínio prossegue incessantemente. Essa questão não pode ser tratado como coincidência, nem obra do acaso. A repetição deste padrão reflete um modus operandi da segurança pública do país e reflete o que se conhece como racismo institucional”, a estigmatização pelos agentes públicos de determinados segmentos da população com base cor da pele ou outra característica étnico-racial.

A violência policial não é esporádica, eventual, nem local (tem dimensão nacional), mas tem direção certa. A vítimas da truculência da polícia são, via de regra, jovens negros, pobres e moradores de áreas de baixo acesso a políticas públicas. Portanto, a violência policial é um comportamento pautado por uma lógica institucional que efetivamente instiga e produz mais violência.

Cabe tentar compreender o fio que tece o pano de fundo desta política. O problema não pode ser analisado de forma simplista considerando apenas os maus profissionais, embora este seja um problema igualmente grave. A frequência elevadíssima de fatos como esses é suficiente para compreendermos que não é obra isolada da chamada banda podre da polícia, mas fruto de uma corporação não preparada para atuar em consonância com os direitos humanos. Acontece que além da incapacidade de oferecer à população uma política de ações estratégicas e coordenadas para defender e proteger a sociedade da violência, a polícia adota “comportamentos discriminatórios e estereótipos racistas que acarreta desvantagem de grupos raciais a benefícios gerados pela ação do Estado e que deveriam ser universais”1 . O “elemento suspeito”2 , o potencial agressor, a promíscua, a vadia são invariavelmente pessoas de cor negra. Basta olhar nossas instituições de internação, seja de adolescentes, seja de adultos, para reparar o caráter de navio negreiro de cada presídio.

E é espantoso o que a incrível habilidade dos discursos das forças dominantes é capaz de produzir. Apesar da violência letal que afeta a juventude negra, é justamente ela apontada como maior responsável pela violência urbana. E quem ousa levantar a voz em reação é condenado a enfrentar pessoas enraivecidas que insiste em nos chamar de defensores de bandidos.

O problema então exige como resposta mais do que capacitações, mas uma nova política que seja capaz de zelar pela paz, proteger e promover a segurança para todos os cidadãos e cidadãs com igual deferência, sem discriminações, sem preconceitos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

5a Carreata a São Jorge Guerreiro


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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Comissão da Igualdade discute denúncia de intolerância religiosa em Camaçari


“Viemos ouvir todos os lados. Porém, temos uma certeza, precisamos fazer respeitar a que garante a Constituição. E intolerância e racismo são crimes perante a lei”. Foi com esse pensamento que o presidente da Comissão Especial da Promoção da Igualdade (Cepi) da Assembléia Legislativa, deputado estadual Bira Coroa (PT), conduziu, nesta quarta-feira (20), uma audiência pública do colegiado para debater denúncia de prática de intolerância religiosa contra uma escola municipal em Camaçari.

Prestes a completar dois meses de atividade, a Escola Municipal Zumbi dos Palmares é fruto de convênio entre a Prefeitura e o terreiro de candomblé Lembá, porém funciona dissociada da casa religiosa e com a mesma orientação pedagógica das outras unidades de ensino fundamental, sob responsabilidade da Secretaria municipal de Educação.

A discussão aconteceu na própria cidade, no auditório da Cidade do Saber, e ouviu o coordenador da escola Ricardo Tavares, que também é o Tata Inkissi do terreiro, que provocou o Ministério Público a investigar uma suposta campanha de discriminação deflagrada pelo líder comunitário Arailton Rodrigues, que, apesar de convidado, não compareceu à audiência.

Denúncia – "Ele disse que Zumbi dos Palmares não podia ser nome de escola. Que lugar de macumba não é lugar de criança estudar. Que a merenda escolar era oferenda para satanás e que em nossos rituais sacrificávamos crianças", desabafou o tata Ricardo, para quem Arailton se dizia evangélico.

Para o pastor Paulo Passos, presidente do Conselho de Ministros Evangélicos de Camaçari – COMEC, a atitude “deste suposto evangélico” não deve ser estendida às igrejas cristãs. “Em nossa igreja, não comungamos com este procedimento. Mas este momento é importante, pois é na adversidade que se cresce. Defendo a ideia de que podemos não concordar um com o outro, mas quem descrimina merece cadeia”, disse o representante, revelando não ver problema no funcionamento da escola.

Em blogs da cidade, Arailton nega fazer perseguição religiosa, diz que a questão é socioambiental e acusa a prefeitura de Camaçari de erguer a escola em área contaminada por produtos químicos. Na audiência, a informação foi negada pelo vereador José Marcelino (PT): “Esta informação já foi desqualificada pelos órgãos ambientais competentes. A escola pode funcionar onde está”.

Para Bira Corôa, o fato, apesar de lamentável e mesmo ainda em investigação, já serviu como demarcador de uma nova postura que passará a ser adotada no estado. Tal pensamento foi ampliado pelo vice-presidente da Comissão, deputado Carlos Geilson (PTN), para quem é preciso “construir uma consciência coletiva de que ninguém é melhor que ninguém, que nenhuma religião é melhor que outra”.

Diálogo – "Temos uma escola funcionando em uma igreja evangélica, outra em um centro espírita. Então, qual é o problema de existir uma escola em um terreiro de candomblé?”, questionou o prefeito da cidade, Luiz Caetano, defendendo a necessidade de mostrar para a sociedade como um todo que estas atitudes não devem se proliferar.

Ao final da audiência, as diversas autoridades presentes e representantes de movimentos sociais, organizações não-governamentais, igrejas evangélicas e terreiros de candomblé assumiram divulgar e promover ações conjuntas, formando uma caravana da cidadania itinerante, na qual sejam acolhidos casos de denúncias desta natureza. Esta ação sugerida pela promotora do Ministério Público, Márcia Virgens, ficou mais robusta com a ideia de ampliação do diálogo interreligioso proposto pelo coordenador de Cidadania e Promoção de Direitos Humanos da Secretaria estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Marcos Rezende.

Também participaram da mesa: Ivonete Mota Reis, coordenadora de Reparação do Município de Camaçari; Mãe Déu, do terreiro Ilê Axé Ioromim; pastor Joilton de Jesus, presidente da Associação Brasileira dos Ministros Evangélicos – AmeBrasil; além dos secretários municipais Vital Vasconcelos (Cultura) e Luís Valter de Lima (Educação).

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