sábado, 30 de julho de 2011

Troféu Benedita da Silva: Noite de premiação homenageia mulheres negras na Bahia

A deputada federal Benedita da Silva (PT-BA) foi o centro das atenções na noite de ontem (29), no município baiano de Camaçari, durante premiação a mulheres negras que leva seu nome. Acompanhada do marido, o ator Antonio Pitanga, ela disse que aquela era uma demonstração de carinho e respeito do deputado Bira Corôa (PT-BA), proponente do Troféu Pérolas Negras Benedita da Silva, às mulheres negras que fazem da luta diária contra o preconceito uma trincheira.

“Nós não denunciamos apenas, também estamos construindo”, disse Benedita, que cantou afinada o samba Minha Missão, de Paulo Nogueira e Paulo César Pinheiro. Nos versos da canção, agradeceu a noite de premiação, sendo aplaudida de pé: “Canto para anunciar o dia / Canto para amenizar a noite / Canto pra denunciar o açoite /Canto também contra a tirania”.

O deputado Bira Corôa (na foto com a deputada Benedita) destacou a diversidade no perfil das 30 homenageadas como forma de contemplar todas as mulheres. “Recebem a honraria pescadora, advogada, professora, juíza, mestra de capoeira, baiana de acarajé, jornalista, quilombola, sindicalista, lideranças religiosas e comunitárias, que se destacaram nas suas áreas de atuação ou na defesa da promoção da igualdade”, afirmou o parlamentar.

Na lista, mulheres negras como Luislinda Valois, primeira juíza negra do Brasil; Maria Dilza de Jesus, jornalista e ativista do Movimento Negro em Camaçari; Domingas, ex-trabalhadora doméstica e atualmente prefeita de Governador Mangabeira; Alessandra Godinho Fernandes, primeira e única mulher pescadora de alto mar da Colônia Z-1 do Rio Vermelho (Salvador).

Quebra de protocolo - Aos 72 anos, o ator Antonio Pitanga citou sua mãe, que era neta e bisneta de escravos, e fez uma saudação à platéia: “Camaçari, és gigante! Bira, teu gesto é nobre!”. Fugindo do protocolo da cerimônia, a ex-reitora da Uneb Ivete Sacramento e a atriz Neuza Borges discursaram ao receberem o troféu. “É a primeira vez que um prêmio ganha um nome merecido, de quem viveu e ensina lições de empoderamento da mulher negra na sociedade brasileira”, disse Ivete. “Encontrei hoje pessoas que me deram força para seguir com a escolha de ser como sou, na maneira de atuar e de lutar”, disse Neuza Borges, que deve receber, ainda este ano, título de Cidadã Baiana proposto por Bira Corôa no Legislativo estadual.

Vital Vasconcelos, secretário de Cultura de Camaçari, levou o abraço do prefeito Luiz Caetano (PT): “Apesar de ausente, o prefeito está honrado pela homenagem acontecer em nosso município”. O vereador Marcelino, do PT local, também elogiou a iniciativa: “Todo dia o racismo desafio a gente. Não podemos errar”.

De vários municípios, compareceram secretários municipais, dirigentes de órgãos, vereadores, sindicalistas, representantes de entidades do movimento negro, ambientalistas, lideranças comunitárias. O ato encerrou com performance de poesia em tom contestador, além apresentações de grupos culturais de samba de roda.

Clique aqui e confira as fotos do evento.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Marcha por uma Copa do Povo! Você pensa que a Copa é nossa?

Participe do ato unificado dia 30 de julho a partir das 10 horas indo em direção da Marina da Gloria.

Os governos falam o tempo todo que a Copa e as Olimpíadas trarão benefícios para o Rio e para o Brasil. Mas benefícios pra quem? O custo de vida e o aluguel não param de aumentar, famílias são removidas das suas casas, ambulantes e camelôs, proibidos de trabalhar.
Mais: eles estão gastando dinheiro público nas obras e apresentaram uma lei para não prestar contas depois. Pra piorar, a Fifa, a CBF e o seu presidente, Ricardo Teixeira, organizadores da Copa, sofrem várias denúncias de corrupção.
Tudo indica que com a Copa e as Olimpíadas vamos repetir em escala muito maior a história do Pan-americano de 2007: desvio de dinheiro público, obras grandiosas, mas inúteis depois das competições, benefícios só para os empresários amigos do poder e violação dos direitos de milhares de brasileiros.
As remoções de famílias atingidas pelas obras estão acontecendo de forma arbitrária e violenta. Essa situação já foi denunciada inclusive pelas Nações Unidas. Os jogos estão sendo utilizados como desculpa para instalar um verdadeiro Estado de Exceção, com violação sistemática dos direitos e das leis.
Deste jeito, qual será o legado dos megaeventos? A privatização da cidade, da saúde e da educação? A elitização do futebol e dos estádios? O lucro e os benefícios com isenções e empréstimos subsidiados com o nosso dinheiro para empreiteiras? O lucro da copa é dos empresários, mas a dívida é nossa. Vamos permitir que as histórias da Grécia e da África do Sul se repitam?
Junte- se a nós! Vamos juntos mudar este resultado, venha lutar.
Venha bater uma bola com a gente no Largo do Machado, dia 30 de julho a partir das 10 horas indo em direção da Marina da Gloria
Remoção zero!
Cidade não é mercadoria!
Não à privatização das terras e recursos públicos, dos aeroportos, da educação e da saúde.

*Fonte: Comitê Popular da Copa e Olimpíadas no Rio de Janeiro

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tributo a mulheres negras traz Benedita da Silva, Antonio Pitanga e Neusa Borges à Bahia

Uma premiação a mulheres negras baianas que se destacaram na sua área de atuação ou na defesa da promoção da igualdade reunirá, nesta sexta-feira (29), em Camaçari, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) e os atores Antonio Pitanga e Neuza Borges. As homenageadas receberão uma placa honorífica que leva o nome da ex-governadora do Rio de Janeiro – Troféu Pérolas Negras Benedita da Silva – no evento que começa às 19 horas, no espaço Armazém, bairro Camaçari de Dentro.

A iniciativa é do mandato do deputado estadual Bira Corôa (PT-BA), presidente da Comissão de Promoção da Igualdade da Assembléia Legislativa da Bahia, e faz parte da programação ao Dia Internacional da Mulher Negra na América Latina e no Caribe, o 25 de julho. “Benedita da Silva é símbolo da luta de gênero e raça no País, primeira senadora e governadora negra brasileira. Das suas mãos, nossas pérolas negras estarão recebendo mais que uma honraria”, afirma o parlamentar.

A participação da atriz catarinense Neuza Borges, que interpreta a Dalva na reprise da novela “O Clone”, da TV Globo, é especial. O Legislativo estadual aprovou projeto que concede a ela título de Cidadã Baiana, uma proposta de Bira Corôa, que quis incluí-la no rol das homenageadas. “A sua resposta quando da nossa indicação foi tão generosa que decidimos entregar o troféu a essa atriz que se destaca como militante pela igualdade racial no Brasil”, afirma o deputado.

A entrega do troféu marca também pela diversidade no perfil das homenageadas. Entre elas tem juíza, pescadora, advogada, prefeita, líder religiosa, professora, mestra de capoeira, liderança comunitária, baiana de acarajé, atriz, jornalista, quilombola e sindicalista. O evento contará com apresentação de grupos culturais, com música e poesia.

Trajetória de Benedita
Benedita da Silva nasceu em 1942 na cidade do Rio de Janeiro, é formada como auxiliar de enfermagem e formação em Serviço Social. É casada com o ator Antônio Pitanga, que é pai de Camila e Rocco Pitanga. Foi vereadora (1982), deputada federal em 1986, reeleita para o segundo mandato em 1990. Em 1994, tornou-se a primeira mulher negra a ocupar uma vaga no Senado. Foi eleita vice-governadora do Rio de Janeiro em 1998 e, com a renúncia de Anthony Garotinho para concorrer à Presidência da República, assumiu o governo em abril de 2002, tornando-se a primeira mulher negra a governar um Estado brasileiro. Assumiu a Secretaria Especial da Assistência e Promoção Social, com status ministerial no Governo Lula e, em janeiro de 2007, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, no Governo Sérgio Cabral Filho. Em 2010, elege-se, mais uma vez, deputada federal.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Denuncie aqui os casos de intolerância religiosa

O principal objetivo deste site é receber, encaminhar, acompanhar e prestar contas dos casos de intolerância religiosa que venham a ser denunciados aqui. Aqui você poderá apresentar o caso, enviar fotos e textos descritivos do que está acontecendo em sua cidade. Nós lhe orientaremos sobre quem procurar, como proceder e as formas possíveis de dar solução às situações de intolerância que você ou seu grupo religioso esteja vivendo.

Para facilitar, abaixo colocamos um passo-passo a de como proceder em casos de intolerância religiosa.

As ocorrências de fatos que se enquadram nas previsões legais existentes, relativas à discriminação religiosa, podem e devem ser objeto de apresentação de denúncias junto aos orgãos competentes, afim de que responsabilidades venham ser apuradas, e a fiel aplicação da norma seja observada.

Consideramos que ainda esta sendo construído no âmbito da justiça, um melhor entendimento sobre este tema, isto muito em face ao fato de que por parte de muitos, inexiste um maior conhecimento de seus direitos concernentes ao tema, pelo que entendemos que este é um processo lento, que perpassa por várias questões, que vão, desde um melhor aprimoramento das instituições do Estado, quanto ao atendimento destas demandas até a própria consciência da sociedade sobre seus direitos.

Assim, destacamos que as ofensas aos preceitos legais, podem ocorrer de forma direta e individual, bem como, de maneira genérica ou difusa, devendo nestes casos serem observados os seguintes procedimentos:

Nos casos de ofensa direta e individual:
A justiça só pode se manifestar quando é chamada para apreciar os casos concretos, de forma que nas ofensas diretas e individuais, as quais podemos exemplificar, como sendo aquelas onde a pessoa por sua crença e/ou o exercício da mesma, venha sofrer qualquer tipo de discriminação, seja por palavras ou quaisquer atos, que depreciem, denigram, excluam ou a atinjam, pode dar encaminhamento ao que se denominada de ação privada, pois depende do interesse e desejo da pessoa ofendida.

- Procedimento nos casos de situações previstas no Parágrafo 3º, do Artigo 140 do Código Penal Brasileiro, que trata da injúria qualificada:
Pode-se agir das seguintes forma:
1º – Poderá o ofendido, solicitar a abertura de inquérito policial, procedendo ou através de registro de Boletim de Ocorrência (BO) em delegacia, ou por intermédio de requerimento a um delegado ou autoridade policial presente, que conste a descrição dos fatos ofensivos à lei, indicando testemunhas ou apresentando provas;
2º – Uma outra opção poderá ser a apresentação de pedido de providências junto ao Ministério Público (MP), trazendo a este as mesmas descrições dos fatos, eventuais provas e indicação de testemunhas, afim de que após análise do MP, possa eventualmente haver a aceitação e encaminhamento de denúncia, originando assim um processo.

- Procedimento nos casos de situações previstas no Lei Federal n.º 7.716/89, que ensejem o ajuizamento de ação pública, a qual pode ser encaminhada
Nas condutas previstas na Lei Federal n.º 7.716/89:
Há plena semelhança nos procedimentos adotados quando das ocorrências das ofensas individuais, sendo aqui detalhadas os encaminhamentos advindos quando das ações públicas:
1º – Na ocorrência de flagrante:
Primeiramente é requerida a lavratura do auto de prisão em flagrante na delegacia, para a qual for encaminhado o caso, não dependendo esta autuação em flagrante de qualquer outro requerimento prévio, ou seja, o Estado age por si só em cumprimento a legislação.
Na eventualidade de uma autoridade pública, mesmo tendo havido a ocorrência da infração legal, não vir levar o caso adiante, o prejudicado/ofendido, poderá se dirigir a orgão superior, inclusive vindo por escrito, também denunciar a autoridade policial por não cumprimento de seu dever legal.
Por fim, pode ainda o ofendido, também recorrer ao Ministério Público, para da mesma forma anterior, apresentar os fatos, eventuais provas e indicação de testemunhas, para análise do MP.
2º – Na ocorrência de fatos sem a constatação de flagrante:
Os procedimentos são idênticos a uma denúncia comum, acima descrita, ou seja, é solicitado a autoridade policial a formalização do Boletim de Ocorrências, ou também por escrito se solicitando a abertura de inquérito policial unto ao delegado.
Outra opção é também a de levar a questão para conhecimento do Ministério Público, nos mesmos moldes também já relatados.
Nos casos de ofensas genéricas ou difusas à Lei Federal n.º 7.716/89:
A indicação é também idêntica as orientações anteriores, ou seja, que haja a descrição dos fatos e lesões à lei, junto à autoridades policiais ou ao Ministério Público, que pode ser por escrito ou de forma oral, para apuração de responsabilidades criminais e oferecimento de denúncia.
Salientamos que este instrumento, denominado notícia-crime, pode ser encaminhado tanto por qualquer um que tenha se sentido agredido, como também por entidades associativas.
Já na esfera Civil, outro procedimento que pode ser efetivado, é buscar a eventual reparação de danos morais, o que pode ser feito através de profissional (advogado), da mesma forma, tanto par alguém que se sinta atingido, como também por entidade associativa.

Informações importantes:
O CRDHDR, disponibiliza abaixo, um pequeno resumo de citações simplificadas de legislações que abordam de uma forma ou de outra, temas vinculados à diversidade religiosa, defesa da liberdade religiosa e direitos correlatos às confissões religiosas, citações estas, distribuídas de acordo com temas específicos
:
ACESSO À HOSPITAIS, PRESÍDIOS, ETC
Lei n. 9.982, de 14 de julho de 2000.
“Art. 1º - Aos religiosos de todas as confissões assegura-se o acesso aos hospitais da rede publica ou privada, bem como aos estabelecimentos prisionais civis ou militares, para dar atendimento religioso aos internados, desde que em comum acordo com estes, ou com seus familiares no caso de doentes que já não mais estejam no gozo de suas faculdades mentais.”
Código de Processo Penal – Decreto Lei 3.689, de 03 de Outubro de 1941.
“Art. 295 – Serão recolhidos a quartéis ou a prisão especial, a disposição da autoridade competente, quando sujeitos a prisão antes de condenação definitiva:
VIII- os ministros de confissão religiosa;”

APROVEITAMENTO DE GRADE CURRICULAR
Decreto-Lei n. 1.051, de 21 de outubro de 1969.
“Art 1° – Os portadores de diploma de cursos realizados, com a duração mínima de dois anos, em Seminários Maiores, Faculdade Teológicas ou instituições equivalentes de qualquer confissão religiosa, são autorizados a requerer e prestar exames, em Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, das disciplinas que, constituindo parte do currículo de curso de licenciatura, tenham sido estudadas para a obtenção dos referidos diplomas.
“Art 2° Em caso de aprovação nos exames preliminares, de que trata o artigo anterior, os interessados poderão matricular-se na faculdade, desde que haja vaga, independentemente de concurso vestibular, para concluir o curso, nas demais disciplinas do respectivo currículo.
“Art 3° Revogadas as disposições em contrario, o presente Decreto-Lei, entrara em vigor na data de sua publicação.”

ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA
Constituição Federal
Art. 5°, incisos:
“XVII – e plena a liberdade de associação para fins Iícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o transito em julgado;
XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
XXI – as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, tem legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicial mente;”

Código Civil
“Art. 53 – Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.
Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.
“Art. 54 - Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá:
I – a denominação, os fins e a sede da associação;
II – os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;
III – os direitos e deveres dos associados;
IV – as fontes de recursos para sua manutenção;
V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos
VI – as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução.
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas.”

ASSISTÊNCIA RELIGIOSA
Lei 7.210, de 11 de Julo de 1084 – Lei de Execuções Penais
… Da Assistência Religiosa
Art. 24. A assistência religiosa, com liberdade de culto, será prestada aos presos e aos internados, permitindo-se-lhes a participação nos serviços organizados no estabelecimento penal, bem como a posse de livros de instrução religiosa.
§ 1º No estabelecimento haverá local apropriado para os cultos religiosos.
§ 2º Nenhum preso ou internado poderá ser obrigado a participar de atividade religiosa.


CASAMENTO RELIGIOSO
Constituição Federal
“Art. 226 – A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1 ° – o casamento e civil e gratuita a celebração.
§ 2° – o casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.”
Lei dos Registros Públicos
“Art. 71 – Os nubentes habilitados para o casamento poderão pedir ao oficial que Ihe forneça a respectiva certidão, para se casarem perante autoridade ou ministro religioso, nela mencionando o prazo legal de validade da habilitação.
Art. 72 - O termo ou assento do casamento religioso, subscrito pela autoridade ou ministro que o celebrar, pelos nubentes e por duas testemunhas, conterá os requisitos do artigo 71, exceto o 5°.”
Código Civil – Lei 1.406, de 10 de Janeiro de 2002.
“Art. 1.515. O casamento religioso, que atender as exigências da lei para a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração.
Art. 1.516. O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil.”


DIREITOS DE LIBERDADE DE CRENÇA E CULTO
Constituição Federal:
- Art. 3°, incisos I e VI;
- Art. 4°, inciso II;
- Art. 5°, incisos VI e VIII;
- Art. 19, inciso I.
“Art. 3° Constituem objetivos fundamentais da Republica Federativa do Brasil:
I – construir uma sociedade livre, justa e solidaria;
IV – promover a bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”
“Art. 4° A Republica Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
II – prevalência dos direitos humanos;”
“Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito a vida, a liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade, nos termos seguintes:
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;”
“Art. 19. E vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse publico”
Lei nº 4.898, de 09 de dezembro de 1965
“Art. 3°. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:
a) a liberdade de locomoção;
b) a inviolabilidade do domicílio;
c) a liberdade de consciência e de crença;
d) ao livre exercício do culto religioso;
e) a liberdade de associação;”


DISCRIMINAÇÃO RELIGIOSA
Código de Processo Penal – Decreto Lei 3.689, de 03 de Outubro de 1941
“Art.5°, inciso I, §3° – Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-Ia a autoridade policial, e esta verificada a procedência das informações, mandara instaurar inquérito.”
Lei 7.716, de 05 de janeiro de 1989 (Lei Caó)
Art.1° – “Serão punidos, na forma, desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. …
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada Dela Lei nº 9.459, de 15/05/1997)
Pena: reclusão de um a três anos e multa.
§ 2° Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/1997)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.
§ 3° No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Publico ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada Dela Lei nº 9.459, de 15/05/1997)
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.
§ 4° Na hipótese do §2°, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.459 de 15/05/1997)


DIREITOS DO MINISTRO RELIGIOSO – PREVIDÊNCIA SOCIAL
Lei n. 8.212 de 24 de julho de 1991.
“Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas:
V – como contribuinte individual:
c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa;”


EDUCAÇÃO
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Lei nº. 9.394, de 20 de Dezembro de 1996.
“Art. 3º, inciso IV e II - art. 33 § 1º: “
“Art. 3° – O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, a pensamento, a arte e a saber;
IV – respeito à liberdade e apreço a tolerância;”
“Art. 33 – O ensino religioso, de matricula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas publicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo.
§ 1° Os sistemas de ensino regulamentarão as procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores.
§ 2° Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso.”


TEMPLO RELIGIOSO
Constituição Federal
Art. 150, inciso VI, alínea “b”
“Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI – instituir impostos sobre:
b) templos de qualquer culto;”
VISTO TEMPORÁRIO
Lei n. 6.815, de 19 de agosto de 1980
“Art. 13. o visto temporário poderá ser concedido ao estrangeiro que pretenda vir ao Brasil:
VII – na condição de ministro de confissão religiosa ou membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou ordem religiosa.”


DECLARAÇÕES E ACORDOS INTERNACIONAIS
Declaração Internacional dos Direitos Humanos
Artigo II.
1. Todo ser humano tem capacidade para gozar Os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Artigo XVIII.
Todo ser humano tem direito a liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela pratica, pelo culto e pela observância, em publico ou em particular.
Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
Art. 13, item 3
“Os estados-partes no presente Pacto comprometem-se a respeitar a liberdade dos pais – e, quando for a caso, dos tutores legais – de escolher para seus filhos escolas distintas daquelas criadas pelas autoridades publicas, sempre que atendam aos padrões mínimos de ensino prescritos ou aprovados pelo estado, e de fazer com que seus filhos venham a receber educação religiosa ou moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.”

terça-feira, 26 de julho de 2011

Racismo sem racistas, por Ana Maria Gonçalves

“Hoje em dia, com exceção de membros de organizações brancas supremacistas, poucos brancos nos Estados Unidos se proclamam “racistas”. A maioria dos brancos afirma que “não vê cor alguma, apenas pessoas”; que embora a face feia do racismo ainda esteja entre nós, não é mais fator central determinando as oportunidades de vida das minorias; e, finalmente, que, como Dr. Martin Luther King Jr, eles sonham em viver em uma sociedade na qual as pessoas sejam julgadas pelo caráter, não pela cor da pele. Mais incisivamente, a maioria dos brancos insiste que as minorias (especialmente os negros) são os responsáveis por “playing the race card” (expressão usada para apontar uso vitimizador e mal intencionado da diferença racial), por exigirem a manutenção de programas desnecessários e divisivos baseados em raças, como ações afirmativas, e por bradar “racismo” sempre que são criticados por brancos. A maioria dos brancos acredita que se os negros e outras minorias simplesmente parassem de pensar no passado, trabalhassem duro e reclamassem menos (particularmente de discriminação racial), então americanos de todas as cores poderiam viver em paz.”

O texto acima é o parágrafo inicial do livro Racism without racists, de Eduardo Bonilla-Silva, sobre o que nos EUA está sendo chamado de “color-blind racism”, ou apenas “color blindness” (algo como o racismo que não leva em conta a cor/raça). Este é apenas um dos muitos estudos publicados sobre esse novo tipo de racismo (para os norte-americanos) que, segundo Bonilla-Silva, é muito parecido com o racismo existente nos países caribenhos e latino-americanos, Brasil incluido. Esse tipo de racismo permite manter os privilégios dos brancos sem alarde, sem nomear aqueles a quem ele submete e aqueles a quem beneficia. Ele deu cobertura para que o ex-presidente Bush (filho), por exemplo, expressando a opinião de muitos norte-americanos, dissesse “Eu apoio enfaticamente todo tipo de diversidade, inclusive a diversidade racial no ensino superior”, ao mesmo tempo em que chamava o programa de ação afirmativa da Universidade de Michingan de “falho”, “inconstitucional” e “discriminatório” contra os brancos.

A universidade de Michigan usa um sistema de pontuação para aprovar seus candidatos, em uma escala que vai até 150 pontos. Se o aluno gabaritar o SAT (uma prova que geralmente envolve matemática, escrita e leitura crítica), ganha 12 pontos, ou 20, no caso de pertencer a alguma minoria. Bush, ao chamar esse sistema de injusto e inconstitucional, esqueceu-se de mencionar o tipo de ação afirmativa do qual se beneficiou, o “legacy admittee”. Através desse sistema, presente nas principais universidades norte-americanas, filhos de ex-alunos, quase todos brancos e ricos, têm preferência na admissão. Isso permitiu que Bush, um aluno média C durante o colegial e com um SAT de 180 pontos abaixo da média norte-americana, fosse admitido em YALE, uma das universidades mais disputadas e bem ranqueadas, seguindo os passos de Bush pai e Bush avô. Esse sistema preferencial ganhou força após a Primeira Guerra Mundial, sob um regime de segregação racial e quando os Estados Unidos estavam recebendo grande fluxo de imigrantes, e ainda hoje garante de 10 a 30% das vagas para filhos de ex-alunos. No livro The Shape of the river, os autores e ex-presidentes de Harvard e de Princeton admitem que os “legacy students” têm quase o dobro de chance de serem admitidos se comparados a alunos sem laços familiares anteriores com as instituições. Embora esse programa seja do tipo de reserva de vagas ele raramente foi citado ao lado de argumentos como “os alunos negros estão tirando vagas de alunos mais capacitados”. Talvez o “color-blind racism” impeça muitos de verem a cor dos privilegiados, assim como a dos desprivilegiados, afinal de contas, “we are all Americans”.

O “color-blind racism” permite que certos privilégios sejam mantidos na era pós Direitos Civis, sem que sejam vistos como tais, já que ninguém é impedido de entrar onde quiser, de frequentar as escolas para as quais se qualifica, de usar os banheiros públicos mais convenientes, de se casar com a pessoa pela qual se apaixona (embora mais de um terço dos norte-americanos desaprove os casamentos inter-raciais, porque estão preocupados com o bem-estar dos filhos dessas uniões), ou de ocupar qualquer acento vago nos ônibus, trens e metrôs. A eleição do primeiro negro presidente dos Estados Unidos da América, como afirmaram muitos americanos, inclusive negros, era a prova de que o país não era mais racista, que os negros não teriam mais desculpas para explicar as desigualdades sociais, políticas, culturais e econômicas em relação aos brancos. Era a prova, festejavam muitas mães negras, de que o “american dream” também estava disponível para seus filhos, que seriam os únicos responsáveis pelo próprio sucesso ou fracasso. Enfim, chegava ao país a tão sonhada democracia racial.

Em sua análise sobre a eleição de Obama, Bonilla-Silva diz que seu sucesso foi ter “adotado uma persona e uma política pós-racial. Ele se distanciou da maioria dos líderes dos Movimentos Civis, de seu próprio reverendo, de sua igreja e de qualquer um que o fizesse parecer “muito preto” e “muito político”. O que o fez ser visto pelos seus eleitores brancos como “o primeiro líder negro que eles se sentiam confortáveis em apoiar, porque ele não fala de racismo; porque ele os faz lembrar, sempre que tem a oportunidade, que é metade branco; porque ele é, nas palavras do senador Biden, (…), ‘o primeiro afro-americano influente que é articulado, inteligente, virtuoso e bem apessoado.’ ; porque Obama fala sobre unidade nacional; e porque ele, diferente de líderes negros odiados pelos brancos, como Jesse Jakson e Al Sharpton, não os faz se sentirem culpados pela situação das relações raciais no país.”

Acho interessante, principalmente, essa última frase, pois ela me remete ao significado do mito da democracia racial brasileira para a elite que estava tentando salvar o Brasil de seu destino de país condenado pela miscigenação, de seu racismo velado (na época, nem tanto) e segregador. O que me faz lembrar de uma entrevista de Gilberto Freyre ao JB, em 14/04/1979. Perguntado quem chegaria primeira à presidência da república no Brasil, o negro ou a mulher, ele respondeu:“O negro. Acho que ele tem mais possibilidades de chegar a essa culminância.” Gostaria que ele tivesse vivido para ver.; e que todos soubessem o casal Obama foi beneficiado por programas de ações afirmativas quando na universidade. Se Barack não tivesse recebido essa forcinha, quem seria hoje a presidenta dos EUA?

Curso prepara para cobertura especializada

Atividade está sendo oranizada pela ONU Mulheres e pela Fenaj.

Como o Mundo Afro, realmente, não tem fronteiras está aqui o aviso sobre uma atividade que vai acontecer em oito Estados brasileiros. Eu, inclusive, estou participando do projeto: a Fenaj e a ONU Mulheres, com apoio da Seppir e da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), estão promovendo o Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas.

A atividade vai acontecer em oito capitais brasileiras: Belém (PA), Fortaleza (CE), Maceió (AL), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). O curso é gratuito e tem certificação da Fenaj e da ONU Mulheres.

As inscrições vão até o 3 de agosto e são voltadas para profissionais e estudantes de Jornalismo. Segundo a coordenação do curso, profissionais e estudantes de regiões metropolitanas, do interior e de regiões próximas aos oito estados podem fazer a inscrição diretamente no sindicato local de jornalistas ou solicitar informação por e-mail. Cada localidade terá o total de 50 vagas a serem preenchidas por jornalistas, repórteres, produtores, pauteiros, redatores, editores, fotógrafos, repórteres cinematográficos, de meios eletrônicos, e estudantes de Jornalismo a partir do 6º período.

O Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas será realizado no período de 8 de agosto a 1º de setembro de 2011, tendo carga horária de 8 horas/aula, das 18h às 22h. O programa está baseado em dois módulos e duas atividades pedagógicas: Gênero, Raça e Etnia em Sociedade; Jornalismo, Ética e Diversidade; Leitura Crítica da Mídia; e Experiências e Trajetórias Locais: Identificando Novas Fontes. O curso tem como objetivo preparar jornalistas, profissionais da imprensa e estudantes de Jornalismo para a cobertura de pautas relacionadas a gênero, raça e etnia.

Vejam o calendário abaixo:

Data - Localidade - Contato
8 e 9/8/11 - Amazonas – Manaus sindicato@jornalistasam.com.br
10 e 11/8/11 - Pará – Belém sinjor@jornalistasdopara.com.br
15 e 16/8/11 - Ceará – Fortaleza sindjorce@sindjorce.org.br
17 e 18/8/11 - Pernambuco – Recife jornalistas-pe@ig.com.br
22 e 23/8/11 - Alagoas – Maceió sindjornal@uol.com.br
24 e 25/8/11 - Rio de Janeiro – Rio de Janeiro sindicato-rio@jornalistas.org.br
29 e 30/8/11 - São Paulo – São Paulo jornalista@sjsp.org.br
31/8 e 1/9/11 - Rio Grande do Sul – Porto Alegre sindjors@jornalistasrs.org

A iniciativa faz parte da cooperação estabelecida entre a Fenaj e a ONU Mulheres, celebrada no 34º Congresso Nacional dos Jornalistas, para o pleno cumprimento dos princípios dos direitos humanos e marcos internacionais referentes ao gênero, raça e etnia no Brasil e no mundo à luz da liberdade de imprensa.

O curso é desenvolvido com assessoria técnica e financeira do Programa Regional de Incorporação das Dimensões de Gênero, Raça e Etnia nos Programas de Combate à Pobreza da Bolívia, Brasil, Guatemala e Paraguai e do Programa Interagencial de Gênero, Raça e Etnia do Sistema ONU no Brasil, financiado pelo Fundo para o Alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O curso ocorre no âmbito das atividades do Ano Internacional das e dos Afrodescendentes, estabelecido pelas Nações Unidas, e da Campanha do Secretário-Geral da ONU “Brasil: Una-se pelo fim da violência contra as mulheres”.

Informações: http://generoracaetniaparajornalistas.wordpress.com/ | grejornalistas@gmail.com

Participe das redes sociais do Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas: twitter.com/grejornalistas e facebook.com/grejornalistas

Fonte: Mundo Afro

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Beleza de Pretta: Pele Negra

sábado, 23 de julho de 2011

I Encontro de Mulheres Negras da Juventude do Subúrbio

Subúrbio de Salvador recebe primeira atividade comemorativa ao 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra na América Latina e no Caribe.

Cerca de 100 mulheres de todas as idades se reuniram neste sábado (23) na Escola Estadual de Praia Grande, em Periperi, para o I Encontro de Mulheres Negras da Juventude do Subúrbio. Durante todo o dia, as participantes se envolveram em oficinas sobre estética; emprego e renda; comunicação e mídia; violência e saúde, além de mostra de vídeo, recital de poesia e hip hop.

O encontro abre o calendário de atividades educativas proposto pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), Movimento de Mulheres do Subúrbio, Fórum de Entidades do Subúrbio e a Comissão Especial de Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa da Bahia (CEPI) para comemorar o 25 de julho, considerado o Dia Internacional da Mulher Negra na América Latina e no Caribe.

Tatiane Cerqueira, 28, resumiu em poucas palavras o que significou sua participação na oficina de comunicação. “Eu aprendi que, independente da cor, nós temos o direito de falar o que pensamos”. Além da mudança de concepção, o encontro proporcionou mobilização. As participantes decidiram criar uma rede de mulheres negras do subúrbio, com o objetivo de disponibilizar um canal de comunicação para troca de informação e articulação da juventude local. A primeira tarefa da rede, demandada no encontro, será a construção de uma atividade para novembro, mês em que se celebra o Dia da Consciência Negra.

O presidente da CEPI, deputado estadual Bira Corôa (PT-BA), esteve no evento e parabenizou a representação feminina. “É uma satisfação me sentir minoria aqui hoje diante desse grupo e espero que esse dia seja apenas o primeiro de muitos que ainda virão”, disse o parlamentar para uma platéia majoritariamente de mulheres.

Na oportunidade, a coordenadora nacional de políticas de gênero do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Lindinalva de Paula, informou que os movimentos presentes promoverão, em novembro, evento para escolha do negro e da negra mais linda do subúrbio, com participação livre. “Nossos padrões de beleza não perpassam por cinquenta centímetros de cintura, não perpassam por um metro e setenta e cinco de altura e pode participar quem tem cabelo que nasce virado para o sol, como o meu”, protestou.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Nota Oficial do Coletivo de Entidades Negras sobre o falecimento de Vera Mendes

O Coletivo de Entidades Negras (CEN) cobre-se de tristeza pelo falecimento de Vera Mendes, também conhecida como Vera do Agbara, fundadora do Grupo Afro Agbara Dudu que fez história no Rio de Janeiro.

Segundo o dicionário Cravo Albin de Música "o Bloco Afro Agbara Dudu surgiu com a característica de mantenedor das tradições, mesmo fora do período de carnaval, assim como alguns blocos de Salvador o fazem, entre eles, Olodum, Ilê Aiyê e Araketu". Criado em 1982 se não foi o primeiro, com certeza foi o mais fundamental e marcante grupo afro do Rio de Janeiro, tendo sido importante elemento de agregação e encontro de várias gerações de militantes que, nas ruas de Madureira, dançavam aos ritmos que vinham das casas de Axé, se conheciam, namoravam e viviam a efervescência de uma década que se iniciava exigindo plena democracia e o fim do racismo no país.

Nos últimos anos Vera filiou-se ao Coletivo de Entidades Negras e buscava resgatar os tempos áureos do Agbara Dudu. Infelizmente faltou-lhe o tempo e, tal como vem ocorrendo em todo o país às organizações negras tradicionais, faltou-lhe principalmente o aporte financeiro para recuperar instrumentos, reorganizar a casa, trazer mais instrumentistas e retomar o fôlego há um tempo perdido.

Vera do Agbara era figura marcante do Movimento Negro carioca. Mulher de opiniões fortes, decidida, não se furtava em emitir suas opiniões e levantar as bandeiras na qual acreditava.

O Coletivo de Entidades Negras (CEN), lamenta a passagem de sua filiada mas, ao mesmo tempo alegra-se por sua vida plena de realizações tanto no âmbito político, quanto pessoal e acredita que o legado de Vera não se perderá com o tempo, pelo contrário, seremos nós agora os responsáveis por levar adiante sua bandeira de luta e todo o amor que ela sempre dedicou à questão étnico-racial e à cultura afro-brasileira.

Atenciosamente,

A Coordenação Nacional do Coletivo de Entidades Negras

Mulheres Negras realizam desfile com trajes africanos nos shoppings de Salvador

Os principais shoppings de Salvador serão palco de desfile surpresa de mulheres com trajes afros das Religiões de Matriz Africana, na manhã da próxima segunda-feira (25). As intervenções são para comemorar o Dia Internacional da Mulher Negra na América Latina e no Caribe, o 25 de julho, chamando a atenção de empresários do ramo da moda para a ausência de vestimentas específicas para mulheres descendentes de africanos. A iniciativa é do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Fórum Estadual das Religiões de Matriz Africana, Rede Religiosa de Matriz Africana do Subúrbio e a Associação dos Terreiros de Cajazeiras e Águas Claras.

“Existe uma grande demanda por este tipo de roupa, mas, devido à falta dos trajes, as mulheres são obrigadas a consumirem os produtos confeccionados segundo a moda européia”, explica a coordenadora nacional de políticas de gênero do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Lindinalva de Paula.

Para o presidente da Comissão de Promoção de Igualdade (CEPI) do Legislativo baiano, deputado Bira Corôa (PT-BA), “não há justifica para cidades como Rio de Janeiro e São Paulo venderem estes produtos e a Bahia ficar de fora”. Segundo realizadores da mostra dos trajes, as peças são vendidas por preço superior a R$ 150.

Bira destaca que a data tem uma representação ainda mais forte na Bahia, “pelo número de mulheres negras que aqui vivem”. E conclui: “Ao trabalharmos o tema com as comunidades, queremos disseminar informação e contribuir para o fortalecimento das políticas públicas que visam a igualdade e o combate à discriminação”.

HISTÓRIA – Entre os dias 19 e 25 de julho de 1992, mulheres negras de mais de 70 países reuniram-se na República Dominicana para a realização do 1º Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe. A partir de então, 25 de julho ficou considerado marco internacional da luta e da resistência da mulher negra em relação à opressão de gênero e de etnia. Para celebrar a data na Bahia, entidades e a CEPI, com o apoio da Cese, CUT e da secretaria estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) promovem, de 23 a 30 de julho, atividades educativas que incluem encontro de mulheres negras e quilombolas; mostra de trajes afros; oficinas, mostra de vídeos e roda de diálogos em escolas; entrega de troféu, dentre outras.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

São Paulo teve 68 denúncias de racismo baseadas em lei estadual em um ano

Todas estão passando por investigação, mas ainda não houve punições

Desde que a lei estadual que prevê punição administrativa em casos de discriminação racial e étnica no Estado de São Paulo foi sancionada – em julho de 2010 – a Secretaria da Justiça registrou 68 denúncias, entre as quais 37 na capital paulista, 11 na região metropolitana e 20 no interior.

A discriminação racial já está prevista como crime na Constituição Federal de 1988 e no Código Penal, mas a Lei Estadual 14.187 amplia os canais de denúncia aos cidadãos, que podem se dirigir a qualquer posto do Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) quando se sentirem discriminados. Algumas prefeituras também estão aptas a receber as denúncias.

O principal objetivo da lei é punir empresas e estabelecimentos que praticarem discriminação racial ou étnica. Do total de denúncias registradas, a maioria é contra a população negra, vítima de discriminação em diversos estabelecimentos comerciais, escolas, órgãos públicos e empresas. Mas pessoas físicas e funcionários públicos também podem sofrer sanções.

Todas as 68 denúncias estão passando por investigação, mas nenhuma foi concluída ainda. Segundo Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, a falta de informação sobre a lei tem dificultado o andamento dos processos.

Assista o registro das atividades da XII Caminhada Azoany


Saiba mais sobre a Caminhada Azoany aqui:

terça-feira, 19 de julho de 2011

O poder do Machado de Xangô!











Fonte: http://www.youtube.com

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pelo décimo terceiro ano...

domingo, 17 de julho de 2011

África Diversa


Mais informações: www.africadiversa.com.br

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ata da 1º Reunião da Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Tradicionais de Terreiro

A FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS DE TERREIRO se reuniu hoje, com a presença do CEN (Iyáègbè Patricia da Oxum), FOAFRO (Ogã Luiz Alves), CETRAB (Osmaldo), e os Assessores Parlamentares: Dep.Érika Kokay – PT/DF, (Silvia); Dep. Amauri Texeira PT/BA (Jorge Araújo), Dep. Valmir Assunção PT/BA (Mayrá Lima), Dep. Luiz Alberto PT/BA (Toni Bochat), Dep. Janete Pieta PT-SP (Joseane Lima); Dep. Domingos Dutra PT/MA (Simone Carvalho) e representando a SEPPIR o Assessor Parlamentar – Renato Ferreira.

Após a apresentação de todos, a Silvia explanou sobre o objetivo da reunião no qual evidenciou a importância do trabalho em conjunto dessa frente, por isso o trabalho seria feito em duas etapas, primeiramente as discussões desse GT e posteriormente a reunião com os deputados para fecharmos.

Iyá Patricia (CEN-DF) expôs a Proposta do CEN e FOAFRO já apresentada aos parlamentares na sensibilização da Frente:
1) Promover, no marco legislativo, ações em defesa das religiões de matrizes africanas, pela liberdade de culto e contra a intolerância religiosa;
2) Propor leis que dêem as casas religiosas de matrizes africanas os mesmos tratamentos que outras tradições religiosas gozam em nosso país;
3) Fiscalizar o Poder Executivo para que este aplique as políticas públicas às comunidades de terreiro propostas por elas mesmas e por organizações a elas ligadas;
4) Fortalecer o diálogo inter-institucional entre os três poderes de República para fazer valer as leis que defendem a liberdade religiosa em nosso país;
5) Promover ações que efetivem a liberdade religiosa tais como audiências públicas, seminários e eventos que ensejem em si a defesa do direito de culto;
6) Propor ações ao Executivo tais como a realização da Conferência Nacional Sobre Liberdade Religiosa, objetivando fazer com que os setores religiosos do país dialoguem entre si e construam um pacto de não-agressão;
7) Ainda no marco legislativo, agir para que o Estado, em suas esferas Federal, Estaduais e Municipais, não se torne, ele mesmo violador ao direito de culto no Brasil, com ações que visem destruir o patrimônio religioso das casas de terreiro).

O Ogã Luiz Alves (FOAFRO/CEN), colocou logo após o quadro em que se encontra as comunidades de terreiros referente à violência, agressões e derrubadas e que em um país laico, ainda se apresenta na própria casa total desrespeito, quando se privilegia as religiões cristas, reforçado na fala da Iyá Patricia .

Joseane levantou a importância de se fazer com que a casa tenha conhecimento dos fatos que estão acontecendo, sugerindo uma audiência pública. O que foi reforçado na fala da Mayrá, ampliando para uma Audiência Pública mostrando o Mapa da Intolerância Religiosa, bem com, uma exposição
de fotos. Mayrá também colocou que tem consciência que nossa trajetória não vai ser fácil, mas que temos que enfrentar e buscar nosso espaço.

Jorge Araújo sugeriu montarmos um plano de trabalho, saindo dessa reunião com tarefas a serem desenvolvida, mas ressaltou que a primeira delas é fechar as assinaturas e que devemos fazer um Seminário das Comunidades Tradicionais de Terreiro.
Toni falou da proposta do estatuto. Silvia informou que o dep. Erika Kokay já havia feito a solicitação da Audiência contra a Intolerância. Dentro deste contexto ficou resolvido que:
1. As dep. Erika, Janete e os dep Valmir e Domingos, ficarão responsáveis de recolher as assinaturas na primeira semana de agosto;
2. Toni fará a proposta de estatuto;
3. Silvia, Simone e Iyá Patricia, ficaram responsáveis pela Audiência Pública sobre a Intolerância religiosa, onde será apresentado o Mapa da Intolerância Religiosa;
4. Exposição de fotos sobre as comunidades de terreiro ficou sob responsabilidade de Mayrá, Jorge, Ogã Luiz e Joseane.

Ao final da reunião Iyá Patrícia apresentou email enviado por Marcio Alexandre Gualberto (Coordenador Geral do Coletivo de Entidades Negras – CEN), sobre um incêndio criminoso ocorrido numa casa de santo em Curitiba e Renato Ferreira ficou de encaminhar a questão à Ouvidoria da Seppir.

A próxima reunião ficou marcada para o dia 05 de agosto, ás 15h no mesmo local.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Fela! Musical



FELA! é um musical da Broadway que é dirigido e coreografado por vencedora do Prêmio Tony Bill T. Jones, com um livro de Jim Lewis, no qual as audiências são bem-vindas para o mundo extravagante, decadente e rebelde de Afrobeat lenda Fela Kuti. Usando sua música pioneira (uma mistura de funk, jazz e ritmos e harmonias Africano), FELA! explora a vida controversa Kuti como artista, ativista político e músico revolucionário. Apresentando muitas das canções mais cativantes de Fela Kuti e encenação imaginativa Bill T. Jones ', este novo show é um híbrido de dança provocativa de concertos e teatro musical.

Unegro comemora 23 anos e empossa nova coordenação na Bahia

A União de Negros pela Igualdade – Unegro completará 23 anos de fundação nesta quinta-feira (14/7) e na oportunidade empossará sua nova coordenação do Estado da Bahia. A solenidade acontecerá às 18h30 no auditório do Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador. A Conferência magna será proferida por Alexandro Reis, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Palmares.

Fundada por um grupo de militantes do movimento negro, em 14 de julho de 1988, no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, a União de Negros pela Igualdade tem o intuito de lutar contra o racismo em todas as suas formas de manifestação. Dentre suas principais frentes de atuação estão: Combate à discriminação no mercado de trabalho, defesa dos direitos de liberdade religiosa para as religiões de matriz africana, direitos da mulher negra, direitos humanos e defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Atualmente, a Unegro é uma entidade nacional, estando presente em 20 estados brasileiros, como Amazonas, Roraima, Pará, Ceará, Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e o Distrito Federal, entre outros. Na Bahia, além de Salvador, está em Cachoeira, Conceição do Almeida, Cruz das Almas, Santo Amaro da Purificação, Simões Filho, Ilhéus, Vitória da Conquista, Senhor do Bonfim, Dias D’Ávila, Coração de Maria e Terra Nova.

Durante seus 23 anos de existência a entidade se destaca como organização atuante nas manifestações políticas antirracistas do movimento negro no Brasil e conseguiu acumular um grande histórico de lutas e conquistas, realizando seminários estaduais e nacionais a fim de fortalecer o combate desigualdade de classe, raça e gênero no Brasil; além de grandes jornadas de debate (Jornada do Barro, Jornada do Ferro, Jornada do Azeite), possibilitando assim maior conhecimento e desmistificação em relação a temas ligados ao Candomblé. É membro do Conselho Nacional de Igualdade Racial (CNPIR), do Conselho Nacional e Estadual de Juventude (CONJUVE), do Conselho Municipal de Saúde do Município de Salvador e de diversos conselhos municipais. Criou em 1995, o Troféu Clementina de Jesus, no qual homenageia personalidades negras nos vários ramos de atividades.

Fonte:
http://www.seppir.gov.br/noticias/clipping-seppir/11-a-13-07-2011

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