quarta-feira, 31 de agosto de 2011

'Lá nunca mais volto' - SEU JORGE sofre racismo na Itália - áudio


Fonte: Geledés

“O governo da Bahia continua com a cabeça branca”


A frase não é nova, mas repetida durante a manifestação Arte Negra Rebelada ontem na frente do palácio Rio Branco, sede da Secretaria de Cultura da Bahia, ganhou um significado adicional. Além de comparar os governos calistas com o atual, comparar as cabeças brancas de ACM e Wagner, sintetiza também a motivação do protesto: para o Fórum de Performance Negra da Bahia, o governo e as políticas públicas para a cultura na Bahia nunca contemplaram e nem contemplam a arte produzida por negros. Leia mais aqui.

O grupo de cerca de 40 manifestantes, vestidos de branco, veio das escadarias da Igreja do Paço, com paradas paradas com recital de poesia no Largo do Pelourinho, em frente a Casa de Jorge Amado, na sede da Fundação Cultural, na Gregório de Mattos, na porta da Faculdade de Medicina, no Terreiro, ao monumento a Zumbi, na Praça da Sé, finalmente, na porta do Palácio Rio Branco, na Praça Municipal.
Na porta da Fundação Cultural, o ator Ângelo Flávio leu um manifesto em que reafirmou a falta de apoio cultural aos grupos de teatro com formação negra e lembrou que nas últimas duas décadas apenas cinco grupos receberam incentivo do Estado.

A mudança do formato licitação par o de editais não alterou a exclusão, segundo Ângelo, porque as comissões julgadoras dos editais privilegiam a lógica dominante. “É só olhar o perfil dos selecionados para ver que reflete exatamente os grupos de interesse das comissões julgadoras” , disse, ao reivindicar a inclusão de representantes negros nas comissões dos editais. Leia entrevista com Ângelo aqui.
Com apitos e palavras de ordem contra o racismo, carregando uma faixa grafitada nas escadarias da Igreja do Paço e durante o percurso, os manifestantes encerraram o protesto nas escadarias do palácio Rio Branco, onde, depois de um breve desentendimento com a segurança antes de ser liberada uma tomada para ligar a caixa de som, o grupo encerrou o ato com mais discursos e poesia.

Conferência de Durban completa 10 anos


Há exatos 10 anos, aconteceu, em Durban, na África do Sul, a I Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância. Entre os dias 31 de agosto e 8 de setembro daquele ano, 173 países, 4 mil organizações não governamentais (ONGs) e um total de mais de 16 mil participantes discutiram temas urgentes e polêmicos. O Brasil estava presente, com 42 delegados e cinco assessores técnicos.

Um importante papel coube ao nosso país: Edna Roland, mulher, negra e ativista, foi a relatora geral da Conferência, representando também as minorias vítimas de discriminação e intolerância. A proposta de um programa de criação de cotas para estudantes negros nas universidades públicas brasileiras foi apresentada e gerou polêmica.

Ao fim da Conferência, foram elaboradas uma Declaração e uma Plataforma de Ação, a fim de direcionar esforços e concretizar as intenções da reunião. No Brasil, a chamada “Declaração de Durban” influenciou diversas áreas, entre elas, o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que passou a utilizar o critério de autodeclaração de Cor/Raça em suas entrevistas.

11 de setembro – A Conferência de Durban foi um marco nas discussões sobre racismo, xenofobia e discriminação internacionalmente. Contudo, um outro e trágico acontecimento abafou sua importância. Quatro dias após o término da Conferência, os ataques terroristas às torres do World Trade Center, nos Estados Unidos, deixou todo o planeta catatônico.

Somente após as medidas emergenciais, o início e os protestos relativos à guerra no Iraque, é que o mundo começou a refletir sobre a necessidade de se discutir os temas da Conferência e aplicar algumas de suas decisões, até para evitar que novos ataques (e novas guerras) acontecessem.

Resultado – O Estatuto da Igualdade Racial também é um dos resultados da Conferência. Os debates em Durban mostraram que o mundo estava disposto a criar mecanismos de erradicação de todas as formas de preconceito e que cada país precisava fazer sua parte. Nesse contexto, o Brasil criou e, posteriormente, aprovou uma legislação sem precedentes na história nacional.

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, reconhece a importância da Conferência de Durban para que o Estatuto e outras leis dele derivadas surgissem.

“Mesmo que outras Conferências com esse tema aconteçam, não podemos deixar de celebrar os avanços que a reunião de Durban proporcionou. Esse evento marcou o início de um novo tempo nas políticas públicas mundiais voltadas contra o racismo, a xenofobia e outras formas de discriminação. O Brasil está se adaptando a esse novo cenário. O Estatuto, as cotas em universidades e alguns concursos mostram que estamos no caminho certo”, disse o presidente.

Palmares recebe homenagem pelos seus 23 anos




A Fundação Cultural Palmares foi homenageada pelos 23 anos de preservação, promoção, valorização e divulgação da cultura afro-brasileira, na noite da última segunda-feira (29), na Câmara Municipal de São Paulo. Na sessão solene, que contou com a participação de autoridades políticas, representantes do Movimento Negro e do cantor Carlinhos Brown, o presidente da Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, recebeu a Placa de Condecoração das mãos do vereador Netinho de Paula (PCdoB-SP), que propôs a homenagem.

A abertura da cerimônia foi com o Hino Nacional nas vozes do Coral Kadimiel, da Faculdade Zumbi dos Palmares. Durante a solenidade, além dos cantos africanos, os poemas de Solano Trindade (Sou Negro) e Castro Alves (Saudação a Palmares) emocionaram o público do Salão Nobre da Câmara Municipal.

Na fala de agradecimento, Eloi Araujo destacou que a Fundação Cultural Palmares é uma vitória de todo o povo negro. “Essa iniciativa do Netinho nos deixa muito feliz e honrado”. O presidente ainda ressaltou que estamos num ano expressivo, quando comemoramos o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes; o centenário do Almirante Negro, João Cândido, e um ano de vigência do Estatuto da Igualdade Racial. “O Estatuto da Igualdade Racial é a maior das vitórias que a população negra já teve desde 1988”, afirmou.

Na oportunidade, o cantor Carlinhos Brown lembrou a importância da cultura e da educação para a melhoria de vida do negro no Brasil. “O nosso quesito mais importante é nos educarmos. Reformularmos é o caminho. É preciso limpar a dor do passado”.

Entre um depoimento e outro, a juventude negra também foi apontada como instrumento ativo para as transformações que ainda precisam ser feitas na sociedade brasileira para a construção de um Brasil mais igual. Netinho destacou que é preciso ter mais parlamentares negros e é necessário mostrar aos jovens que a mudança pode ser lenta, mas está acontecendo.

Durante o evento, foi unânime a manifestação de interesse pela criação de uma representação da Fundação Cultural Palmares na capital paulista. A Coordenadora Geral da Coordenadoria dos Assuntos da População Negra (Cone), Maria Aparecida de Laia, disse que os 23 anos da FCP representam 23 anos de resistência e de promoção da cultura negra. “Desejamos que a Palmares amplie suas ações e que tenhamos um escritório aqui em São Paulo”, finalizou.

sábado, 27 de agosto de 2011

Por uma economia mais justa

“Tendo em conta a necessidade de levar a economia para perto da análise social, é fundamentalmente importante condenar de forma veemente o mito de que os mercados se autorregulam”

Marcus Eduardo de Oliveira*

Viver em uma sociedade mais fraterna e menos desigual, com relações econômicas, sociais e humanas ditadas pela ordem da cooperação, em lugar da competição desleal, certamente é o sonho de muitos e a necessidade premente do tão sonhado e decantado mundo melhor para todos. Buscar construir esse mundo mais harmonioso, mais solidário, mais participativo, onde as disputas sejam travadas de maneira igual é o ideal pensado e idealizado por todos aqueles que buscam estabelecer os parâmetros das oportunidades iguais estendidas a todos.

Esse tipo de convivência tem sido pensado desde os tempos iniciais do pensamento moderno. Platão (428–347 a.C.), por exemplo, pensou isso em A República (Politéia), quando idealizou uma cidade onde seus habitantes gozassem de plena e pura racionalidade. O egoísmo não existiria, as paixões seriam controladas, os interesses pessoais dariam lugar aos interesses coletivos; o Bem comum, o Belo e o Justo imperariam como princípios básicos, universais e pétreos.

Tommaso Campanella (1568–1639), em A Cidade do Sol, idealizou uma comunidade a ser governada por homens iluminados, dotados de plena razão. Thomas More (1478–1535), de igual forma, pensou em Utopia (em grego, “Lugar que não existe”) uma sociedade ideal que se mantivesse longe do conceito da propriedade privada. O luxo, o supérfluo, o orgulho e a vaidade não teriam lugar nas cidades da “Ilha de Utopia” idealizadas por More. Lá, na “Ilha”, o bem individual seria totalmente submetido ao bem geral.

O inglês James Hilton (1900–54), por sua vez, pensou em Shangri-la: um local onde a convivência entre as pessoas de diferentes procedências fosse, no bojo, de cunho puramente harmonioso.

De fato, por esses poucos exemplos, desde os primeiros passos da criação literária, percebe-se que o ideal de se viver em harmonia tem dominado o pensamento da humanidade.

Assim também se deu com o nascimento das ciências, em especial, das ciências humanas (sociais). Cada qual, à época de seu surgimento, de certa forma, incidiu em profunda contribuição para aguçar esse debate em torno da construção da justiça plena e igualitária estendida a todos. Evidentemente, a Economia (enquanto ciência social) não poderia ficar de fora dessa seara.

No entanto, algo sobre essa temática específica em torno das ciências econômicas precisa, nos dias de hoje, ser bem esclarecido. Repousa sobre esse corpo sistemático de conhecimento, desde a obra seminal do escocês Adam Smith (1723-90), certa “nuvem pesada” em torno de sua real abrangência social.

Ao fazer uso por sistemáticas vezes de intensos cálculos em suas análises, dispondo, para isso, por exemplo, do cabedal teórico da econometria (disciplina fundada pelo norueguês Ragnar Frisch, [1895-1973], cujo emprego de fórmulas matemáticas serve para analisar quantitativamente os fenômenos), não é incomum que a ciência econômica se afaste, por consequência, da sensibilidade social.

Conquanto, resgatar a Economia (enquanto ciência) para essa abrangência – e preocupação para com o social – é, pois, tarefa de suma importância que cabe ser executada pelos teóricos da economia nos dias que correm; até mesmo porque não se deve perder de vista que a economia é, na essência, uma ciência humana, e não exata.

A esse respeito, Celso Furtado (1920-2004), disse, em meados dos anos 1970, que é necessário“buscar construir um debate a partir da constatação de que carecemos de uma teoria geral das formações sociais que provoquem os economistas e outros teóricos das ciências sociais a pensar a teoria social de forma global”. Não por acaso, nessa mesma linha de pensamento, Furtado afirmaria, tempos depois, que “a descoberta do social foi a coisa mais relevante em minha vida”.

Tomando a liberdade de aqui “escapar” das brilhantes contribuições teóricas legadas por Furtado, acreditamos que colocar a economia (usando-a como instrumento) a serviço da construção de uma sociedade mais justa somente fará sentido se, e somente se, entendermos que as estruturas sociais (incluindo o grau de desigualdade sócio-econômica) são historicamente determinadas. Por isso, todo esforço na construção de um mundo melhor, tendo a economia como base desse princípio, terá validade quando, e somente quando, romper-se com os determinantes que estabelecem, por primazia, esses padrões de desigualdades. Sem essa ruptura, nada avançará. Crucial é entendermos que as diferenças sociais não são coisas naturais, mas, antes, são condições impostas, ditadas, pré-estabelecidas. Ninguém é pobre ou miserável porque assim deseja. A pobreza e a miséria, espelhos de uma sociedade desequilibrada em sua essência social, são fatores impostos. Metade da humanidade vive essa situação.

Contornar essa celeuma talvez seja o fato de maior relevância para os dias que seguem. Romper com a teoria econômica tradicional que projeta luz somente no mercado e nas mercadorias é um primeiro passo para o objetivo de se provocar uma verdadeira e eficaz transformação social.

A ciência econômica e a economia, enquanto atividade, não pode ficar restrita somente ao conteúdo mercadológico; antes disso, é necessário entender que há pessoas que participam, que compõem e que formam toda a estrutura econômico-social. O objeto central de análise de uma ciência social, tal qual a Economia, deve sempre ser o indivíduo e suas necessidades.

A ciência econômica moderna, não pode mais ser pensada sem a inclusão da esfera social. Incluir os diversos atores que compõem todo o cenário social é imprescindível; assim como também é imprescindível pensar, por exemplo, em desenvolvimento econômico sem desconsiderar o problema ecológico (incluindo a problemática em torno da limitação dos recursos).

Junto a isso, tendo em conta a necessidade de levar a economia para perto da análise social, é fundamentalmente importante condenar de forma veemente o mito de que os mercados se autorregulam. Ora, os mercados conduzidos sozinhos, ao léu, somente potencializam as crises, os desajustes, os desequilíbrios à medida que prioriza apenas uns poucos, em total esquecimento da maioria.

Para que esse padrão de análise dê certo, ou seja, para que a atividade econômica incorpore, de fato, a preocupação para com o lado social, a dinâmica do crescimento da economia deve ser pensada “por dentro”, e não “por fora”. Esse crescimento deve ser endógeno, não exógeno. Para tanto, deve ser priorizado o capital social e humano de dentro das fronteiras; devem ser canalizados, ademais, os recursos via poupança doméstica, não os recursos externos que sopram a favor dos ventos da especulação e da volatilidade.

Dessa mesma forma também pensa o economista chileno Oswaldo Sunkel que formulou o conceito de “desenvolvimento a partir de dentro”, ou seja, respeitando-se e levando-se em conta as idiossincrasias próprias de cada lugar, de cada povo, de cada necessidade básica, de cada peculiaridade.

É nesse pormenor que entendemos a necessidade do rompimento com a tradicional teoria econômica que ainda infesta os manuais acadêmicos e que se afastam do objetivo social. Buscar olhar a economia sob o prisma de que essa ciência pode (e deve) ajudar na construção de um mundo melhor nos parece, a contento, uma tarefa das mais imprescindíveis.

A todos que se identificam com esse objetivo, resta incorporar a prédica que recomenda que a vida somente faz sentido quando a usamos como espécie de ferramenta capaz de transformar o mundo em que vivemos. A economia (ciência e atividade) não pode se furtar a esse compromisso, até mesmo porque essa ciência surgiu como “ferramenta” para transformar para melhor a vida das pessoas.

*Economista brasileiro, mestre pela Universidade de São Paulo (USP), professor universitário

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Bira Corôa lamenta morte de professor e militante do movimento negro de Camaçari

O deputado estadual Bira Corôa (PT) lamentou a morte do militante petista e do movimento negro de Camaçari, professor Vinícius Viana, na madrugada desta quinta-feira (25). Vinícius foi vítima de acidente automobilístico em Salvador no último domingo, e estava internado na UTI do Hospital Geral do Estado (HGE), onde veio a falecer. “Deixou consternados a todos, colegas, alunos, amigos, familiares e a sociedade camaçariense. Eu, particularmente, perdi um companheiro de muitas lutas”, disse o parlamentar.

Através de Moção de Pesar que apresenta na Assembléia Legislativa da Bahia, o deputado Bira Corôa expressa sua solidariedade à família e amigos e destaca o comprometimento e a articulação do professor Vinícius como assessor da Comissão da Promoção da Igualdade da Câmara Municipal de Camaçari. “Estava sempre na linha de frente das atividades como parceiro em prol do povo negro”, anota o deputado, que preside no Legislativo estadual o colegiado da Promoção da Igualdade.

O CEN lamenta o falecimento do professor e militante do movimento negro Vinícius Viana

O Coletivo de Entidades Negras lamenta profundamente o falecimento do professor Vinícius Viana (Tio Vini).

Vinicius havia sofrido um acidente no último final de semana e morreu na madrugada desta quinta-feira, 25.

O corpo do Professor será velado no plenário da Câmara Municipal de Camaçari, a partir das 17h desta quinta-feira. O sepultamento será no sábado (27), 9h da manhã do cemitério Jardim da Eternidade no bairro da Gleba H.

O Coletivo pede a Deus que conforte a família, os amigos e todos os seus alunos, que ele descanse em paz.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Universidades dão guinada na educação superior na Bahia

A criação de duas novas universidades federais, duas extensões, nove institutos de ensino tecnológico superior e a criação da Universidade Federal de Integração Luso-Afro brasileira (Unilab), farão uma verdadeira revolução no ensino superior na Bahia. Muito mais importante que o quantitativo das novas unidades de ensino, é a sua interiorização, permitindo que milhares de jovens que anualmente concluem o Ensino Médio, não tenham que se deslocar para Salvador ou outras capitais para cursar uma universidade, ou simplesmente, como normalmente acontece, interrompam a sua trajetória educacional, por falta de condições de deslocamento e custos que lhes permitam continuar os estudos.

Na reunião que tive com o ministro da Educação, Fernando Haddad, em maio último, defendi não só as universidades nas regiões Sul e Extremo Sul, e Oeste, mas também para a região de Vitória da Conquista, terceira maior cidade da Bahia. Foram criadas as duas primeiras – Federal do Sul, com sede em Itabuna e campi em Porto Seguro e Teixeira de Freitas; e Federal do Oeste da Bahia, com sede em Barreiras e campi em Barra; Bom Jesus da Lapa e Luis Eduardo Magalhães - mas a luta para que Itamaraju e Eunápolis, no Extremo Sul, possam ser contempladas com um campus, assim como uma universidade que contemple a região de Vitória da Conquista continua.

A Bahia, com mais de 14 milhões de habitantes, é o terceiro maior estado em população no Brasil. O Estado tem aproximadamente 700 mil alunos cursando o Ensino Médio. Isso quer dizer que, a princípio, uma boa parte desses 700 mil alunos estará apta a ingressar na universidade. E a descentralização do ensino superior é uma ampla conquista do Estado, que vai ao encontro dos anseios dessa população jovem espalhada pelo interior baiano, permitindo que os jovens, ao concluírem o ensino médio, tenham novas perspectivas de crescimento e novas oportunidades para suas vidas.

A expansão do ensino universitário no País traduz uma preocupação do governo em democratizar esse segmento da educação, na maioria das vezes restritos às capitais e grandes centros urbanos. Em 2003, tínhamos 45 universidades em todo o Brasil. Durante o Governo Lula, conseguimos avançar para 59 unidades universitárias. Com o anúncio de hoje, o nosso País conta com 63 Universidades Federais, com 274 campi.

Quanto aos IFETs, que terão nove novas unidades na Bahia - Santo Antônio de Jesus, Lauro de Freitas, Euclides da Cunha, Juazeiro, Brumado, Alagoinhas, Xique-Xique, Itaberaba e Serrinha - se em 2003 tínhamos 140 unidades desse nível, que atendiam 120 municípios, passamos a contar com 354 este ano, beneficiando 321 municípios. As metas é que, em 2014, tenhamos cerca de 560 dessas unidades de ensino profissionalizante, o que beneficiaria mais de 500 municípios brasileiros.

Se analisarmos o fato de que a Bahia, com mais de 14 milhões de habitantes, quarto mais populoso do País, de o estado com maior contingente de população no campo, teremos importantes justificativas para que a presidenta Dilma atenda às reivindicações de criação de universidades e cursos tecnológicos no interior baiano. Mas, se também analisarmos o fato de que é também a Bahia o estado com maior população afro descendente no Brasil, concentrada, principalmente, no o Recôncavo Baiano, e nas regiões do Sul e Baixo Sul, teremos mais uma justificativa para que seja criada no município de São Francisco do Conde, a primeira Universidade Federal de Integração Luso-Afrobrasileira (Unilab).

Por isso que a descentralização do ensino superior é uma ampla conquista do Estado, que vai ao encontro dos anseios dessa população jovem espalhada pelo interior baiano. Com essas novas universidades federais e com os IFETs, muda-se a realidade tornando-a mais inclusiva, permitindo que os jovens deixem o ensino médio e tenham novas perspectivas de crescimento e novas oportunidades para suas vidas. Valmir Assunção é deputado federal (PT-BA).

* Valmir Assunção é deputado federal (PT-BA), militante do MST e foi secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do Governo do Estado da Bahia.

Fonte: Bahia notícias

Projeto Cidade da Ciência em começa a ser realidade em Vitória da Conquista

O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA), disse que a efetivação do projeto Cidade da Ciência, que vem sendo elaborado pelo prefeito de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes, colocará o município no primeiro a ter um Parque Científico no estado.
Valmir diz que em todo o Brasil O manifesto da Ciência Tropical estima em pelo menos 16 municípios brasileiros a necessidade de criação das Cidades da Ciência, particularmente em regiões com baixo índice de desenvolvimento humano, incluindo o interior do Nordeste, produzindo uma nova cadeia de conhecimento em tecnologias de alto valor agregado. “E Vitória da Conquista se credencia para este importante empreendimento”, disse.
Veja o discurso de Valmir na íntegra

A Bahia, mais precisamente o município de Vitória da Conquista, começa a colocar em prática um grande projeto de conhecimento, ciência e cultura, denominado Cidade da Ciência.
Em aprofundada entrevista concedida ao Jornal A Tarde, o companheiro e prefeito Guilherme Menezes estabelece linhas gerais deste grande empreendimento científico, o que transformará a terceira cidade da Bahia, em número de habitantes, no primeiro município a contar com o tão almejado Parque Científico.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, Vitória da Conquista vem se preparando e, agora, aparece credenciada para sediar este espaço. De acordo com o nosso prefeito Guilherme Menezes, o Projeto engloba desde a atenção àgestante até o ensino superior.
O manifesto da Ciência Tropical estima em pelo menos 16 municípios brasileiros a necessidade de criação das Cidades da Ciência, particularmente em regiões com baixo índice de desenvolvimento humano, incluindo o interior do Nordeste, produzindo uma nova cadeia de conhecimento em tecnologias de alto valor agregado.
Vitória da Conquista está fazendo o seu dever de casa, já conseguiu a cessão de uma área de 25mil metros quadrados na zona oeste da cidade para instalação do projeto.
Trata-se, Senhoras e Senhores Deputados, de um grande esforço municipal e do prefeito Guilherme Menezes, envolvendo a articulação de programas e secretarias, entidades de ensino superior, contando, ainda, com a parceria do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra.
Em outubro deste ano está previsto inicio das obras do Parque de Ciências e do Planetário, com estimativa de término em meados de 2012.
Manifestamos a nossa alegria em saber deste grande Projeto na cidade de Vitória da Conquista e, aqui desta tribuna saúdo o companheiro Guilherme Menezes por mais esta realização que marcará, o futuro da juventude conquistense.

No Maranhão, quilombolas são perseguidos por lutarem por suas terras

Por Paula Salati

No Município de São Vicente Ferrer, no estado do Maranhão, o Quilombo do Charco é uma das milhares de regiões quilombolas do Brasil cujos moradores estão sendo ameaçados e assassinados por fazendeiros e grandes corporações por lutarem pela titulação de suas terras, nas quais habitam desde antigas gerações.

O quilombola Manoel Santana Costa é um deles. Uma das lideranças do Quilombo do Charco, Manoel está na lista dos 27 nomes jurados de morte nas regiões do Charco e do quilombo Cruzeiro e há seis meses está sendo escoltado por seguranças da Força Nacional.

Ele conta que a sua situação se agravou após o assassinato do presidente da Associação Quilombola do Charco, Flaviano Pinto Neto, em outubro do ano passado. “Comecei uma grande luta com a família de Flaviano e com os negros do Quilombo para que os assassinos de Flaviano fossem punidos, o que até agora não aconteceu”, relata Manoel.

Flaviano foi morto com sete tiros na região da cabeça e o inquérito policial realizado apontou como mandantes do crime os fazendeiros Manoel Matos Gomes e Antonio Matos Gomes, que reivindicam a posse da terra do Quilombo do Charco.

“Foram esses dois cidadãos que pagaram um grupo de extermínio para matar não só a Flaviano como a mim. E, por uma fatalidade, apenas Flaviano foi vitimado. Agora eu tenho três lutas: a luta por uma titulação do Quilombo do Charco, a luta pela punição dos assassinos de Flaviano e a luta para me manter vivo, porque quando acabou o inquérito, apontou-se que era para eu morrer no mesmo dia em que Flaviano”, diz Manoel com indignação.

Ele conta também que preferiu esperar quatro meses para receber proteção do Programa Nacional dos Defensores de Direitos Humanos (PNDDH) do Governo Federal do que receber ajuda do seu estado. “Eu não confio na polícia do estado do Maranhão. Quem matou meu companheiro é ex-policial. E as investigações apontaram que ele tem um grupo de extermínio formado por ex-policiais militares. Como que, nessa situação, eu iria aceitar que um PM entrasse na minha casa?”, diz.

Manoel conta que a demora para receber proteção ocorreu por conta de barreiras colocadas pelo Governo do Estado do Maranhão. “Para a Força Nacional ir para o seu estado, o governador pode não aceitar. A Roseana Sarney não aceitou. Durante quatro meses, o Governo Federal teve que negociar com a governadora para não quebrar o pacto federativo”, conta.

Segundo a liderança quilombola, hoje, para a federação toda, existem apenas 110 policiais treinados para a proteção de defensores dos direitos humanos.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Lançamento do livro A representação social do negro no livro didático: o que mudou? Por que mudou?, de Ana Célia da Silva

No próximo dia 24 de agosto, às 17 horas, acontece o lançamento do livro A representação do negro no livro didático: o que mudou? Por que mudou?, de autoria de Ana Célia da Silva e publicado pela Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA). O evento acontece no Auditório do CEAFRO (CEAO), localizado no Largo Dois de Julho, em Salvador, e é aberto ao público.
Em pesquisas realizadas anteriormente, Ana Célia da Silva percebeu que a rara presença do negro em livros didáticos era sempre marcada por estigmas e desumanização. Nesta obra, porém, analisou as mudanças que ocorreram na representação social do negro no livro didático de Língua Portuguesa de Ensino Fundamental da década de 90, investigando os fatores que as determinaram. A importância destas mudanças para o reconhecimento e respeito do negro por parte da sociedade como um todo também está presente.
A autora apresenta ao leitor, ainda, o conceito de representação social. Ao apresentar os fatores que determinaram mudanças nas publicações, faz uma abordagem crítica e teórica sobre a discriminação racial, a identidade e realidade socioeconômica e cultural dos afrobrasileiros, o papel da mídia, da família e do movimento negro.


Informações adicionais sobre o livro
ISBN: 978-85-232-0815-8
Número de páginas: 182
Formato: 16,5 x 22,5
Ano: 2011


Serviço
O quê: Lançamento do livro A representação social do negro no livro didático: o que mudou? Por que mudou?, de Ana Célia da Silva
Quando: 24 de agosto de 2011, às 17 horas
Onde: Auditório do CEAFRO (CEAO) – Pç. Inocêncio Galvão, 42, Largo Dois de Julho, Salvador - Bahia
Preço do livro: R$ 25,00

Fonte: http://www.fazervaleralei.blogspot.com/

Preço especial de lançamento do livro: R$ 20,00

Lançamento do livro "Letramentos de reexistência: poesia, grafite, música, dança, hip hop"

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OAB quer ingressar como amicus curiae para defender cotas raciais no STF


O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou hoje (22), por unanimidade, seu pedido de ingresso, na condição de amicus curiae, na Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) número 186, que discute a constitucionalidade do sistema de cotas raciais nas universidades públicas. Após longo debate conduzido pelo presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, e com base no voto do relator na OAB, o conselheiro federal Luiz Viana Queiroz (Bahia), os 81 conselheiros federais aprovaram o ingresso da entidade na ADPF em apoio à política afirmativa temporária de cotas. A ADPF foi ajuizada pelo Partido Democratas no Supremo Tribunal Federal em julho de 2009.
O relator da matéria na OAB defendeu o apoio da OAB ao sistema de cotas com base em princípios constitucionais como o da igualdade, mantendo-se a autonomia das universidades, e da dignidade da pessoa humana, com o fim de reverter as desigualdades históricas que existem no Brasil em relação aos negros. Outro ponto integrante do voto de Luiz Viana Queiroz é a necessidade de exame proporcional de cada caso, uma vez que a proporção de negros varia drasticamente de Estado para Estados no Brasil. O voto do relator teve como principal base a audiência pública realizada pela OAB Nacional sobre o tema em abril do ano passado.
A presidente da Comissão Nacional de Promoção da Igualdade da OAB, Silvia Nascimento Cerqueira, enalteceu a votação por aclamação da matéria e afirmou que toda a população negra do país aguardava com ansiedade o posicionamento da OAB sobre a matéria. "A partir da decisão da entidade máxima da advocacia tenho certeza de que esse tema será visto com outros olhos a partir de agora", afirmou.

Orquestra Afro Sinfônica se apresenta toda segunda em Salvador

Show acontece no Espaço Cultural da Barroquinha.
Temporada é realizada até dezembro, sempre às 19h.



orquestra afrosinfônica (Foto: Divulgação)
Orquestra Afro Sinfônica até dezembro no Espaço Cultural da Barroquinha (Foto: Divulgação)


O Espaço Cultural da Barroquinha, em Salvador, abriga a temporada de apresentações da Orquestra Afro Sinfônica, capitaneada pelo maestro Ubiratan Marques. As apresentações acontecem toda segunda-feira até dezembro, sempre às 19h . 

A Orquestra Afro Sinfônica se diferencia por destacar a matriz histórica combinando com a erudição musical, proporcionando ao público um intercâmbio entre o regional e o nacional, o erudito e o popular.


Orquestra Afro Sinfônica
O então regente da Jazz Sinfônica em São Paulo, o maestro baiano Ubiratan Marques, percebeu que a maioria das orquestras seguia o mesmo padrão europeu em formação e repertório. Daí surgiu a ideia de criar uma orquestra nova, com influências do jazz, da musicalidade baiana, misturando ainda, conceitos europeus e americanos.


A estrutura musical continua tradicional, com todos os seus nipes de cordas, madeiras, metais e percussão, incorporando alguns instrumentos regionais, como xequerês e tambores.


Serviço:
Afro Sinfônica no Espaço Cultural da Barroquinha
Datas: 12 e 26/09, 10 e 24/10; 07 e 21/11; e 05 e 19/12Horário: 19h
Ingresso: R$ 10 e R$ 5 (vendas no local)







Quilombolas acampam outra vez no centro de São Luís



Aproximadamente 300 quilombolas de várias regiões do estado voltaram a acampar em frente à sede do Tribunal de Justiça do Estado, no Centro de São Luís, em protesto pelo descumprimento do acordo firmado entre os governos federal e estadual, no dia 22 de junho, na sede do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra). Dessa vez, eles não vieram sozinhos. Aderiram ao movimento grupos indígenas e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Os manifestantes são apoiados pela Comissão da Pastoral da Terra (CPT).
Tambor de crioula é atividade frequente no acampamento
Segundo o padre Inaldo Serejo, coordenador estadual da CPT, nada do que foi acordado durante a reunião com as ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos), Luiza Bairros (Igualdade Racial) e Márcia Quadrado (Desenvolvimento Agrário), além de representantes do governo estadual, foi cumprido até agora.
Serejo ressaltou que os problemas relativos à violência no campo e a demora na titulação de áreas remanescentes de quilombos continuam.

Alagoas sedia o II Ciclo Nacional de Conversas Negras

Durante três dias, 25, 26 e 27 de agosto, diversos segmentos sociais terão espaço, escuta e voz para discutir, problematizar e propor caminhos tendo como base temas relacionados à descriminação e desigualdades raciais.
Coordenado pelo Projeto Raízes de Áfricas, representação do movimento social negro alagoano, o II Ciclo se constitui em ação de formação continuada, com o objetivo de não só estabelecer espaços formativos, como também visibilizar mecanismos para o exercício do controle social relativo às políticas públicas para promoção da igualdade racial.
Dentro da programação dos dias 25 e 26 e 27 de agosto teremos conferências, atrações afro-culturais, registros de experiências, palestras e uma breve apresentação do Projeto 13 de novembro, quando as cinzas de Abdias Nascimento serão depositadas na Serra da Barriga.
Elisa Larkin Nascimento, esposa de Abdias ministra palestra no II Ciclo.
A Conferência das Múltiplas Diversidades “As Políticas Afirmativas no Brasil e a Democratização da Equidade Humana” abre as atividades do II Ciclo, com participação de representantes da Fundação Cultural Palmares e Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, da presidência da República.
A mesa será coordenada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos
Direitos Humanos.
Contando com o apoio do Ministério de Educação, Fundação Cultural Palmares, Secretaria de Políticas e Promoção da Igualdade Racial, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Secretaria da Mulher da Cidadania e dos Direitos Humanos, Polícia Civil, Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, o II Ciclo será realizado, nos dias 25 e 26, das 08 às 18 horas na Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Av. Fernandes Lima, 385, Auditório Gilberto Mendes de Azevedo 1º andar – Farol.
O V Festival Alagoano das Palavras Pretas: Orikis: Axés do Sangue e da Esperança: Uma homenagem especialíssima para Abdias Nascimento, acontece no sábado, 27 de agosto, no Teatro Linda Mascarenhas, no Teatro Linda Mascarenhas,av. Fernandes Lima, no CEPA.
Com certificação de 30 horas, as inscrições podem ser solicitadas pelo e-mail raizesdeafricas@gmail.com

Mais informações: (82) 8827-3656/3231

O PT e a autonomia dos movimentos sociais



O PT está realizando a segunda etapa de seu IV Congresso Nacional onde além de outros temas, será debatida a necessária reforma estatutária. Os diversos temas a serem abordados já são conhecidos do público e da militância petista, entre eles citam-se: o novo modelo de PED, a forma de contribuição financeira obrigatória de seus filiados, a compreensão de filiados militantes e filiados simpatizantes, e o mais polêmico, o modelo de escolha dos futuros candidatos e candidatas do PT. Não pretendendo entrar no mérito de nenhum dos temas, faremos o esforço aqui de recolocar na pauta do PT a sua relação e interação com os movimentos sociais.
É sabido que o PT surgiu como uma necessidade identificada pelos movimentos sociais de massas, organizados entre o final da década de 70 e inicio da década de 80, entre os movimentos que mais se destacaram estão as CEB’s, a luta sindical, os movimentos rurais e estudantis, além das organizações classistas como a CUT. Esses movimentos identificaram que a luta política desenvolvida em seu aspecto setorizado entre cada organização encontrava grandes obstáculos quando se tratava de garantir conquistas que dependiam da máquina pública ou de legislação do congresso nacional, onde os trabalhadores não tinham influência ou resistiam contra o regime totalitário.
O PT pela riqueza de sua origem, emanado de sua classe trabalhadora, em que consiste o seu maior patrimônio e seu maior desafio, o de ser um partido democrático, de massas e com capacidade de disputar o poder central com uma política anticapitalista. Nas diversas experiências de partidos socialistas, muitas vezes aconteceu do partido após sua constituição, operar uma burocratização clássica na intenção de converter os movimentos sociais em “correia de transmissão” de suas resoluções políticas, sempre buscando subordiná-los aos seus interesses políticos. No PT em sua origem vivia o cerne do contrario onde o partido corria o risco de ver sua política e estratégia subordinada aos movimentos sociais. O partido correria o risco de se tornar subordinado, e não cumprir o seu papel de dirigente e de universalização dos interesses de toda a classe trabalhadora.

O maior desafio era o de conscientizar e educar as massas para que a estratégia de partido de massas e de quadros fosse implementada com sucesso. Entre esses desafios estava o de elevar o nível de consciência dos militantes do PT que atuavam no movimento social de que a luta social e sindical de resistência anticapitalista deve ser parte integrante da estratégia geral da montagem de um bloco histórico hegemônico que prepare os trabalhadores para a construção da superação da sociedade de classes, na disputa de poder político na institucionalidade.
Na busca por superar esses dilemas e após o descendo das lutas sociais e a disputa presidencial de 1989, que influenciaram programaticamente o PT, a maioria do partido faz a opção por alterar o método de organização do partido com vistas a torná-lo um partido forte eleitoralmente com um nível de centralidade que possibilitasse essa estratégia, afastando assim a relação intrínseca com a luta social e buscando atrelar a luta sindical aos interesses estratégicos do PT.

Essa burocratização com vistas a tornar o PT uma maquina eleitoral com um alto grau de controle sob a maquina partidária fez com que a maioria optasse por retirar do estatuto do PT um dispositivo que dava autonomia para os militantes do PT que atuassem nos movimentos sociais de decidir se seguiriam uma resolução do partido ou do movimento que fazia parte, caso as resoluções de um e de outro entrassem em divergência.
Esse dispositivo foi retirado. Aparecendo em seu lugar um Artigo do código de ética que prega a defesa da autonomia dos movimentos sociais, um artigo estéril que trata a relação do PT com os movimentos sociais de dentro para fora e não como uma conseqüência da relação intrínseca do PT com os movimentos sociais.
É importante recolocar esse debate nesta segunda etapa do IV congresso nacional do PT para podermos refletir sobre os avanços conquistados pelo partido no ultimo período e que estratégias o partido vai adotar para trazer novamente os movimentos sociais para dentro de suas fileiras como estratégia de seu fortalecimento com vista a superação dos limites impostos pela atual tática de governabilidade.

Defender o retorno de um dispositivo que dê autonomia para os militantes do PT que fazem parte de movimentos sociais de escolherem entre as resoluções do partido e dos movimentos sociais é fazer uma ponte com a nossa história. Hoje os trabalhadores e dirigentes dos movimentos sociais estão muito mais maduros e experimentados, a compreensão de que a luta social por si só, leva apenas ao corporativismo, e que para o avanço da classe trabalhadora é essencial o fortalecimento do PT o maior e principal instrumento, nos coloca numa situação favorável à que nos encontrávamos no inicio da formação do partido.

Hoje após as experiências dos governos Lula e Dilma, na relação partido, movimento e governo temos condição de fazer uma retomada com os movimentos sociais que impulsionem os interesses estratégicos e universais do partido sem o risco de nos transformarmos no partido de uma parte. É importante ressaltar que apenas o retorno desse dispositivo não trará para as nossas fileiras os diversos movimentos sociais, e sim a luta política e as resoluções do partido, porém não podemos deixar de lembrar que é um importante gesto intencional em busca de nossa história.

Temos pela frente o desafio de superar a atual aliança governamental com setores do centro da oligarquia política brasileira, assim como a intenção de ampliar as massas de filiados do partido, nesse sentido a autonomia dos movimentos sociais vem pra oxigenar o partido criando uma síntese positiva entre partido forte eleitoral e institucionalmente e partido de massas, democrático e socialista. Esse será um movimento que criará um antídoto para o risco que corremos de nos transformar no partido da ordem.

Está posto o debate, tod@s ao IV Congresso Nacional do PT.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Bira Corôa recebe apoio para candidatura


Apoiadores políticos do deputado estadual Bira Corôa (PT) sinalizaram apoio à sua pré-candidatura a prefeitura de Camaçari, no sábado (20), na cidade. Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários municipais e lideranças políticas de 50 municípios baianos disseram abrir mão do mandato que ajudaram a reeleger caso o parlamentar seja o escolhido para a disputa em 2012. A demonstração de desprendimento foi destacada na fala do ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, presente ao evento que reuniu mais de 800 pessoas na Casa do Trabalhador.

“Essa plenária oferece ao PT, ao companheiro Luiz Caetano e a Camaçari um nome qualificado e preparado como pré-candidato para continuar o projeto político na cidade. É legítimo e natural e tenho certeza que Bira se colocará sempre pela construção da unidade”.

Bira Corôa garantiu que, mesmo colocando seu nome à disposição do partido, não vai abandonar as bases. “Não vamos abrir mão de dar assistência aos municípios que garantiram a recondução do nosso mandato”, disse o deputado, que fez questão de agradecer a presença das lideranças, a exemplo dos deputados federais Nelson Pelegrino e Amaury Teixeira, da deputada estadual Maria Del Carmem e do vereador de Salvador, Gilmar Santiago.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CARTA CONCLAMATÓRIA

Salvador , Agosto de 2011
CARTA CONCLAMATÓRIA

O FPN- Fórum de Performance Negra da Bahia que representa cerca de 35 grupos entre Cias de Teatro e Dança Negros em todo Estado, junto a outros ativistas dos mais diversos setores sociais, inclusive do movimento negro, conclama a vossa participação para o ATO público “ARTE NEGRA REBELADA” na sexta feira dia 26/08/11 às 13:30 concentração na Escadaria de Jerônimo, Pelourinho, até a rua Chile.

PRÓPOSITO
O Ato tem o propósito de ALERTAR a sociedade e as autoridades do Estado e União para ausência de efetivas políticas públicas para a produção do teatro e da dança negra na cidade e no estado. O Ato será de caráter lúdico, com recital de poesias e leitura de um manifesto. Todos e todas devem vestir branco e levar a sua poesia em forma de protesto!!

DIÁGNÓSTICO
• Para não irmos muito longe, façamos um recorte de 20 anos pra cá. Os grupos de formação negra que receberam incentivos do Estado para produção artística em teatro ao longo de duas décadas não ultrapassam de 5;
• Os Festivais de Teatro em todo o país e principalmente na Bahia alijam as produções negras da programação oficial, impedindo com isso a dinamização e o intercambio cultural dos artistas negros;
• As produções negras de modo geral tem investido verba independente para a execução de seus respectivos produtos culturais;
• A contínua falta de investimento dificulta a qualidade das produções negras, gerando com isso uma baixa estima dos artistas, que muitas vezes vão desempenhar outras funções desistindo do fazer artístico, causando, assim, um extermínio cultural;
• O cachê oferecido aos artistas profissionais negros ainda são relativamente menores que os brancos. Façamos uma auditoria salarial e vamos perceber , também, que os percussionistas recebem o menor salário da banda, que @s bailarin@s de matriz africana recebem menos que os bailarinos de tradição Européia... e etc.
IMPACTO
A Arte é um patrimônio cultural da humanidade e reflete a identidade do seu povo. Nem só de pão vive e prospecta o homem, a mulher e a criança, mas de poesia também! Se não houver negros em cena- no imaginário- será trágico para todos os povos mas principalmente para o povo negro !!!
Atenciosamente,

FNP - Fórum de Performance Negra da Bahia
Contatos: 71 – 8882 4601 / 9111 4825
88469414 / 86447525 .

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Religiões de matriz africana integrarão Conselho Estadual de Direitos Humanos

A representação das religiões de matrizes africanas está garantida na composição do Conselho Estadual de Proteção aos Direitos Humanos. A informação é do deputado estadual Bira Corôa (PT), presidente da Comissão de Promoção da Igualdade do Legislativo baiano, que havia solicitado ao Governo do Estado a alteração da Lei (nº 12.054), aprovada em janeiro desse ano, para incluir o segmento no órgão consultivo.

“Recebemos a resposta positiva da Casa Civil à nossa Indicação e o Governo da Bahia está tomando providências para contemplar as religiões de matrizes africanas enquanto representatividade no Conselho, assim como as demais que já integram o texto”, diz Bira Corôa, que recebeu ofício da secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, na semana passada.

O parlamentar explica que, como o Conselho foi criado por lei, ele só pode ser modificado com a publicação de outra lei. O conselho integra a Secretaria estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, comporta representações do Estado e de diversos segmentos sociais, e tem por finalidade promover e defender os direitos fundamentais da pessoa humana, zelando pela aplicação das normas que os asseguram e indicando ações para evitar lesões a esses direitos.

“Essa inclusão é fundamental para reforçar a importância histórica e cultural das religiosidades negras, dos babalorixás e ialorixás, os quais são considerados guardiões e guardiãs da memória de povos africanos escravizados no Brasil”, comemora o deputado.


Policiais fazem papel de juiz frente a queixas por discriminação racial

Os agentes policiais ainda têm muita dificuldade em discernir o que é preconceito e o que é “brincadeira”.

Segundo uma pesquisa da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP, palavras ou termos racistas utilizados pelos acusados devem ser relatados com exatidão pela vítima para caracterizar o crime de racismo e para convencer o agente policial de que realmente houve uma situação ofensiva e racista.

O sociólogo Artur Antônio dos Santos Araújo, afirma que não é estranho afirmar que designações como “cabelo ruim”, “preto safado”, “negro sujo”, “chita” e “macaco”, entre outros adjetivos e expressões correntes tais como “se negro não suja na entrada suja na saída”, “lugar de negro é…” ou “só podia ser preto!” mesmo quando utilizadas em uma “aparente brincadeira” correspondem a uma visão preconceituosa, há muito tempo, incorporada à sociedade.

Crime de preconceito racial

Entre os anos de 2000 e 2009, Araújo analisou 51 Boletins de Ocorrência (BO) registrados na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância de São Paulo (Decradi/SP), e no Departamento de Atividades Especiais da Polícia Civil do Distrito Federal (Depate/DF), a fim de determinar como um agente policial classifica uma situação como crime de preconceito racial.

Esta análise serviu de base, também, para verificar quanto o uso de estereótipos e expressões idiomáticas estão relacionados às complexas relações raciais no Brasil.

Dos dados extraídos dos boletins buscou-se a caracterização tanto das vítimas quanto dos autores dos conflitos, a fim de identificar a situação social, política, educacional e econômica. A intenção foi tentar entender o perfil dos envolvidos nos fatos.

Ademais, o boletim de ocorrência é muitas vezes a única forma de se manifestar contra o preconceito. Além de ser a porta de entrada para a formalização da denúncia para o Ministério Público, órgão responsável por dar continuidade a uma futura ação criminal.

Policial como juiz

Araújo observa que em delegacias não especializadas “não são poucas as vezes que um agente recusa-se a registrar o boletim de ocorrência por não entender a ofensa como discriminação racial”.

Ele ressalta a necessidade de implementação de políticas públicas não só de formação e capacitação continuada dos agentes de polícia nas questões de direitos humanos e combate ao racismo, mas também, que desenvolvam a consciência das relações raciais no País.

A inferioridade do negro

O pesquisador somou o estudo de verbetes em diferentes dicionários à análise dos dados coletados nos boletins e se colocou criticamente frente a teorias como as de Donald Pierson (1971), Octávio Ianni (1978), Florestan Fernandes (2007) e Gilberto Freyre (1936).

O sociólogo explica que “Pierson assinalava que expressões usadas perderam a função de estereótipo porque são utilizadas como brincadeiras por brancos e negros. Já Ianni entendia que o uso dessas expressões traduzem a intenção do branco em colocar o negro e o pardo no extremo mais baixo de qualquer escala de valores sociais. Florestan Fernandes acreditava que grande parte dos provérbios referentes à condição social do preto é parte do ‘padre-nosso do negro’”.

A conclusão a que o pesquisador chegou foi que “a inferioridade do negro é fartamente expressa em várias situações das nossas práticas discursivas e sociais há vários séculos”.

“Os atos da vida social dos negros são naturalmente expressos como deprimentes e pejorativos, cabendo a ele o mais baixo status da hierarquia social”, constata o sociólogo. “Isso é reflexo da permanência de uma cultura de dominação sobre o negro e do desenvolvimento de uma falsa tese da democracia racial no Brasil.”

Para Araújo “os resultados deste estudo apontam para o fato de que há inúmeros adjetivos, expressões e provérbios, que se cristalizaram no discurso cotidiano, dão continuidade à prática discursiva e social do racismo”.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Casa de Oxumarê promove lançamento de livro histórico




A pesquisadora Angela Elisabeth Luhning e Sivanilton Encarnação da Mata promovem o lançamento da obra "Casa de Oxumarê: Cânticos que encantaram Pierre Verger", no Espaço Cultural da Barroquinha, na próxima quinta-feira (18). O material, composto por um livro e dois CDs, torna públicas as gravações realizadas por Pierre Verger com os membros da Casa de Oxumarê, depois de mais de 50 anos. Além disso, retrata a história do local, revelada pelo atual pai de santo da Casa, e o desenvolvimento urbano na região em que ela está localizada (bairro da Federação, em Salvador) juntamente com a Fundação Pierre Verger.


O lançamento do livro e dos CDs será acompanhado das apresentações dos corais da Casa de Oxumarê e do Espaço Cultural Pierre Verger, dos abalês da Casa de Oxumarê, da dançarina Thais Negrizu e a exposição "A viagem dos tambores: Da África às Américas", do próprio Verger. O evento começa às 18h e é patrocinado pela Petrobras, também com incentivos da Lei Rouanet.


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