sexta-feira, 30 de setembro de 2011

“Os escravistas contra Lula”


Em meio ao debate sobre a crise econômica internacional, Lula chegou a França. Seria bom que soubesse que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences Po, deveria pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria guardar recato. No Brasil, a casa grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terras e escravos. Assim, Lula, agora, silêncio, por favor. Os da casa grande estão bravos. O artigo é de Martín Granovsky, do Página/12.
Podem pronunciar “sians po”. É, mais ou menos, a fonética de “sciences politiques”. E dizer Sciences Po basta para referir o encaixe perfeito de duas estruturas: a Fundação nacional de Ciências Políticas da França e o Instituto de Estudos Políticos de Paris. Não é difícil pronunciar “sians po”. O difícil é entender, a esta altura do século XXI, como as ideias escravocratas seguem permeando os integrantes das elites sul-americanas. Na tarde desta terça, Richar Descoings, diretor da Sciences Po, entregará pela primeira vez o doutorado Honoris Causa a um latino-americano: o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Descoings falará e, é claro, Lula também.
Para explicar bem sua iniciativa, o diretor convocou uma reunião em seu escritório na rua Saint Guillaume, muito perto da igreja de Saint Germain des Pres. Meter-se na cozinha sempre é interessante. Se alguém passa por Paris para participar como expositor de duas atividades acadêmicas, uma sobre a situação política argentina e outra sobre as relações entre Argentina e Brasil, não está mal que se meta na cozinha de Sciences Po.
Pareceu o mesmo à historiadora Diana Quattrocchi Woisson, que dirige em Paris o Observatório sobre a Argentina Contemporânea, é diretora do Instituto das Américas e foi quem teve a ideia de organizar as duas atividades acadêmicas sobre a Argentina e o Brasil, das quais também participou o economista e historiador Mario Rapoport, um dos fundadores do Plano Fênix há dez anos.
Naturalmente, para escutar Descoings foram citados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático. Sciences Po tem uma cátedra de Mercosul, os estudantes brasileiros vão cada vez mais para a França, Lula não saiu da elite tradicional do Brasil, mas chegou ao máximo nível de responsabilidade e aplicou planos de alta eficiência social.
Um dos colegas perguntou se era correto premiar alguém que se jacta de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e o olhou assombrado. Talvez saiba que essa jactância de Lula não consta em atas, ainda que seja certo que não tem título universitário. Certo também é que, quando assumiu a presidência, em 1° de janeiro de 2003, levantou o diploma que os presidentes recebem no Brasil e disse: “É uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria o de presidente da República”. E chorou.
“Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção?” – foi a pergunta seguinte.
O professor sorriu e disse: “Veja, Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entra em análises morais, nem tira conclusões apressadas. Deixa para o balanço histórico esse assunto e outros muitos importantes, como a instalação de eletricidade em favelas em todo o Brasil e as políticas sociais”. E acrescentou, pegando o Le Monde: “Que país pode medir moralmente hoje outro país? Se não queremos falar destes dias, recordemos como um alto funcionário de outro país teve que renunciar por ter plagiado uma tese de doutorado de um estudante”. Falava de Karl-Theodor zu Guttenberg, ministro de Defesa da Alemanha até que se soube do plágio.
Mais ainda: “Não desculpamos, nem julgamos. Simplesmente não damos lições de moral a outros países”.
Outro colega perguntou se estava bem premiar alguém que, certa vez, chamou Muamar Kadafi de “irmão”.
Com as devidas desculpas, que foram expressadas ao professor e aos colegas, a impaciência argentina levou a perguntar onde Kadafi havia comprado suas armas e que país refinava seu petróleo, além de comprá-lo. O professor deve ter agradecido que a pergunta não tenha mencionado com nome e sobrenome França e Itália.
Descoings aproveitou para destacar Lula como “o homem de ação que modificou o curso das coisas”, e disse que a concepção de Sciences Po não é o ser humano como “uns ou outros”, mas sim como “uns e outros”. Marcou muito o “e”, “y” em francês.
Diana Quattrocchi, como latino-americana que estudou e se doutorou em Paris após sair de uma prisão da ditadura argentina graças à pressão da Anistia Internacional, disse que estava orgulhosa que Sciences Pos desse o Honoris Causa a um presidente da região e perguntou pelos motivos geopolíticos.
“Todo o mundo se pergunta”, disse Descoings. “E temos que escutar a todos. O mundo não sabe sequer se a Europa existirá no ano que vem”.
Na Sciences Po, Descoings introduziu estímulos para o ingresso de estudantes que, supostamente, estão em desvantagem para serem aprovados no exame. O que se chama discriminação positiva ou ação afirmativa e se parece, por exemplo, com a obrigação argentina de que um terço das candidaturas legislativas devam ser ocupadas por mulheres.
Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa a Lula fazia parte da política de ação afirmativa da Sciences Po. Descoings observou-o com atenção antes de responder. “As elites não são só escolares ou sociais”, disse. “Os que avaliam quem são os melhores são os outros, não os que são iguais a alguém. Se não, estaríamos frente a um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas segundo entendi não ganhou uma vaga, mas foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas”.
Como Cristina Fernández de Kirchner e Dilma Rousseff na Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula vem insistindo que a reforma do FMI e do Banco Mundial está atrasada. Diz que esses organismos, tal como funcionam hoje, “não servem para nada”. O grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ofereceu ajuda para a Europa. A China sozinha tem o nível de reservas mais alto do mundo. Em um artigo publicado no El País, de Madri, os ex-primeiros ministros Felipe González e Gordon Brown pediram maior autonomia para o FMI. Querem que seja o auditor independente dos países do G-20, integrado pelos mais ricos e também, pela América do Sul, pela Argentina e pelo Brasil. Ou seja, querem o contrário do que pensam os BRICS.
Em meio a essa discussão, Lula chega a França. Seria bom que soubesse que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences Po, deve pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria guardar recato. No Brasil, a casa grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terras e escravos. Assim, Lula, agora, silêncio, por favor. Os da casa grande estão bravos.
Tradução: Katarina Peixoto

Fonte :http://racismoambiental.net.br/2011/09/os-escravistas-contra-lula/#more-29493

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Convite Especial!


SIM, NÓS EXISTIMOS!

Em 1944, Abdias Nascimento (1914-2011) fundou o Teatro Experimental do Negro (TEN), no Rio de Janeiro. Apesar da descrença e do preconceito instituído, o TEN irrompe a cena teatral brasileira apresentando-se como “um amplo movimento de educação, arte e cultura”. O TEN nasce da insatisfação de seus fundadores com o racismo e a ausência de políticas públicas para o povo negro. O TEN gritou para o país e para o mundo que o povo negro brasileiro estava fora de cena. Quase sete décadas depois, continuamos gritando a mesma coisa.
Gritamos no Estado e na Salvador, cidade com o maior contingente negro fora da África. Gritamos, em plena era do Renascimento Africano, na qual as organizações negras diaspóricas efetivam um árduo e bem sucedido revisionismo acerca da contribuição negra para o desenvolvimento da humanidade. Salvador/ Bahia ignoram.
Foram realizadas, aqui na capital do estado, três edições do Fórum Nacional de Performance Negra, reunindo mais de 150 grupos, entre companhias de teatro e dança negros do país, afirmando “nós existimos e queremos discutir às políticas públicas para a cultura negra no Brasil”O nosso país, diga-se de passagem, tem uma cultura híbrida. Há nele uma cultura oficiosa e uma cultura em resistência. O Fórum certamente pertence à segunda. Mas quem resiste? Por que resistem? Se não resistem, onde estão incorporadas as políticas debatidas?
Até os dias atuais, no Estado baiano, a verba pública destinada para cultura das artes cênicas se concentra nas mãos dos mesmos grupos mantenedores da cultura eurocêntrica, norte-americana e elitista brasileira. Seja na política de esquerda ou de direita, os grupos se repetem e alimentam uma engrenagem rotativa de estratificação da verba pública. Os projetos Culturais reverberam este espelho o narciso-elitista.
É fundamental a existência destes projetos na cidade, para o intercâmbio e a difusão cultural do estado com o país e o mundo, mas precisamos entender o porquê que de artistas negros e negras ainda continuarem com uma expressividade mínima ou nula no cenário das produções teatrais em Salvador e no Estado.



Ângelo Flávio
Ator e Diretor Teatral, também é  Apresentador , Dramaturgo e Arte-Educador.
Fundador do Coletivo Teatral Abdias Nascimento na UFBA - CAN
contatos : 71 - 9111 - 4825 / 88824601

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ex-namorada de estudante morto diz que ele foi vítima de racismo


Filho de uma família tradicional de Guiné-Bissau, o ex-estudante da UFMT Toni Bernardo da Silva, 27 anos, morto por policiais militares e um empresário na noite de quinta-feira (22), teria sido vítima de racismo, de acordo com sua ex-namorada brasileira, que hoje vive em Brasília.
Segundo ela, o pai de Toni, que tem o mesmo nome do filho, é formado na Rússia em agronomia. Um tio é oficial das forças armadas em Guiné-Bissau. Toni ainda tem mais 14 irmãos, alguns vivem em outros países. Uma irmã faz direito na França, e outro exerce a arquitetura em Lisboa, Portugal.
De acordo com a ex-namorada de Toni, Lis Andreia Ferreira, o pai do ex-estudante da UFMT o mandou para o Brasil a fim de fazer economia em um dos países que despontam nesse segmento no mundo, para que em seu retorno à Guiné-Bissau pudesse exercer a profissão na estrutura do governo.
“O pai dele é muito idealista e por isso mandou alguns de seus filhos para fazer faculdade em outras universidades pelo mundo; o objetivo era que eles pudessem ajudar no desenvolvimento de seu país”, afirma Lis Andreia, a ex-namorada de Toni.
Lis Andreia, que é publicitária, afirma que a trajetória de Toni, que culminou com a tragédia, pode se tratar de caso de racismo, que camufla uma realidade para um país miscigenado como o Brasil. “Muitas vezes é velado (o racismo)”.
“A característica desse crime bárbaro que cometeram com o Toni é social. Olharam para uma pessoa negra, pobre e que apenas esbarrou em uma pessoa; eles já pensam que é muito perigoso para a sociedade e quiseram exterminar”, disse Lis, que namorou o jovem rapaz durante um ano, entre 2007 e 2008.
Lis Andreia Ferreira trabalha atualmente na Secretaria de Publicidade no Governo do Distrito Federal. Na manhã seguinte à tragédia, Lis ligou para a Embaixada de Guiné-Bissau no Brasil, onde irá exigir, junto com todos os familiares de Toni Bernardo, as investigações à Policia.
“Liguei para a embaixada e eles já estavam a par de toda a situação. Estamos nos organizando para exigir uma resposta do porquê Toni foi brutalmente agredido. Conhecia ele muito bem e a convivência era pacífica. Ele não gostava de violência”, afirmou.
A ex-namorada disse ainda que o caso está tendo repercussão internacional, já que a família do estudante é formada por pessoas de classe média, que vão exigir explicações para a morte trágica. Toni deixou uma namorada brasileira grávida de oito meses.
OUTRA SITUAÇÃO
Toni Bernardo se encontrava em situação de risco. De acordo com amigos, ele estava envolvido com o uso de drogas pesadas (como pasta-base ou cocaína) há alguns meses, e a UFMT não teria dado a assistência necessária para que ele fizesse tratamento.
De acordo com Ernani Ernesto Dias, estudante de letras de Guiné-Bissau e amigo de Toni Bernardo, a assistência se resumiu a três ou quatro consultas realizadas por uma psicóloga da Instituição.
“Deram assistência através de uma psicóloga, não duradoura e nem intensiva” complementou Ernani Dias.
O acordo de cooperação de intercâmbio acadêmico colocou Toni Bernardo sob a tutela da União, por meio da UFMT. O estudante havia se afastado da faculdade desde o início deste ano.
Para casos em que há problemas com algum estudante de intercâmbio internacional que não está correspondendo com o Programa de Estudante-Convênio Graduação (PEC-G), o procedimento é comunicar à Polícia Federal no Estado, ao Departamento de Cooperação Científica e em seguida à Secretaria de Educação Superior (SESu). A questão é se esse procedimento foi realizado ou não pela instituição.
O objetivo, conforme à cláusula da PEC-G, é para que sejam tomadas as providências necessárias ao retorno do estudante. A Instituição é tutora do aluno nesta situação.

TRAGÉDIA
De acordo com Ernani Ernesto Dias, familiares do estudante estão consternados e de lá da África também buscam informações na Embaixada do Brasil naquele país. A estudante de letras Luana Soares, amiga brasileira dos estudantes africanos disse que alguns não têm a assistência devida por parte da instituição.
“Eles (os estudantes africanos) vêm sofrendo na UFMT, com condições de moradia e por falta de bolsas. A instituição os recebe por meio de um convênio e os estudantes não têm assistência!”, exclamou Luana.

TRATADO
O acordo de cooperação entre os países observa que os participantes do programa poderão usufruir de auxílios econômicos por parte da instituição de origem ou acolhimento, no caso a UFMT. Mas será um esforço já que os gastos com alimentação, viagem e moradia ficam por conta do estudante que, além disso, tem que arcar com seguro saúde e todas as despesas com material educativo, cabendo à instituição a promoção de aulas e eventos.
Atualmente a UFMT mantém intercâmbio com vários países. Segundo Luana Soares, que também faz parte da frente acadêmica de luta, existe cerca de 20 estudantes do continente africano.

ATO DE REPÚDIO
Nesta segunda-feira (26), às 14h, a UFMT realiza ato de repúdio contra violência no centro cultural.
Em nota, a UFMT divulgou repúdio ao fato: “A violência de que foi vítima o ex-estudante de Economia, Toni Bernardo, da República da Guiné-Bissau, ex-integrante do programa de mobilidade internacional PEC-G, exige punição dos responsáveis e reflexões sobre a cultura da paz”.
Na noite de sexta-feira (23), cerca de 150 alunos fizeram um protesto em forma de vigília, em frente à pizzaria Rola Papo, local onde o estudante foi morto no dia anterior. Amigos e colegas acenderam velas para lembrarem a forma como o rapaz foi morto.

OUTRO LADO
A reportagem tentou entrar em contato com o Departamento de Relações Internacionais da UFMT. Porém, por ser final de semana, não conseguiu falar com nenhum integrante do setor.
Na sexta-feira (23) à tarde, a pró-reitora Myriam Serra, da Pró-reitora de Ensino e Graduação, e outros representantes da instituição se reuniram com os estudantes africanos às portas fechadas.
De acordo com Luana Soares, alunos brasileiros foram impedidos de participarem da reunião pela alegação que eles não tinham nada a ver com a morte do estudante africano Toni Bernardo.

Fonte: http://hipernoticias.com.br/TNX/imprime.php?cid=5510&sid=112

domingo, 25 de setembro de 2011

Preconceito e Ganância: As Raízes dos Falsos Condomínios e a Privatização do Espaço Público

Num processo de repetição dos piores aspectos da história do Brasil, as prefeituras das cidades de Camaçari e Lauro de Freitas na Bahia estão sendo cúmplices na privatização ilegal de terras públicas , praias, rios e lagoas para o benefício de grupos particulares. Loteamentos, que são áreas públicas transformam-se da noite pro dia em imensos condomínios ilegais. Condomínios esses sem registro em cartório. É o que chamamos aqui de Falsos Condomínios.
Fruto de trabalho de quase dois anos, feito de forma independente e com a participação de vários líderes comunitários, o documentário, Preconceito e Ganância: As Raízes dos Falsos Condomínios e a Privatização de Espaço Públio, mostra essas apropriações ilegais do ponto da sociedade afetada.
Essa história é contada pelas pessoas envolvidas. Ativistas comunitários e cidadãos vÍtimas dessas barbaridades, praticadas por Falsos Condomínios que se cansaram de terem seus direitos violados e juntaram-se para denunciar esse esquema de enriquecimento ilícito, apropriação ilegal de bens público e exigir o direito de ir e vir em território nacional.

Direção Geral: Roberval de Oliveira
Pré-produção: Francisco Assis Silva
Filmagens e edição: Lenadro Sodré
Duração: 70 minutos
Apoio: Diáspora Solidária





















sábado, 24 de setembro de 2011

Senhoras evangélicas bateram na cabeça de uma criança durante a festa do divino

Os representantes de entidades que integram o Movimento Negro e Afro-religioso Maranhense se reuniram durante a semana para discutir a denúncia de agressão contra uma criança de apenas 3 anos de idade que participava das celebrações da Festa do Divino no último dia 17, no Anjo da Guarda. O caso foi registrado no16º DP da Vila Embratel pelos familiares da vítima e está sendo acompanhado pelo Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do Maranhão (Ferma). 
 O coordenador de política institucional do Ferma, Neto de Azile, conta que os membros do terreiro "Kwebe-se to Vodun Bade Só", na 2ª Travessa do Bom Jesus, no Anjo da Guarda, realizaram um cortejo para buscar o mastro da Festa do Divino na Rua Costa Rica. Ao passar em frente a um culto evangélico duas senhoras começaram a distribuir panfletos que não foram aceitos. Uma delas teria começado a proferir ofensas como "isso é coisa do demônio" e em determinado momento, bateu na cabeça de uma criança de 3 anos, jogando-a para trás. 
 Na reunião, as entidades participantes decidiram que o ato representa uma agressão física, psicológica e moral ferindo o direito constitucional do livre exercício da religião. Foi decidido que será aberta uma ação por perda e danos morais pela violência contra a criança e uma ação civil pública devido ao cerceamento da opção religiosa do grupo. 
Além das organizações ligadas ao movimento negro como a Ferma, Coletivo de Entidades Negras (CEN) e Rede de Religiões Afro, também estiveram presentes representantes da Secretaria Estadual Extraordinária da Igualdade Racial, Secretaria dos Direitos Humanos e Cidadania do Estado do Maranhão (Sedihc) e Fórum Intergovernamental de Igualdade Racial. Devido à complexidade do caso, a Sedihc sugeriu uma reunião com a assessoria jurídica da pasta para tratar da questão, o encontro deve ser realizado até a próxima semana. 
O coordenador de política institucional do Ferma afirma que a criança não foi ferida gravemente, mas que o ato a traumatizou. A garota ficou triste e chegou a desistir de vestir a roupa, relatando que "a moça bateu na coroa, agora eu não quero mais". As possíveis agressoras ainda não foram identificadas, mas Neto de Azile explicou que o caso foi repassado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DPCA) e ao 16º DP para que o líder da congregação onde as duas mulheres estavam possa identificá-las. Neto de Azile considerou a ação das mulheres como um ato de fanatismo que desrespeita o preceito religioso e caracterizou o ato como um retorno à Idade Média. "Somos um estado laico e temos liberdade religiosa assegurada em lei, não podemos deixar isso passar batido. 
Não bastasse a desqualificação que sofremos, ainda demonizam o nosso culto", comentou. O representante da Ferma destacou que há três anos as entidades negras realizam passeatas pela liberdade religiosa e que no último ano, houve um compromisso do Ministério Público em salvaguardar o livre exercício religioso.

Mulher tem cabelo "black power" revistado em aeroporto dos EUA


A americana Isis Brantley, 53, ficou indignada ao ter seu cabelo afro revistado em um aeroporto na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. Isis disse à emissora de televisão NBC que foi parada por agentes para que verificassem se não ela não estaria escondendo armas no cabelo. Após a recusa, a mulher, que é cabeleireira, afirmou que um dos agentes disse que ela perderia o voo se não permitisse a revista. "Foi humilhante", afirmou Isis após o incidente. O penteado é uma marca registrada da cabeleireira, que não corta o cabelo desde os 12 anos de idade. A equipe de segurança do aeroporto afirmou que a passageira deixou o posto antes do processo de triagem ser finalizado e que recusou ser revistada em uma área reservada.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Policiais são suspeitos de agredir africano até a morte em MT


Dois policiais militares e um empresário foram presos em Cuiabá sob suspeita de participação no espancamento e morte de um estudante da Guiné-Bissau, Toni Bernardo da Silva, 27.
O episódio ocorreu por volta das 23h de quinta-feira (22), em uma pizzaria nas imediações da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso).
A vítima, segundo nota da Polícia Civil, chegou ao local aparentando estar "sob efeito de drogas ou embriagado" e tentou "agarrar" a namorada do empresário Sérgio Marcelo Silva da Costa, 27.
Ainda segundo a polícia, Toni e o empresário trocavam socos quando outros dois clientes, os policiais militares Higor Macell Mendes Montenegro, 24, e Wesley Fagundes Pereira, 24, se aproximaram.
"Anunciaram ser policiais militares, imobilizaram o estudante e depois os três passaram a desferir socos e pontapés", diz a nota.
Presos em flagrante, os suspeitos afirmaram que apenas "imobilizaram" a vítima. Um laudo preliminar do IML (Instituto Médico Legal) diz que Toni morreu por asfixia decorrente de ruptura na traqueia.

CONDOLÊNCIAS
Toni Bernardo vivia no Brasil desde 2005. Selecionado em seu país por um programa de intercâmbio, veio cursar economia na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso).
Em fevereiro deste ano, segundo a instituição, acabou desligado do programa em razão de "problemas acadêmicos e pessoais".
A Embaixada da Guiné-Bissau divulgou nota de condolências à família da vítima e a "todos os estudantes guineenses no Brasil".
Folha não conseguiu contato com a defesa do empresário Sérgio Marcelo da Costa.
O advogado dos policiais, Leonardo Dower, disse que ambos tentaram proteger a vítima de agressões de "vários clientes e até do dono da pizzaria".
"Muita gente veio para cima para chutar, agredir. Meus clientes tentaram controlar a situação, mas não foi possível."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/979856-policiais-sao-suspeitos-de-agredir-africano-ate-a-morte-em-mt.shtml

Letieres Leite: ‘Empresários de artistas pretos da Bahia são todos brancos’



Em entrevista à coluna Entretenimento, o músico e arranjador Letieres Leite, líder da aclamada Orkestra Rumpilezz, critica a indústria cultural na Bahia, a qual, conforme considera, encontra-se na mão de uma oligarquia difícil de ser desafiada. Segundo ele, cerca de cinco famílias comandam o mercado de entretenimento local e os casos de independência desse pequeno círculo são muito raros. “Os artistas pretos tudo têm empresários brancos. (...) Artistas negros independentes são chacotados. São considerados gênios, mas malucos. [É o caso de Carlinhos] Brown”, afirmou Letieres em bate-papo com o colunista anti-social James Martins. Percussionista e saxofonista responsável pelos arranjos de alguns dos maiores sucessos de Ivete Sangalo, como “Festa” e “Abalou”, o músico comentou a relação da artista com os subalternos e deu seu pitaco sobre o processo movido por Toninho Batera, que pediu R$ 5 milhões em indenização trabalhista à estrela. (Confira no vídeo acima). Letieres Leite e sua “big band” abrem a quarta edição do Rock in Rio nesta sexta-feira (23), no palco Sunset, espaço dedicado a representantes da música brasileira em ascensão.

Fonte:

UFMT realiza ato de repúdio à violência na segunda-feira

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realiza na próxima segunda-feira (26), um "Ato de Repúdio à Violência", no Centro Cultural às 14h. “A violência de que foi vítima o ex-estudante de Economia da UFMT, Toni Bernardo, da República da Guiné Bissau, ex-integrante do programa de mobilidade internacional PEC-G, exige punição dos responsáveis e reflexões sobre a cultura da paz.” Estão convidados representantes da sociedade civil, dos movimentos sociais, centros acadêmicos, DCE, Sintuf, Adufmat, pesquisadores, Ministério Público, OAB, Fórum da Paz, entre outros órgãos e entidades. Nesse dia haverá uma manifestação de repúdio a toda forma de violência e desrespeito aos direitos humanos. Toni Bernardo da Silva foi morto na noite de ontem (22) em um bairro próximo ao campus.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Aprenda a fazer um sachê perfumado

Estudantes expulsam Bolsonaro de Universidade no Rio; assista

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) teve de sair escoltado da Universidade Federal Fluminense (UFF). Bolsonaro participava de uma palestra na UFF quando estudantes e ativistas dos direitos LGBT iniciaram protesto contra a sua presença. Pra esquentar o clima, os vereadores Renatinho (PSOL) e Leonardo Giordano (PT) entregaram uma moção de repúdio aprovada pela Câmara Municipal de Niterói. Bolsonaro rasgou a moção de repúdio, os protestos avançaram e a palestra teve de ser interrompida. A moção de repúdio se deu por conta das declarações "homofóbicas e racistas" que Bolsonaro deu ao programa "CQC.




Fonte: Recebido por e-mail

Caixa se desculpa por usar ator branco para interpretar Machado de Assis

Rio de Janeiro, 21 set (EFE).- A Caixa Econômica Federal se desculpou nesta quarta-feira por ter usado um ator branco para representar o escritor Machado de Assis, que era mulato, em um anúncio publicitário, que já foi retirado do ar pelo banco. Num comunicado assinado pelo presidente da Caixa, Jorge Hereda, a instituição disse que 'pede desculpas a toda população, especialmente aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial'. 
A peça publicitária, em comemoração aos 150 anos da instituição, foi veiculada nos últimos dias em diversas redes de televisão. A campanha foi criticada por organizações que combatem o racismo e questionada até pelo governo, por meio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) Segundo o órgão, que tem status de ministério, a publicidade é 'inadequada por contribuir para a invisibilização dos afro-brasileiros, distorcendo evidências pessoais e coletivas relevantes para a compreensão da personalidade literária de Machado de Assis, de sua obra e seu contexto histórico'. 
A Secretaria declarou que recebeu denúncias contra o vídeo publicitário de defensores públicos, que exigiram explicações da direção do banco. A Seppir pediu que a publicidade fosse retirada e que a Caixa reconhecesse o equívoco. No comunicado divulgado nesta quarta, a instituição afirmou que 'nasceu com a missão de ser o banco de todos e jamais fez distinção entre pobres, ricos, brancos, negros, índios, homens, mulheres, jovens, velhos ou qualquer outra diferença social ou racial'. EFE

Fonte: 

O Restaurante Yorubá abre as portas, as caixas de som e seu segundo andar para a VIII Noite do Acarajé que conta com a participação da exposição da marca Èwa Ireti Acessórios Artesanais e   www.soundcloud.com/raj-o 

O cardápio segue aberto e abre a opção para duas promoções: 

Couvert musical: R$5,00 
R$25,00 - Acarajé à vontade 
R$35,00 - Acarajé à vontade + uma moqueca de siri 
Cerveja, caipirinha e bebidas não alcólicas no bar do Restaurante. 

Telefone para contato e reservas: 2541-9387 
reservayoruba@gmail.com http://restauranteyoruba.com.br/

Samba & Caruru

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Caixotes reaproveitados

domingo, 18 de setembro de 2011

A Secretaria de Direitos Humanos do Maranhão, Luiza de Fátima Amorim ,recebeu a coordenação do CEN/MA para discutir as questões Quilombolas nos estado onde recentemente representantes de algumas comunidades estiveram acampados na sede do INCRA . 
A preocupação do Coletivo de Entidades Negras era saber o posicionamento da SEDIHC sobre o assunto. Na ocasião foi retomado o caso de racismo envolvendo o estudante Nu Hu Ayuba e o professor José Cloves Saraiva. 
Nos últimos meses o processo administrativo tem sido desdobrado de forma lenta. Segundo o advogado do caso, foram indicadas algumas testemunhas a serem chamadas, mas até agora não houve nenhum posicionamento do Departamento, na prática a UFMA está tentando como pode proteger o Professor. Nesse contexto, foi criada uma comissão de estudantes africanos em pareceria com o CEN/MA, representado na audiência pelo estudante Marcelino Soares para questionar uma posição da SEDIHC relativo ao caso .
Na sua fala a Secretaria Luiza de Fátima, afirmou está acompanhado com mais rigor as questões Quilombolas e se comprometeu em reunião uma comissão da SEDIHC para investigar o caso Ayuba em uma ação conjunta com o CEN/MA. 
Aproveitamos também para entregar um documento do CEN Nacional em apoio à questão Quilombola no Maranhão. 

Cristina Miranda 
Coordenadora do Coletivo de Entidades Negras - CEN/MA 

 Neto de Azile
 Coordenador de Religiosidade do CEN/MA

sábado, 17 de setembro de 2011

Relatoria visita Piauí para investigar situação da Educação Quilombola

A Relatoria do Direito Humano à Educação estará de segunda-feira até quarta-feira (19 a 22) no estado do Piauí, onde visitará comunidades quilombolas para investigar o tema da Educação Quilombola. A missão faz parte de um projeto maior de estudo da Relatoria, que decidiu se aprofundar no tema Educação e Racismo no mandato de 2009 a 2011. Desde o ano passado, vem investigando e recolhendo casos de intolerância religiosa contra adeptos de religiões de matriz africana e também de racismo no ambiente escolar. A última parte da missão Educação e Racismo será o tema da Educação Quilombola.

No Piauí, a relatora Denise Carreira irá visitar os municípios de Paulistana, Paquetá e Amarante, ouvir as comunidades e se reunir com autoridades locais. O último dia da visita será destinado a reuniões com a sociedade civil, Secretaria Estadual de Educação e para uma audiência com o Ministério Público Estadual sobre o tema. O estado conta com mais de cem comunidades remanescentes de quilombo, muitas delas, inclusive, ainda sem o certificado da Fundação Cultural Palmares. No que diz respeito à titulação de seus territórios, apenas cinco receberam os títulos.

Além das dificuldades enfrentadas para a titulação devida dos territórios, onde realizam seus modos peculiares de criar, fazer e viver, a garantia à educação é outra barreira enfrentada pelas comunidades. As demandas para Educação Quilombola são muitas, já que o tema no Brasil ainda é recente para muitos gestores públicos e carece de diversas políticas direcionadas. Durante o IV Encontro Nacional de Comunidades Quilombolas, no Rio de Janeiro em agosto, a assessora da Relatoria, Suelaine Carneiro, participou das discussões do GT Educação e levantou demandas como a ampliação da oferta de ensino fundamental, criação de escolas de ensino médio; acesso ao ensino superior, formação e capacitação de integrantes das comunidades para atuarem nas escolas quilombolas e a adequação da merenda escolar aos hábitos alimentares das comunidades.

Também em agosto, a Relatora Denise Carreira esteve no Pará, onde visitou as comunidades de Tiningu, Murumurutuba, São Raimundo, Nova Vista e Bom Jardim, no município de Santarém. Entre as demandas apresentadas estava a classificação da educação quilombola como uma modalidade de ensino com diretrizes próprias - e não dentro da educação no campo; a inclusão das escolas no Censo Escolar, como escolas quilombolas, e a capacitação de professores/as da rede do estado e do município de Santarém.

Após todas as visitas, a Relatoria irá divulgar um documento com todas as demandas apontadas pelas comunidades e entrevistados, e com orientações aos entes públicos quanto a diretrizes necessárias para que a educação seja garantida a todos/as. Sobre o tema da intolerância religiosa na educação, um informe preliminar já foi divulgado e pode ser acessado pelo site   http://www.dhescbrasil.org.br/attachments/321_Informe%20preliminar%20Miss%C3%A3o%20Intoler%C3%A2ncia%20Religiosa.pdf.


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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Valmir repudia ataques racistas contra Miss Universo


Na madrugada desta terça (13/9), a angolana Leila Lopes foi consagrada a nova Miss Universo. Lopes é a segunda negra a ganhar a coroa em toda a história do concurso. Antes mesmo de ser eleita, Lopes vinha sofrendo ataques racistas de sites internacionais, fato que foi repudiado pelo deputado federal, Valmir Assunção (PT-BA) nesta quinta (15/9).
“Não há adjetivos para descrever tamanha intolerância sem fundamentos e ainda sob inspiração de uma idéia que assassinou tantos serres humanos no mundo”, disse Valmir.
Para o deputado, ao eleger uma negra de Angola, país assolado por uma guerra que durou 38 anos que dizimou mais de 2 milhões de pessoas, estamos vivenciando um importante aspecto simbólico, não só do reconhecimento da beleza negra, mas também da luta contra o preconceito racial.
“Estas pessoas não se vêem apresentando programas televisivos, ou raramente se enxergam nas novelas, ou em qualquer programa de televisão nas concessionárias públicas que são as cadeias televisivas deste país. A representação do negro na mídia e na publicidade, na maioria das vezes, é condicionada a algo negativo, avivando o preconceito. Tomara que este título possa contribuir para um passo a frente contra o preconceito de raça”, completou Valmir Assunção.
SR. VALMIR ASSUNÇÃO (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna nesta manhã, primeiro, para fazer uma saudação à revista Raça, que completa 15 anos.
A revista Raça, dirigida por Maurício Pestana, seu editor, tem feito um trabalho de divulgação que eleva a autoestima dos afrodescendentes, e é considerada um veículo de comunicação nacional.
Então, eu quero ressaltar a importância da revista Raça para todo o povo brasileiro e parabenizar o Maurício pelo trabalho que vem desenvolvendo à frente dessa revista.
Um outro registro, Sr. Presidente, é em relação ao concurso Miss Universo, que aconteceu no último 13, e pela segunda vez na história uma negra se torna a mulher mais bonita do mundo.
Esse fato não pode passar simplesmente sem registro nesta Casa porque hápreconceito e racismo muito grandes na sociedade mundial. E digo isso porque antes de acontecer o concurso Miss Universo diversos sites em todo o mundo falavam de Leila Lopes, que é de Angola, um país que passou 38 anos em guerra civil e teve sua população diminuída em 2 milhões de pessoas e ainda tem mais 1.700 refugiados.

Então, Sr. Presidente, é preciso ressaltar que não podemos aceitar e nem concordar com essas atitudes de racismo que acontecem no Brasil e no mundo.
Por isso, parabenizo a Miss Universo, que é de Angola, um país que merece o respeito de todos nós!
Muito obrigado, Sr. Presidente.
___________________________________________
Veja abaixo discurso na íntegra: 

PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS PELO ORADOR

O SR. VALMIR ASSUNÇÃO (PT-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os afrodescendentes brasileiros hoje podem se orgulhar de terem um órgão que resgate não apenas a auto-estima de negros e negras no Brasil, mas que lhes dê a devida importância étnico-cultural, resgatando a sua história na construção do Brasil e a sua importância na construção da sociedade atual, em todos os seus segmentos.Falo da Revista Raça Brasil, maior publicação do segmento negro na América Latina, que completou agora em setembro 15 anos de existência. A publicação, que surgiu em 1996, tinha inicialmente como proposta, atender parcela da população negra como estimulador da auto-estima, porque era comum à época, o afro-descendente não aparecer em revistas, em comerciais, ou como modelos, porque, como bem disse o atual editor e diretor da publicação, Maurício Pestana, negro na mídia, até então, era só o rei Pelé.E a revista veio com a responsabilidade de ser a porta-voz da afrodescendência, através de um veículo de comunicação e circulação nacional que os contemplasse, e, ao mesmo tempo, funcionasse como um contraponto aos meios de comunicação tradicionais, que não consideravam a população negra como importante no contexto social. Mostrou que os afrodescendentes têm peso na nossa sociedade, que são consumidores, construtores e protagonistas desse processo de desenvolvimento, e por isso mesmo, merecem respeito.Contrariando aqueles que consideravam que os negros deveriam ter papel secundário na sociedade, a revista teve ampla aceitação na sociedade e na sua primeira edição, vendeu 270 mil exemplares. E isso graças à persistência de pessoas como Aroldo Macedo criador e primeiro editor, de inúmeros outros profissionais que acreditaram no projeto, e da atual equipe, liderada pelo editor e diretor Maurício Pestana.No Brasil existem inúmeras publicações voltadas para os adolescentes, para jovens, mulheres, políticos, acadêmicos, religiosos, empresários, mas quase ou nada havia de publicações destinadas especificamente ao público afro-descendente. Algo que contasse a sua história de lutas, que lhes valorizasse a cultura, que estimulasse a auto-estima, apesar de mais da metade da população brasileira ser formada por afro-descendentes.Hoje, esta publicação, que completou 15 anos de edições ininterruptas, faz história, sendo a maior revista do segmento negro na América Latina. Superou desafios de uma sociedade que teimava, e ainda teima em alguns segmentos, ser discriminatória. Firmou-se no mercado editorial do país, ampliando os seus propósitos de não mais apenas mostrar que o negro e a negra são pessoas bonitas, que existem como consumidores, e que são, como os brasileiros, fundamentais para o desenvolvimento econômico e social da nossa sociedade.Está de parabéns o Maurício Pestana e todos os que colaboraram e colaboram para que a revista Raça Brasil seja esse sucesso editorial que hoje faz parte não apenas do acervo cultural e literário dos afro-descendentes, mas de todos os brasileiros e brasileiras que lutam para que sejamos cada vez mais um país sem preconceito racial.Muito obrigado!Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, realmente acredito que o mundo está mudando nobres deputados. É perceptível afirmar tal assertiva no campo político quando Lula, um operário nordestino assumiu em 2002 a presidência da república deste país. Depois quando pela primeira vez na história dos Estados Unidos da América um negro foi eleito presidente da república. Ou até mesmo pelo simples fato de um homem comum, filho do campo, e fruto das lutas dos sem-terra e do movimento negro como eu, estar aqui nesta honrada Tribuna a proferir este discurso.As lutas sociais avançam, e apesar da tentativa de criminalização dos movimentos sociais, da homofobia, do machismo e racismo que ainda existem no Brasil, pudemos perceber as milhares de pessoas que foram as ruas de Salvador neste domingo durante a Parada Gay, assim como temos uma mulher presidenta da república, e a secretaria das mulheres e de promoção da igualdade, importantes instrumentos políticos criados no governo Lula foram mantidos pela atual presidenta.Coloco estas questões para chegar ao concurso da Miss Universo, que na madrugada desta terça, dia 13 de setembro, elegeu a Miss Angola, Leila Lopes, como a mulher mais bonita do mundo. Ao eleger uma negra de Angola, país assolado por uma guerra que durou 38 anos, entre lutas pela Independência e Guerra Civil, que só teve fim em 2002, e dizimou mais de 2 milhões de pessoas e deixou 1 milhão e 700 mil refugiados, estamos vivenciando um importante aspecto simbólico, não só do reconhecimento da beleza negra, mas também da luta contra o preconceito racial.O racismo é ainda tão forte no mundo que mal Leila Lopes se consagrou vencedora que sites internacionais com inspirações nazistas e pró-raça ariana proferiram insultos contra a sua cor. Antes mesmo do concurso se iniciar, manifestações racistas foram proferidas contra outras candidatas negras e muçulmanas, questionamento a seriedade do Brasil ao sediar este tipo de concurso. Não háadjetivos para descrever tamanha intolerância sem fundamentos e ainda sob inspiração de uma idéia que assassinou tantos serres humanos no mundo.O Brasil tem 51% de sua população da cor negra, população esta que começou a ser incluída na sociedade através de Programas do Governo Lula, como o Bolsa Família, Agricultura Familiar, Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida e que continuam avançando durante o governo da Presidenta Dilma que tem como objetivo erradicar a miséria do país. E a miséria neste país tem cor e local. Ela énegra e está localizada em maior número no norte e nordeste deste país.Estas pessoas não se vêem apresentando programas televisivos, ou raramente se enxergam nas novelas, ou em qualquer programa de televisão nas concessionárias públicas que são as cadeias televisivas deste país. A representação do negro na mídia e na publicidade, na maioria das vezes, é condicionada a algo negativo, avivando o preconceito contra a raça.Como falei anteriormente, o aspecto simbólico da vitória de Leila Lopes éalgo a ser registrado e afirmado. Raras vezes vemos negros e negras superarem a hegemonia do conceito de beleza, que não condiz com a realidade brasileira, que muitas vezes não condiz com a realidade de muitos países. Tomara que este título possa contribuir para um passo a frente contra o preconceito de raça e que seja um grande viva àdiversidade com o qual estamos inseridos em toda a sociedade mundial.Parabéns Leila Lopes, parabéns Miss Angola, parabéns a todas as mulheres negras do mundo.Sr. Presidente, solicito a V.Exa que divulgue este pronunciamento pelo programa A Voz do Brasil e demais meios da casa.Muito obrigado!

Propaganda da Caixa Econômica Federal onde o escritor Machado de Assis é retratado como branco.




Para saber mais sobre Machado de Assis, acesse aqui.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Virajovem de Recife se elege como delegada da Conferência Estadual



De 18 a 20 de Agosto ocorreu a 2ª Conferência Municipal de Juventudes do Recife. Antes de ocorrer esta etapa, a Secretaria Municipal de Recife percorreu 18 microregiões para debater propostas com os jovens que foram encaminhadas para a Plenária do Orçamento Participativo do Município.

Durante a Conferência, os Grupos de Trabalho foram divididos por eixos temáticos com base na última conferência onde, nos GTs, as pessoas revisaram as resoluções da última conferência em 2008, e caso verificassem que não foi implementada, essa seria novamente proposta. Ocorre que isso gerou um problema, graças ao ativismo de jovens que discutem comunicação, já que dentro da Conferência não havia o eixo de COMUNICAÇÃO, embora tivesse cerca de 10 propostas nesse tema na edição passada. A organização tentou camuflar a não existência desse eixo específico com o fundamento de que a Comunicação estava inserida na Participação. Vejam?! Ainda assim, o problema foi contornado e gerou uma Moção de Repúdio e a criação de um novo eixo, o de Comunicação.

A moção de repúdio seguiu para a etapa seguinte das Conferências – Estadual e Nacional. No entanto, o site do Conjuve ainda não publicou nenhuma Resolução a respeito.

Quanto à eleição de delegados, foi acordado entre os participantes de ser por chapa unitária, alterando o regimento e contemplando pessoas de diversos movimentos onde se tentou, minimamente, garantir a diversidade de jovens. A Virajovem de Recife e da Juventude do CEN, Edneusa Lopes, conseguiu sair como Delegada para a Conferência Estadual. A conquista foi merecida, já que ela conseguiu levar cerca de 20 jovens de sua comunidade para o evento.

Depoimento de Braulino Caetano, da Comissão Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais

Estampas fáceis de fazer

Estampas fáceis de fazer: Mesmo quem não é íntimo dos pincéis pode produzir arte. O truque é desenhar figuras, transformá-las em máscaras de acetato e reproduzi-las. ...
Clique aqui  para acessar a publicação!

Cartilha do GT Combate já está disponível em pdf. Ajude-nos a socializá-la!


“Como os povos, comunidades e populações tradicionais podem agir em situações de violência, agressões, expulsões e tantas outras violações de seus direitos? Por que nossos direitos, mesmo assegurados nas Leis e na Constituição do Brasil não são efetivados e respeitados?

Muitas vezes sentimos que temos determinado direito, mas não temos certeza se estão escritos em leis e na Constituição e que, portanto, precisam ser cumpridos.

Essa ausência ou a negação de informações sobre os direitos e os meios de acesso a eles gera situações de injustiça para as populações, comunidades e povos tradicionais que vivenciam as tensões geradas por conflitos socioambientais, pois, dentre outras, compromete a democratização da sociedade e o direito às diversidades”.

O texto acima é a parte inicial da Apresentação da cartilha Orientações e informações para a defesa dos territórios, dos direitos e da liberdade, talvez o principal resultado do Encontro com @s Advogad@s Populares, organizado pelo GT Combate ao Racismo Ambiental em abril de 2010. Produzida pelo Instituto Terramar e pela RENAP, ela foi pensada para servir como um instrumento ao mesmo tempo de luta e de defesa para povos e comunidades.

Como os recursos para a sua publicação eram extremamente limitados, a prioridade na sua distribuição está sendo para as comunidades que efetivamente não teriam outra forma de acesso a elas. Pedimos sempre, inclusive, que ela seja utilizada em leituras de grupo – o que além de tudo ajuda na socialização das informações – e, sempre que possível, que os grupos também busquem sua reprodução com a ajuda de parceiros.

Para facilitar, estamos também disponibilizando a sua versão pdf, agora. Ela pode ser baixada aqui: Em defesa dos Povos e dos Territórios. E pedimos a vocês que nos ajudem a socializá-la, fazendo cópias e distribuindo-as para as comunidades às quais têm acesso. Na luta!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Aprenda a fazer pompom (flores de papel seda) para festas!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

SOS Acarajé: Eduardo Paes libera o tabuleiro das baianas nas ruas do Rio


O prefeito do Rio, Eduardo Paes, realizou ontem à tarde, em seu gabinete, uma reunião com tempero inesquecível. A seu lado, um grupo de 25 integrantes da Associação de Baianas de Acarajé e Mingau do Rio de Janeiro (ABAM). Em clima de festa, o prefeito cantou o clássico "No tabuleiro da baiana", vaiou sua própria Secretaria Especial de Ordem Pública (Seop) e se fartou de quitutes.

Paes revelou que publicará hoje um decreto autorizando as baianas a vender livremente acarajé e abará, entre outras iguarias típicas, como a categoria reivindicou na reportagem "SOS Acarajé", publicada domingo.

Entre uma cocada e um bolinho, o prefeito destacou que as baianas fazem parte do cenário carioca, são patrimônio cultural imaterial do Brasil e precisam ser tratadas de forma especial:

— Se alguém tocar em uma baiana vai tem problema comigo — brincou Paes.

Debochado, o prefeito puxou um coro de vaias contra a Seop. E fez uma declaração de amor à Bahia. Para o prefeito, Salvador é a única cidade que tem um povo alegre como o carioca:

— Sou filho de baiano, meu pai é de Amargosa, onde tem o melhor São João que já se viu. Eu adoro a Bahia e as baianas já fazem parte do cenário do Rio.

A trilha sonora da conversa foi o próprio prefeito que puxou. A música escolhida foi a clássica composição de Bala e Manuel Rosa, samba enredo do Salgueiro, de 1969, que Paes sabia de cor: "Bahia, os meus olhos tão brilhando, meu coração palpitando de tanta felicidade. És a rainha da beleza universal. Muito antes do Império, foste a primeira capital. Nega baiana, tabuleiro de quindim, todo dia ela está na igreja do Bonfim, oi, na ladeira tem, tem capoeira. Zum, zum, zum, capoeira mata um !"

Lista de pedidos

A associação aproveitou o bom humor do prefeito para sacar da bolsa uma lista de reivindicações: queriam saber como ficaria a situação das baianas de outras cidades, pediram que na caminhada pela intolerância religiosa haja uma baiana na concentração e dispersão; solicitaram ao prefeito a lavagem do busto de Zumbi, e que o prefeito conceda licenças apenas para as baianas associadas à entidade. Todos os pedidos foram prontamente atendidos por Eduardo Paes, que ganhou a bênção das baianas.

Novas regras para a venda deve sair em 15 dias

O decreto publicado pelo prefeito Eduardo Paes estabelecerá que as doceiras denominadas baianas poderão preparar no local autorizado para comercialização, acarajé e abará, entre outros quitutes. Segundo o secretário especial de Ordem Pública, Alex Costa, o objetivo nesse primeiro momento é conceder a licença e facilitar a vida das baianas. Segundo ele, num prazo máximo de 15 dias, deve sair uma regulamentação com a normas básicas que deverão ser seguidas por quem for vender comida baiana nas ruas.

As baianas consideram o documento uma conquista, já que, há mais de 20 anos, trabalham clandestinamente:

—É um sonho que estamos realizando — comemorou, emocionada, a presidente da Associação Analys de Oyá, mais conhecida como Nega do Acarajé.

Normas de higiene

Hoje, um grupo de 20 baianas começa o curso PAS (Programa Alimento Seguro), do Senac, que já treinou cerca de mil quituteiras em Salvador. Segundo a gestora do Programa, Fabiane Alheira, a ideia é repetir o sucesso do projeto no Rio:

— O Senac vai dar o primeiro passo, mas precisamos que os governantes se sensibilizem e sejam parceiros para que possamos capacitar novas baianas que venham se associar à Abam.

A associação se preocupa em manter a tradição. Segundo Analys de Oyá, a verdadeira baiana de acarajé tem que estar caracterizada com bata, balangandã, torço (turbante) e tabuleiro:

— Todo esse contexto é que configura o patrimônio imaterial. O acarajé é um quitute sagrado, por isso é obrigatório seguir um ritual.

A associação das baianas funciona na Rua Adalgisa Aleixo 397, em Bento Ribeiro. 
Mais informações através dos telefones 3038-0853 ou 2450-2305.

Fonte:

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