terça-feira, 27 de dezembro de 2011

PA: Cedenpa abre inscrições para o projeto de formação Agentes de Negritude


Premiado por um edital da Fundação Ford o CEDENPA – Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, organização do movimento negro atuante a mais de 30 anos no Pará lança o Projeto Agentes de Negritude.
O projeto visa fazer valer a legislação existente, mais especificamente ligada à superar as desigualdades sócio raciais (e de gênero) que tem prejudicado secularmente a população negra, estimulando para isso, o protagonismo da mesma, através de ações mais amplas, coletivas e qualificadas.
Trata-se pois, de atuar junto aos poderes executivo, legislativo e judiciários realizando audiências, sessões especiais , seminários, campanhas e efetivar cursos para agentes da negritude, criar/ampliar redes de articulações, sobretudo de mulheres negras, para dar mais contundência e agilidade no processo de construção da equidade racial.
O projeto pretende atuar junto a diversos órgãos e instâncias do Estado , nos âmbitos Executivo, Legislativo e do Sistema Judiciário do/no Pará, para evitar que todo o corpo de leis antirracistas, até então conquistado, continue , praticamente, ´letra morta´ ou com aplicação tão lenta, que tem facilitado a manutenção das distâncias sócio raciais e de gênero.
Pretende também formar 80 jovens Agentes de Negritude, seguindo o modelo dos antigos agentes de saúde, experiencia relevante no Estado. O conteúdo do curso envolve conhecimentos sobre trajetória da população negra no Brasil; modelos de desenvolvimento alterativos ao vigente , que levem em conta o respeito aos DHESCAs (Direitos humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais , este último com foco maior na Amazônia); às PAAs (Políticas de Ações Afirmativas); combate aos Racismo Institucional e Ambiental; aspectos da mundialização e fluxos de capitais; e outros temas indispensáveis para garantir uma participação mais qualificada de negras e negros em vários espaços de debates e decisões.
Além de um plano de comunicação de forma a garantir a utilização de atuais tecnologias de comunicação/informação e realização de duas campanhas 'informativas/orientadoras´, para dar visibilidade aos direitos adquiridos pela e para a população negra .
Pretendemos com isso a ampliação e fortalecimento de espaços de mobilização e visibilidade das ações voltadas a viabilizar um protagonismo efetivo de representantes da população negra, no processo ligado à eliminação de mecanismos de manutenção da subalternização histórica, a que está submetida a população negra na sociedade brasileira.
Inscrição
Período de Inscrição: 22/12/2011 à 06/01/2012,
Preencher ficha de inscrição e termo de compromisso e enviar para cedenpa@cedenpa.org.br.
Local das aulas: Casa da Linguagem – Av. Nazaré esquina com Assis de Vasconcelos
Aula inaugural: 13/01 09 ás 12h
Formação: 16/01 à 20/01
Documentos necessários: cópia de RG, comp. de residência.
Nivel Médio completo
Texto: Ascom Cedenpa

Projetos sociais, de educação e de meio ambiente não receberão mais fundos europeus a partir de 2014


A Europa revê sua política externa e decide acabar com projetos sociais, de educação e meio ambiente no Brasil. A partir de 2014, o País não receberá mais fundos de ajuda ao desenvolvimento do bloco europeu. Se parte da explicação é o problema da dívida da UE, o que Bruxelas quer de fato é mandar um forte recado: já não considera o Brasil um país pobre e quer uma mudança radical na relação.
A decisão foi tomada com base em um princípio simples: o País que afirma ser a sexta maior economia do mundo em 2012 e já concorre com os europeus em vários setores não tem por que continuar a receber ajuda e deve assumir suas responsabilidades. Para representantes de Ongs, a decisão da UE é "equivocada".
No total, 19 emergentes, como China e Índia, serão excluídos dos programas de desenvolvimento do bloco europeu. A meta é utilizar os recursos para ajudar apenas países mais pobres, como Haiti, Libéria ou Laos.
No caso do Brasil, a UE destinou entre 2007 e 2013 61 milhões para projetos de cooperação. Há quatro anos, quando o dinheiro foi autorizado, Bruxelas considerava que as desigualdades no Brasil ainda justificavam as medidas. Em um documento de 2007 para justificar os gastos no Brasil, o bloco ainda dizia que os desafios enfrentados pelo País eram significantes, inclusive na proteção ambiental.
Naquele ano, Bruxelas concordou em destinar 42 milhões a projetos de aproximação com o Brasil. Desse total, 30 milhões seriam destinados a bolsas para o intercâmbio de estudantes brasileiros na UE. Mas essa ajuda secará depois de 2014. Para a proteção ambiental, a UE destina até 2013 18 milhões. Mas, com a posição da chanceler Angela Merkel de que o Brasil deve limitar suas emissões de CO2 da mesma forma que os países ricos, a ajuda já não faria sentido.
Simbolismo. Parte do problema é de caixa, já que o bloco enfrenta pressões para equilibrar seu orçamento. Mas a motivação política é o que explica a decisão. Para o comissário de Desenvolvimento da UE, Andris Piebalgs, a mudança no destino dos fundos revela uma vontade de "mudar nossas relações com os grandes países emergentes".
A decisão foi tomada no âmbito da revisão da política externa da UE, que considera que as potências emergentes já rivalizam com a Europa no cenário global.
A UE é um dos maior doadores do mundo, com 11 bilhões por ano. O volume não deve cair, mas o dinheiro para os Brics vai secar. Os sul-africanos recebiam 980 milhões da UE e, partir de 2014, estarão fora das prioridades. O mesmo ocorrerá com os 470 milhões para a Índia e os 170 milhões para China.
No caso do Brasil, o volume não é considerado significativo. Mas diplomatas apontam que o fim da ajuda tem um simbolismo importante. Se o Brasil quer ser tratado como um país grande, isso significa que o governo deve assumir suas responsabilidades, internas e externas.
A decisão anunciada ontem foi duramente criticada por agências de cooperação, que acusam a UE de fazer política com a ajuda ao desenvolvimento. "A UE precisa garantir que a ajuda está sendo dada à população mais pobre", disse Sarah Kristine Johansen, da Concord, entidade que representa 1,6 mil Ongs. Segundo ela, usar dados macroeconômicos não mostra a realidade da pobreza em alguns países.
Fonte: Estadão

sábado, 24 de dezembro de 2011

Que neste novo ano você tenha 2012 motivos para sorrir!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Defensora dos afrodescedentes toma posse como desembargadora


Luislinda Valois lutava há quase uma década para ser promovida ao cargo



A desembargadora Luislinda Valois Foto: Terceiros / Divulgação

RIO – Seria muito simplório apresentá-la apenas como negra, mulher e oriunda de classes menos favorecidas. Lusilinda Valois é uma baiana de Salvador que, aos 69 anos de idade e após quase uma década de persistência, tomou posse como desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia, no último dia 20, ciente que terá de se aposentar compulsoriamente daqui a pouco mais de um mês, quando completa 70 anos. Na véspera, o tribunal acatara decisão unânime do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de promover Luislinda ao novo cargo.
Com mais de 50 anos dedicados ao serviço público, a história de vida de Luislinda se confunde com a luta contra a discriminação racial no país. Considerada a primeira juíza negra do Brasil, ainda criança foi aconselhada por um professor a abandonar os estudos e servir feijoada na casa dos brancos. Filha de uma lavadeira e de um motorneiro de bonde, conheceu de perto a miséria e os percalços da vida. Criada na capelinha de São Caetano, bairro da periferia de Salvador, perdeu a mãe aos 14 anos e ficou responsável pela criação de três irmãos mais novos.
- Com rédeas curtas - ela faz questão de frisar.
Trabalha desde criança, quando catava mariscos para ter o que comer e também para ajudar no orçamento da casa, além de lavar e passar roupa para as famílias mais abastadas. Hoje, depois de 27 anos de magistratura na Bahia, Luislinda não demonstra o menor ressentimento em relação ao tal professor que um dia, lá atrás, a desaconselhou a estudar.
- De certo modo, foi o que me deu determinação - diz.
A desembargadora há muito tempo se tornou uma espécie de porta-voz das principais questões enfrentadas pelos negros no Brasil, especialmente os da Bahia. Acostumada a lidar com as dificuldades, seja devido à sua religião - o candomblé - ao seu modo de vestir ou de usar o cabelo – seu penteado afro é famoso - , ela sabe que essas são atitudes que ainda dificultam a ascensão dos negros no país.
- Uso minhas guias, celebro minha religião e sei que isso sempre gerou muito preconceito entre os magistrados.
Preconceitos à parte, Luislinda diz ter sofrido também com o que chama de falta de apadrinhamento. Antes mesmo de ser juíza, quando foi aprovada em primeiro lugar, em nível nacional, no concurso para a procuradoria, em 1978, não lhe foi dado sequer o direito de optar a ficar em Salvador.
- Aquele que foi aprovado em quarto lugar tinha padrinho e acabou ficando com a vaga na capital baiana. Eu fui para o Paraná, onde assumi a chefia da procuradoria do antigo DNER, hoje DNIT. De lá para cá muita coisa mudou. Eu voltei para a Bahia, fui aprovada no concurso para a magistratura, hoje sou desembargadora, mas o preconceito e o apadrinhamento ainda existem – revela.
Em 1984, quando Luislinda, já juíza, voltou para Salvador, foi designada para trabalhar nas comarcas do interior. Foi parar em Paramirim, no sertão baiano e, como muitas comarcas da região estavam desprovidas, ela acabou trabalhando praticamente em todas elas. Foi então que viu de perto como o povo tinha receio de lutar por seus direitos.
- A Justiça tem prédios muito suntuosos, que oprimem os menos esclarecidos. Muito embora eu nunca desprezasse os mais aquinhoados, sempre cuidei dos mais pobres - confessa a desembargadora, responsável por implantar na capital baiana a Justiça Bairro a Bairro, programa muncipal que percorre a periferia de Salvador prestando serviços básicos à população, como um simples registro de nascimento. Luislinda foi quem criou, também, o Juizado Marítimo que, numa embarcação, atende aos moradores da baía de Todos os Santos.
É conhecida por ter sido a primeira juíza negra a proferir uma sentença contra o racismo no país. O caso, de uma doméstica que foi acusada de ter roubado um frango e um sabonete num supermercado, ganhou as manchetes dos jornais do Brasil e do exterior. Já recebeu homenagem no Egito e volta e meia é convidada a dar entrevistas para órgãos da imprensa internacional, como a BBC de Londres. Agora, prestes a completar 70 anos e faltando apenas um mês para se aposentar, Luislinda confessa que não pensa em parar de trabalhar e ainda conserva a mesma determinação que desde sempre a acompanhou quando fala de seus planos para o futuro:
- Quero ser a primeira negra presidente da República. Gosto de me testar para ver se a vida está valendo a pena.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Direto ao ponto!: Após oito anos de espera, Luislinda Valois é nomea...

Direto ao ponto!: Após oito anos de espera, Luislinda Valois é nomea...: Juíza foi promovida por critério de antiguidade em sessão extraordinária. Ela comemora a promoção e diz que é hora de pensar na aposentador...

Lançado o Mapa da Intolerância Religiosa 2011 no Maranhão




Com o objetivo de discutir a intolerância religiosa na contemporaneidade, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Cidadania (Sedihc) realizou, esta semana, a segunda edição da Galeria de Direitos Humanos. Este ano, com o tema: "Intolerância religiosa: Eu respeito a sua religião e você?", o evento ocorreu no Auditório do Centro de Cultura Popular Domingos Viera Filho (Praia Grande, em São Luís).
Durante os ciclos de discussões, representantes de vários segmentos religiosos, intelectuais, gestores públicos, militantes e ativistas debataram e refletiram práticas que efetivem as políticas públicas de respeito ao livre exercício damanifestação religiosa.



Segundo a Secretária de Estado de Direitos Humanos e Cidadania, Luiza de Fátima Oliveira, debater temáticas de intolerância no sécu lo XXI ainda representa um desafio. "Falar de temas da intolerância religiosa, escravidão ou ainda de assuntos que violam os direitos humanos é um tabu a ser superado. Precisamos viver com liberdade e autonomia e criar uma sociedade que garanta todos os Direitos Humanos", enfatizou.
Ainda durante o evento, diversas lideranças religiosas expuseram situações nas quais foram vítimas de intolerância religiosa.




União de Esforços 

Para fortalecer as ações voltadas para a promoção dos Direitos Humanos foi assinado o Termo de Cooperação Técnica entre a Sedihc e a Secretaria de Estado Extraordinária da Igualdade Racial (Seir). Segundo a Professora Claudete Ribeiro, Secretária de Estado da Seir, o intuito do acordo é articular, construir e executar um plano integrado de ações. "Estamos unindo esforços para que juntos possamos consolidar uma prática que já vem sendo desenvolvida no Maranhão, o objetivo é tornar essas ações de promoção dos direitos humanos uma Política de Estado", comentou.
A senhora Ana Amáelia Mafra, Diretora do Escritório da Fundação Cultural Palmares São Luis/ Piauí reafirmou compromissos de envidar esforços para o empoderamento das Comunidades Tradicionais de Terreiro no combate a Intolerância Religiosa.

Lançamento

Um estudo voltado para mostrar o quadro da intolerância religiosa no Brasil no ano de 2011 foi lançado durante a Galeria. Intitulado "O Mapa da Intolerância Religiosa -2011. Violação ao Direito de Culto no Brasil" de autoria do Jornalista Márcio Alexandre Gualberto, o estudo mostra entre diversos pontos, a afrotheofobia, que segundo o organizador do estudo, é disseminada por denominações religiosas intolerantes. Essas práticas, segundo o organizador do estudo são traduzidas em violências das mais variadas naturezas.
O lançamento do Mapa foi uma iniciariva do Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do Maranhão - FERMA em perceria com a SEDIHC e SEIR. "o mapa da Intolerância Religiosa é mais do que um apanhado de denúncias, expõe fundamentos motivadores das posturas intolerntes de cunho religioso e principalmente, indica dispositivos legais do ordenamento político brasileiro para reagir ao problema", disse o professor Neto de Azile coordenador geral do FERMA e coordenador estadual de religiosidade do CEN no Maranhão, após apresentar uma síntese do trabalho. 



sábado, 17 de dezembro de 2011

Sony deverá pagar indenização por racismo em música de Tiririca

A 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio manteve na última quarta-feira decisão que condena a gravadora Sony Music a pagar indenização retroativa a 1997 por causa da música "Veja os Cabelos Dela", composta pelo agora deputado Tiririca (PR-SP).
A ação foi movida por dez ONGs do movimento negro, que diziam que a canção --lançada por Tiririca em 1996, em disco que vendeu cerca de 250 mil cópias-- tem conteúdo racista. "Essa nega fede, fede de lascar/ Bicha fedorenta, fede mais que gambá", diz um dos trechos da canção.
A Sony foi condenada em 2004 a pagar indenização de R$ 300 mil, com correção monetária retroativa a 1997, quando o processo foi ajuizado.
A gravadora recorreu, pleiteando que a correção contasse a partir da data da condenação, mas perdeu em julgamento na 16ª Câmara Cível do Rio, em março passado. Novo recurso da Sony foi rejeitado na quarta-feira. Segundo as partes, não cabem mais recursos.
A indenização, que deve ser destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, administrado pelo Ministério da Justiça, foi calculada a partir do lucro com as vendas do disco.
O valor era de cerca de R$ 1,2 milhão, na decisão de março passado, mas segundo Humberto Adami, advogado dos autores da ação, aumentará, pois será calculado novamente, acrescido da correção dos últimos nove meses.
Tiririca, que não era réu no processo, não tem mais contrato com a Sony.

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1022811-sony-devera-pagar-indenizacao-por-racismo-em-musica-de-tiririca.shtml

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Exu é o Diabo!


Ademar Oliveira Cirne Filho[1]




1. A construção do Mito

O Texto Bíblico do Livro de Ezequiel, no capítulo 28 v 12 a 19 mostra que Satanás era um anjo que se rebelou, posto que queria estar acima de Deus. Em razão disso, o mesmo foi expulso do Éden.

Esta passagem bíblica demonstra o quanto o cristianismo explora a existência do bem e do mal, numa visão maniqueísta, atribuindo todo bem a Deus e todo mal ao demônio, lúcifer, diabo, satanás, ou qualquer outra nomenclatura criada para caracterizar tal entidade.

A referida divisão do mundo entre o bem e o mal, tão difundida há tempos, encontra-se presente também nas mais singelas concepções defendidas pela Igreja Católica. Como exemplo, podemos citar a visão maniqueísta presente na própria concepção da relação sexual. Expliquemos: para os católicos tal prática possui uma única finalidade, a procriação. Desta forma, toda manifestação sexual que não tem este objetivo é interpretada como um dos sete pecados capitais, a luxúria (apego e valorização extrema aos prazeres carnais, à sensualidade e sexualidade; desrespeito aos costumes; lascívia) passível de condenação ao inferno, espaço eterno de sofrimento, comandado pelo mal, tendo o demônio como o seu comandante e sedutor de almas.


No caso específico do Brasil, tal concepção maniqueísta surgiu no momento da chegada dos colonizadores europeus, de tradição eminentemente cristã, que enxergavam os povos africanos como seres animalescos, e desprovidos de alma. Deste modo, sua cultura, costumes e religiosidade não recebiam nenhum tipo de respeito, atenção ou reconhecimento dos brancos. Ao contrário, as resistentes manifestações religiosas eram vistas como inferiores, negativas, desprovidas de razão, atitude típica da visão eurocêntrica e etnocêntrica dos conquistadores.

O processo de escravização dos negros em nosso país, resultado da grande diáspora africana, e a maior aproximação dos brancos com as manifestações religiosas afrobrasleiras, fez com que os colonizadores identificassem nestas práticas ancestrais a dualidade cristã do bem e do mal, sem jamais perceber que na cosmologia das religiões dos orixás, em verdade, esta relação inexiste, visto que estes seres representam os elementos da natureza (fogo, chuva, vento, água, etc.) e trazem em seus comportamentos um equilíbrio entre as forças do bem e do mal.

Como não podia deixar de ser, a visão dualista do bem e do mal defendida pela teologia cristã tenta encontrar uma representação na religião de matriz africana. O ser representante do mal absoluto, equivalente, desta forma, ao satanás, é nesta visão o Exu, uma entidade do panteon afrobrasileiro que é apresentado com um grande falo ereto, em tamanho desproporcional, como marca do poder e da fertilidade. Em verdade, este ser, é sensual, astucioso, provocador, esperto, ousado, matreiro, ou seja, apresenta como os demais orixás emoções e sentimentos tais como os seres humanos, sem, contudo, ser um representante da oposição absoluta do bem.

Ignorando a real representatividade da figura e da personalidade de Exu para o Candomblé, os cristãos, desrespeitosamente, elegeram Exu como o demônio das religiões de matrizes africanas, para inclusive reforçar o discurso de que o Candomblé era um ritual demoníaco, uma vez que Exu era reverenciado antes de qualquer outro orixá, em todos os rituais.

Para o Candomblé, entretanto, o bem e o mal fazem parte de um único sistema, onde todas as forças, mesmo antagônicas são equivalentes, complementares e interagem, sendo, portanto dado ao ser humano o livre arbítrio e a responsabilidade de optar pelo caminho a seguir.

2.  Exu no Candomblé

Na visão do Candomblé, o Exu é o fiscalizador do axé, do comportamento humano, das coisas que são feitas no candomblé, recebe as oferendas em primeiro lugar, a fim de exercer suas função de mensageiro e assegurar que tudo ocorrera bem, e quando, raramente, se manifesta os outros orixás são retirados do barracão, ficando apenas seu irmão Ogum. Neste diapasão, salutar são as palavras de Liana Trindade. Senão vejamos.


“O Orixá exu é a expressão de um simbolismo, cuja o sentido encontra-se tanto na estrutura imaginária dos fieis, quanto na estrutura da vida real. É apresentado simbolicamente como o transgressor, no qual expressa as incertezas humanas frente ao debate com os limites do tempo, com as condições sociais estabelecidas, afirmando sua liberdade frente às imposições. Logo o orixá exu permite a possibilidade de autodeterminação, de quebra das interdições sociais que limitam a sua liberdade ao lhe dar o acesso ao mágico de melhorar sua sorte” [2]


Cada modalidade de religião afro brasileira busca ao seu modo oferecer um tratamento específico ao orixá exu devido a sua importância na construção de uma nova realidade na vida dos fieis.

Exu é caminho, é comunicação, é vida, é luz e o guardião da nossa casa, é quem abre os caminhos, o primeiro a receber as oferendas para livrar os homens do mal.

Assim sendo nenhuma relação pode ser feita entre exu e o diabo porque, inclusive, o candomblé não cultua diabo e sim orixás (forças da natureza) presente cotidianamente na nossa vida, dando paz, luz, prosperidade, alegria, fartura, justiça, igualdade educação e axé.

 "Laroiê Exu!"






[1] Ogan do Terreiro Ilê Axé Oxumaré licenciado em História pela Universidade Federal da Bahia; Pós Graduado em História do Brasil pela Pontífice Universidade Católica de Minas Gerais; Educador do CEN (Coletivo de Entidades Negras).
[2] TRINDADE, Liana. Exu, poder e perigo. São Paulo: Icone, 1985. Apud: LIMA, Fábio. As quartas-feiras de Xangô: ritual e cotidiano. João Pessoa: Grafset, 2010. p. 138

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Encerramento do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes é realizado em Salvador

sábado, 10 de dezembro de 2011

1º Seminário Movimento Negro no Brasil e em Pernambuco

O 1º Seminário Movimento Negro no Brasil e em Pernambuco contou com uma boa interação e participação dos presentes no evento, que aconteceu no último sábado (04), no auditório do PDT/PE. Os professores Samuel da Luz, Simone Souza e Lindacy Assis falaram e discutiram sobre o negro na sociedade atual e também na questão política. O Seminário foi presidido pelo secretário executivo do PDT-PE e contou com a presença de Jair Pedro, condidato a governador em 2010 pelo PSTU.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Janira Rocha diz que PM baleou duas filhas de santo em São Gonçalo


A deputada estadual Janira Rocha (PSOL) disse nesta quarta-feira (07), na Assembleia Legislativa, que um policial militar reformado baleou duas filhas de santo em São Gonçalo.
Segundo a moça, na semana passada, o policial estava insatisfeito com o culto, que acontece próximo à sua casa, e pediu para ver o álvara de funcionamento do templo.
Quando as duas mulheres chegaram com o documento, ele disparou. A deputada não falou o nome do policial, somente de seu filho, Elson Lima, que estava no local.
Janira disse que vai procurar a corregedoria da PM e pretende realizar uma audiência pública para discutir a intolerância religiosa.


Fonte: http://extra.globo.com/noticias/extra-extra/janira-rocha-diz-que-pm-baleou-duas-filhas-de-santo-em-sao-goncalo-3401479.html#ixzz1gyblFurZ

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Salvador sedia 3º edição da Marcha Nordestina Pela Cultura da Paz e Não-Violência


Nesta quarta-feira (07) acontece em Salvador a 3º edição da Marcha Nordestina Pela Cultura da Paz e Não-Violência com saída às 15h, do Campo Grande em direção a Praça Municipal. O evento tem o apoio  da Prefeitura Municipal de Salvador, do Governo do Estado da Bahia e dos movimentos sociais e reúne organizações estudantes,idosos e grupos culturais que clamam pelo fim de todos os tipos de violência, discriminação e violações dos Direitos humanos. Esse ano a MARCHA FARÁ UMA HOMENAGEM AO ANO INTERNACIONAL DOS AFRODESCEDENTES.

A Marcha Nordestina é uma iniciativa do Instituto Mão Amiga, liderada por Ademir dos Santos, em parceria com o Mundo Sem Guerras, organismo internacional que atua ha 15 anos no campo do pacifismo e da não-violência. Na Bahia foi implantada e coordenada pelo InconPaz –Instituto de Consciência, Formação pela Cultura da Paz e a Não-Violência Mundo sem Guerra.
Esse organismo foi o idealizador da 1ª Marcha Mundial Pela Paz e Não-Violência do planeta, que aconteceu do dia 2 de outubro de 2009 a 2 de janeiro de 2010, esse trajeto mundial que iniciou na Nova Zelândia e terminou na Cordilheira dos Andes teve duração de 90 dias, passou por mais de 90 países e 100 cidades nos cinco continentes, cobriu uma distância de 160.000 km por terra. Foi recebida por governantes de todas as esferas e líderes religiosos, e contou com adesões de personalidades do campo acadêmico, político, social, cultural e desportivo.

SERVIÇO:
O quê? Marcha Nordestina Pela Cultura da Paz e Não-Violência
Quando? 07 de dezembro de 2011 (quarta-feira)
Onde? Saída do Campo Grande em direção a Praça Municipal de Salvador
Concentração? 15h, no Campo Grande.
CONTATOS:
Comitê – Salvador/Bahia

domingo, 4 de dezembro de 2011

Creuza Maria Oliveira, presidenta da Fed. Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) ganha Prêmio Direitos Humanos 2011

Creuza Maria Oliveira, presidenta da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e e assessora do mandato da deputada Neusa Cadore, receberá no próximo dia 9 de dezembro de 2011, o Prêmio Direitos Humanos 2011.

A decisão foi tomada a partir de um processo seletivo através da Comissão de Julgamento, no dia 17 de novembro e ela foi escolhida para ganhar o prêmio na categoria Luta pelo Promoção da Igualdade Racial.

"Aproveitamos a oportunidade para parabenizá e agradecê-la pela atuação marcada pela consciência humanitária que, inevitavelmente, contribui para a ampliação da sensibilidade da sociedade brasileira sobre a necessidade do respeito aos Direitos Humanos", disse Fernanda Reis Brito, Coordenadora Nacional de Educação em Direitos Humanos ao anunciar o prêmio.

Creuza é integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, mora em Salvador e tem diversos serviços prestados nas comunidades periféricas da cidade. Além disso, é uma das mobilizadoras do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Estado da Bahia e militante do PT – Partido dos Trabalhadores e movimento negro – MMU.

*********

A Comissão de Julgadora da 17ª Edição do Prêmio Direitos Humanos elegeu na última semana as pessoas físicas ou jurídicas agraciadas em cada uma das categorias do Prêmio. Presidida pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), a comissão é constituída por personalidades nacionais ou indivíduos com notórios serviços prestados à causa dos Direitos Humanos no Brasil.

O Prêmio Direitos Humanos é a mais alta condecoração do Governo Brasileiro a pessoas e entidades que se destacaram na defesa, na promoção e no enfrentamento e combate às violações dos Direitos Humanos no país.

O Prêmio busca contemplar a universalidade dos Direitos Humanos em suas diversas categorias. Neste ano, foram incluídas três novas categorias: Centros de Referência em Direitos Humanos, Garantia dos Direitos da População em Situação de Rua e Diversidade Religiosa.

Os agraciados receberão um certificado assinado pela presidenta da República, Dilma Rousseff e um troféu que representa as temáticas definidas e promovidas pela SDH. A cerimônia de entrega do Prêmio será realizada no dia 9 de dezembro, às 10 horas, no Palácio do Planalto, com a presença da presidenta.

Conheça os premiados de 2011:

1 – Dorothy Stang

Geralda Magela da Fonseca

2 – Educação em Direitos Humanos

Rita Gomes do Nascimento

3 – Mídia e Direitos Humanos

Agência da Boa Notícia Guajuviras

4 – Centros de Referência em Direitos Humanos

Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã-i

5 – Enfrentamento à Pobreza

João Batista Frota

6 – Garantia dos Direitos da População em Situação de Rua

Anderson Lopes Miranda

7 – Enfrentamento à Violência

Patrícia Lourival Acioli

8 – Segurança Pública

Ricardo Brisolla Balestreri

9 – Enfrentamento à Tortura

Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba (FLAMAS)

10 – Direito à Memória e à Verdade

Instituto Vladimir Herzog

11 – Diversidade Religiosa

Flávia da Silva Pinto

12 – Igualdade Racial

Creuza Maria Oliveira

13 – Igualdade de Gênero

Berenice Bento

14 – Garantia dos Direitos da População de LGBT

Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto

15 – Santa Quitéria do Maranhão

Defensoria Pública do Estado do Pará

16 – Erradicação do Trabalho Escravo

Antonio José Ferreira Lima Filho

17 – Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente

Wanderlino Nogueira Neto

18 – Garantia dos Direitos da Pessoa Idosa

Maria Luíza Teixeira

19 – Garantia dos Direitos das Pessoas com Deficiência

Escola de Gente – Comunicação em Inclusão

20 – Garantia dos Direitos dos Povos Indígenas

Comunidade indígena Fág Nhim- Etnia Kaingang

21 – Categoria Livre

Antonio Augusto Cançado Trindade

A baiana Creuza está na listas dos premiados


Fonte: http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/direitos-humanos/260-noticias-direitos-humanos/12147-creuza-maria-oliveira-presidenta-da-fed-nacional-das-trabalhadoras-domesticas-fenatrad-ganha-premio-direitos-humanos-2011

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons