sexta-feira, 2 de março de 2012

“Querem me pegar na calada da noite”


Malcolm não era !

O prezado amigo navegante Igor Felippe envia essa entrevista que o ansioso blogueiro deu em homenagem a Malcom X – clique aqui para ir ao vídeo em que Malcolm se refere aos negros da casa; e aqui para ler Marcos Rezende, que falou dos negros da Casa Grande.

Paulo Henrique Amorim: “Querem me pegar na calada da noite”


Jorge Américo

Da Radioagência NP


Paulo Henrique Amorim nega que houve condenação judicial e diz que combate à tese de que não existe racismo no Brasil motivou processo. Ele era acusado de racismo por Heraldo Pereira, da Rede Globo, pelo uso da expressão “negro de alma branca”.


Teve desfecho, no último dia 15 de fevereiro, um processo judicial iniciado em 2010, no qual o jornalista Heraldo Pereira acusava o colega Paulo Henrique Amorim de racismo. Após um acordo de conciliação, Amorim terá de se retratar publicamente por ter usado a expressão “negro de alma branca” para se referir ao repórter da Rede Globo, em um texto publicado no blog Conversa Afiada.


Além da retratação, Amorim doará R$ 30 mil para uma instituição de caridade e retirará do ar o texto que gerou o processo. Em entrevista à Radioagência NP, ele nega que tenha havido condenação judicial, como divulgado pela imprensa, e assegura que Heraldo Pereira reconheceu que não houve conotação racista em sua declaração.


Amorim explica que usou a expressão “negro de alma branca” para designar “os negros que se omitem diante da situação de minoridade e de inferioridade social e econômica da grande maioria da população negra brasileira”. Entre outras análises, Amorim interpreta a ação judicial como “uma reação daqueles que se sentem incomodados com sua postura de combate à tese de que não existe racismo no Brasil”.


Radioagência NP: Paulo Henrique, há muita especulação sobre o resultado da audiência. O que foi acordado de fato?


Paulo Henrique Amorim: Eu estou muito satisfeito com o resultado da audiência porque eu fiz várias concessões com um único objetivo: obter dele a declaração formal, a consideração formal, atestar que a expressão não foi usada nem no sentido ofensivo nem no sentido racista. Eu ganhei o que eu queria. Eu, o Heraldo, os nossos advogados e o juiz assinamos um documento, um termo de conciliação no qual ele reconhece, assina e atesta que eu não usei a expressão no sentido ofensivo nem no sentido racista.


Radioagência NP: Com que sentido você utilizou a expressão “negro de alma branca”?


PHA: Eu utilizei a expressão “negro de alma branca” no sentido de designar aqueles negros que não lutam pelos negros. Os negros que se omitem diante da situação de minoridade e de inferioridade social e econômica da grande maioria da população negra brasileira. São os “negros de alma branca” aqueles que se  esquecem da escravidão, do legado da escravidão. Esses são os “negros de alma branca”


Radioagência NP: Isto quer dizer que não houve condenação por racismo?


PHA: O que está acontecendo é uma utilização fraudulenta de uma notícia que surgiu originalmente no portal Terra, dizendo que eu tinha sido condenado. Não pode haver condenação numa ação que se encerra com o termo de conciliação. Se o réu e o autor da ação fazem um acordo, não há condenação – por definição.


Radioagência NP: Como você avalia a cobertura da imprensa, em geral, nos casos envolvendo racismo?


PHA: A imprensa cobre o racismo de uma maneira subserviente, de uma maneira leniente e finge que não vê, a tal ponto que o diretor de jornalismo da maior rede de televisão da América Latina escreveu um livro dizendo que nós “não somos racistas” e que é contra as cotas raciais nas universidades porque no Brasil não tem negro, no Brasil tem pardos. Logo, não precisa de cotas para negros. Ele dá o tom ideológico, político, doutrinário, é o guardião da fé dessa instituição.


Radioagência NP: Então, o alvo da tua crítica foi o diretor de jornalismo da Rede Globo?


PHA: Isso é um sentido muito claro do meu texto e o que está sendo julgado não é o fato de eu ser racista ou não. O que está sendo julgado é a minha liberdade de me exprimir para condenar as ideias desse nocivo pensamento que se encerra no livro desse pseudo-antropólogo chamado Ali Kamel. Eu me insurgi foi contra ele, contra esse livro “Não Somos Racistas”, e dei o Heraldo como o exemplo do negro que concorda com essa tese de que não há racismo no Brasil. O que ele [Heraldo] está tentando fazer é se utilizar de um artifício, de um malabarismo judicial, provavelmente com o apoio de algum ministro, alguma sumidade, que queira me pegar na calada da noite da Justiça. E isso não vai acontecer.


De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.


29/02/12


Confira o texto que selou o acordo de conciliação entre os jornalistas Heraldo Pereira e Paulo Henrique Amorim:


“RETRATAÇÃO DE PAULO HENRIQUE AMORIM CONCERNENTE À AÇÃO 2010.01.1.043464-9 , que reconhece Heraldo Pereira como jornalista de mérito e ético; que Heraldo Pereira nunca foi empregado de Gilmar Mendes; que apesar de convidado pelo Supremo Tribunal Federal, Heraldo Pereira não aceitou participar do Conselho Estratégico da TV Justiça; que, como repórter, Heraldo Pereira não é e nunca foi submisso a quaisquer autoridades; que o jornalista Heraldo Pereira não faz bico na Globo, mas é empregado de destaque da Rede Globo; que a expressão ‘negro de alma branca’ foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de ‘racismo’.”


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