quarta-feira, 19 de junho de 2013

A técnica agora é outra!



“Caminhando e cantando e seguindo a canção. Somos todos iguais braços dados ou não. Nas escolas, nas ruas, campos, construções. Caminhando e cantando e seguindo a canção. Então vem, vamos embora que esperar não é saber e quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” A hora é essa! O Brasil cansou da tecnocracia burguesa, na qual sobra Estado e falta Povo.

Sobram Técnicos, Doutores, Phds... Pesquisas e mais pesquisa para que o brasileiro continue tendo reservado para si o “lugar comum”. Não, esta não é uma apologia contra a academia. Muito pelo contrário. Os acadêmicos são aqueles que alinham teoria e prática com fins na interferência exitosa para as realidades que se lhes apresentam. Mas a construção acadêmica se baseia numa relação de dialogicidade, troca de saberes. Os grandes técnicos governamentais desconstruiram suas teses e dissertações quando se esqueceram de ouvir o grande detentor dos saberes, o Povo. Povo que de tanto não ser ouvido resolveu gritar!

Agora, aos gritos, as vozes começam a reverberar. O Brasil invade o noticiário mundial com as suas passeatas compostas por multidões que reinvidicam um “lugar ao sol”, um lugar de todos. Estabeleceu-se uma identidade. O brasileiro colocou nas ruas o real significado da expressão alteridade. O sentimento de insatisfação se tornou generalizado. Enxerga-se no outro o espelho do eu, com os mesmos problemas, as mesmas decepções, a mesma falta de perspectivas.

A enxurrada de demandas dos mais diversos segmentos populacionais se aglutinaram, no que a princípio foi rotulado de R$ 0,20 (vinte centavos), talvez fruto da insanidade capitalista que necessita estabelecer preços até para os debates políticos e/ou da tendência estatal em desqualificar as questões sociais, e terminaram por entupir os “bueiros do Estado”. A inundação tomou conta do país, tendo por reflexo a multidão nas ruas, o que sinaliza que os “democratas de gravatas lavadas” não são suficientes para que se estabeleçam os reais princípios de um Estado Democrático de Direito. Estamos falando de liberdade, de igualdade, de fraternidade.

As vozes uníssonas exigem dignidade. Dignidade no trasporte público, dignidade na saúde, dignidade no tratamento com a população LGBT, dignidade para com as religiões, dignidade para as pessoas com deficiência, dignidade para com os negros, representantes da cor desse Estado que insiste na postura psicodautônica de se pensar branco. Aos que se pretendem simplesmente Técnicos da burocracia estatal, a verdadeira democracia os aguardam nas ruas para dialogar.

Luiz Paulo Bastos
Advogado do Coletivo de Entidades Negras
Militante em Direitos Humanos

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