sexta-feira, 14 de junho de 2013

Nota da EPS do PT sobre a luta contra os reajustes de passagens

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Nota da Comissão Executiva da CN da da EPS-PT sobre as manifestações populares na capital de São Paulo
A Comissão Executiva da Coordenação Nacional da Esquerda Popular Socialista, do PT, vê com muitas preocupações as posturas e posicionamentos no seio de nosso Partido quanto às manifestações de protesto contra o reajuste das passagens de transporte coletivo na capital paulista especificamente, e em outras capitais, às quais se agregam partidos, correntes e outros movimentos sociais. Ao mesmo tempo registra que, para que o movimento amplie sua legitimidade e respaldo popular é preciso uma condução política que evite ações extremadas. Ações estas que não estejam sintonizadas com a subjetividade de quem se quer representar. O exercício legítimo da autodefesa, por lutadores e lutadoras sociais, não pode se confundir com atos isolados de agressões e violência que desconsiderem o nível de consciência e organização das massas.
Nesse sentido, emitimos nossa opinião:
  • Frente ao recente ativismo social na capital paulista é equivocado tratá-lo como algo ilegítimo e inadequado, em seu todo.
  • O setor empresarial que opera e disputa as concessões e permissões de transporte público no Brasil, há muito que ganha rios de dinheiro com planilhas de duvidosa procedência; com informações fraudadas sobre desgastes de componentes e peças de ônibus; com gastos sobrevalorizados na mão de obra de manutenção de veículos; com subsídios de combustíveis; com pagamento antecipado de tarifas (no caso da compra direta de cartões que serão usadas durante o período posterior ao da aquisição); no lucro garantido com a tarifa paga “na hora”, frente aos prazos que o setor tem para cobrir seus gastos com o serviço. Incluindo aí o salário de seus trabalhadores. Certamente é um dos setores que mais ganha no mercado financeiro, com aplicações das receitas antecipadas que auferem. Isso sem falar no uso intensivo de equipamentos públicos, vias e praças, pessoal de manutenção e fiscalização públicas, que nem sequer são remunerados com as tarifas do setor.
  • Note-se que a possível fraude em planilhas contribui decisivamente até mesmo para o aumento do cálculo da inflação no país, ao superestimar a “sua” inflação setorial.
  • Os protestos de rua que ocorrem em várias capitais contam com o apoio da maioria dos petistas e devem ser estimulados pelas direções partidárias. Nosso foco deve ser debater o custo do transporte e do direito à mobilidade urbana, e não dar destaque a esse ou aquele excesso que sempre é possível ocorrer em manifestações populares. 
  • Quanto aos excessos, estes devem ser tratados de forma singularizada e individualizada. Inclusive porque há excessos claros por parte da PM. Excessos são uma parte. Não são o todo. Até o direito burguês individualiza a responsabilidade por atos supostamente criminosos. Elevar a “parte” à condição de “todo” é criminalizar os movimentos sociais! Registrar apoio ao direito de manifestação, mas defender que este não “atrapalhe” a dinâmica da cidade, da fábrica, dos campi, do latifúndio etc é torná-los assépticos, inodoros, insípidos, incolores e… indolores ao interesses do capital.
  • Se há erros de condução, estes devem ser criticados enquanto tais. O que não podemos é deslegitimá-los com os mesmos argumentos dos porta vozes reacionários da direita. Até porque a ação da PM de Alckmin tem, comprovadamente, sua responsabilidade desencadeadora das reações da massa. Antes de qualquer violência vinda de setores das manifestações, a PM tucana agiu de forma orquestrada visando iniciar os conflitos.
  • A gestão Fernando Haddad tem feito mudanças substanciais na capital paulista. Pessoalmente, o companheiro Haddad tem se mantido fiel às suas origens, à sua formação e ao seus compromissos. Mesmo diante da complexa tarefa de administrar a maior cidade do Continente. E com as “heranças” que recebeu. Por isso deve ter a resoluta solidariedade do PT. E esta solidariedade deve aparecer na forma de qualificação do debate sobre o transporte público e sua condição de serviço essencial ao povo e à sociedade em geral. Assim, o empresariado privado que explora essa atividade deve ser confrontado de uma forma mais ampla.
  • Quanto ao diálogo, sobretudo nesse momento de tensões, o mesmo deve ser feito de forma incondicionada. Para quem advoga por tratamento “republicano” aos nossos adversários ideológicos (mídia de direita, partidos neoliberais, lideranças do latifúndio, banqueiros, agentes do Judiciário, do MP etc), nada mais contraditório do que demonstrar preconceito com tais manifestações populares.
  • É sempre possível que haja infiltração do aparato repressivo do Estado nesses protestos, estimulando provocações, num contexto de tensão; que – por sua vez – pode, inclusive motivar militantes e cidadãos comuns a agir de forma inadequada. Isso demanda tratamento cuidadoso, para que nos afastemos da crítica midiática de direita, que quer nos colocar na defensiva e nos isolar de lutadores sociais que, por ventura, discordem de nossos governos.
  • No caso da depredação da portaria da sede do PT, em SP, ou bem isso é um grave erro político, se foi organizado por correntes de esquerda (que confundem: partido, governo e Estado), ou é fruto de ações de setores de massa inorgânica e sem direção; ou, até mesmo de provocadores da direita. Em quaisquer dessas circunstâncias isso deve ser tratado no terreno do crime comum e a busca de ressarcimento é legítima.
- Fonte:http://esquerdapopularsocialista.com.br/nota-da-eps-do-pt-sobre-a-luta-contra-os-reajustes-de-passagens/

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