sexta-feira, 14 de junho de 2013

RENÚNCIA À COORDENAÇÃO GERAL DO CEN

À Coordenação Nacional do Coletivo de Entidades Negras (CEN)

Minhas amigos e meus amigos, a bênção a quem é de bênção,

O tempo passou e é hora de decidirmos o que de, certa forma decidido já está que é a minha renúncia à Coordenação Geral do CEN. Como toda boa renúncia esta não está em discussão, é fato consumado e decisão unilateral. Nos dois últimos anos uma série de problemas meus, pessoais e de saúde foram, de certa forma enfraquecendo o CEN e, neste momento, em que se aproxima a Conferência da Igualdade Racial, o CEN precisa de uma liderança forte e presente que possa dar os encaminhamentos devidos às questões mais fundamentais.

Ao renunciar à Coordenação Geral do CEN, na verdade estou me despedindo de toda e qualquer militância política para me dedicar quase que monasticamente à vida religiosa. É o que me resta depois de trinta anos de minha vida dedicado à militância, tanto no campo dos direitos humanos, da comunicação, do software livre, quanto das relações étnico-raciais. 

Na última sexta-feira, tive uma consulta no Hospital do Coração de Laranjeiras, onde me trato há sete anos da Miocardiopatia Dilatada que me consome aos poucos e recebi a notícia que, por ser progressiva meu quadro de saúde vem piorando. Hoje, mantenho-me vivo graças a 12 remédios tomados duas vezes ao dia, a uma fé inabalável em Deus e nos Orixás e, logicamente, à muitas obras religiosas (ebós entre outros) que, tanto eu, quanto meus pares em minha família de Ifá vimos realizando desde o início deste ano quando permaneci 17 dias internado no CTI do HC de Laranjeiras.

Nunca posei de vítima e nem de coitadinho, pois de fato não sou. Pelo contrário, sou um homem feliz com a vida que levo, com o que a vida me deu e penso que doença dá na gente porque é nosso destino a ser cumprido. A miocardiopatia me tornou um homem melhor, um pai melhor, um amigo melhor e, infinitamente, um religioso melhor.

Penso que virão dias de grandes embates onde eu, proibido de viajar por causa da despressurização das aeronoves; sem poder me estressar, coisa que acontece em dois tempos em processos como estes; me levam, obrigatoriamente a ter a postura responsável de pensar o que é melhor para o CEN.

Consultei várias pessoas, Cris Miranda, Silvana Veríssimo, Marcos Rezende, Gaiaku Deusimar entre outras... Todas estas pessoas disseram-me que eu deveria permanecer à frente do CEN, pois mesmo simbolicamente há concordância geral que sou um elemento de união institucional e um fiador importante de um posicionamento sério e responsável do CEN. Apesar de - sem falsa modéstia - concordar com isso, penso que neste momento o CEN precisa de alguém ágil em sua condução e, sendo assim, pelo menos ao meu ver, o nome natural para a condução de uma transição entre esta e uma nova coordenação geral seria o de Marcos Rezende. Logicamente, me coloco como sempre me coloquei, alguém que consegue pensar estrategicamente, alguém que formula e alguém que tem condições de continuar colaborando com a instituição neste nível.

Sob este aspecto, penso que posso atuar como linha auxiliar de uma nova coordenação geral e penso que é tempo e hora de o CEN dar um salto de qualidade em sua atuação política pois, infelizmente, e este não é um cenário específico do CEN, estamos percebendo um recrudescimento e fragilidade institucional das organizações nacionais do Movimento Negro.

Posso dizer que o CEN cresceu: temos mais três núcleos a serem trabalhados e desenvolvidos que é o CEN/RJ (nas figuras de Nina Fola e Babá Dyba, atuando mais nos bastidores, como uma espécie de orientador); Jacy Braga em Manaus e Itoanderson em Sergipe. Estes contatos, logicamente serão passados para a nova coordenação e, obviamente, estarei disposto a manter o diálogo por mim iniciado para que possamos seguir adiante.

Há um convite formal da Seppir para uma série de diálogos a partir da entrevista que concedi ao Afropress. Silvana é testemunha ocular do impacto provocado pela entrevista dentro da Seppir. Ou seja, mais uma vez, um posicionamento político oriundo das entranhas do CEN impactou não só a estrutura governamental, como também as próprias organizações espalhadas Brasil afora que fizeram contato e buscam aproximar-se do posicionamento político ali colocado por mim.

Devo ao Dojival um artigo, desenvolvendo melhor a idéia, não de uma conferência paralela, mas da tomada da pauta da conferência pelo movimento social negro. O que propus naquela entrevista e desenvolverei melhor, agora apenas como indivíduo e não mais como um posicionamento institucional do CEN, a menos que vocês me autorizem para tal, é que as organizações do Movimento Negro não aceitem e nem se submetam à agenda proposta pela Seppir, mas construam sua própria agenda para a conferência.

Uma pena que não poderei estar lá. Quem esteve na última percebeu o nível de estresse em que fomos submetidos e hoje, minha frágil saúde não me permite isso e eu, antes de dar um mártir à causa, prefiro me cuidar para prolongar meus dias nesta terra.

A cada um e cada uma de vocês, um gesto de carinho e amizade. Como sempre gosta de dizer Lindacy, o CEN é uma família. E de fato é. Poucas organizações ao longo da história política do Brasil construíram o que construímos. Relações de amizade, respeito, consideração, vontade de estar juntos uns dos outros. Como em todo grupo há mais afinidades aqui que acolá, mas não é isso que importa, o que importa é que, no conjunto, a relação de amizade dentro do CEN, sempre nos fez fortes institucionalmente.

Estou cansado, meus amigos e minhas amigas. Em 30 anos de militância, cheguei aos 42 anos cansado. Lutei o bom combate, como diria o Apóstolo Paulo, sempre com muita ética e lisura em tudo que fiz. Podem dizer o que quiserem de mim, mas nunca poderão dizer que descumpri qualquer acordo político ou que subtraí algo de alguém. Podem dizer que pequei às vezes pela ignorância, pela força excessiva das palavras e até mesmo por uns safanões dados em um aqui e outro ali ao longo destes anos todos. Mas, efetivamente, ninguém poderá dizer que não fui honesto em minhas posturas e em minha forma de agir.

Entrei para o CEN quando era ainda uma entidade local em Salvador. Fui convidado por Marcos e Lindi para fazer do CEN uma entidade nacional e o fiz. A maioria das pessoas que estão hoje na coordenação do CEN (veja, eu disse a maioria), foram convidadas por mim ou comigo dialogaram em seu processo de aproximação institucional. Tenho muito orgulho do que construímos e sigo adiante sabendo que cumpri com meu dever.

Meu abraço fraterno,

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Marcio Alexandre M. Gualberto 
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