segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Caso Amarildo, mais um episódio da Ditadura civil brasileira




Campanha #OndeEstáAmarildo? ganha força nas redes sociais
Campanha #OndeEstáAmarildo? ganha força nas redes sociais
Por Matheus Lara e Julia Campos, da Vírus Planetário
 
No período onde se “comemora” 20 anos da Chacina da Candelária, o sumiço do pedreiro Amarildo, morador da Rocinha, favela do Rio de Janeiro, tem comovido todo o Brasil. Ele representa uma denúncia ao militarismo da polícia brasileira, que produz milhares de Amarildos, que somem ou são mortos todos os anos. Nós da Revista Vírus Planetário torcemos pelo aparecimento do pedreiro e pai de 6 filhos, mas sabemos que – via de regra – histórias como a dele não têm um final feliz.
Como o pobre está proibido de frequentar os estádios, Amarildo assistia o clássico Flamengo x Vasco no botequim quando foi levado por policiais da UPP Rocinha, junto com outras 8 pessoas.  Desde então seu paradeiro é desconhecido. O caso teria passado despercebido se não fosse a grande onda de protestos no Rio de Janeiro, que hoje converge no grito de ordem “Fora Cabral!”, entoado nas ruas de todo o estado. Parece que o desaparecimento do Amarildo é a gota d’água para o fim de um governo do PMDB,  hoje insustentável, que acumula apenas 8% de aprovação.
Ao que tudo indica, a história do pedreiro Amarildo é mais uma dentre tantas que acontecem na Cidade e no Estado. O Rio de Janeiro apresenta elevados índices de Autos de Resistência (quando a morte é justificada alegando que o morto trazia perigo à vida do policial) e, nos últimos anos, crescentes índices de desaparecimentos, mesma época em que começou a implantação das UPPs. Detestada em todas as comunidades em que foi implantada, a UPP chegou, inclusive, a ser alvo de protestos pelos moradores do Morro do Santa Marta.
Como de praxe, o Governado do Estado do Rio de Janeiro – Ségio Cabral (PMDB) – personificou o caso como um problema pontual. Os policiais da ação foram corretamente afastados de suas funções enquanto acontecem as investigações. Mais uma vez imputa-se a culpa do acontecimento EXCLUSIVAMENTE em desvios de conduta policial, como se a política genocida da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro não matasse pobre, preto e favelado todos os dias. No entanto, estes “fatos isolados” são extremamente comuns no dia-a-dia, sendo a última comoção da cidade acontecendo em torno das mortes na Maré no dia 24 de junho.
O caso não é isolado, ele denuncia uma política de Segurança Pública que trás consigo práticas ditatoriais de um ex-infiltrado do antigo Regime, o Secretário José Mariano Beltrame. O caso já foi denunciado aqui.
 
#OndeEstáAmarildo? ganhou repercussão internacional, mas o problema diário continua sendo esquecido
#OndeEstáAmarildo? ganhou repercussão internacional, mas o problema diário continua sendo esquecido

Nas últimas semanas, os moradores da Rocinha já realizam vários protestos perguntando “Onde está o Amarildo?”, mas a pergunta está difícil de ser respondida. Enquanto isso, no Facebook, as hashtags #OndeEstaOAmarildo e #CadeOAmarildo ganham repercussão internacional, como se esse fosse um problema pontual. Mas, como dizem as ruas “sem hipocrisia, a PM mata pobre todo dia!”.
Amarildo e os manifestantes têm em comum o sofrimento pela militarização da Polícia no Brasil. O instrumento da Ditadura Militar, hoje utilizado pela Ditadura do Cabral (e do Capital), deve ter seu fim. Amarildos, Marés e Candelárias são vítimas que pagam com suas vidas a ação de uma polícia que hoje viola o princípio da livre manifestação. Seja pelas balas de borracha, seja pelas de Chumbo, o Rio de Janeiro e o Brasil se unem pelo #FimDaPM e o respeito à vida.

Neste momento

Vivemos os momentos que antecedem a ocupação da favela da Maré, que deve ser invadida na segunda-feira. A ditadura do PMDB no Rio de Janeiro, mesmo após seguidos protestos, decide continuar com a política de ocupações militares. A favela é vista como um gueto, uma zona de exceção, cujos moradores têm direitos restritos, menos dignidade e cujas vidas têm menos valor. Vamos ficar atentos às próximas horas.

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