sexta-feira, 5 de julho de 2013

Representantes de povos e comunidades de matriz africana discutem propostas para a III Conapir

Reunidas em Plenária Nacional que acontece em Brasília, cerca de 200 lideranças de todo o Brasil vão escolher também os delegados que representarão suas propostas na Conferência Nacional

A ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros abriu, na noite desta quinta-feira, 4, a Plenária Nacional dos Povos e Comunidades de Matriz Africana, coordenada pela Secretaria de Políticas de Comunidades Tradicionais (Secomt), da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), e preparada pela Comissão Organizadora da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III Conapir).


O evento reúne cerca de 200 lideranças, de todas as unidades da federação e representantes de diferentes matrizes. A plenária se constitui em uma das etapas da III Conapir, que acontece entre 4 e 5 de novembro, em Brasília, com o tema ‘Democracia e Desenvolvimento Sem Racismo: Por um Brasil Afirmativo’.

As atividades da Plenária tiveram início na manhã desta sexta-feira, 6, com a benção das mães de santo e babás. Em seguida, a titular da Secomt, Silvany Euclênio, a Ketu Ângela Gomes e a Doné Kika de Bessen, falaram ao público sobre as expectativas do trabalho.

Para Silvany, a realização das plenárias temáticas dos Povos Ciganos (que aconteceu em maio), dos Povos de Matrizes Africanas e das comunidades Quilombolas (a ser realizada ainda em julho) aponta a importância e a grande potencialidade da participação de grupos específicos na III Conapir. “Eles mantêm uma relação histórica de vulnerabilidade junto ao Estado. Com as plenárias, poderão participar em condição de igualdade, propor, defender e debater suas propostas. Conhecer e ser reconhecidos pelo poder público”, disse.

De acordo com Ângela, se o tema da III Conapir envolve a discussão sobre o desenvolvimento, é importante entender que crescimento e desenvolvimento são ‘inimigos’. “Crescer é aumentar sem limite. Desenvolver é aumentar, melhorar no todo”, explicou. E o pensamento no todo, de acordo com ela, norteia a essência dos povos de matriz africana e de seus ancestrais.

Doné Kika celebrou a possibilidade de uma participação organizada dos povos de matriz africana na Conferência Nacional. “Esse é um momento de fortalecimento da religiosidade e das comunidades no país”, enfatizou.

Grupos de Trabalho – Os participantes do evento se dividiram em grupos de trabalho para deliberar as prioridades que querem levar à III Conapir. Ao final da plenária serão eleitos os delegados e delegadas que irão participar da Conferência.

Um consenso entre os participantes é de que a Conapir deve priorizar não a proposição de novas ideias, mas formas de efetivar as que já foram deliberadas, seja na primeira e segunda Conferência, ou em políticas públicas que já vigoram, porém sem eficácia em sua aplicação.

“Não precisamos reinventar a roda. As políticas já estão no papel. Só não são implementadas”, diz Vilma Piedade, representante da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras Saúde (Renafro-RJ). Para ela, o combate ao racismo precisa ser ainda mais forte no Brasil. “O país tem um racismo estrutural, ideológico e até a SEPPIR sofre com ele”, garante.

“Espero maturidade e equilíbrio na III Conapir para que a gente não priorize novas propostas, mas possa construir estratégias para colocar em prática o que se quer e que já está sinalizado”, diz Makota Valdina, de Salvador- BA.

Para ela, que milita desde os anos 70, as pessoas de diferentes segmentos hoje estão agrupadas como povos de matriz africana, como resultado da atuação da SEPPIR. “Antes não tínhamos voz. Estamos em um processo, com pequenos avanços que, infelizmente revelam ainda mais o racismo da sociedade. O que facilita, por outro lado, o seu combate. Quando não sabemos o que vamos combater fica mais difícil”, afirma.

“Entendo a Conferência como um espaço de conferir. Portanto, precisamos passar a limpo o que já foi proposto e avançar”, diz Makota Celinha Gonçalves, de Minas Gerais. “Não queremos discutir religião. Somos felizes assim. Queremos discutir o direito de ter religião”, disse.

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