sexta-feira, 26 de julho de 2013

Zimbabwe é o exemplo na Educação a ser seguido


O secretário-executivo da SADC e o sub-secretário da ONU lideraram, esta semana, um painel que discutiu a “Educação e Formação - Alavanca de Desenvolvimento”. No fundo, falar do capital humano foi um pretexto para levantar outros problemas do continente. Os painelistas defendem uma mudança de abordagem política de desenvolvimento.

Se por um lado o debate levantou problemas já conhecidos, por outro, teve a particularidade de trazer as medidas concretas para se ultrapassar o quadro de miséria que os países africanos vivem. A conferência tinha como pano de fundo a necessidade de formar recursos humanos com a qualidade necessária para tirar África do sub-desenvolvimento, mas desembocou no quadro geral sobre o desenvolvimento.

O secretário-executivo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral - SADC -, Tomaz Salomão, começou por estabelecer um ponto de partida para que se possa investir no desenvolvimento do continente: a paz, o diálogo para resolução das diferenças entre os africanos.

Infra-estruturas

Focalizado na situação da SADC, o responsável olhou para o défice de infra-estruturas, uma das maiores barreiras ao desenvolvimento: “construir infra-estruturas, pontes, estradas, centrais eléctricas custa recursos, que antes eram avaliados em milhões de dólares, mas hoje é normal falarmos em investimentos na casa de biliões de dólares. O facto é que as nossas economias não geram esses recursos, e a solução é atrair o sector privado, fazer parcerias com o sector privado, ser inovador na mobilização e geração de recursos, usar a experiência do extremo oriente e procurar, sempre que possível, parcerias internacionais”.

É necessário que haja uma mudança de atitude no que diz respeito à mobilização de poupanças internas para efeitos de investimentos em infra-estruturas. Se é preciso aplicar as Reservas Internacionais Líquidas, elas deverão ser colocadas nos Estados Unidos, na Europa, nos empréstimos a instituições como o Banco Mundial ou o Banco Africano de Desenvolvimento, ou na criação de fundos que possam ajudar o continente, as regiões e os países a investirem em infra-estruturas, que estão em grande défice actualmente. “Se não existirem formas inovadoras de o fazer, continuaremos a enfrentar dificuldades, a queixar-nos, a lamentar, e no final do dia não conseguiremos mudar as coisas”, avisou Salomão.

Em relação à energia, por exemplo, a África Austral precisa de cerca de 60 Mw e gera cerca de 52 Mw.

Na educação Zimbabwe é o modelo

Em vários países africanos, incluindo moçambique, estudantes saem das universidades despreparados para o mercado de trabalho, porque não sabem produzir bens e serviços. Estima-se que 46% dos universitários africanos estão em cursos das ciências sociais, que não permitem desenvolver competências práticas que permitam o auto-emprego. Assim, além dos aspectos de qualidade, na preparação dos currículos é preciso prestar atenção a um elemento: formar empreendedores. Introduzir cursos para o homem “saber fazer”.


O Zimbabwe é o país no qual os restantes se devem inspirar e ir buscar experiência, defende Tomaz Salomão. É que com todos os problemas que atravessa, incluindo a difícil situação política, o país investiu fortemente nos recursos humanos nos últimos 30 anos e os resultados são evidentes: no Botswana, 60% das lideranças em instituições de educação, saúde, sistema financeiro, construção civil são ocupadas por zimbabweanos; em Manchester, Inglaterra, há médicos e enfermeiros zimbabweanos; o sistema financeiro e a administração pública da África do Sul têm cidadãos do Zimbabwe. Mais: em competições diversas na região, estudantes zimbabweanos aparecem nos primeiros lugares. Em concursos internacionais de recrutamento de experts os zimbabweanos são os primeiros qualificados.

O ponto de partida para a qualidade da educação naquele país começa na educação primária, e depois secundária. A nível primário, os professores são preparados para proporcionar aos jovens e crianças as bases para que já no nível superior haja resposta à qualidade necessária.

Neste quadro, e porque existem, na região, sistemas educacionais com influência inglesa, francesa e portuguesa, o grande desafio que se coloca é como fazer a harmonização com sistemas que diferem do nosso. “Esta questão deve ser objecto de reflexão”, sugere Tomaz Salomão.

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