terça-feira, 20 de agosto de 2013

27 anos sem Mãe Menininha: Líderes religiosas falam sobre intolerância religiosa


Mãe Menininha do Fantois. Foto: Luciano Andrade
 

Mãe Menininha do Fantois. Foto: Luciano Andrade
Por Palmares em Raiz Africana
 
Olorum¹ quem mandou essa filha de Oxum tomar conta da gente e de tudo cuidar. Olorum quem mandou ô ô”. Quem lê esses versos de Dorival Caymmi (1972) logo se lembra de uma das mais respeitadas e reconhecidas mães de santo do Brasil: Menininha do Gantois, um dos símbolos da luta contra o preconceito e a intolerância religiosa. No dia 13 de agosto marcou os 27 anos do seu retorno ao Orum² e as yalorixás Mãe Beata de Yemanjá e Makota Valdina contam como, por meio do trabalho que realizam, mantém vivo o legado de Mãe Menininha do Gantois.
Mãe BeataFilha de Exu com Iemanjá, Mãe Beata de Yemanjá é descendente de africanos escravizados e defensora da ancestralidade africana. Pelo trabalho desenvolvido no Ilê Omi Oju Arô, a sacerdotisa realiza ações de conscientização com a comunidade que a cerca e pelos lugares onde passa. “Quando eu observo que alguém está levando a conversa para caminho da intolerância religiosa, eu uso o respeito e vivência para derrubá-lo. Precisamos estimular a consciência de que o Brasil é uma mistura de todas as raças e religiões”.
Da experiência dos seus 83 anos, Mãe Beata sugere que a sociedade brasileira caminhe para unir a oralidade e os saberes tradicionais aos conhecimentos adquiridos nas universidades. Ela acredita que esse é um passo importante para a construção da igualdade. “Peço a Olorun que proteja nossos governantes para que eles consigam realizar uma política de diálogo e afirmação para a população negra brasileira”, declara.
Makota Valdina Pinto
Direito assegurado na Constituição – Makota Valdina Pinto, do Terreiro Tanuri Junsara, em Salvador/BA, defende o direito à crença religiosa assegurado pelo Artigo 5º, inciso 6º da Constituição Federal. Ela acredita que as políticas de ações afirmativas implementadas são ferramentas de compromisso ético e combate a discriminação racial e  o desrespeito às comunidades de matriz africana. “Não podemos falar de intolerância sem relacioná-la ao racismo praticado contra as religiões afro-brasileiras”, ressalta. Valdina é reconhecida como mestra nos ambientes intelectuais nacionais e internacionais pela articulação entre a prática e a teoria da sabedoria bantu.
Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, Hilton Cobra, figuras como Mãe Menininha, Mãe Beata, Makota Valdina e outras yalorixás são as Candaces Negras brasileiras. “Mãe Menininha foi emblemática para a valorização das religiões de matriz africana. Mãe Beata e Makota Valdina perpetuam essa herança “, disse.

Mãe Menininha do Gantois – Mãe Menininha morreu em 13 de agosto de 1986, aos 92 anos e deixou como legado o Terreiro do Gantois, instituição religiosa de origem ketu que mantém historicamente a política do matriarcado e de sucessão hereditária de linhagem consanguínea.
O Terreiro do Gantois se tornou um dos mais procurados e respeitados casas de orixás da Bahia. A popularidade e o reconhecimento que Mãe Menininha foi decisivo para aumentar a aceitação do candomblé. A yalorixá enfrentou o preconceito que a sociedade tinha em relação aos adeptos do candomblé.
¹Olorum:  Em yorubá Criador do Orun.
² Orum: Em yorubá Céu dos Orixás.

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