domingo, 4 de agosto de 2013

UFPB – Núcleo de Estudos e Pesquisas Afrobrasileiros e Indígenas lança Cadernos Afro-Paraibanos (para baixar!)

Caderno1NEABI – A expressão Cadernos, numa era de ferramentas virtuais, soa um pouco escrever artesanalmente à moda dos românticos oitocentistas: ao bico de pena. A par disso, também podem implicar corpus fragmentários de atividades intelectuais que, encadernados, sustentam imaginários científicos, históricos e culturais.
Antonio Gramsci, no cárcere do fascismo italiano, não deixou de escrever suas cartas filosóficas e políticas que, mais tarde, teriam grande aceitação entre os intelectuais das esquerdas como reflexões de renovação da própria tradição marxista e da “cultura revolucionária” com o título de Cadernos do Cárcere.
Borradores filosóficos, notas esparsas ou cadernos literários parecem não ser muito considerados na nossa cultura escolar quando são produzidos por escritores e escritoras negras nesse Brasil contemporâneo com forte atualização culturalista das mestiçagens, hibridizações e crioulizações.
Caderno2
Lembramos, também, dos Cadernos Negros, produzidos ao longo de trinta e cinco anos (1978-2013) que pensaram uma história do Brasil vista pela ótica da matriz cultural africana e de uma escrita negra marcadamente poética.
 
Nossos Cadernos Afro-Paraibanos, que se multiplicarão ao passar dos anos, pretendem ser a “escrita multirracial” daqueles que trabalham pela erradicação do racismo e inscrevem suas práticas pedagógicas por uma educação antirracista.
 
Assim, dos Cadernos Negros para os Cadernos Afro-Paraibanos, podemos tornar nossas as palavras de Conceição Evaristo:
 
Foi mãe que me fez sentir
as flores amassadas
debaixo das pedras
os corpos vazios
rente às calçadas
e me ensinou, insisto, foi ela
a fazer da palavra
artifício
arte e ofício
do meu canto
da minha fala.
 
 
 

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