sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Com demissões e cortes, Palmares corre risco de sucateamento

Brasília – No ano em que completa 25 anos (foi fundada em 1.988 no Governo do ex-presidente José Sarney), a Fundação Cultural Palmares – autarquia do Ministério da Cultura – vive a sua pior crise com redução de orçamento e corte de pelo menos 25% dos funcionários terceirizados. É esperada a demissão, num primeiro momento, de pelo menos, 16 funcionários numa equipe já considerada reduzida.
Segundo o ex-presidente Zulu Araújo – que pensa me lançar manifesto em defesa da instituição – o corte de pessoal coloca em sério risco a própria existência da Fundação, uma vez que sem os funcionários da manutenção haverá o comprometimento da execução das ações planejadas "e quando isso acontece a orientação na Esplanada normalmente é extinguir-se o órgão".
“Isso nunca aconteceu na história dos 25 anos da Fundação Palmares. Na área da manutenção nunca houve corte. Como não se pode cortar papel higiênico, água, luz, telefone, corta-se pessoal. Sem os servidores como é que vai executar? Quem vai pagar o preço é a cultura negra”, afirmou. A Fundação, que é presidida pelo produtor Hilton Cobra, o Cobrinha, tem ainda 34 cargos de confiança.
Os cortes são consequência da redução de R$ 11 para R$ 7 milhões do orçamento para custeio (manutenção de pessoal), medida anunciada em portaria publicada no Diário Oficial da União no mês passado. Na quarta-feira (11/09),  Cobrinha reuniu-se com funcionários para dar a má notícia.
Afropress, que revelou a crise em primeira mão, tenta desde então ouví-lo. Primeiro, por meio de e-mail enviado a sua Assessoria de Comunicação, pediu uma manifestação sobre os cortes. Nesta sexta-feira (13/09) Cobrinha mandou a secretária avisar que estava em reunião, prática costumeiramente usada por autoridades quando desejam evitar contato com jornalistas.
Falta de sensibilidade
Para o ex-presidente Zulu Araújo, que evita citar nomes dos atuais gestores da Palmares, o que está acontecendo "é o resultado da absoluta falta de sensibilidade e compromisso com a cultura negra por parte do Ministério da Cultura".
O MinC tem como ministra Marta Suplicy, que teria indicado Cobrinha para o cargo por indicação da ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, de quem o presidente da Palmares é primo.
“A Palmares está sendo liquidada na prática. Enquanto eles [gestores, cujos nomes ele evita citar] tiram fotos dando risadas com a Dilma [Presidente Dilma Rousseff]. Como ex-presidente estou preocupado com o contingenciamento que a instituição está sofrendo. É visível a falta de sensibilidade”, afirmou.
 Sem força política
Críticos que acompanham a atual presidência de Hilton Cobra apontam que o sucateamento é o reflexo de uma gestão sem experiência nem força política. Cobrinha, para os mesmos críticos "transformou a Palmares numa extensão da gestão de Bairros", acusada até pelos seus companheiros do seu partido, o PT, como avessa ao diálogo.
Ele assumiu o cargo em fevereiro prometendo gestão dinâmica, abrir-se ao diálogo e aumentar o orçamento da Fundação, porém estaria se revelando "apenas um “performer” cultural, incapaz de fazer frente aos problemas de gestão e sem força política para garantir ao menos o orçamento prometido”.
Fonte: Afropress

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