sábado, 7 de setembro de 2013

DF e Entorno terão mais de R$ 90 milhões para enfrentar violência contra jovens negros

SEPPIR* – Lançado oficialmente nesta terça-feira (5/9) no Distrito Federal e Região Metropolitana, o Plano “Juventude Viva” disponibilizará R$ 90,3 milhões em recursos do governo federal para a capital do país e seis municípios vizinhos desenvolverem ações que reduzam os riscos sociais para jovens negros entre 15 e 29 anos.
“Temos que enfrentar esse problema com políticas públicas de educação, esporte e desenvolvimento, e não com repressão ou retirada de direitos. Temos obrigação de dar exemplo na capital do país de cidadania para os jovens negros”, destacou o governador Agnelo Queiroz durante lançamento do plano.
Representando os prefeitos dos municípios do Entorno, a prefeita de Valparaíso, Lucimar do Nascimento, falou da importância da iniciativa para a região, que sofre com os altos índices de homicídios de jovens. “Doi na alma saber que essa violência acontece tão perto de nós, falo aqui como prefeita, mas também como professora”, disse.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ressaltou que a iniciativa é uma resposta do governo federal, em parceria com estados e municípios, para enfrentar um dos mais graves problemas que atinge a juventude brasileira. Segundo ele, o Plano tem como principal objetivo “salvar vidas e não existe nada mais importante que isso”.
A Secretaria-Geral, por meio da Secretaria Nacional de Juventude, e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial  (Seppir) são responsáveis pela coordenação do Plano, que conta com a parceria de onze Ministérios. Na cerimônia,  a ministra da Seppir, Luiza Bairros, afirmou que,  “com esse plano estamos dizendo que a vida de uma pessoa negra, na contramão do racismo, vale tanto quanto a de qualquer outro ser humano”.
O Plano foi apresentado durante a cerimônia pela secretária nacional de Juventude, Severine Macedo, que falou das principais ações, envolvendo os diversos Ministérios, lembrando que para conquistar seus objetivos o Juventude Viva depende da sinergia entre os governos federal, estaduais e municipais.
O evento contou com a presença de jovens do Entorno e entidades representativas da juventude e da igualdade racial.  O conselheiro do Conselho de Juventude do DF, Akini Aduni, entregou ao governador Agnelo Queiroz uma carta assinada por artistas locais em defesa da vida dos jovens negros.  “Eu podia estar nos índices de violência como vítima ou autor, escapei dessas tristes estatísticas, pois aqui no DF, se você é jovem, negro e da periferia, tem cinco vezes mais chances de morrer”,  disse.
O Distrito Federal é a terceira unidade da Federação a implementar o Juventude Viva, depois de Alagoas e Paraíba, tendo como diferencial a integração com os municípios do entorno (Santo Antônio do Descoberto, Águas Lindas de Goiás, Formosa, Luziânia, Novo Gama e Valparaíso).
De acordo com o GDF, agora será criado um comitê gestor para definir as ações que serão desenvolvidas, mas conforme adiantou o secretário de Promoção da Igualdade Racial do DF, Viridiano Custódio, serão criados centros para atendimento dos jovens nas cidades satélites.  Mapeamento da pasta apontou Itapoã, Estrutural, Ceilândia e Samambaia como os locais com maiores índices de mortalidade de jovens negros do Distrito Federal. “Focaremos em políticas públicas de educação, saúde e cultura nas regiões com maior índice de criminalidade”, acrescentou Custódio.
Poema e carta em defesa da juventude negra
O evento no Buriti foi aberto pela jovem Júlia Nara, com a leitura de um poema em homenagem às mulheres negras, de autoria do rapper Eduardo, do grupo Facção Central, que emocionou os presentes. Em seguida, o rapper Fábio, do Varjão, leu uma carta assinada por artistas locais em defesa da juventude negra das periferias. Veja o conteúdo da carta.
Números da Região
Segundo o “Mapa da Violência 2012″, com base em dados de 2010 do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, o DF é a quinta unidade da Federação com maior taxa de morte entre jovens negros (103,8 para cada grupo de 100 mil habitantes).
Em números gerais, o banco de dados do Serviço único de Saúde (SUS) mostra que, em 2010, foram registradas 880 mortes violentas no Distrito Federal, das quais 57,84% foram homicídios de jovens, com 88,41% das vitimas negras e 82,7% do sexo masculino. Em municípios da região metropolitana, como Novo Gama e Águas Lindas de Goiás, 100% das vítimas de homicídios entre 15 e 29 anos eram negros. “Estamos juntos para trazer para a  nossa juventude a inclusão social”, reforçou a professora Lucimar, prefeita de Valparaíso.
Segundo a Secretaria Nacional de Juventude, o Plano deve chegar ainda este ano a São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pará.  A iniciativa tem como foco os 132 municípios brasileiros com os maiores índices de mortalidade dessa parcela da população.
*Fonte: Secretaria Geral da Presidência da República

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