quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Babalorixá diz que foi impedido de viajar por causa de nome religioso


O representante dos terreiros de candomblé da Bahia e coordenador do Coletivo de Entidades Negras, Táta Ricardo Tavares, diz que o funcionário de uma companhia aérea impediu seu embarque para Brasília, no Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, na segunda-feira (4), por causa do nome religioso que passou a adotar após autorização da Justiça. Segundo informações de Táta Ricardo, o funcionário teria desrespeitado ao dizer que o nome dele "não era de gente".
"Tinham mais de 100 pessoas na minha frente. Fiquei esperando cerca de 50 minutos e, quando eu fui atendido, a atendente disse que não era o meu nome e pediu que eu saísse porque o voo já estava atrasado. Aí eu fui para o guichê ao lado para ser atendido pelo supervisor da companhia. Aí ele me disse que não poderia fazer nada, que era para eu me retirar e que Táta nem era nome de gente", conta o líder religioso. Na passagem aérea constava o nome Ricardo Tavares e os documentos do sacerdote já estão com a inclusão do prenome "Táta".
De acordo com o sacerdote, ele registrou uma queixa no posto da Polícia Civil do aeroporto contra intolerância religiosa, desrespeito, agressão e discriminação. De acordo com a polícia, o impedimento do embarque de Táta Ricardo ocorreu porque o documento que ele apresentou à companhia era diferente do nome que constava na passagem aérea. "O impedimento dele foi porque ele não estava com o documento igual ao da passagem aérea. Então só se viaja se o documento está de acordo com a passagem. No boletim de ocorrência consta o nome Táta Ricardo e ele alega que o atendente falou que não sabia que Táta era nome de gente. O caso vai ser encaminhado para delegacia de Itapuã para investigação”, disse o policial Paulo Araújo.
Por meio da assessoria de imprensa, a companhia aérea Avianca informou que irá apurar a denúncia para se posicionar sobre o fato. Táta Ricardo pretendia embarcar para Brasília para participar da 3ª Conferência de Promoção da Igualdade Racial, que começa nesta terça-feira (5).
Segundo ele, o funcionário da empresa de aviação se recusou a olhar a documentação original e a sentença do juiz que autoriza a inclusão do prenome "Táta" ao nome de batismo do sacerdote do candomblé. "Ele disse que o meu documento não valia nada e que não queria nem olhar. E ele insistia em me chamar de Tito, de Totó, e que Táta era a mesma coisa, e eu pedi para ele me respeitar. Foi quando resolvi chamar a polícia", revela. O babalorixá é o primeiro sacerdote do Brasil a acrescentar um prenome da religião, o Táta, que é um cargo religioso do candomblé de nação Angola.
Táta Ricardo declarou que pretende entrar com um processo contra a companhia aérea e também contra o funcionário. "Eu sou um sacerdote, eu me visto como um sacerdote e eu tenho um nome sacerdotal. Sou íntegro, sou uma pessoa direita, honesta e estou indo representar o meu estado em uma conferência contra o racismo, contra a intolerância religiosa e isso acontece no meu estado. Eu vou entrar com um processo contra a companhia, com uma ação de danos morais por intolerância religiosa, e contra ele [o funcionário] eu vou mover um processo criminal", revela o líder religioso.
Segundo o sacerdote, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia providenciou a compra de uma nova passagem para esta terça-feira, quando ele embarcou.
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