quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Imunidade tributária deve chegar às comunidades de matriz africana


Promessa foi feita pela vice-procuradora geral da República, no lançamento do I Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, realizado pela SEPPIR, em Brasília
Provocar o judiciário para que a imunidade tributária assegurada a territórios sagrados pela Constituição Federal seja estendida também às casas de matriz africana. Essa foi a promessa feita por Deborah Duprat, vice-procuradora geral da República, na noite da terça-feira, 29, durante o lançamento do I Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, no Salão Negro do Ministério da Justiça, em Brasília.
De acordo com Débora, a laicidade do Estado não significa que ele seja contra a vivência das culturas de cada cidadão. “Mas se conferir um privilégio a uma, terá que fazer o mesmo com as demais. E essa imunidade não incide sobre os terreiros”, diz. A jurista assegurou que não vai levar muito tempo para que uma ação nesse sentido seja impetrada no Supremo Tribunal Federal. “Não depende só de mim, mas acredito que isso é uma coisa para se fazer muito rapidamente”.
O lançamento do Plano reuniu mais de 300 pessoas, entre autoridades governamentais e de matriz africana, além de representantes de instituições não-governamentais e da sociedade civil. Representantes de órgãos de promoção da igualdade racial de todo o Brasil também participaram da solenidade, assim como membros do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, o CNPIR.
O Plano foi apresentado por Silvany Euclênio, secretária de Políticas das Comunidades Tradicionais (Secomt), da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), órgão responsável pela coordenação do grupo de trabalho interministerial e intersetorial que definiu o conteúdo do documento.
Após a assinatura do Plano pela ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, os representantes de comunidades de matriz africana, com suas vestes tradicionais e coloridas, tocaram tambores e entoaram cânticos e saudações em diferentes dialetos africanos, emocionando o público.
Para a ministra, no entanto, o dia de ontem representou, mais do que um motivo de comemoração, o fechamento de uma etapa de um trabalho árduo e a abertura de outra. “Concluir a atividade é uma conquista, mas vai nos abrir outros desafios. A partir de amanhã, temos que sair em busca da execução de todas as ações previstas”, disse.
Além da titular da SEPPIR, Luiza Bairros, participaram da mesa de abertura do evento, as ministras Eleonora Menicucci (Políticas para as Mulheres), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e, representantes das três maiores tradições africanas presentes no Brasil, Ketu, Jejê e Angola, Ogã José de Ribamar Feitosa Daniel – Pai Ribamar, Ogã Edvaldo de Jesus Conceição – Ogã Buda e Makota Valdina, respectivamente.
Também fizeram parte da mesa Eloi Ferreira, presidente da Fundação Palmares, deputados federais Luiz Alberto, presidente da Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial em Defesa dos Quilombolas e, Érika Kokay, presidente da Frente em Defesa das Tradições de Matriz Africana, Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Vânia Castiglioni, diretora-executiva de Administração e Finanças da Embrapa, Louise Henriques Ritzel, secrétaria-adjunta do Patrimônio da União.
O Plano
O plano é um instrumento de planejamento e implementação das ações prioritárias para as comunidades de matriz africana, construído com base no Plano Plurianual (PPA 2012-2015) e reúne um conjunto de políticas públicas que buscam a garantia de direitos, a proteção do patrimônio cultural e da tradição africana no Brasil. Além do enfrentamento à extrema pobreza com ações emergenciais e de fomento à inclusão social produtiva e Desenvolvimento Sustentável.
A SEPPIR coordena o grupo de trabalho responsável pela execução, monitoramento e revisão do plano e que agrega os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Cultura, Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Fundação Cultural Palmares, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Lançado o 1º Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana


O governo federal lançou nesta terça-feira (29), em Brasília (DF), o Plano de Desenvolvimento Sustentável para Comunidades de Matriz Africana. O documento, coordenado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), reúne políticas voltadas para a garantia de direitos, proteção do patrimônio cultural e da tradição africana no Brasil e o enfrentamento à extrema pobreza com ações emergenciais e de fomento à inclusão produtiva.
Participaram da solenidade as ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos), Luiza Bairros (Igualdade Racial) e Eleonora Menicucci (Mulheres), além de parlamentares e representantes da sociedade civil organizada.
“Nós somos constituídos por todos aqueles que lutaram para chegarmos até aqui”, afirmou a ministra Maria do Rosário em referência aos povos ancestrais. “Temos que produzir uma cultura que respeite a liberdade religiosa; isto deve ser um patrimônio do Brasil”, afirmou, ao ressaltar que a Secretaria de Direitos Humanos criou, recentemente, o Comitê Nacional de Diálogo da Diversidade Religiosa.
Para a ministra Luiza Bairros, o plano tem como objetivo fazer frente aos ataques sofridos pelas comunidades de matriz africana. “Esse plano é uma conquista e vai abrir novos desafios. Mas não vamos imaginar que os ataques serão reduzidos, pois eles crescem na medida em que cresce nossa força”, disse.
De acordo com a ministra da Seppir, Luiza Bairros, o plano resulta do reconhecimento por parte do governo federal, da necessidade de articular as iniciativas e os esforços dos diversos ministérios e órgãos para garantir direitos, efetivar a cidadania e combater o racismo e a discriminação que incidem sobre os povos e comunidades tradicionais de matriz africana no Brasil.
Povos e comunidades tradicionais de matriz africana são grupos populacionais que se organizam a partir dos valores civilizatórios e da cosmovisão trazidas para o país no contexto do sistema escravista, e que possibilita um contínuo civilizatório africano no Brasil, constituindo territórios próprios caracterizados pela vivência comunitária, pelo acolhimento e prestação de serviços à comunidade.
Ações prioritárias - “O plano é um instrumento de planejamento e implementação das ações prioritárias para esse segmento populacional, construído com base no Plano Plurianual, PPA 2012-2015”, explica a secretária de Políticas para Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Silvany Euclênio. O documento está estruturado nos eixos “Garantia de Direitos”, “Territorialidade e Cultura” e “Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável”.
A Seppir coordena o grupo de trabalho que envolve mais 10 instituições federais responsáveis pela execução, monitoramento e revisão do plano. Além da Seppir, respondem pelo plano os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Cultura, Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Fundação Cultural Palmares, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Fotos: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
http://portal.sdh.gov.br/clientes/sedh/sedh/2013/01/27-jan-13-governo-federal-lanca-plano-de-desenvolvimento-sustentavel-para-comunidades-de-matriz-africana

Embaixada Britânica em Brasília busca projetos para financiamento de até R$ 630 mil


A Embaixada Britânica em Brasília está recebendo propostas para seu Fundo de Direitos Humanos e Democracia, que financiará projetos que promovam e protejam a liberdade de expressão, combatam a discriminação contra a mulher ou que sejam da área de negócios e direitos humanos.
A entidade busca trabalhos inovadores que, se bem sucedidos, poderão ser expandidos em um projeto mais amplo. Os interessados devem encaminhar as propostas até o próximo dia 8/2, através do e-mail prosperity.bidround.brazil@fco.gov.uk. O resultado será divulgado no final de abril. O prazo de execução das atividades será de até dois anos, a partir de maio de 2013 e a Embaixada também receberá projetos que incluam outros países além do Brasil. O financiamento máximo é de 200 mil libras (cerca de R$ 630 mil) e é solicitado um orçamento detalhado baseado nas atividades que serão executadas.
Detalhes
As propostas devem proporcionar intervenções práticas que conduzam uma diferença real para tomada de decisões. Os trabalhos centrados exclusivamente na pesquisa, análise, seminários ou workshops não serão relevantes, a menos que levem a ações específicas e mensuráveis. Além disso, é necessária a demonstração de que o projeto vai produzir resultados sustentáveis.
Mais informações através do site.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Você é noss@ convidad@!


Projetos sociais voltados para a mulher recebem inscrições até 4 de fevereiro


A Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM) publicou no Diário Oficial de sexta-feira (11) o edital de seleção de projetos Virando o Jogo – Março Mulher 2013.
objetivo é apoiar iniciativas de entidades do movimento social, organizações não-governamentais, associações e similares, a serem realizadas no mês considerado emblemático para a população feminina, com parte das ações desenvolvidas no dia 8 (Dia Internacional da Mulher).
Todos os projetos sociais devem ter como finalidade o fortalecimento das mulheres, a prevenção e o enfrentamento à violência sexista e o debate abordando as desigualdades de gênero na Bahia.
As ações são destinadas a mulheres rurais, indígenas, quilombolas, lésbicas e das periferias urbanas.
As inscrições das propostas começam hoje, segunda-feira (14), prosseguindo até 4 de fevereiro. Em caso de entrega de documentação incompleta, o projeto será desclassificado no processo.
Serão contemplados oito projetos, com investimentos de R$ 210 mil. As regras podem ser conferidas na íntegra do edital.
As solicitações de apoio e os documentos necessários devem ser protocolados na sede da SPM, em Salvador, das 9h às 12 ou das 14h às 17h, ou postados nos Correios, até 4 de fevereiro, no seguinte endereço: Comissão de Seleção de Projetos – Av. Tancredo Neves, nº 776, Ed. Desenbahia, Bloco A, 3º andar, Caminho das Árvores, CEP 41.820-904.

População escrava do Brasil é detalhada em Censo de 1872


Por Daiane Souza
Marcado por um cenário de conflitos e protestos pelo fim da escravidão, o século XIX no Brasil foi o único do período colonial a ter um censo completo da população de escravizados. Os dados deste censo foram disponibilizados pelo Núcleo de Pesquisa em História Econômica e Demográfica da Universidade Federal de Minas Gerais (NPHED/UFMG) e pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado (Fapemig).
O Censo, feito em 1872, foi realizado com sucesso como parte das políticas inovadoras de D. Pedro II. O resultado foi o registro de 10 milhões de habitantes, onde a população escrava correspondia a 15,24% desse total. Os 10 milhões de pessoas estavam distribuídos em 21 províncias, sendo cada uma subdividida em municípios que, por sua vez, eram divididos em paróquias. Ao todo, eram 1.440 paróquias, as unidades mínimas de informação, que serviram de base para o mapa disponibilizado.
O recenseamento é considerado bastante completo por trazer o único registro oficial da população escrava nacional, os imigrantes separados por nacionalidade e fazer, ainda, um inventário inédito das etnias indígenas. De acordo com o levantamento, 58% dos residentes no país se declaravam pardos ou pretos, contra 38% que se diziam brancos. Os estrangeiros somavam 3,8%, entre portugueses, alemães, africanos livres e franceses. Os indígenas perfaziam 4% do total dos habitantes.
Além da contagem da população, os documentos apresentam informações específicas sobre pessoas com deficiência, acesso à educação e profissões exercidas, entre outras. Por exemplo, a profissão de lavrador era a que tinha o maior número de trabalhadores na época, seguida por serviços domésticos. Entre as profissões liberais, a de artista tinha maior representatividade, inclusive entre a população escrava.
Censo de 1872
De acordo com o demógrafo Mario Rodart, coordenador do Núcleo de Pesquisa Histórica Econômica e Demográfica da UFMG, um dos responsáveis pela digitalização do Censo, àquela época o país já pensava estratégias para acabar com a escravidão e passava por um processo racista de branqueamento da população. “O foco das políticas públicas era todo nesse sentido. Era necessário mapear quem estava vindo da Europa”, disse.
O coordenador conta que a realização de um ambicioso levantamento populacional num país de dimensões continentais e dificuldades de transporte foi uma grande empreitada daquele século. “Questionários foram enviados para 1.440 paróquias de todo o país. Em cada uma delas foi criada uma comissão censitária, responsável por levar uma cópia do questionário a cada casa”, explicou Rodart.
As informações diziam respeito a sexo, raça, estado civil, religião, alfabetização, condição (escravo ou livre), nacionalidade e profissão. O questionário era preenchido por cada chefe de família e devolvido à comissão competente. Quem não o respondesse era penalizado com multa. Os resultados eram encaminhados para a capital onde eram contabilizados manualmente para compor o censo nacional.
São essas as informações hoje disponíveis por meio da internet. A digitalização e correção dos dados (erros de soma e agregação) começaram há 30 anos no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar/UFMG) e só agora foram concluídos. A partir de um programa é possível utilizar o censo de 1872 na forma de base de dados, acessando tabelas configuradas na época e a combinação de elementos de acordo com o objetivo da busca. Para acessar clique aqui.
Racismo 
Em resultados detalhados, o Censo de 1872 aponta o total da população de estrangeiros no Brasil: 382.132. Separa os brancos por origem. São 125.876 portugueses, 40.056 alemães e 8.222 italianos, entre outras nacionalidades. Os negros eram considerados todos do mesmo grupo: africanos. Segundo o documento eram 176.057 africanos vivendo no país, porém, divididos apenas entre escravos (138.358) e alforriados (37.699).
A partir das informações é notável ainda, o início da política de “embranquecimento” do povo, com a chegada dos primeiros grupos de imigrantes europeus. “A solução para o que era visto como um problema (a população negra e indígena) era o projeto de embranquecimento”, afirma José Luis Petruccelli, pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Em 350 anos de tráfico negreiro, entraram no país cerca de 4 milhões de africanos. Entre 1870 e 1930 vieram morar aqui praticamente 4 milhões de imigrantes europeus”, compara.
Abolicionismo 
Quando o Censo foi feito, acabava de entrar em vigor no Brasil a Lei do Ventre Livre (28 de setembro de 1871) que tornava livres as crianças nascidas de mulheres escravas. Consequência de pressões nacional e internacional, ela foi sancionada em um momento em que o Brasil ainda registrava um significativo número de escravizados.
Os motivos que levaram o Governo Imperial a se empenhar em registrar os dados censitários da população da época são, até hoje, motivo de debate entre especialistas. Em 1885 foi promulgada a Lei dos Sexagenários, tornando libertos os escravos com mais de 60 anos. A Abolição da Escravatura ocorreu somente em 1888.O Brasil foi o último país a decretar a abolição.
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http://raizafricana.wordpress.com/2013/01/16/populacao-escrava-do-brasil-e-detalhada-em-censo-de-1872/

A tradicional Lavagem do Bonfim tem início com Culto Ecumênico


Baianas lavam a escadaria do templo religioso com água de cheiro. (Foto: Ingrid Maria Machado/G1 BA)
Por Daiane Souza
A festa do Senhor Jesus do Bonfim teve início às 8h40 desta quinta-feira (17), em Salvador, com culto ecumênico no Adro da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia. O culto foi celebrado por líderes católicos, do candomblé e de outras filosofias cristãs e de matriz africana. Após a cerimônia, os fiéis seguiram a pé, por 8 quilômetros em cortejo até a Colina Sagrada onde está localizada a Basílica do Bonfim.
Na sequência, as baianas lavaram as escadarias e o adro com água de cheiro. De acordo com a Polícia Militar de Salvador, cerca de um milhão de pessoas entre baianos e turistas participaram de todo o ato.
Iniciado em 1745, a tradição é mantida há mais de dois séculos. Marcada pela forte presença do sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé, a data da Lavagem é dedicada a homenagens ao Senhor do Bonfim e a Oxalá, orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. É o dia em que os devotos, seguidores das duas religiões, se reúnem para festejar e pagar promessas.
Fiéis acompanham culto ecumênico (Foto de Luciano da Matta | Agência A Tarde)
História
As homenagens dedicadas ao Senhor do Bonfim começaram em 1745 quando a imagem do santo foi trazido pelo capitão Português Teodósio Rodrigues de Farias, em cumprimento a uma promessa por ter sobrevivido a uma forte tempestade. O ritual da Lavagem das escadarias da igreja veio também deste período, quando os escravos eram obrigados a lavar o templo para a festa celebrada no segundo domingo após o Dia de Reis.
A faxina do templo religioso acontecia sempre numa quinta-feira, três dias antes da festa. No mesmo período, os negros escravizados começaram a reverenciar Oxalá, o pai de todos os orixás e o cortejo até a Colina Sagrada passou a ser marcado por muita dança, o que provocou a proibição da lavagem da igreja, em 1889, pelo arcebispo da Bahia Dom Luís Antônio dos Santos.
Com o passar do tempo, o rito voltou a acontecer e além do contexto religioso, a Lavagem do Bonfim também é caracterizada pela grande festa que acompanha e circunda o trajeto de fé.
http://www.palmares.gov.br/2013/01/a-tradicional-lavagem-do-bonfim-tem-inicio-com-culto-ecumenico/

Jean Wyllys afirma que 60% dos deputados contratam prostitutas


O deputado federal no Plenário do Congresso, durante sessão
Autor de um projeto de lei que legaliza a prostituição, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) afirmou que 60% dos homens do Congresso usam os serviços de prostitutas.
A declaração de Wyllys, homossexual assumido, foi feita em entrevista ao portal iG, ao avaliar qual seria a chance de sua proposta ser aprovada, uma vez que o tema é tabu para a maioria dos deputados.
“Eu diria que 60% da população masculina do Congresso Nacional faz uso dos serviços das prostitutas, então acho que esses caras vão querer fazer uso desse serviço em ambientes mais seguros”, disse.
A frase não foi bem recebida por representantes da bancada evangélica, que pretendem trabalhar pelo arquivamento da proposta.
“Se ele [Wyllys] sabe quem faz isso, por uma questão de responsabilidade eu o desafio a dizer os nomes dos deputados que vão aos prostíbulos”, disse o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica.
O projeto de Wyllys prevê que será considerada profissional do sexo toda pessoa maior de 18 anos e absolutamente capaz que voluntariamente presta serviços sexuais mediante remuneração. Segundo o texto, os profissionais poderão atuar de forma autônoma ou em cooperativa e terão direito a aposentadoria especial com 25 anos de serviço.
Na proposta, o parlamentar também diferencia a prostituição da exploração sexual.
“É de um moralismo superficial causador de injustiças a negação de direitos aos profissionais cuja existência nunca deixou de ser fomentada pela própria sociedade que a condena”, afirmou o deputado, que não foi localizado pela Folha ontem.
Proposta similar foi apresentada pelo ex-deputado Fernando Gabeira em 2003. Após pressão de integrantes de setores conservadores da Casa, ela teve como destino o arquivo.
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http://www1.folha.uol.com.br/poder/1216025-jean-wyllys-afirma-que-60-dos-deputados-contratam-prostitutas.shtml

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Pesquisa indica racismo entre principais crimes nas redes sociais


Ouvidoria da SEPPIR recebeu 37 denúncias formais de ataques semelhantes em ambiente virtual durante o ano de 2012
O Facebook deve se tornar em 2013 a rede social com maior número de denúncias de crimes e violações a Direitos Humanos na Internet brasileira, segundo pesquisa divulgada pela Safernet Brasil, instituição com atuação nacional formada por um grupo de cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito. O estudo mostra que, somente no ano passado, 11.305 endereços hospedados pela rede social foram denunciados à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (CND).
Entre 2011 e 2012, cresceu em 264,5% a quantidade de denúncias que relacionam o Facebook a violações dos direitos humanos e outros crimes, no Brasil. A maior parte dos links foi apontado por manter conteúdo racista (5.021), seguidos de pornografia infantil (1.969) e apologia a crimes contra a vida (1.513). Maus tratos contra animais (697), homofobia (635), intolerância religiosa (494), xenofobia (376), tráfico de pessoas (233), neonazismo (186) e genocídio (181) completam a lista.
As denúncias podem ser feitas no portal da Safernet (http://www.safernet.org.br/). O trabalho da CND reúne informações de sete entidades responsáveis por receber denúncias sobre crimes virtuais – o que inclui Polícia Federal e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
O Ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Carlos Alberto Silva Junior, destaca que as denúncias de crimes de racismo cometidos em redes sociais e/ou na Internet também aumentaram no período 2011/2012. Desde o início deste ano, um Grupo de Trabalho formado por advogados negros tem trabalhado para fazer alterações no Código Penal.
“De 2011 para 2012, o número de denúncias dessa natureza pulou de 21 para 37. Nossa intenção é colaborar com a mudança do anteprojeto do novo Código Penal, com a atualização do artigo 20 da Lei 7.716, que trata de crimes de racismo, para que ela possa ser incorporada a partir da inclusão dos crimes cometidos na Internet e redes sociais”, explicou.
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http://www.seppir.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2013/01/pesquisa-indica-racismo-entre-principais-crimes-nas-redes-sociais

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Edital recebe propostas para Pontos de Leitura de Cultura Negra


Inscrições podem ser feitas até 25 de março. Projeto deve contribuir para a melhoria do acesso à leitura e à produção literária, por meio do apoio à instalação de 27 Pontos de Leitura
A Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MInC) prorrogou até o dia 25 de março o prazo para inscrição no edital do projeto de implantação de Pontos de Leitura de Cultura Negra, lançado em novembro pelo Ministério da Cultura (MinC) e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), durante a celebração do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. O edital prevê investimentos de R$ 3,2 milhões, oriundos do Tesouro Nacional.
O projeto selecionado deve ter como objetivo contribuir para a melhoria do acesso à leitura e à produção literária, por meio do apoio à instalação de 27 Pontos de Leitura em entidades privadas sem fins lucrativos, que tratem de ações voltadas para a preservação da cultura negra e ações afirmativas de combate ao racismo no país; além de articular ações presenciais e à distância, para produção, fomento e fruição da leitura e literatura da população negra do país.
Podem participar instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos com  finalidade relacionada diretamente às características dos programas e ações previstas na seleção.
As inscrições de propostas devem ser feitas no portal de convênios/SICONV: www.convenios.gov.br .
Confira o edital.
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http://www.seppir.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2013/01/edital-recebe-propostas-para-pontos-de-leitura-de-cultura-negra

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ubiratan Castro para sempre

“Negras e Negros Inventores, Cientistas e Pioneiros: Contribuições para o desenvolvimento da Humanidade”, de Carlos Machado, será lançado em março




Quando se pensa em inventores e cientistas, imaginamos automaticamente a figura de um homem branco e idoso, ou às vezes de uma mulher branca, ou raramente de um descendente de asiático vestidos com um avental branco. Esta imagem é amplamente divulgada nos meios de comunicação diuturnamente por décadas e mais décadas. Mas nem passa pelo imaginário da maioria das pessoas, que mulheres e homens negros fazem e fizeram inovações nos mais diversos campos do conhecimento humano. É como se negros não fossem dotados de inteligência e capacidade de criar, a não ser nas áreas muito divulgadas como nos esportes (futebol e basquete) e nas artes (artes cênicas, ritmos musicais e moda).


A imagem [acima] é do McDonalds dos Estados Unidos. Tive contato com esta publicidade na revista Ebony de fevereiro de 1996. Qual não foi o meu espanto em saber destas informações aos 25 anos de idade? Por que eu não soube destas invenções na escola? Por que me negaram estas informações? Por que no Brasil não havia um só livro escrito sobre este tema: negros e ciência? Foram estas inquietações que me fizeram pesquisar e publicar este livro: Negras e Negros Inventores, Cientistas e Pioneiros – Contribuições para o Desenvolvimento da Humanidade, publicado pela EDUEL (Editora da Universidade de Londrina, em parceria com a Uniafro do Ministério da Educação).
 
Escrevi este livro em 2005 e depois de sete anos ele é lançado. Apresentei o tema para diversas editoras importantes que me negaram publicação e que disseram que não haveria interesse pelo tema fora do movimento negro…
 
Este livro vem apresentar inventores, inventoras, cientistas africanos e de toda a diáspora, para demonstrar que negros e negras de diversos países do presente e do passado contribuíram e têm contribuído com seus intelectos para as mais importantes criações e aperfeiçoamentos da nossa época e têm realizado feitos significativos para a humanidade na área de ciência e tecnologia.

São inventores e cientistas presentes nos mais prestigiados laboratórios do mundo, compondo o quadro de universidades, institutos, companhias de alta tecnologia e agências governamentais, ainda anônimos para a maioria da população brasileira, que foram e são pessoas desbravadoras, ousadas e pioneiras.

Minha intenção é de apresentar esta parcela de inventores e cientistas que pensaram e criaram de um simples esfregão até uma sonda ultravioleta para a indústria aeroespacial. Na esperança de promover uma memória positiva e destacando as conquistas dos povos negros no mundo científico para todos, desfazendo preconceitos e discriminações seculares, estimular e aumentar o número de jovens pesquisadores qualificados, mulheres e homens negros fazendo carreira nas ciências no Brasil. Não há crescimento econômico sustentável sem saber mais, saber fazer melhor, criar e inovar mais, sem mais cultura científica e sem democracia e diversidade racial nas instituições.

A diversidade é um dos fatores responsáveis pelo extraordinário progresso material e cultural da humanidade e não deve ser desperdiçada como têm ocorrido com a prática institucional das desigualdades. Temos mentes curiosas, com vontade de inovar e criar o novo. Temos muito que contribuir para o progresso da humanidade na busca de maior desenvolvimento científico que gere maior bem-estar para todos e todas.

Meu propósito é que com estes exemplos sejamos desafiados a sonhar, e que este desejo nos eleve aos níveis de competência e de produtividade dos países mais desenvolvidos. Que nós os cidadãos nos organizemos e pressionemos o Estado para que ofereça programas necessários para produzir uma força de trabalho tecnologicamente avançada, etnicamente tolerante e diversa.

O progresso científico nos garante uma cultura de pensamento crítico e livre, de inovação, de avaliação e de qualidade. Deverá crescer a produtividade científica internacionalmente reconhecida, como é imperativo que se multipliquem as patentes registradas, a capacidade de transferência de saber para o tecido econômico e a relevância das contribuições para o sucesso das outras políticas públicas. Incluir, permanecer, estudar mais, saber mais, saber fazer melhor.

Como diz o neurocirurgião afroestadunidense Benjamim Carson “Pense grande”.

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* Carlos Eduardo Dias Machado é Mestre em História pela USP, com a dissertação População negra e escolarização na cidade de São Paulo nas décadas de 1920 e 1930 (http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-03022010-174218/pt-br.php) e autor do livro: Negras e negros inventores, cientistas e pioneiros (EDUEL).

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Após racismo, Boateng diz: "se acontecer de novo não vou mais jogar"

Após deixar o amistoso entre Milan e Pro Patria devido a coros racistas, Kevin-Prince Boateng diz que repetiria a atitude mesmo se o jogo fosse válido pelo Campeonato Italiano ou pela Liga dos Campeões da Europa. O meia alemão de origem ganesa falou sobre o assunto nesta sexta-feira em entrevista à rede americana CNN.
Nesta quinta, o amistoso realizado em Busto Arsizio no Estádio Carlo Speroni, casa do Pro Patria, equipe da quarta divisão italiana, foi interrompido aos 26min do primeiro tempo. Irritado com ofensas preconceituosas que vinha recebendo, Boateng pegou a bola em suas mãos e desferiu um chute na direção dos torcedores que o xingavam. A seguir o jogador deixou o gramado, sendo seguido pelo restante de seu time.
Na entrevista, Boateng relata que avisou três vezes ao árbitro do jogo sobre os coros racistas. Enquanto o juiz dizia “não se preocupe”, o meia do Milan respondia que “sim”, indicando que se preocupava porque isso “não era muito legal”. Ao final, ele resolveu abandonar o campo.
Definindo-se “triste e bravo” com a atitude de alguns torcedores em Busto Arsizio, Boateng agradeceu o apoio que recebeu do público e de outros jogadores como o zagueiro inglês Rio Ferdinand e o ex-volante francês Patrick Vieira.
Ele ainda ameaçou dizendo que tomará a mesma atitude ainda que o racismo aconteça em uma partida válida por uma competição oficial. Ele completou ao afirmar que “se isso acontecer de novo eu não vou mais jogar”. Segundo o atleta, não é a primeira vez em que foi vítima de ofensas desse gênero dentro de campo, porém aos 25 anos de idade ele se diz “cheio” de fatos como assim.
Também neste sexta, o site da rede americana publica que promotores italianos identificaram, com a ajuda de policiais e de câmeras no estádio, um homem de 20 anos como um dos responsáveis pelos coros racistas. Este será processado, enquanto se espera identificar mais infratores.
Além de Boateng, outros três jogadoes do Milan – o holandês Urby Emanuelson, o ganês Sulley Muntari e o francês M'Baye Niang – também ouviram ofensas racistas durante o amistoso.
Presidente da Federação Italiana de Futebol, Giancarlo Abete criticou as cenas vistas em Busto Arsizio, cidade de cerca de 80 mil habitantes localizada na região da Lombardia, no norte da Itália. O dirigente afirmou que “nenhuma sanção ou medida pode apagar o despreço por um episódio intolerável”. De qualquer forma, ele prometeu investigar o incidente ao apontar que a entidade “deve reagir com força e sem silêncio para isolar os poucos criminosos que transformaram um jogo amistoso em um tumulto que ofende todo o futebol italiano”.

http://esportes.terra.com.br/futebol/internacional/italia/campeonato-italiano/apos-racismo-boateng-diz-se-acontecer-de-novo-nao-vou-mais-jogar,7d44efd9da60c310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

Seminário CULTURA, ORGANIZAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DAS COMUNIDADES DE TERREIRO DO DISTRITO FEDERAL

No dia 27 de dezembro de 2012, aconteceu em Brasília o Seminário CULTURA, ORGANIZAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DAS COMUNIDADES DE TERREIRO DO DISTRITO FEDERAL, presentes mais de 150 integrantes das Comunidades, onde o Senhor Martvs Antonio Alves das Chagas, presidente da Fundação Cultural Palmares em exercício fez abertura, compôs a mesa também para abrilhantar o nosso seminário o Secretário Viridiano Custodio da SEPIR/DF, Iyalorixá Lidia da Oxum representando a Associação Ilê Axé Idá Wurá, que apoiou o evento,Ogâ Luiz Alves pelo FOAFRO, Pai Wanderson Flor pelo CEN, mãe Dalila de Leguá pelo Tereco, mãe Vera pela Umbanda. e pai Nino pelo candomblé. Depois tivemos a mesa composta por Babá Alexandre de Oxalá, Pai Wanderson Flor pelo CEN, Iyaegbé Patricia de Oxum, também do CEN,atualmente Diretora da Comunidades Tradicionais de Terreiro e Patrimônio Imaterial da SEPIR/DF, Edmilson Xoroquê da Secretaria de Cultura do DF coordenada pelo Sr Alexandre Reis da Fundação Cultural Palmares. 
Após grande debate sobre o tema acima tivemos a HOMENAGEM BALAIO DE OXUM,e entrgue pelo Sr Alexandro Reis  e Claudinei Pirelli da Palmares onde várias personalidades do Distrito federal foram contempladas, entre elas: Dep. Erika Kokay, Dep. Domingos Dutra pela frente Parlamentar em defesa das Comunidades tradicionais de Terreiro, Sr Viridiano Custódio SEPIR/DF; Dep. Claudio Abrantres do DF, Pai Wanderson Flor pelo CEN, Pai Nilo Nogueira, Ogã Luiz Alves(FOAFRO) Pai Alexandre de Oxalá pela REDEAFRO, Mãe Baiana, Mãe Dalila de Légua(FOAFROVAL), mãe Sueli, Pai Edvan, mãe Vera, Pai Lilico, Edmilson Xoroquê, Ogã Wilson, Sr. Hércules da AGEFIS, mãe Lidia de Oxum, depois o grupo cultural AIRÁ, fez uma homenagem as mulheres guerreiras, as Iabás, encerrando o evento com um belíssimo coquetel. PARABÉNS, a todos aqueles que fizeram deste evento um SUCESSO e fica o compromisso da Fundação Cultural Palmares entre outros de termos em 2013 novamente este evento.  
PARABÉNS CEN!!!!

Liberdade Religiosa - O Diálogo entre Religiões

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cultura lança editais para criadores e produtores negros

Brasília – O período de inscrição para o edital de apoio até seis curta-metragens dirigidos ou produzidos por negros, de 18 a 29 anos, está aberto até o dia 7 de janeiro. O investimento chega a R$ 100 mil por curta e as inscrições podem ser feitas pelo sistema SalicWeb. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail cultura.sav@cultura.gov.br.
Em São Paulo, no início de outubro, a ministra Marta Suplicy ouviu, entre as manifestações dos produtores da cultura digital, que a cultura negra é apoiada pelo ministério, mas não é feita por produtores e criadores negros. Na época, a ministra disse que “era uma justa reivindicação da comunidade negra”. Os editais voltados a produtores e criadores negros, com valor aproximado de R$ 9 milhões, foram lançados no Dia da Consciência Negra.
Além disso, a Biblioteca Nacional tem três editais publicados. O primeiro vai selecionar, até o dia 4 de fevereiro, um projeto que implante 27 pontos de Leitura que desenvolvam atividades literárias de preservação da cultura negra e de combate ao racismo no país. O segundo escolherá, até 20 de março, 23 projetos para concessão de bolsas a pesquisadores negros. O terceiro, com inscrição até 30 de abril, visa a produzir publicações de autores brasileiros negros.
O Prêmio Funarte também investirá em criações e produções afrodescendentes. Serão quatro prêmios de R$ 200 mil, 12 prêmios de R$ 150 mil e 17 prêmios de R$ 100 mil. O objetivo é que artistas e produtores negros ocupem palcos, teatros, ruas, escolas e galerias de arte de todo o país. Para isso, a Funarte vai fomentar 33 projetos nas categorias artes visuais, circo, dança, música, teatro e preservação da memória. O período de inscrições é até o dia 4 de fevereiro.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-12-31/cultura-lanca-editais-para-criadores-e-produtores-negros

A ascensão dos negros: Rumo a um futuro mais igual

Max Miliano Melo
Aos poucos, a população afrodescendente conquista importantes espaços na sociedade brasileira e de outros países. Contudo, muitas distorções precisam ser superadas
Se alguém, por um motivo qualquer, tivesse passado os últimos 10 anos dormindo e acordasse no fim de 2012, certamente teria uma surpresa com o destaque dado a personalidades negras no país e no mundo. Essa pessoa veria o rosto de Barack Obama estampado na capa da revista Time, e descobriria que o homem de raízes africanas, eleito personalidade do ano pela publicação, comanda a mais poderosa nação do mundo. No Brasil, ela testemunharia os elogios frequentes feitos nas ruas e nas redes sociais a Joaquim Barbosa, e saberia que um afrodescendente preside hoje a mais alta Corte do país, o Superior Tribunal Federal (STF).
Mesmo que Obama e Barbosa possam ser considerados casos excepcionais, suas histórias estão conectadas a um movimento real — ainda que lento — de ascensão dos negros em vários países. Aos poucos, eles deixam de ser importantes apenas nas artes e nos esportes (áreas às quais pareciam limitados pelo preconceito social) e passam a influenciar os destinos da economia, da política e do pensamento mundial. Esse processo dá esperanças de que uma sociedade mais igualitária esteja se formando e, a curto prazo, tem um impacto direto na autoestima dessa população, que passa a não ter mais vergonha de assumir sua origem.
No Brasil, esse fenômeno é nítido. “Durante muito tempo, persistiu o absurdo de pessoas com a tez negra ou com os traços afros se declararem como brancas”, afirma Nelson Inocêncio, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), da Universidade de Brasília. “À medida que a situação social melhora, mais pessoas assumem sua identidade”, completa. A fala de Inocêncio é amparada por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No último censo, de 2010, pela primeira vez na história, o percentual de pessoas que se declararam de cor preta ou parda (50,7%) foi maior do que o de indivíduos que se consideravam brancos (47%).
O estudo Dinâmica demográfica da população negra brasileira, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que esse fenômeno pode ser em parte explicado pela maior fecundidade das mulheres negras em relação às brancas. Contudo, ressalta a pesquisa, é fato que houve um aumento do número de pessoas que agora se declaram pardas e que antes preferiam dizer que eram brancas.
Desafios
Apesar dos avanços, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Embora 75% das pessoas que ingressaram na classe média nos últimos anos sejam negras, segundo dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, essa parcela da população ainda ganha menos, enfrenta maior desemprego e tem menor escolaridade. Ainda segundo o Censo 2010, os rendimentos mensais médios de brancos (R$ 1.538) e amarelos (R$ 1.574) são quase o dobro dos de pretos (R$ 834), pardos (R$ 845) e indígenas (R$ 735).
A realidade ainda desigual, reproduzida em maior ou menor escala em diversas outras nações, justifica a decisão das Nações Unidas de declarar os próximos 10 anos a Década das Pessoas com Ascendência Africana. Com a iniciativa, a ONU espera acelerar o processo de construção de uma sociedade mais igualitária e ajudar no reconhecimento internacional da importância do continente africano na constituição do mundo contemporâneo.
Para o antropólogo Milton Guran, pesquisador do Laboratório de História Oral e Imagem (Labhoi) da Universidade Federal Fluminense (UFF), a África vem tendo, aos poucos, esse destaque. “A presença da África no mundo, em todos os campos, será cada vez maior. O mundo ocidental não existiria sem a incomensurável contribuição dos africanos, tanto no campo econômico quanto nos planos espirituais e culturais”, afirma. “O reconhecimento da África como protagonista maior da construção do mundo ocidental é um processo irreversível”, completa o professor.
História
Assim, a visão eurocêntrica da história, ou seja, contada a partir do ponto de vista europeu, ganha contornos mais diversos, seja fora ou dentro do Brasil. “O país é tão negro quanto indígena e europeu. Como se diz à exaustão, é essa multiplicidade de raízes que faz a nossa força, a nossa singularidade como nação”, afirma Guran. Essa diversidade vem deixando de ser um mero discurso para virar um instrumento de transformação social do Brasil. “Nas últimas décadas, temos assistido a um aumento progressivo da consciência e da ação reivindicatória dos afrodescendentes e dos povos indígenas, com um apoio cada vez mais amplo do conjunto da sociedade, apesar das resistências de setores mais conservadores.”
Independentemente da cor da pele ou das origens de seus antepassados, reescrever a história do país e do mundo de maneira mais democrática é um processo que interessa a todos .”A reconstrução de uma memória coletiva — não só dos afrodescendentes diretos, mas de toda a nação — deve induzir toda a sociedade a reavaliar seus valores e preconceitos. Repensar a história da escravidão e das suas consequências é repensar toda a história do Brasil, nossa trajetória como nação”, afirma Guran, que é o representante brasileiro no Comitê Científico Internacional do Projeto Rota do Escravo, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “Hoje, temos uma memória nacional que não se sustenta completamente por subdimensionar ou mesmo deixar de lado a força positiva da contribuição dos africanos e de seus descendentes para a construção do país e da nossa identidade nacional”, completa.
Assim, não faz sentido valorizar tantos aspectos ricos da cultura brasileira, como a música, a dança, a culinária, a agricultura e a engenharia sem valorizar aqueles que contribuíram de maneira direta para o desenvolvimento dessas áreas. “Mesmo com toda a violência que foi a escravidão, é inegável que ela produziu uma troca sem precedentes entre os diversos povos envolvidos nesse processo”, afirma Irina Bokova, diretora-geral da Unesco. “Assim, é preciso dar um lugar mais positivo e respeitoso para o continente africano.”
O segundo
Barack Obama, que já havia sido escolhido a personalidade do ano pela Time quando foi eleito presidente dos Estados Unidos pela primeira vez, é a segunda pessoa negra a receber essa homenagem nos 86 anos da publicação. A outra foi o ativista americano Martin Luther King Jr., assassinado em 1968.
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Morre o historiador e professor baiano Ubiratan Castro

Ele estava internado em decorrência de problemas renais desde setembro
Da Redação
O professor, historiador, e diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo morreu por volta de 7h desta quinta-feira (3). Ele estava internado há dois meses, no Hospital Espanhol, em Salvador, em decorrência de uma infecção que se agravou nos últimos dias.
O historiador tinha 64 anos e era paciente renal crônico. O horário do sepultamento do corpo ainda não foi divulgado.
Ubiratan era licenciado em história pela Universidade Católica do Salvador (Ucsal), mestre em história pela Universidade de Paris X – Nanterre, doutor em história pela Universidade de Paris IV – Sorbonne, além de bacharel em direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).
O professor assumiu a direção geral da Fundação Pedro Calmon em 2007. Ele  também já foi diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba (CEAO), presidente do Conselho para o Desenvolvimento das Comunidades Negras de Salvador (CDCN) e era membro da Academia de Letras da Bahia, onde ocupava a cadeira 33.  
Em 2010, Ubiratan recebeu em Brasília a Comenda da Ordem Rio Branco – concedida a personalidades e autoridades que realizaram ações em benefício da sociedade. No primeiro mandato do presidente Lula, o historiador trabalhou com o então ministro da Cultura, Gilberto Gil, dirigindo a Fundação Cultural Palmares.
Entre os prêmios e títulos que recebeu, destacam-se: a Medalha do Bicentenário da Restauração Portuguesa da Academia Portuguesa de História, o Troféu Clementina de Jesus da União dos Negros pela Igualdade (Unegro) e a Medalha Zumbi dos Palmares da Câmara Municipal de Salvador. Ubiratan é autor dos livros “A Guerra da Bahia”, “Salvador Era Assim – Memórias da Cidade e Sete Histórias de Negro”, e “Histórias de Negro”.
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http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-2/artigo/morre-o-historiador-e-professor-baiano-ubiratan-costa/

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