sábado, 20 de abril de 2013

No dia do índio, artefatos indígenas são destruídos no Passeio Público

No dia do índio, artefatos indígenas são destruídos no Passeio Público
O vereador Hilton Coelho (PSOL) recebeu uma denúncia encaminhada pelo Grupo de Teatro Popular Filhos da Rua, que atua artisticamente pelo social, de que a instalação artística de um cocar foi destruída no Passeio Público, na manhã desta sexta-feira (19), Dia Nacional do Índio.  A diretora e educadora responsável pelo movimento,é a tupinambá Taynã Andrade, que formalizou a queixa ao edil. "A destruição covarde demonstra um total desrespeito à cultura indígena e mostra a falta de apoio e segurança do governo estadual ao projeto dirigido por Tainã Andrade. Considero também como uma afronta aos direitos humanos e a livre expressão artística e religiosa. O cocar é um símbolo importante para os povos indígenas e a destruição que ocorreu não atinge apenas uma obra de arte. É muito mais que tudo isso. É um ataque aos valores ancestrais de um povo", protestou Hilton, que prometeu levar o caso para a Câmara Municipal de Salvador e não deixá-lo cair no esquecimento.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Vereador Hilton Coelho (PSOL-Salvador) exige apuração de violência contra indígenas no Passeio Público no Dia Nacional do Índio

Cocar destruído covardemente. Atentado contra cultura indígena

Instalação religiosa, artística e cultural antes da destruição
O vereador Hilton Coelho (PSOL), membro da Comissão de Educação da Câmara Municipal de Salvador, recebeu a denúncia encaminhada pelo Grupo de Teatro Popular Filhos da Rua que atua social e artisticamente em Salvador há 16 anos. Ele é dirigido pela tupinambá, atriz, diretora e educadora popular Taynã Andrade. Ela relatou que uma instalação artística de um cocar foi destruída na manhã de hoje, 19, justamente no Dia Nacional do Índio, no Passeio Público. "Encaro esse ataque como mais uma agressão aos povos indígenas e tentativa de destruição de símbolos fundamentais de sua cultura. Além disso, creio que é um atentado ao grupo teatral que prima por ações de resistência e defesa contra a dominação cultural", afirma.

"A destruição covarde demonstra um total desrespeito à cultura indígena e mostra a falta de apoio e segurança do governo estadual ao projeto dirigido por Tainã Andrade. Considero também como uma afronta aos direitos humanos e a livre expressão artística e religiosa. O cocar é um símbolo importante para os povos indígenas e a destruição que ocorreu não atinge apenas uma obra de arte. É muito mais que tudo isso. É um ataque aos valores ancestrais de um povo", acrescenta Hilton Coelho.

O vereador afirma que levará o episódio para discussão na Câmara Municipal de Salvador. "Tainã Andrade coordena no Passeio Público um espaço cultural aberto ao público e deve ser respeitado, pois marca a presença indígena na Bahia, em especial Salvador. Como parte deste processo étnico-cultural a destruição do cocar representa uma violência que precisa ser apurada e punida. O governo estadual precisa mostrar quais são suas reais intenções e isso se dará na medida em que apoiar e garantir a presença no Passeio Público. Não aceitamos que se apague esse marco da presença nativa no que antes era o Centro da Vila Velha de Salvador, um dos primeiros aldeamentos da capital baiana. Vamos lutar para impedir que a impunidade prevaleça. Não vamos deixar esse caso cair no esquecimento e exigimos proteção para Tainã Andrade e demais componentes do grupo", finalizou Hilton Coelho.

domingo, 14 de abril de 2013

Tráfico de pessoas, a escravidão de nossa época. Entrevista especial com Gabriella Bottani


“Não se pode falar em combate ao tráfico de pessoas sem falar de combate à pobreza e à desigualdade socioeconômica que existe no mundo. Tampouco sem enfrentar o problema da corrupção, e questionar a cultura que torna tudo mercadoria. Nesse sentido, a sociedade civil tem um papel fundamental”, afirma a representante da Rede Grito pela Vida.
IHU – “O tráfico de pessoas representa a escravidão de nossa época, a mercantilização da vida. O tráfico de pessoas desvela a ambiguidade e a violência de um modelo econômico de desenvolvimento que, em nome do lucro, considera tudo mercadoria: terra, água, mata, animais e até pessoas”, define Gabriella Bottani, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. Italiana de nascimento, irmã Gabriella, como é conhecida no Brasil, é a representante da Rede Grito Pela Vida na Talitha Kum – Rede Internacional da Vida Religiosa contra o Tráfico de Pessoas.
A rede Talitha Kum iniciou seus trabalhos em 2004 e integra um projeto de enfrentamento ao tráfico de pessoas juntamente com a União Internacional das Superioras Gerais – UISG em parceria com a Organização Internacional das Migrações – OIM, que busca formar redes de religiosas capacitadas para a prevenção e o atendimento às vítimas do tráfico de pessoas, sobretudo para fins de exploração sexual. O primeiro curso de capacitação para tratar do tema foi há quase nove anos em Roma. Desde então mais de 650 mulheres participaram dos cursos e, atualmente, 21 redes atuam em 75 países em todas as partes do mundo. Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que representa o tráfico humano no âmbito mundial?
Gabriella Bottani – O tráfico de pessoas representa a escravidão de nossa época, a mercantilização da vida. O tráfico de pessoas desvela a ambiguidade e a violência de um modelo econômico de desenvolvimento que, em nome do lucro, considera tudo mercadoria: terra, água, mata, animais e até pessoas. Mundialmente o tráfico de pessoas movimenta grandes quantidades de dinheiro, sendo – junto com tráfico de drogas e armas – um dos três negócios ilícitos mais rentáveis. As principais vítimas pertencem aos grupos mais vulneráveis e discriminados: mulheres, crianças e adolescentes. As estatísticas publicadas no Relatório 2012 da UNODC confirmam que as mulheres continuam sendo as principais vítimas do tráfico de pessoas representando 76% do total. Outro dado preocupante é o aumento significativo de crianças e adolescentes, principalmente meninas, que caem nas armadilhas dos traficantes de pessoas. A mesma fonte revelou que este grupo aumentou de 20% para 27% do total das vítimas.
Inquietação
Acredito que o tráfico de pessoas é uma denúncia e uma inquietação que deveria chegar a todos, e que traz para discussão e reflexão questionamentos antigos e novos: a questão de gênero, o racismo, a escravidão e a liberdade, a desigualdade econômica e social, o modelo de desenvolvimento e seu consequente impacto socioambiental, modelos culturais e religiosos, enfim tudo o que nos leva a desvendar as causas que sustentam esta grave violação dos direitos humanos. Se olharmos para o tráfico de pessoas e escutássemos o grito de dor de tantas vítimas, teríamos a possibilidade de tomar cada vez mais consciência de situações e atitudes que tornam corpos e vida mercadoria, objeto de lucro e de prazer.
IHU On-Line – De que maneira a experiência da migração internacional de pessoas e o tráfico humano estão relacionados?
Gabriella Bottani – Antes de responder apresento as definições da Convenção das Nações Unidas contra o crime organizado transnacional, que define o tráfico de pessoas e o de migrantes, documento assinado pela maioria dos países:
“A expressão ‘tráfico de pessoas’ significa o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos.”
Tráfico de migrantes: “A promoção, com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, um beneficio financeiro ou outro beneficio material, da entrada ilegal de uma pessoa em um Estado – parte do qual essa pessoa não seja nacional ou residente permanente.”
Tráfico de pessoas e tráfico de migrantes
Falar de tráfico transnacional de pessoas e migração é uma questão delicada, pois cada vez mais torna-se difícil traçar linhas claras de demarcação entre tráfico de pessoas e tráfico de migrantes. É urgente pensar nas causas e dimensões dos movimentos migratórios em nosso tempo, sobretudo das grandes massas de migrantes sem documentos, que aumentaram tanto que pode se falar de um sexto continente flutuante.
Os grandes movimentos migratórios atuais são causados pela procura de uma vida melhor, devida ao grande desequilíbrio econômico mundial entre nações, instabilidade política e social e problemas ambientais. As motivações que levam muitas pessoas, e cada vez mais mulheres, a sair de seus países são muitas vezes as mesmas que levam a aceitar as propostas dos aliciadores, os quais oferecem a possibilidade de realizar o sonho de vida melhor em uma outra região do mundo ou do próprio país. “Aceitei a proposta, pois achava que tudo era melhor do que na minha terra!”, estas palavras, em meu parecer, resumem muito bem este conceito.
Embora tráfico de pessoas e de migrantes seja definido de formas diferentes, na prática, muitas vezes estas realidades vêm se misturando e confundindo, como é o exemplo dos sequestros de migrantes no México ou a exploração sexual das mulheres. Nosso trabalho enquanto religiosas é de chamar a atenção para que o tráfico de pessoas não seja usado para justificar políticas migratórias protecionistas, que desconsiderem a realidade do indivíduo, sua dignidade e direitos, que consideram primariamente a ilegalidade do ato migratório.
IHU On-Line – Tendo em conta a participação da senhora nos encontros da Rede Internacional Talitha Kum e a experiência neste trabalho, que países estão mais vulneráveis ao tráfico e à exploração sexual?
Gabriella Bottani – São as regiões do mundo marcadas pela pobreza, instabilidade política e desigualdade econômica. Países que não oferecem possibilidade de trabalho, educação e perspectivas de futuro para os jovens. Os principais países de origem de pessoas traficadas encontram-se no sudeste asiático, que continuam denunciando o maior fluxo de mulheres traficadas transnacionalmente; seguem-se os países da África Subsariana, do Leste Europeu, da América Latina e Caribe.
È interessante observar como aumenta o número de pessoas traficadas de regiões mais pobres para outras de destino mais ricas e próximas, tais como são os casos da exploração sexual de mulheres do Leste Europeu na Europa Ocidental; da América Central e do Caribe nos Estados Unidos; do Norte da África no Oriente Médio; de Moçambique na África do Sul; e do Brasil – especificamente do Pará Amapá – exploradas sexualmente no Suriname e na Guiana Francesa.
Um fator que influi mundialmente no movimento das pessoas traficadas para serem exploradas sexualmente é a demanda, isto é, os gostos e as escolhas de quem adquire serviços sexuais a pagamento. Outro elemento que temos que considerar é que vem aumentando o número de pessoas traficadas internamente. As estatísticas acima da UNODC apontam que, mundialmente, uma de cada quatro vítimas do tráfico de pessoas é explorada em seu país.
IHU On-Line – Qual o perfil dos países para os quais as pessoas traficadas são levadas?
Gabriella Bottani – Os países de destino são aqueles onde há demanda, isto é, os países e regiões mais ricos: Estados Unidos, Europa Ocidental, Austrália, Japão, Oriente Médio e emergentes como a África do Sul e, até mesmo, o Brasil. Pessoas são traficadas também em outros países, seguindo as rotas do turismo sexual, da exploração sexual de crianças e adolescentes. Merecem atenção particular as localidades com grande concentração de demanda de sexo a pagamento, tais como presença de militares, canteiros para a construções de grandes obras, organização de megaeventos etc.
IHU On-Line – Para além da questão da prostituição, que outras atividades de exploração estão relacionadas ao tráfico humano?
Gabriella Bottani – Lembrando que a prostituição é uma das formas de exploração sexual, pessoas são traficadas por serem exploradas no trabalho: nas fábricas, no trabalho doméstico e no âmbito rural. Tal é o caso dos cortadores de cana no Brasil e de crianças traficadas pela colheita do cacau na Costa do Marfim. Outras formas de exploração são para a remoção de órgãos, adoções ilegais, casamentos forçados e tráfico de droga.
IHU On-Line – Que desafios se impõem ao combate ao tráfico de pessoas?
Gabriella Bottani – Acredito que o maior desafio é fazer com que as pessoas não fiquem indiferentes diante desta grave violação dos direitos humanos. Temos que enxergar as causas que levam ao tráfico de pessoas para podê-lo erradicar. Para isso precisa fazer um trabalho preventivo capilar e transformador, seja na perspectiva da oferta ou da demanda. Isso significa quebrar o silêncio para nos deixar tocar pela dor e pelo sofrimento que o tráfico de pessoas é para a humanidade toda, e não somente para as vítimas.
IHU On-Line – Como os Estados têm se organizados na perspectiva de inibir esta prática?
Gabriella Bottani – Estamos caminhando rumo à liberdade, um caminho ainda muito longe, que precisa de compromisso. No global, o enfrentamento ao tráfico de pessoas tem ainda uma visão redutiva, que leva a uma ação principalmente repressiva do crime organizado. Como já tive a oportunidade de dizer, acredito que esta prática pode ser inibida com um trabalho de prevenção que mire à remoção das causas. Este é o verdadeiro caminho que pode ajudar a humanidade a readquirir sua dignidade e liberdade. Não se pode falar em combate ao tráfico de pessoas sem falar de combate à pobreza e à desigualdade socioeconômica que existe no mundo. Tampouco sem enfrentar o problema da corrupção, e questionar a cultura que torna tudo mercadoria. Nesse sentido, a sociedade civil tem um papel fundamental.
IHU On-Line – Há quanto tempo a Rede Talitha Kum tem se articulado no combate ao tráfico de pessoas, quais foram os avanços e quais são os limites do trabalho?
Gabriella Bottani – Talitha Kum é a rede da vida consagrada no enfrentamento ao tráfico de pessoas; trata-se de uma rede de redes. É o resultado de um projeto da União Internacional das Superioras Gerais – UISG em parceria com a Organização Internacional das Migrações – OIM, que busca formar redes de religiosas capacitadas para a prevenção e o atendimento às vítimas do tráfico de pessoas, sobretudo para fins de exploração sexual. O projeto começou em 2004 com a realização, em Roma, do primeiro curso. Até hoje foram realizados 16 cursos com a participação de mais de 650 mulheres consagradas.
Atualmente Talitha Kum é composta por 21 redes, ativas em 75 países nos cinco continentes. A principal articulação da Vida Consagrada comprometida no enfrentamento ao tráfico de pessoas é local, junto com a sociedade civil, organizações eclesiais, governamentais e não governamentais.
Internacionalmente começamos a nos articular em 2010; estamos ainda no começo, procurando caminhos para superar as distâncias e as dificuldades de comunicação. A atuação em Rede da Vida Consagrada foi certamente um avanço que juntou forças no enfrentamento ao tráfico de pessoas, pois, diante da rede de morte das organizações criminosas, muito bem organizadas e articuladas internacionalmente – como são as responsáveis pelo tráfico de pessoas –, uma rede de vida igualmente bem organizada e articulada, que conecta países de origem, transito e destino, disposta em partilhar recursos e forças, pode contribuir de forma eficaz na prevenção ao tráfico de pessoas.
O trabalho em rede nos deu a força e a criatividade para adentrar, a partir de pontos de vista diferentes, nas profundidades escuras de nossa época, em suas contradições, modelos de desenvolvimento, desigualdades, tendências e abordar a realidade em sua multidimensionalidade, visto que as causas são simultaneamente econômicas, psicológicas, mitológicas e sociológicas. Isso fez com que nosso trabalho na prevenção e no atendimento às vítimas avançasse em qualidade.

sábado, 13 de abril de 2013

Resolução da Esquerda Popular Socialista (EPS) do PT


Sobre o Processo de Eleições Diretas (PED) do PT: garantir o trânsito de propostas e ações à esquerda 


Em Seminário Nacional realizado no dia 6 de abril de 2013, na sede do Diretório Nacional do PT, em São Paulo, a EPS discutiu a conjuntura nacional e o processo de renovação das direções e eleição de delegados ao 5º Congresso.

O Seminário contou com a presença de delegações de 17 estados (97 participantes), sendo que houve justificativas de ausência de dois outros.
O texto de atualização de conjuntura será disponibilizado em breve.
Segue a resolução sobre tática para o PED, aprovada por unanimidade dos presentes:

1)A EPS atuará no PED de forma a contribuir na politização do Partido, visando fortalecê-lo para os embates em curso e os que se avizinham na conjuntura de 2014.
2) É necessário fazer a defesa do legado partidário e dos 10 anos de governo Lula/Dilma, e ao mesmo tempo elaborar e difundir as críticas ao que definimos como erros e limites do Partido e dos próprios governos dos quais participamos. Sempre de forma mediada e equilibrada, para não darmos pretextos aos nossos inimigos e adversários. Mas, sem nos omitirmos naquilo que consideramos essencial para o Partido avançar.
3) Nesse sentido, travaremos uma disputa de opiniões e políticas em torno daquilo que ainda não conseguimos resolver como, por exemplo, a relação partido/governo (incluídos aí, governos e municipais, além do governo federal). O Partido deve ter uma postura dirigente, sempre estar à frente, pois nosso programa estratégico não se confunde com os limites dos governos.
4) Cabe ao PT, em um governo que é de coalizão e que tem setores das classes dominantes em seu interior, trabalhar para reverter a correlação de forças desfavorável. Exatamente por isso que o Partido pode e deve apresentar posições avançadas, estimulando a luta social pelas reformas estruturais, incidindo sobre a correlação de forças. Essa é uma forma contribuir para os avanços dos governos e acumular no sentido das transformações profundas, da realização do projeto democrático-popular tendo como objetivo estratégico o socialismo. 
5) A intransigente defesa do PT, a importância do Partido priorizar a luta social, a centralidade das reformas estruturais (reforma agrária, reforma urbana, reforma política, democratização dos meios de comunicação), o enfrentamento do conservadorismo, a defesa da laicidade do Estado e a afirmação dos direitos humanos, das mulheres, dos negros/as da população LGBT estão no centro da plataforma que a Esquerda Popular Socialista defenderá no PED.

6)Referenciada nessas e em e outras questões, a EPS procurará constituir uma chapa nacional própria, em alianças regionais e nacionais, visando propiciar no interior do PT o trânsito de propostas que julgamos essenciais para que o Partido dispute efetivamente a hegemonia política, ideológica e cultural na sociedade no rumo das transformações estruturais, atualizando o projeto democrático-popular. 

7) Nossa meta eleitoral específica é conquistar vagas no Diretório Nacional e em sua Comissão Executiva, como meio também de incidir efetivamente nos debates nacionais do Partido.

RUI FALCÃO PARA PRESIDENTE

A EPS também deliberou apoiar candidatura de Rui Falcão à presidência do Diretório Nacional do PT. Rui Falcão foi indicado pelo Diretório Nacional em substituição a José Eduardo Dutra que solicitou afastamento por razões de saúde.
Neste PED ele é candidato pleno, apoiado por um amplo espectro de lideranças e tendências nacionais e regionais do PT. E foi provocado a disputar o PED, antes de qualquer corrente política, pelo ex-presidente Lula e pela presidenta Dilma Rousseff.
Avaliando o quadro político de cerco que sofremos por nossos inimigos (sejam pelos partidários, sejam pelos agentes públicos e privados empenhados em nossa difamação); avaliando o grau de tensão a que estamos submetidos pelos próprios aliados congressuais e de governo e considerando:
6) que Rui Falcão integra a corrente “Novos Rumos”; e sendo apoiado pela EPS, por correntes regionais e lideranças que não integram o campo majoritário, sua candidatura passa a se caracterizar como representativa de uma frente política mais ampla, capaz de consolidar a unidade petista em um momento em que sofremos fortes ataques;
7) que Rui conduziu corretamente o DN nos momentos mais agudos da conjuntura recente (sobretudo, na construção da tática eleitoral para a disputa de São Paulo – capital – e durante o julgamento da AP 470). Rui Falcão conseguiu de maneira mediada demarcar posições partidárias importantes, ressaltando a autonomia do PT perante o governo federal;
8) que Rui Falcão colocou no centro da pauta do PT a luta pela democratização dos meios de comunicação e pela reforma política, temas que consideramos inegociáveis na atual conjuntura;
9) que Rui Falcão se dispõe a fortalecer os vínculos do PT com movimentos sociais representativos, como o MST, o movimento LGBT e outros com os quais mantemos relações de forte parceria; 
10) que sua trajetória de vínculo com o ideal socialista data de antes do próprio golpe militar de 1964, integrando organizações que (clandestinamente) resistiram à ditadura. Além disso, ao longo da trajetória do PT, Rui tem contribuído na disputa por posições mais à esquerda no espectro partidário (com destaque para o movimento “Hora da Verdade”, que teve como sucedâneo, inclusive, tendências à esquerda e ao centro, alternativas ao campo majoritário);
11) que sua postura como presidente nacional do Partido sempre foi agregadora e respeitosa com a “jovem” EPS; que reconhece, explicitamente, que teríamos muito a contribuir, inclusive na caracterização de sua candidatura como sendo de uma frente de tendências e de lideranças; que reconheceu nosso pleito de integrar, com direito a voz, as reuniões da Comissão Executiva do DN, e de participarmos das comissões do PED e do 5º Congresso.
O Seminário Nacional EPS indica, por unanimidade e aclamação dos presentes, o nome de Rui Falcão à presidência nacional do Partido.
Finalmente, ressaltamos, que – na questão na disputa para a presidência do Partido - nossa decisão de apoio à candidatura de Rui Falcão em nada implica a subordinação ao programa de chapas e lideranças que vão também apoiá-lo. A EPS se resguarda o direito de manter, defender e disputar posições com outras forças que também o apoiam, independentemente, de cerrarmos fileiras com o companheiro Rui Falcão.

São Paulo, 06 de Abril de 2013

“Primeira reitora negra, de instituição federal, Nilma Lino Gomes, toma posse”


Pela primeira vez o Brasil terá uma mulher negra no comando de uma universidade federal. A professora Nilma Lino Gomes tomou posse esta semana como reitora pro tempore da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab), localizada em Redenção, a 63 quilômetros de Fortaleza no Ceará. A instituição não poderia ficar em local mais simbólico. Há 130 anos, a cidade foi a primeira localidade a libertar os escravos durante a campanha abolicionista brasileira — cinco anos antes da assinatura da Lei Áurea, que só ocorreu em 1889.
— Tem algo que não é só meu (sobre a nomeação). É da luta coletiva de políticas raciais no Brasil. Tudo isso soma para a minha nomeação, que envolve a minha trajetória profissional, pessoal e o processo de luta por democracia e igualdade racial — contou Nilma. — O fato de a universidade ser localizada em Redenção é um gesto de reconhecimento das lutas do movimento negro que existiam muito antes da abolição.
A nova reitora contou que recebeu o convite do ministro de Educação em março e que seu mandato deve durar quatro anos ou até a completa instalação da universidade, quando serão convocadas eleições. Na UFMG, ela foi professora do Departamento de Administração Escolar da Faculdade de Educação e coordenadora-geral do Programa Ações Afirmativas na UFMG. A educadora revelou que já sofreu racismo, mas não quis detalhar as situações. Para ela, o racismo no Brasil se afirma pela negação.
— O Brasil convive com um racismo estrutural na forma como as instituições se organizam. Há mudanças significativas, mas não podemos dizer que as coisas estão resolvidas. Há muito para se construir, o racismo vai se afirmando pela negação dele. Todos os negros vivenciam isso no cotidiano em situações corriqueiras como piadas e brincadeiras — contou ela, que desde 2010 integra a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.
Nilma apontou que aguarda uma resposta pelo episódio do trote no curso de Direito da UFMG, onde uma aluna foi acorrentada com uma placa que dizia “Chica da Silva”.
— Foi de fato uma situação extremamente constrangedora que não cabe a nenhuma universidade e a nenhuma pessoa porque fere a dignidade humana. Estou aguardando ansiosa uma resposta à altura do que a comunidade acadêmica espera.
Mineira de Ponte Nova, na região da Mata, a professora diz que vem de uma família pobre, mas que sempre a incentivou a estudar e sobretudo tinha orgulho de ser negra. Questionada sobre as principais dificuldades e conquistas enfrentadas na carreira até aqui, ela foi direta ao citar as ações afirmativas, como a política de cotas nas universidades públicas:
— A decisão (do STF sobre cotas) comprovou que aquilo que o movimento negro sempre denunciou, desde os anos 1970, era verdadeiro. Além disso, era fato e um apelo político importante para o país e não iria causar nenhum tipo de separação — disse.
UNILAB
A Unilab começou a funcionar em 2011 com cinco cursos e, de acordo com a reitora, possui atualmente dois mil alunos em sete cursos. No momento, a universidade tem dois campi: o da Liberdade, localizado em Redenção, e o de Palmares, em Acarape. Nilma anunciou que outros estão em implementação e, este ano, deve ser inaugurado um campus em São Francisco do Conde, na Bahia. Mais do que uma oportunidade para estudantes brasileiros, a instituição faz parte de um projeto de integração entre o Brasil e os demais países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), especialmente as nações africanas.
Os alunos brasileiros que quiserem tentar uma vaga devem fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e participar da seleção pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada), do Ministério da Educação. Já os candidatos estrangeiros são submetidos a uma avaliação do histórico escolar do Ensino Médio e prova de redação, realizadas nos próprios países de origem. Os interessados devem se inscrever nas Missões Diplomáticas brasileiras dos países parceiros (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste).
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Histórias que assustam a ONU: sistema prisional brasileiro


Daniele foi para a cadeia acusada de colocar cocaína na mamadeira da filha. Apanhou na prisão e perdeu parte da audição e da visão. Inocentada, tenta receber uma pensão do Estado
No Brasil, 40% da população carcerária é de presos provisórios, e relatório inédito das Nações Unidas alerta o País para o excesso de detenções ilegais. Muitos desses detentos, inocentes, ficam com sequelas irreversíveis
Nathalia Ziemkiewicz – ISTOÉ Independente
Em 2003, o ajudante de pedreiro Heberson Oliveira foi acusado de entrar na casa de vizinhos na periferia de Manaus, arrastar uma criança para o quintal e estuprá-la enquanto os pais dormiam. Heberson dizia que, na noite do crime, estava em outro bairro da cidade. Ninguém acreditou. A vítima, uma menina de 9 anos, se viu pressionada a reconhecê-lo como algoz e dar um desfecho ao escândalo. Embora a descrição do suspeito divergisse das características físicas de Heberson, ele foi para a cadeia. Lá aguardou julgamento por quase três anos jurando inocência. A mãe chegou a ser hospitalizada ao receber a notícia. “Com a vida que a gente levava, não podia garantir que ele nunca roubaria”, diz Socorro Lima. “Mas não seria capaz de uma coisa dessas.” Dona de casa e pensionista, ela pegou empréstimos para bancar advogados. Atrás das grades, o rapaz sem antecedentes criminais assistiu a rebe­liões, entrou em depressão, foi abusado sexualmente e contraiu o vírus HIV.
E nada de audiência ou sentença. Até que a defensora pública Ilmair Siqueira assumiu o caso: ela alertou o promotor de que não havia provas ou testemunhas para acusar seu cliente. O juiz pediu desculpas pela injustiça e concedeu a liberdade. Mas Heberson nunca mais seria um homem livre. Tentou um emprego numa loja de materiais de construção e foi vítima do preconceito entre os próprios colegas, que temiam até beber água da mesma torneira. Sete anos após sua absolvição, o rapaz permanece desempregado. Hoje, perambula pelas ruas catando latinhas e consumindo pedras de oxi. “Eu morri quando me fizeram pagar pelo que não fiz”, diz Heberson aos 32 anos, explicando por que não toma o coquetel contra a Aids. “Todos os dias tento esquecer o que vivi”, diz ele, vítima de um sistema judiciário que também está doente e, segundo as Nações Unidas, desperta graves preocupações.
No final de março, peritos do Conselho de Direitos Humanos da ONU visitaram penitenciárias de cinco capitais brasileiras. O País chama a atenção pelo acelerado crescimento de sua população carcerária, que alcançou a quarta posição no ranking mundial. Há 550 mil detentos no Brasil, número cinco vezes maior que em 1990. O grupo investigou detenções arbitrárias – ilegais ou desnecessárias. No documento preliminar entregue às autoridades, os peritos destacaram o uso excessivo de privação de liberdade e a falta de assistência jurídica gratuita. Ao contrário do que se preconiza mundo afora, a regra tem sido punir antes para averiguar depois. Cerca de 40% do total são presos provisórios, que ainda não receberam sentença.
Heberson foi preso por engano, acusado de violentar uma criança. Passou dois anos detido e contraiu HIV na cadeia. Hoje, desempregado e viciado em drogas, só conta com o apoio da mãe
A prisão temporária não poderia ultrapassar 120 dias, prazo máximo para que o processo seja julgado. Mas a morosidade da Justiça é o grande entrave. O acusado de um furto, por exemplo, leva em média seis meses para ser ouvido pela primeira vez por um juiz. Nesse período, ele convive com assassinos e traficantes em ambientes degradantes. “É uma tortura institucionalizada: falta água para banho e descarga, acesso a medicamentos e itens de higiene, os presos fazem rodízio porque nem no chão há espaço para dormir”, afirma Bruno Shimizu, defensor público do Estado de São Paulo. Não à toa, a taxa de reincidência gira em torno de 80%. “Depois da barbárie na cadeia, o preso sai e desconta sua raiva na sociedade”, diz Marcos Fuchs, diretor da ONG Conectas. Apesar das taxas recordes de aprisionamento, os indicadores de criminalidade crescem. Entre 1990 e 2010, houve um aumento de 63% nos homicídios, segundo o Ministério da Saúde.
Nos delitos menores, a legislação recomenda medidas alternativas como o monitoramento eletrônico, prisão domiciliar, prestação de serviços à comunidade, etc. Elas desafogariam um sistema com déficit de 240 mil vagas. Os visitantes da ONU também perceberam que o princípio de proporcionalidade muitas vezes é ignorado. Em outras palavras, o ladrão de uma caixa de leite não pode ter sua liberdade condicionada a uma fiança de três salários mínimos. Ou continuará preso, sem condições de pagá-la. Além disso, não há defensores públicos para a demanda. Os Estados de Santa Catarina e Paraná, por exemplo, não têm nenhum. Há cidades com um defensor para 800 casos, o que torna impossível uma boa defesa. “Em um país onde a maioria dos presos é pobre, é extremamente preocupante que não haja assistência jurídica suficiente disponível para aqueles que precisam”, disse o perito Roberto Garretón. Procurado, o Ministério da Justiça não quis se pronunciar sobre o documento da ONU, que será apresentado oficialmente com recomendações ao governo brasileiro em 2014.
As vítimas dos erros da Justiça fazem fila por indenizações. Quem vence a disputa contra o Estado ainda corre o risco de morrer sem o dinheiro, na longa fila de pagamentos da dívida pública. Desde 2008, Daniele de Toledo Prado tenta receber uma pensão de três salários mínimos. Ela ficou 37 dias presa, acusada de matar a filha colocando cocaína na mamadeira. Daniele foi agredida por 12 colegas de cela que a reconheceram em uma reportagem na tevê. Entre murros e chutes, sob os gritos de “monstro”, ela desmaiou e só recebeu atendimento no dia seguinte. Perdeu visão e audição do lado direito. Aos 28 anos, Daniele conta que não consegue emprego por causa das defi­ciências, fruto do episódio.
O pó branco era, na verdade, remédio para controlar as crises convulsivas do bebê. Hoje ela está desempregada e vive com o filho de 10 anos na casa de parentes. “Para me prender sem provas foi rápido. Agora enfrento a lentidão para receber algo que sequer vai reparar a minha dor”, diz. Ao contrário dela, Heberson não pediu indenização porque perdeu a esperança na Justiça. Preso ao passado, ele acredita que tudo “foi uma provação de Deus” para testar sua fé. Deitado nas calçadas de Manaus, ele teme que as memórias o enlouqueçam de fato. “Toda vez que me tratam feito bicho, penso que não sabem o que já passei…”.

Lázaro Ramos entrevista Joaquim Barbosa para o Canal Brasil


“Escuto muito jazz e música clássica, e já fui roqueiro”, contou o presidente do Supremo Tribunal
A nova temporada do programa ‘Espelho’ segue cheia de novidades. O entrevistado da semana, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, bateu um papo com o ator e apresentador Lázaro Ramos sobre o mensalão, gosto musical e trajetória de vida.
“Escuto muito jazz e música clássica, e já fui roqueiro”, conta. Se já pensou em ser ator? “Eu nunca quis. Mas, durante muito tempo, pensei que se tivesse tido uma boa oportunidade seria um bom ator. Mas a timidez fez com que jamais fizesse um teste”, revela. De acordo com a Coluna Vip do jornal Correio* deste dábado (13) a entrevista foi dividida em duas partes. A primeira, trajetória, será exibida na segunda-feira. A outra, justiça, vai ao ar no dia 22 de abril.

Estudante de jornalismo da Universidade Federal da Bahia é encontrado morto no Largo do Campo Grande


Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental
Itamar Ferreira Souza tinha 27 anos. Itamar Ferreira Souza estudava na Universidade Federal da Bahia e ia se formar em Jornalismo no final deste ano. Itamar Ferreira Souza acabara de voltar de uma viagem de intercâmbio aos Estados Unidos. Itamar Ferreira de Souza ligou para a família, por volta das 22 horas, e disse que ia sair com amigos para beber. Itamar Ferreira Souza foi assassinado esta madrugada. O corpo de Itamar Ferreira Souza foi encontrado na manhã de hoje, sábado, 13, na fonte do Largo do Campo Grande, em Salvador.
Por que esta notícia está aqui e por que está sendo dada desta forma? Porque essas informações foram tiradas aos pedaços da internet. A informação de que ele era estudante da UFBA, por exemplo, apareceu primeiro quando fui salvar esta foto; era como ele estava nela identificado, sem nome. O título da matéria falava dele de forma bem diferente, e a UFBA sequer aparecia em qualquer lugar do texto. Em menor ou maior grau, esse quase menino de rosto lindo foi tratado a partir de uma só particularidade. Uma particularidade alimentada pela homofobia.
A família de Itamar Ferreira de Souza merece respeito. E merece poder lembrá-lo por tudo o que ele foi, fez e conquistou antes de ser barbaramente assassinado, e não por um sensacionalismo canalha, determinado pelo preconceito, pela ignorância, pela incapacidade de lidar com “o outro”. Itamar Ferreira de Souza queria ser jornalista. Na maioria dos casos, o jornalismo não soube respeitá-lo. E a forma como alguns pseudo jornalistas o trataram talvez tenha sido tão brutal quanto a violência de seu assassino.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Revista policial em negros e latinos gera protestos em NY

Lucas Ferraz – Folha de S.Paulo
Nova York - O americano Sharbeek Terry, 39, diz não se lembrar mais de quantas vezes foi revistado pela polícia de Nova York.
“Calculo umas sete vezes”, disse. Na última delas, conta, foi parar na delegacia. “Me algemaram, me sacudiram e bateram nas minhas pernas. Fui detido com um outro homem, que ficou preso”, afirmou à Folha.
Terry, negro, é um dos 533 mil vítimas no ano passado do chamado “stop and frisk”, as revistas indiscriminadas feitas polícia de Nova York.
A prática do “baculejo” tem gerado controvérsia pela contabilidade dos alvos: 85% são negros e latinos, segundo a polícia. As estatísticas mostram que 90% dos revistados são inocentes.
Grupos de defesa dos direitos civis e humanos dizem que a prática é aplicada de forma preconceituosa e racista, desrespeitando os princípios expostos na Constituição dos EUA –que prevê a revista somente se há suspeitas concretas.
A prefeitura de Nova York defende a estratégia, que considera eficaz no enfrentamento ao crime.
As revistas começaram a ser adotadas nos anos 1970, quando a maior cidade do país vivia forte onda de violência, com as ruas tomadas por gangues e drogas.
A ação da polícia endureceu nos anos 1990, com a aplicação da política conhecida como “tolerância zero”, que foi essencial para reduzir a criminalidade.
Desde a década passada, após o atentado terrorista de 11 de setembro, as revistas se intensificaram.
Conforme números do NYPD (sigla em inglês para Departamento de Polícia de Nova York), a prática saltou de uma média de 100 mil em 2002 para 700 mil em 2011.
A Folha visitou a região do Brooklyn de East New York. Lá, um dos bairros, Cypress Hill, tem o maior número de batidas na cidade.
Área pobre com pouco comércio e escolas, tem predominância de negros americanos e imigrantes latinos.
“É muito comum ver esse tipo de coisa aqui”, conta o vendedor de churros Antonio Castro, 39.
Equatoriano que vive nos EUA há 15 anos, ele não sabe falar inglês. “Parece racismo da polícia, mas pelo menos a situação melhorou. Há cinco ou seis anos, a violência era muito pior.”
O jovem Danny Webb, 25, tem o perfil do americano que costuma ser parado nas batidas: negro, boné, roupas largas e medalhões.
Nascido em Cypress Hill e atualmente trabalhando na construção civil, ele afirma que nunca foi revistado, mas se diz revoltado com o que costuma ver. “É um desrespeito muito grande, aqui não se respeita nenhum direito.”
Muitos casos envolvendo vítimas do “stop and frisk” chegaram aos tribunais americanos. Diferentemente do Brasil, Estados e municípios americanos têm mais autonomia para criar legislações próprias. Mas desde 1968 a Suprema Corte americana vem reiterando que a polícia só pode realizar revistas em pessoas se há uma suspeita evidente, baseada em fatos, e não em um palpite.
“Sim, os meus direitos foram violados. Mas e aí, o que vou fazer?”, questionou Terry, que vive de bicos em Cypress Hill.
Até em áreas de Manhattan onde são minoria, negros e latinos ocupam as primeiras posições nas estatísticas.
Em bairros como Soho e Village, onde eles são apenas 8% da população, 77% dos “baculejos” são contra pessoas que se enquadram em algum dos dois grupos.
Procurado pela Folha, o departamento de polícia de Nova York não quis comentar o “stop and frisk”.
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Raposas cuidam do galinheiro em Congresso do Brasil, diz FT


Jornal diz que grupos de interesse ligados a deputados perpassam linhas partidárias
O jornal britânico Financial Times afirma que no Congresso brasileiro “a raposa está frequentemente cuidando do galinheiro”
Entre as supostas ”raposas” citadas pelo diário, estão o deputado e pastor evangélico Marcos Feliciano, que preside a Comissão de Direitos Humanos do Congresso e que fez uma série de comentários considerados racistas e homofóbicos; o novo presidente da Comissão de Finanças e Tributação, João Magalhães, que responde a processo por corrupção no STF; os petistas José Genoino e João Paulo Cunha, condenados no processo do mensalão, que integram a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e Blairo Maggi, atual líder da Comissão do Senado para o Meio Ambiente e um dos maiores produtores mundiais de soja.
Segundo o jornal, o Congresso “é refém de diversos grupos de interesse que podem mudar suas alianças a qualquer momento”.
De acordo com o Financial Timesas comissões brasileiras, ainda que sem dispor de um poder remotamente comparável ao das comissões do Congresso americano, ”são simbólicas dos poderosos grupos de interesse que atuam na política brasileira, comuns a todos os partidos”.
É por esse motivo, acrescenta o jornal, “que os presidentes brasileiros normalmente tentam incluir o máximo possível de partidos em seus ministérios”.
Mas o diário comenta que ainda assim a presidente Dilma Rousseff não consegue assegurar “a lealdade do Congresso”.
O diário lista como derrotas da presidente no Congresso, a tentativa de aprovar um “Código Florestal mais simpático ao meio ambiente”, que acabou sendo frustrada pelo bloco ruralista, e a ”batalha que ela perdeu” pela distribuição igualitária de royalties do petróleo entre os Estados, com “os congressistas votando de acordo com seus interesses regionais”.

SEPPIR realiza Seminário Representação Política e Enfrentamento ao Racismo em Salvador, 19 de abril



A filósofa Marilena Chauí será a palestrante da primeira mesa do Seminário
SEPPIR – Para participar basta enviar nome, telefone e órgão ou entidade para o e-mail: eunice.moraes@seppir.gov.br. O evento será transmitido em tempo real pelo link www.aids.gov..br/mediacenter e terá como palestrantes a filósofa Marilena Chauí e a deputada federal Luiza Erundina. A ministra Luiza Bairros participa da abertura
A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) realiza o Seminário Representação Política e Enfrentamento ao Racismo, no dia 19 de abril, de 9h às 18h, no Auditório Anfiteatro da Faculdade de Medicina da Bahia, na Praça XV de Novembro, Largo do Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador, Bahia.
O debate é parte da programação preparatória da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III CONAPIR), prevista para acontecer de 5 a 7 de novembro deste ano, em Brasília, tendo como tema Democracia e Desenvolvimento sem racismo: por um Brasil Afirmativo.
Participam da abertura o governador do estado, Jaques Wagner, a ministra da SEPPIR, Luiza Bairros, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo, o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador Mário Alberto Hirs, o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto e a representante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Valdecir Nascimento.
Na programação do evento estão previstas duas mesas redondas para discutir o tema Representação Política e Enfrentamento ao Racismo. A primeira acontece às 10h e tem como palestrante Marilena Chauí, professora doutora do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP). Os debatedores são o deputado federal Luiz Alberto (BA) e a chefe de gabinete da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE-BA), Olívia Santana.

Às 14h30, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), aborda o assunto tendo como debatedores a deputada estadual, Conceição Vieira, de Sergipe, e o vereador de Salvador, Sílvio Humberto. A moderação dos trabalhos será feita pelo assessor especial da ministra Luiza Bairros, Edson Cardoso Lopes.
Para participar basta enviar nome, telefone e órgão ou entidade para o e-mail:  eunice.moraes@seppir.gov.br. O evento será transmitido em tempo real pelo link www.aids.gov..br/mediacenter.
SEMINÁRIOS TEMÁTICOS
O seminário da Bahia é o segundo de uma série de discussões que acontece em todo o Brasil, com o objetivo de promover a reflexão e o diálogo sobre a promoção da igualdade racial no país. O primeiro aconteceu em Brasília, com o tema Desenvolvimento, Inclusão e Enfrentamento ao Racismo.
A ação faz parte das comemorações de dez anos de criação da SEPPIR e dos eventos preparatórios para a realização da III Conferência Nacional da Igualdade Racial (Conapir), prevista para acontecer em novembro, em Brasília.
Agenda – Até maio, serão realizados mais quatro seminários.  No dia 26 é a vez de Recife-PE tratar sobre Trabalho e Desenvolvimento: Capacitação Técnica, Emprego e População Negra.  No dia 07 de maio, o evento acontece em São Paulo-SP, para discutir Desenvolvimento e Mulher Negra. No dia 17 de maio, o seminário acontece em Belém-PA, para tratar sobre Territórios Tradicionais Negros: Desenvolvimento e Enfrentamento ao Racismo. Com o tema Oportunidades para a Juventude Negra, Porto Alegre-RS, sedia o último seminário, no dia 24 de maio.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mapa Mundi da União Gay


iG São Paulo , Redação
O Uruguai passou a integrar nesta quarta-feira (10) o grupo de países em que os homossexuais têm os mesmos direitos que os heterossexuais na hora de casar. O país sul-americano é o 13º a aprovar o casamento igualitário nacionalmente . Na América Latina, só a Argentina também garante essa igualdade para toda a população.
Além dos nossos vizinhos Uruguai e Argentina, as nações África do Sul, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Groenlândia, Holanda, Islândia, Noruega, Portugal e Suécia também têm casamento igualitário para todo o país. Em países como Estados Unidos, México e o próprio Brasil, a união legal entre pessoas do mesmo sexo só é permitida em alguns estados, sem uma lei federal que regulamente o casamento igualitário.
Aliás, olhando um mapa mundi que divide os países de acordo com a situação da lei federal que regula o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, é possível ver dois lados opostos da mesma questão. Num extremo estão os países onde os gays podem se casar à vontade, com os mesmos direitos garantidos aos casais heterossexuais – inclusive, em alguns casos, a adoção de crianças. No outro, estão as nações (elas são sete atualmente) onde homossexualidade é crime punível com a pena de morte.
Nos últimos anos, a regulamentação do casamento civil entre pessoas de mesmo sexo avançou bastante, apesar da forte oposição dos grupos conservadores ao redor do mundo. Desde 2001, quando a Holanda foi a pioneira em garantir esse direito aos gays, outros países como Canadá e Portugal regulamentaram a união homossexual.
Situação no Brasil
No Congresso Nacional, há uma proposta de emenda constitucional para alterar o art. 226 da Constituição Federal, que regulamenta o casamento civil. De autoria do deputado Jean Willis (PSOL-RJ), O projeto ainda se encontra na fase de recolhimento de assinaturas. A emenda quer fazer valer para os gays os mesmos direitos que a Constituição garante aos héteros.
Mesmo sem lei federal permitindo o casamento igualitário em todo país, o estados de Alagoas, Bahia, Brasília, Ceará, Distrito Federal, Espirito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, São Paulo e Sergipe já fazem casamentos gays em seus cartórios.
Conquistas parciais
A situação brasileira, com alguns lugares aceitando o casamento gay e outros não, se repete em outros países. No México, por exemplo, este tipo de união só é reconhecido oficialmente na capital, Cidade do México. Nos estados americanos de Massachusetts, Connecticut, Iowa, Maryland, Vermont, Washington e Nova York também dá para casar legalmente com um parceiro do mesmo sexo.
Mas alguns países devem garantir em breve esse direito para todos os seus estados.  França, Reino Unido e Colômbia têm grandes chances de seus governantes aprovarem o casamento civil igualitário ainda em 2013.
Pena de morte
Apesar dos avanços, muitos países ainda vivem na pré-história dos direitos gays. Na África e Ásia, mais de uma dezena de nações têm leis que proíbem as relações entre pessoas do mesmo sexo. A situação é extrema nos Emirados Árabes, no Sudão, na Nigéria, na Mauritânia, na Arábia Saudita, no Iêmen e no Irã. Nesses lugares, a relações homossexuais não são só proibidas por lei como podem levar à pena de morte.
Neste infográfico especial do iGay , você pode ver em que situação as relações homossexuais se encontram em cada país do globo. É só passar o cursor do mouse em cada um deles. Outra opção é clicar na parte de baixo do infográfico, e aparecerão no mapa em que situação os países se encontram.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Mulheres de Axé: A Liderança feminina nos terreiros


O combate à intolerância religiosa e à desigualdade

O Conversa Afiada manifesta seu apoio às Mulheres de Axé:
Duzentas personalidades femininas de terreiros de candomblé da Bahia são destaque no catálogo Mulheres de Axé, cujo lançamento acontece n esta terça-feira (2), em Salvador. A publicação reúne textos e fotos sobre a trajetória de Yalorixás e outras lideranças religiosas na luta pela preservação das tradições, cultura e valorização das religiões de matriz africana. Mãe Stella e Ebomi Nice estão entre as homenageadas (fotos). O ato de lançamento será realizado no Forte Santo Antônio Além do Carmo, a partir das 18hs. A iniciativa é uma parceria do governo do Estado, através das secretarias de Políticas para as Mulheres (SPM), Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Casa Civil,  com Coletivo de Entidades Negras (CEN) e ONG Ação pela Cidadania.

A intenção é demonstrar a importância das mulheres negras no trabalho de combate à intolerância religiosa e às desigualdades. Foram mapeados terreiros das nações Bantu, Gêge e Nagô, com destaque para o perfil de liderança feminina comum à grande maioria destes espaços religiosos. O catálogo oferecerá um rico material de pesquisa para públicos diversos, a exemplo de pesquisadores, estudantes e cidadãos de um modo geral.

O material terá, ainda, um DVD com imagens e depoimentos sobre a atuação das mulheres na afirmação da identidade racial e empoderamento dentro das casas de axé, assim como e sua relevância nas comunidades em que estão inseridas. A maioria dos exemplares será distribuída gratuitamente em terreiros, bibliotecas, universidades, centros de pesquisa e equipamentos culturais da Bahia. O evento de lançamento encerra as atividades do Março Mulher, que contou com um ciclo de mobilizações acerca da luta das mulheres. A solenidade contará com a presença secretários de Estado, representantes dos povos de santo, atração cultural, entidades do movimento negro, de mulheres, entre outros convidados.

Mulheres de Axé

O catálogo ilustrativo “Mulheres de Axé” é apresentado em capa dura, no tamanho 30×24 cm, fosco com detalhes em gloss, com 360 páginas, em papel couchê 115g, contendo fotos, ilustrações e textos. Oferece ao leitor informações sobre os duzentos terreiros cujas lideranças femininas fazem história. Trabalha a trajetória de vida e superação destas mulheres em seus espaços religiosos e comunidades. O material terá uma tiragem inicial de dois mil exemplares que serão distribuídos a entidades ligadas à garantia de direitos e empoderamento de mulheres, bibliotecas públicas, terreiros pesquisados, às universidades baianas e aos centros de pesquisas da cultura afrodescendente. Em anexo ao catálogo, um DVD especial contendo entrevistas que abordam, inclusive, o tema da intolerância religiosa, que inspirou a criação de lei federal sobre o assunto.

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