domingo, 30 de junho de 2013

SEPPIR divulga propostas habilitadas para fortalecimento de povos e comunidades tradicionais

Sete das 21 propostas foram habilitadas pela Chamada Pública n° 1/2013, que disponibilizará R$ 1,1 milhão para instituições privadas sem fins lucrativos. O prazo para interposição de recursos vai até o dia 03 de julho. Confira relação abaixo
SEPPIR divulga propostas habilitadas para fortalecimento de povos e comunidades tradicionais
Chamada é uma das metas previstas no I Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) divulgou hoje (28/06) a relação das propostas habilitadas no âmbito da Chamada Pública nº 1/2013, voltada para o apoio a projetos que contemplem o fortalecimento institucional de entidades representativas dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana no Brasil. Sete das 21 iniciativas apresentadas foram contempladas.

O resultado divulgado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (28), na Seção 3, enumerou apenas seis das sete propostas contempladas, motivo pelo qual será publicada uma retificação com a relação completa na próxima segunda-feira (01). O prazo para interposição de recursos quanto ao resultado da habilitação vai até o dia 03 de julho.

Voltada para instituições privadas sem fins lucrativos, a chamada disponibilizará R$ 1,1 milhão para propostas que tenham como objetivo promover e divulgar a cultura e os valores civilizatórios dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana e fortalecer institucionalmente suas organizações representativas.

Plano - O lançamento da chamada pública é uma das metas previstas no I Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, lançado em janeiro, como resultado de uma ação interministerial e intersetorial coordenada pela SEPPIR, visando ao combate do racismo e à defesa da ancestralidade africana no Brasil.

Propostas habilitadas:

1)    Proposta n° 034612/2013 - ASSOCIAÇÃO DE UMBANDA E CANDOMBLÉ DE CODO E REGIÃO – 52 PONTOS
2)    Proposta n° 031565/2013 - ASSOCIAÇÃO AFRO CULTURAL E BENEFICENTE DE MATRIZ AFRICANA SÃO JERÔNIMO – 31 PONTOS
3)    Proposta n° 035247/2013 - CENTRO DE PROMOÇÃO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL OXOGUM LADE – 27 PONTOS
4)    Proposta n° 031785/2013 - EGBE ILE IYA OMIDAYE ASE OBALAYO – 25 PONTOS
5)    Proposta n° 035396/2013 - MOVIMENTO OJUOBÁ – 21 PONTOS
6)    Proposta n° 029574/2013 - INSTITUIÇÃO DE TRADIÇÕES E CULTURA AFRO-BRASILEIRA SÃO JUDAS TADEU – 17 PONTOS
7)    Proposta n° 035488/2013 - CENTRO DE ARTICULAÇÃO DE POPULAÇÕES MARGINALIZADAS - CEAP – 16 PONTOS
 

sábado, 29 de junho de 2013

DF lançará plano Juventude Viva em agosto

O plano Juventude Viva, que visa combater o extermínio dos jovens negros, será lançado no Distrito Federal no dia 16/8, em meio em meio às atividades do Mês da Juventude. As ações que serão desenvolvidas foram debatidas nesta quinta (27) no Fórum Governamental sobre o Plano Juventude Viva no DF, realizado na Fundação Cultural Palmares.
O gerente de projetos da Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Felipe Freitas, lembrou a importância de debater o tema com toda a sociedade. “Numa sociedade racista como a brasileira, ninguém passa imune ao racismo. Operar na subjetividade é fundamental”, declarou.
"O desafio não é fazer o novo. É fazer de um jeito novo, melhor, o que a gente já vem fazendo”, afirmou, listando algumas ações já existentes que serão aprimoradas no âmbito do Plano Juventude Viva, como os programas Mais Educação e Projovem Urbano, do Ministério da Educação, e o Protejo e Mulheres da Paz, do Ministério da Justiça, além de iniciativas dos governos locais.
Segundo o coordenador de Juventude da Secretaria de Governo, Carlos Odas, é preciso pensar de forma integrada o DF e a Região Metropolitana, pois cinco cidades goianas limítrofes ao DF estão na lista de 132 municípios que serão priorizados no Plano: Formosa, Valparaíso, Novo Gama, Águas Lindas e Luziânia.
“Tratar da questão do extermínio da juventude negra requer que a gente ultrapasse a fronteira do quadrilátero, a fim de beneficiar as juventudes dessas cidades”, explicou Carlos Odas, durante a mesa de abertura do Fórum.

DF: mais homicídios que a média nacional

O Distrito Federal é o quinto colocado no ranking de estados com o maior número de mortes de jovens negros. Fernanda Papa, coordenadora do Plano Juventude Viva na Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), destacou que a média de homicídio da juventude negra no DF é maior que a média do país. Em 2010, foram 880 vítimas de assassinato, dessas, 86,6% eram negras.
No mesmo ano, 509 jovens entre 15 e 29 anos foram vítimas deste crime, o que corresponde a 57,8% do total. Dentre esses jovens, 92% eram do sexo masculino, 88% eram negros, e 82,7% eram negros do sexo masculino. Segundo Fernanda, o pico da idade em que esses jovens estão mais vulneráveis é entre 15 e 19 anos e entre 20 e 24 anos.
“Temos o compromisso, a responsabilidade e a obrigação de contribuir para reduzir a vulnerabilidade destes jovens, para que eles tenham oportunidades novas e que o estado possa confirmar e demonstrar que a invisibilidade da juventude negra para a prioridade das políticas públicas está sendo quebrada”, disse Fernanda Papa.
“Precisamos reconhecer que é uma parcela importante da nossa população e que não está vivendo está fase de desenvolvimento do nosso país, de correção de desigualdades, porque está morrendo antes”, complementou.
Política
Ângela Guimarães, secretária-adjunta da SNJ e vice-presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), lembrou que o fim do extermínio da juventude negra foi pauta central das conferências realizadas por estes órgãos.
“Se a política de segurança pública levasse em conta a juventude negra, não haveria esses dados alarmantes. Há uma especificidade territorial e de faixa etária, e o Juventude Viva tem essa preocupação”, explicou.
Silvana Gomes Timóteo, secretária-adjunta da Sepir-DF, destacou a importância de debater o racismo contra os jovens negros. “Porque essa juventude está à margem? Isso nos preocupa. Discutir a juventude negra é fundamental para todos”, disse.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

100 anos de Aimé Césaire, o pai da Negritude



Há apenas um século, 26 de junho de 1913, nascia o escritor da Martinica Aimé Césaire. Um poeta que realizou um trabalho profundamente humanista da negritude no panteão dos grandes homens. Uma dos principais negro intelectual do século XX .

Em agosto de 1968, um funk furioso, ondas radicais e estaria por seis semanas nas paradas americanas. James Brown cantava com orgulho ser negro (Say It Loud - Eu sou negro e eu me orgulho). 

Um ato militante neste ano também aconteceu alguns meses antes, em 4 de abril, Martin Luther King, foi covardemente assassinado. Dizer em alto e bom som a sua negritude quando o viés do fanatismo e ódio são a causa da morte não é uma palavra vazia. Muito menos uma luta fútil.

"Negritude" para Aimé Césaire foi projetada para contar uma realidade, uma experiência, a de ser negro em um mundo que inventou essa cor através do prisma do racismo, da deportação, da escravidão e colonização. Ele se via com os seus companheiros de infortúnio, Leopold Sedar Senghor e Léon-Gontran Damasco, na luta pela dignidade literária e política do homem negro e na recusa à opressão enquanto os impérios esmagam a humanidade inteira . Uma só palavra então fazia sentido: a liberdade! 

Incansavelmente ao lado de seus irmãos africanos, Césaire esteve sempre preocupado com o destino do continente de seus ancestrais. Sonhando com a avó Diola, o poeta desenvolveu uma amizade duradoura com Senghor , com quem compartilhou uma paixão comum pelas belas-letras e pelo exercício do poder. 

Deputado francês, ele ficou do lado de Houphouet-Boigny para abolir o trabalho forçado nas colônias, e admirou a coragem de Sekou Toure diante de De Gaulle em 1958. quando disse:

" Temos dito sem rodeios, Senhor Presidente, que as demandas do povo são ... Nós temos uma necessidade primordial e essencial:. nossa dignidade, mas não há dignidade sem liberdade ... Nós preferimos a liberdade na pobreza a opulência em escravidão . " 

Mais importante, ele espera uma África independente, e nada mais vergonhoso ver um continente dividido que não conseguiu aproveitar seus pontos fortes para construir.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Coordenadora do CEN/SP ganha prêmio internacional

Silvana Veríssimo - Instituição Nzinga Mbandi, irá receber prêmio cedido pela organização Institute Black Latin Afro Diáspora Celine Cruz, sediada em Nova York, EUA, por sua conjuntura na luta contra o racismo.
É a primeira vez que uma brasileira ganha este prêmio.
Sua história de militância se cruza com desafios imensos, mas que não a deixaram abater. 
Como ela mesmo disse, em entrevista cedida na noite de sábado, dia 22, após saber da premiação, a qual ficou surpresa “Os desafios não me dão e nunca me causam medo, pelo contrário, me conscientizam da necessidade de estar cada vez mais forte para vence-los”.
Filha única de uma dona de casa e de um técnico de edificações, paulista do interior de São Paulo, começou sua militância ainda na pré-adolescência, pois vem de uma família de militantes negros, e já era habitual participar das reuniões sobre a temática racial.
Atua há mais de 25 anos no movimento negro, tarefa nada fácil, em um país como o Brasil aonde as desigualdades étnico raciais chegam a índices absurdos, causando diversos problemas como extermínio da juventude negra, número elevado de mortalidade materna das jovens e mulheres negras por falta de atendimento médico adequado, entre outros tantos percalços sofridos pela população negra, fatores agravantes do racismo institucional contundente, que persiste ainda em solo brasileiro.
Segundo Rosemary Cruz, diretora do Instituto responsável pela premiação, a indicação de Silvana Veríssimo foi dada por duas alunas do Instituto, Helison Drauye e Meredith Jonsh, que durante os anos de 2009 a 2012 estiveram no Brasil estudando comunidades negras, onde a conheceram em um seminário de mulheres negras, desde então, começaram a participar da maioria das atividades organizadas por ela.
Ficaram impressionadas com sua habilidade de mobilização, interlocução e articulação com os demais movimentos e organizações, sua crença na transformação social, determinação, valorização do ser humano e principalmente, sua simplicidade.
O Prêmio Institute Black Latin Afro Diáspora Celine Cruz é cedido as pessoas da América Latina e Caribe que se destacam pelas luta contra a discriminação racial. 
A cerimônia de premiação será no próximo mês de julho, na cidade de Nova York/EUA.
Além de Silvana Veríssimo, será premiados também Maria Santigo – Colômbia, Layla Montserrat – Peru, Adelita Gonzalez – Venezuela, Avelar Cruz Rosada-Guatemala.

Médico brasileiro comenta ‘gritaria’ da mídia sobre médicos cubanos

Carta do médico Pedro Saraiva, enviada para o jornalista Luis Nassif e inicialmente reproduzida em seu blog esclarece diversos pontos sobre a vinda dos médicos cubanos ao Brasil.
Por Pedro Saraiva
Olá Nassif, sou médico e gostaria de opinar sobre a gritaria em relação à vinda dos médicos cubanos ao Brasil
Bom, como opinião inteligente se constrói com o contraditório, vou tentar levantar aqui algumas informações sobre a vinda de médicos cubanos para regiões pobres do Brasil que ainda não vi serem abordadas.
médicos cubanos haiti brasil
Médicos cubanos no Haiti atendem mais de 15 milhões de miseráveis (Foto: Divulgação)
- O principal motivo de reclamação dos médicos, da imprensa e do CFM seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Alexandre Padilha, já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto, o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente para o país. Isto é uma interpretação desonesta.
- Acho estranho o governo ter falado em atrair médicos cubanos, portugueses e espanhóis, e a gritaria ser somente em relação aos médicos cubanos. Será que somente os médicos cubanos precisam revalidar diploma? Sou médico e vivo em Portugal, posso garantir que nos últimos anos conheci médicos portugueses e espanhóis que tinham nível técnico de sofrível para terrível. E olha que segundo a OMS, Espanha e Portugal têm, respectivamente, o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo (não tarda a Troika dar um jeito nesse excesso de qualidade). Profissional ruim há em todos os lugares e profissões. Do jeito que o discurso está focado nos médicos de Cuba, parece que o problema real não é bem a revalidação do diploma, mas sim puro preconceito.
- Portugal já importa médicos cubanos desde 2009. Aqui também há dificuldade de convencer os médicos a ir trabalhar em regiões mais longínquos, afastadas dos grandes centros. Os cubanos vieram estimulados pelo governo, fizeram prova e foram aprovados em grande maioria (mais à frente vou dar maiores detalhes deste fato). A população aprovou a vinda dos cubanos, e em 2012, sob pressão popular, o governo português renovou a parceria, com amplo apoio dos pacientes. Portanto, um dos países com melhores resultados na área de saúde do mundo importa médicos cubanos e a população aprova o seu trabalho.
- Acho que é ponto pacífico para todos que médicos estrangeiro tenham que ser submetidos a provas aí no Brasil. Não faz sentido importar profissionais de baixa qualidade. Como já disse, o próprio ministro da saúde diz concordar com isso. Eu mesmo fui submetido a 5 provas aqui em Portugal para poder validar meu título de especialista. As minhas provas foram voltadas a testar meus conhecimentos na área em que iria atuar, que no caso é Nefrologia. Os cubanos que vieram trabalhar em Medicina de família também foram submetidos a provas, para que o governo tivesse o mínimo de controle sobre a sua qualidade.
Pois bem, na última leva, 60 médicos cubanos prestaram exame e 44 foram aprovados (73,3%). Fui procurar dados sobre o Revalida, exame brasileiro para médicos estrangeiros e descobri que no ano de 2012, de 182 médicos cubanos inscritos, apenas 20 foram aprovados (10,9%). Há algo de estranho em tamanha dissociação. Será que estamos avaliando corretamente os médicos estrangeiros?
Seria bem interessante que nossos médicos se submetessem a este exame ao final do curso de medicina. Não seria justo que os médicos brasileiros também só fossem autorizados a exercer medicina se passassem no Valida? Se a preocupação é com a qualidade do profissional que vai ser lançado no mercado de trabalho, o que importa se ele foi formado no Brasil, em Cuba ou China? O CFM se diz tão preocupado com a qualidade do médico cubano, mas não faz nada contra o grande negócio que se tornaram as faculdades caça-níqueis de Medicina. No Brasil existe um exército de médicos de qualidade pavorosa. Gente que não sabe a diferença entre esôfago e traqueia, como eu já pude bem atestar. Porque tanto temor em relação à qualidade dos estrangeiros e tanta complacência com os brasileiros?

REVALIDA

- Em relação este exame de validação do diploma para estrangeiros abro um parêntesis para contar uma situação que presenciei quando ainda era acadêmico de medicina, lá no Hospital do Fundão da UFRJ.
Um rapaz, se não me engano brasileiro, tinha feito seu curso de medicina na Bolívia e havia retornado ao país para exercer sua profissão. Como era de se esperar, o rapaz foi submetido a um exame, que eu acredito ser o Revalida (na época realmente não procurei me informar). O fato é que a prova prática foi na enfermaria que eu estava estagiando e por isso pude acompanhar parte da avaliação. Dois fatos me chamaram a atenção, o primeiro é a grande má vontade dos componentes da banca com o candidato. Não tenho dúvidas que ele já havia sido prejulgado antes da prova ter sido iniciada. Outro fato foi o tipo de perguntas que fizeram. Lembro bem que as perguntas feitas para o rapaz eram bem mais difíceis que aquelas que nos faziam nas nossas provam. Lembro deles terem pedidos informações sobre detalhes anatômicos do pescoço que só interessam a cirurgiões de cabeça e pescoço. O sujeito que vai ser médico de família, não tem que saber todos os nervos e vasos que passam ao lado da laringe e da tireoide. O cara tem que saber tratar diarreia, verminose, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Soube dias depois que o rapaz tinha sido reprovado.
Não sei se todas as provas do Revalida são assim, pois só assisti a uma, e mesmo assim parcialmente. Mas é muito estranho os médicos cubanos terem alta taxa de aprovação em Portugal e pouquíssimos passarem no Brasil. Outro número que chama a atenção é o fato de mais de 10% dos médicos em atividade em Portugal serem estrangeiros. Na Inglaterra são 40%. No Brasil esse número é menor que 1%. E vou logo avisando, meu salário aqui não é maior do que dos meus colegas que ficaram no Brasil.
- Até agora não vi nem o CFM nem a imprensa irem lá nas áreas mais carentes do Brasil perguntar o que a população sem acesso à saúde acha de virem 6000 médicos cubanos para atendê-los. Será que é melhor ficar sem médico do que ter médicos cubanos? É o óbvio ululante que o ideal seria criar condições para que médicos brasileiros se sentissem estimulados a ir trabalhar no interior. Mas em um país das dimensões do Brasil e com a responsabilidade de tocar a medicina básica pulverizada nas mãos de centenas de prefeitos, isso não vai ocorrer de uma hora para outra. Na verdade, o governo até lançou nos últimos anos o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que oferece salários mensais de R$ 8 mil e pontos na progressão de carreira para os médicos que vão para as periferias. O problema é que até hoje só 4 mil médicos aceitaram participar do programa. Não é só salário, faltam condições de trabalho. O que fazemos então? vamos pedir para os mais pobres aguentar mais alguns anos até alguém conseguir transformar o SUS naquilo que todos desejam? Vira lá para a criança com diarreia ou para a mãe grávida sem pré-natal e diz para ela segurar as pontas sem médico, porque os médicos do sul e sudeste do Brasil, que não querem ir para o interior, acham que essa história de trazer médico cubano vai desvalorizar a medicina do Brasil.
- É bom lembrar que Cuba exporta médicos para mais de 70 países. Os cubanos estão acostumados e aceitam trabalhar em condições muito inferiores. Aliás, é nisso que eles são bons. Eles fazem medicina preventiva em massa, que é muito mais barata, e com grandes resultados. Durante o terremoto do Haiti, quem evitou uma catástrofe ainda maior foram os médicos cubanos. Em poucas semanas os médicos dos países ricos deram no pé e deixaram centenas de milhares de pessoas sem auxílio médico. Se não fosse Cuba e seus médicos, haveria uma tragédia humanitária de proporções dantescas. Até o New England Journal of Medicine, a revista mais respeitada de medicina do mundo, fez há poucos meses um artigo sobre a medicina em Cuba. O destaque vai exatamente para a capacidade do país em fazer medicina de qualidade com recursos baixíssimos (http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1215226).
- Com muito menos recursos, a medicina de Cuba dá um banho em resultados na medicina brasileira. É no mínimo uma grande arrogância achar que os médicos cubanos não estão preparados para praticar medicina básica aqui no Brasil. O CFM diz que a medicina de Cuba é de má qualidade, mas não explica por que a saúde dos cubanos, como muito menos recursos tecnológicos e com uma suposta inferioridade qualitativa, tem índices de saúde infinitamente melhores que a do Brasil e semelhantes à avançada medicina americana (dados da OMS).
- Agora, ninguém tem que ir cobrar do médico cubano que ele saiba fazer cirurgia de válvula cardíaca ou que seja mestre em dar laudos de ressonância magnética. Eles não vêm para cá para trabalhar em medicina nuclear ou para fazer hemodiálises nos pacientes. Medicina altamente tecnológica e ultra especializada não diminui mortalidade infantil, não diminui mortalidade materna, não previne verminose, não conscientiza a população em relação a cuidados de saúde, não trata diarreia de criança, não aumenta cobertura vacinal, nem atua na área de prevenção. É isso que parece não entrar na cabeça de médicos que são formados para serem superespecialistas, de forma a suprir a necessidade uma medicina privada e altamente tecnológica. Atenção! O governo que trazer médicos para tratar diarreia e desidratação! Não é preciso grande estrutura para fazer o mínimo. Essa população mais pobre não tem o mínimo!
Que venham os médicos cubanos, que eles façam o Revalida, mas que eles sejam avaliados em relação àquilo que se espera deles. Se os médicos ricos do sul maravilha não querem ir para o interior, que continuem lutando por melhores condições de trabalho, que cobrem dos governos em todas as esferas, não só da Federal, melhores condições de carreia, mas que ao menos se sensibilizem com aqueles que não podem esperar anos pela mudança do sistema, e aceitem de bom grado os colegas estrangeiros que se dispõe a vir aqui salvar vidas.
Infelizmente até a classe médica aderiu ao ativismo de Facebook. O cara lê a Veja ou O Globo, se revolta com o governo, vai no Facebook, repete meia dúzia de clichês ou frases feitas e sente que já exerceu sua cidadania. Enquanto isso, a população carente, que nem sabe o que é Facebook morre à mingua, sem atendimento médico brasileiro ou cubano.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Protestar contra tudo é o mesmo que protestar contra nada

(Yasmin Brunet no protesto: frases de efeito vazias de conteúdo)
Não há, em minha opinião, nada mais assustador acontecendo hoje no Brasil do que o avanço dos fundamentalistas no Congresso Nacional. Aprovar projetos contra o direito de cidadãos de viverem plenamente sua orientação sexual, de usarem o próprio corpo da maneira que desejarem e de serem felizes ao lado do ser amado é o maior atentado à liberdade individual que pode existir. No entanto, na última quarta-feira 18 havia TRÊS manifestantes no plenário da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara protestando contra a aprovação do projeto da “cura gay”. Enquanto isso, do lado de fora, por todo o país, milhares de pessoas protestavam contra… Contra o quê mesmo?
Ao contrário do que alguns pensam, defender os direitos dos homossexuais não é pouca coisa. São brasileiros com direitos e deveres como todos nós. Mas, prestem atenção, não são só os homossexuais que os fundamentalistas ameaçam: no início do mês, a bancada evangélica conseguiu aprovar, na Comissão de Finanças e Tributação, o Estatuto do Nascituro, que prevê o pagamento de um salário mínimo às mulheres que optarem por não abortar em caso de estupro, projeto apelidado pelas feministas de “bolsa-estupro”. Se aprovado no plenário, o estatuto inviabilizaria outra conquista da sociedade brasileira, a pesquisa com as células-tronco embrionárias, liberadas pelo Supremo Tribunal Federal em 2011. Os fundamentalistas se articulam ainda contra as religiões de matriz africana.
Há mais de dez dias, a palavra “liberdade” está sendo usada a toda hora nas manifestações que sacodem o País a pretexto de exigir a diminuição das tarifas de ônibus e outras questões menos claras. Vi incontáveis faixas com “liberdade de expressão” nas passeatas. Mas não vi nenhuma falando em “liberdade de culto”, “estado laico” ou “respeito à diversidade”, que são o mesmo que liberdade, não tem diferença. Acho absolutamente decepcionante que, num momento como este, temas tão urgentes sejam esquecidos ou trocados por “inflação” e “corrupção”, para citar dois exemplos de itens genéricos bradados pelos manifestantes –ou pela mídia que tenta explicar as razões de eles estarem nas ruas.
Eu sinceramente pensei que, com tanta gente mobilizada, as pautas progressistas, tão necessárias e tão ameaçadas, fossem vir à tona: o estado laico, a questão indígena, o meio ambiente, os direitos dos cidadãos LGBTs. Que nada. O que vejo nas ruas é um festival de generalizações. Artistas divulgam nas redes sociais frases de efeito vazias: “Ou o Brasil muda ou o Brasil para”, “Ou para a roubalheira ou paramos o Brasil”. Essas palavras podem soar bonitas, mas não significam nada na prática. São apenas slogans escritos em uma cartolina por pessoas despolitizadas que não parecem genuinamente comprometidas com o País. “O gigante acordou” é trecho de propaganda de uísque. “Vem Para a Rua” é jingle de automóvel. Trechos do hino nacional ou de canções do Legião Urbana são poéticos porém inúteis.
(Isso daqui chega a ser burrice: só se “tira” políticos do Congresso –ou da presidência– pelo voto. Acordem!)
Excluíram as bandeiras dos partidos de esquerda do movimento para que ele fosse “apartidário”. Ok. Mas desde que elas saíram, o volume de pessoas nas ruas aumentou e as manifestações perderam em conteúdo. Vejo gente saltando diante das câmeras de TV que nem no carnaval e assisto a entrevistas onde os participantes não conseguem concatenar meia dúzia de ideias para justificar por que estão ali. Resumem-se a dizer que protestam “contra tudo”. Contra tudo o quê, cara-pálida? É mentira que o Brasil esteja totalmente ruim para que seja preciso protestar contra TUDO. É contra a Copa? Ótimo. Pelo menos é UMA razão. Quem protesta contra tudo, a meu ver, não está protestando contra coisa alguma. Afinal, o protesto é à vera ou é só para postar no Facebook?
Uma manifestação se distingue de uma turba pelas reivindicações e pelas causas que possui. Uma manifestação sem rumo e sem causa pode se transformar facilmente em terreno fértil para aproveitadores e arruaceiros, como vimos diante da prefeitura de São Paulo na terça-feira e, na noite anterior, diante do Palácio dos Bandeirantes. Sim, eles são minoria, mas uma minoria de gente perigosa que agora já parte para saques e destruição do patrimônio público e privado. Sou totalmente contra o uso da violência em manifestações. Numa democracia, é perfeitamente possível protestar sem partir para a ignorância.
Cabe à polícia investigar quem são estas pessoas e puni-las. Aliás, a Polícia Militar brasileira tem sido um caso à parte nos protestos das últimas semanas: como é possível que os policiais sejam capazes de bater em manifestantes inocentes e cruzar os braços diante de vândalos? Será que a PM não sabe decidir quando é ou não necessário intervir duramente? Não conseguem distinguir manifestantes de arruaceiros? Que tipo de treinamento recebem, então? Isso também é feito com dinheiro do contribuinte, sabem?
(Veja no vídeo abaixo os vândalos agindo em Belo Horizonte sem que a PM de Minas Gerais mova um só dedo para impedi-los)
Sou e sempre serei a favor do povo nas ruas, batalhando por seus direitos, protestando e exigindo um futuro melhor. Isso é exercitar a cidadania. Mas eu aprendi que manifestações têm pautas. Qual é exatamente a pauta destes protestos? Se for pela tarifa, o pessoal do Movimento Passe Livre deve se sentar para negociar com o prefeito Fernando Haddad, que, a meu ver, errou em não fazer isto desde a primeira hora. Se for por algo mais além da tarifa, como sentimos, os manifestantes precisam encontrar um caminho, apresentar queixas concretas, reivindicações factíveis. Vivemos em um país democrático, não há governo tirano para derrubar. Se isso que estamos vivendo é uma “primavera”, é primavera do quê?
UPDATE: Os prefeitos das capitais concordaram em reduzir a tarifa. Vitória do Movimento Passe Livre, que conseguiu mobilizar as pessoas em torno de um objetivo. Mas e agora, como ficam os protestos contra “tudo”?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A técnica agora é outra!



“Caminhando e cantando e seguindo a canção. Somos todos iguais braços dados ou não. Nas escolas, nas ruas, campos, construções. Caminhando e cantando e seguindo a canção. Então vem, vamos embora que esperar não é saber e quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” A hora é essa! O Brasil cansou da tecnocracia burguesa, na qual sobra Estado e falta Povo.

Sobram Técnicos, Doutores, Phds... Pesquisas e mais pesquisa para que o brasileiro continue tendo reservado para si o “lugar comum”. Não, esta não é uma apologia contra a academia. Muito pelo contrário. Os acadêmicos são aqueles que alinham teoria e prática com fins na interferência exitosa para as realidades que se lhes apresentam. Mas a construção acadêmica se baseia numa relação de dialogicidade, troca de saberes. Os grandes técnicos governamentais desconstruiram suas teses e dissertações quando se esqueceram de ouvir o grande detentor dos saberes, o Povo. Povo que de tanto não ser ouvido resolveu gritar!

Agora, aos gritos, as vozes começam a reverberar. O Brasil invade o noticiário mundial com as suas passeatas compostas por multidões que reinvidicam um “lugar ao sol”, um lugar de todos. Estabeleceu-se uma identidade. O brasileiro colocou nas ruas o real significado da expressão alteridade. O sentimento de insatisfação se tornou generalizado. Enxerga-se no outro o espelho do eu, com os mesmos problemas, as mesmas decepções, a mesma falta de perspectivas.

A enxurrada de demandas dos mais diversos segmentos populacionais se aglutinaram, no que a princípio foi rotulado de R$ 0,20 (vinte centavos), talvez fruto da insanidade capitalista que necessita estabelecer preços até para os debates políticos e/ou da tendência estatal em desqualificar as questões sociais, e terminaram por entupir os “bueiros do Estado”. A inundação tomou conta do país, tendo por reflexo a multidão nas ruas, o que sinaliza que os “democratas de gravatas lavadas” não são suficientes para que se estabeleçam os reais princípios de um Estado Democrático de Direito. Estamos falando de liberdade, de igualdade, de fraternidade.

As vozes uníssonas exigem dignidade. Dignidade no trasporte público, dignidade na saúde, dignidade no tratamento com a população LGBT, dignidade para com as religiões, dignidade para as pessoas com deficiência, dignidade para com os negros, representantes da cor desse Estado que insiste na postura psicodautônica de se pensar branco. Aos que se pretendem simplesmente Técnicos da burocracia estatal, a verdadeira democracia os aguardam nas ruas para dialogar.

Luiz Paulo Bastos
Advogado do Coletivo de Entidades Negras
Militante em Direitos Humanos

Mobilização pública e o local de cada um!


Por Marcos Rezende*

As mobilizações que acontecem em todo o Brasil deixam, dentre outros fatores, diversas mensagens que não só de facebook ou tuitadas, através dos seus breves 144 caracteres. Primeiro é importante salientar a justeza de que as mobilizações sociais se transversalizam nas gerações, pelas mais variadas formas e motivadas pelos mais diversos fatores catalizadores. Mudam-se os tempos e permanece a vontade de mudança positiva, a busca por um lugar plural, onde caiba todos nós.

Interessante é o não lugar deste debate, porque a mudança de direção da mídia tradicional demonstra o quanto é necessário urgentemente avançar na construção de um país democrático e garantir o direito da comunicação para todos e todas; quem poderia imaginar a Rede Globo sendo expulsa durante as filmagens da manifestação de ontem na cidade de Salvador? Ou mesmo a mudança de rumos da Folha de São Paulo que trocou a denominação do movimento de “vândalos” para a de “lutadores por um país melhor”?

A maioria das manifestações que tem ocorrido nas capitais e outras cidades do país diz respeito a nós, às nossas vidas. Elas não são meramente reproduções de manifestantes ingênuos que resolveram ser utilizados pela esquerda ou pela direita contra o PT, ou um governo qualquer. A manifestação é o grito, inclusive de muitos militantes do PT, que há tempos da parte debaixo do partido e em sintonia com as bases dizia: a tecnocracia por sí só não resolve; o desenvolvimentismo sozinho não será a solução, mas sim, o enfrentamento mais cotidiano ao capital e as suas formas de expropriação. 

Os gritos atingem a todos! Faz-se necessária uma autoanalise, o olhar-se no espelho com a compreensão de que mais do que estádio, a população prefere aos índios, mas do que hidroelétrica de Belo Monte as comunidades ribeirinhas, mais do que redução de IPI, investimento em transporte público de qualidade e aumento de ciclovias, mais do que agro-negócio, reforma agrária e ampliação de serviços para as pessoas do campo. Não se encaixam mais banqueiros, empresários, políticos e gestores corruptos fazendo o que bem entendem de um lado e a prisão para pretos e pobres, ou um debate sobre a redução da maioridade penal sem análise de causa e efeito de outro. As manifestações criticam o conservadorismo das igrejas espalhadas por aí, e gritam por respeito às diferenças de um estado plural, laico e diverso. Questiona-se onde estão os pastores evangélicos retrógrados, os Malafaias e Felicianos da vida?

São várias as bandeiras e as manifestações vêm acontecendo forma difusa. Aqui em Salvador, na quinta-feira, eu quero poder olhar na face de cada policial e perguntar: vai fazer o que agora? Quando das manifestações por aumento de salário, a polícia pede suporte e o apoio da população. E agora, como fará? Em estados onde os governos são mais reacionários a tendência tem sido o sarrafo e o chicote. Em locais onde a tradição é mais a esquerda, tende-se ao diálogo frente a confrontação. Aqui na Bahia veremos o próximo episódio com a ampliação dos processos estabelecidos.
Quero poder dizer aos policiais que isto é a democracia, e espero não ser preso ou agredido por tal. Mais do que isto, importante salientar que as pessoas não deveriam se assustar tanto com uma manifestação como esta, e sim se alegrar. O governador Geraldo Alckmin, ao não conversar ou rever a sua postura, fez um grande favor ao Brasil, pois muitas manifestações surgiram em apoio a São Paulo, e espero, inclusive, que isto sirva para que os paulistas sejam mais solidários aos nordestinos e para que mudem posturas históricas e preconceituosas contra nós.

A lição também deve servir para aqueles que sentiram a dor do tiro de borracha, do gás lacrimogênio, a violência da polícia montada, pois a história deve servir de esteio para relembrar os horrores da ditadura, do Brasil Outros 500, em Porto Seguro, ou do maio de 2001, em Salvador, quando da violação do painel eletrônico do congresso Nacional e do absurdo da PM de ACM, ao entrar em uma área federal da UFBA e agredir os manifestantes. É importante salientar estes elementos, pois tem gente que diz sentir saudades da ditadura e de determinados tipos de políticos, sem ter vivenciado os absurdos que foram aqueles anos.

Não podemos esquecer também de fazer uma análise aos tiros de borracha que resultaram em uma série de feridos, como a repórter da Folha, sem trazer a baila a forma como, nas favelas e periferias deste país, os negros e pobres são tratados pela brutalidade policial, mas sem direito a imagem e sem direito a contar as suas versões, ficando expostos a tendenciosa notícia dos tradicionais veículos de comunicação, pois, nestas comunidades, as balas são de verdade e os corpos ficam jogados no chão sujeitos à imagem de bandido, mesmo que a polícia não elucide 2% dos crimes nestes bairros e mais de 90% nos bairros nobres.

Como não reparar nas abordagens abusivas dos policiais, sob a égide de revista, para incriminar as pessoas por carregarem vinagre. Sim vinagre, que em caso de bombas de gás lacrimogênio ajuda a abrir as vias respiratórias e amenizar a falta de ar. Agora, imagine o cotidiano de dentro dos ônibus, e pior, o aviltamento nas comunidades periféricas, onde quem questiona qualquer coisa ou abordagem policial pode ir preso por desacato, ou mesmo ser morto ou desaparecer. Lá as balas são de verdade e as notícias dos corpos pretos espalhados pelo chão ou presos não geram comoção, mas sim acusação. Foi o que vimos quando a repórter da Band montou um tribunal de excessão e sentenciou um jovem negro de estuprador no meio de uma entrevista ao vivo. É o que vemos cotidianamente nos programas sensacionalistas exibidos por todo o Brasil.

Ao que li hoje, a presidenta Dilma elogiou o movimento e disse que eles são próprios da juventude e das inquietações necessárias da sociedade. Não poderia ser diferente, pois quem esteve nos porões da ditadura por lutar contra o regime de outrora, no mínimo jogaria a sua história pela janela se pensasse em negar a importância de tais atos. 

Os protestos que vêm ocorrendo em todo o Brasil são legítimos e representam o legado de um estado democrático de direito; quem se posicionar de forma diferente a isto, está violentando a própria democracia.

Estas ações que estão acontecendo entram para a história, mas como já disse para alguns amigos que gostam de RAP, não pensem que antes de vocês não já existia os blocos afros, assim como disse aos blocos afros e afoxés que antes já tinha o samba, e antes o lundu. Ou seja, este gigante negro nunca dormiu! Mesmo porque acorda cedo todos os dias para pegar no batente e dorme tarde para deixar a comida das crianças pronta para o dia seguinte. Este Brasil de negros, de mulheres, de sindicatos, de quilombolas, de sem terra, de estudantes, de homossexuais, etc. sempre se mexeu, e este momento é a soma, o desaguar de manifestações históricas.
A rua está dizendo queremos mais, chega de retrocesso. 

Precisamos de mais. Bolsa-família é legal, minha casa minha vida é legal, luz para todos é legal, água para todos é legal, cotas é legal, mas precisamos de mais. De mais saúde, de segurança da vida ao invés do patrimônio, de educação, de cultura, de diminuição de todo o tipo de violência contra o cidadão. Precisamos de pautas que nos façam avançar e alcançar a liberdade plena, dos negros, das mulheres, dos estudantes, dos sem terra, dos trabalhadores, dos indígenas, dos quilombolas.

O importante é apontar para os nossos governantes que o povo tem lado e temos sempre que estar do lado do povo. Para a juventude que neste momento grita que o mundo se muda na rua, parabéns! Até o final de semana nos encontramos de novo, mais fortes e mais coesos, com panfletos, bandeiras, calçados ou descalços, pois como diria Gonzaquinha: “A gente quer viver pleno direito, a gente quer viver todo respeito, a gente quer viver uma nação ,a gente quer é ser um cidadão.”

* Marcos Rezende é Coordenador Geral do Coletivo de Entidades Negras

terça-feira, 18 de junho de 2013

REUNIÃO DE COMBATE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E A VIOLÊNCIA DE ESTADO


REUNIÃO DE COMBATE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E A VIOLÊNCIA DE ESTADO

Reunidos na última segunda-feira (17) no Centro Histórico de Salvador, lideranças dos movimentos negros e de religiões de matrizes africanas repudiaram a violência religiosa e se manifestaram pela liberdade de culto e o fim do preconceito e discriminação. A reunião foi convocada por diversas entidades do Movimento Negro, e contou com a participação de entidades importantes como Coletivo de entidades Negras, Quilombo Xis, Campanha Reaja, Instituto Pedra de Raio e CONEN, AKOFENA, também com a presidenta do CDCN, Vilma Reis e Fabio de Santana representante da Fundação Cultural Palmares no estado da Bahia. Importantes personalidades como Makota Valdina Pinto, Mãe Jaciara Ribeiro, Tata Ricardo, Pai Rogério de Exu, Deputado Valmir Assunção, Vereador Luiz Carlos Suica IMoisés Rocha e Ivan Alex Lima da EPS também estiveram presentes.

Após análise de conjuntura sobre o recrusdescimento das pautas históricas dos movimentos sociais, negro, dos religiosos de matrizes africanas, nos povos e comunidades tradicionais, movimento LGBT, mulheres, da reforma agrária e em todas as frentes mais progressivas dos direitos humanos. Foi colocado em pauta o Caso de Pai Fabrício de Ilhéus, Pai Everaldo de Oxóssi assassinado no Nordeste de Amaralina e diversos casos de violência que tem assolado o Estado, resultando em um verdadeiro extermínio da população negra.

As manifestações em plenária foram feitas por Tata Ricardo, Marcos Rezende, Makota Valdina Pinto, Vilma Reis, Vereador Luiz Carlos Suica, Hamilton Borges, Pai Rogério de Exu, Magnólia Antunes, Deputado Federal Valmir Assunção, Fabio de Santana e, EM CONSONÂNCIA, as entidades, autoridades políticas e representações sociais que atenderam ao chamado, ADOTARAM AS SEGUINTES DELIBERAÇÕES:

A CRIAÇÃO DO COMITÊ PERMANENTE E INDEPENDENTE CONTRA A VIOLÊNCIA DO ESTADO

O COMITÊ TEM AS SEGUINTES TAREFAS INICIAIS:



1. AMPLIAR O LEQUE DE ENTIDADES E PARCEIROS DO COMITÊ

2. ENCAMINHAR PROPOSTA COM OS CASOS RELATADOS PARA A REDE DE COMBATE AO RACISMO E DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

3. À OUVIDORIA DA SEPPIR

4. PARA A SECRETARIA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

5. FORMALIZAR DENÚNCIA CONTRA O ESTADO DA BAHIA A ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS

6. FORMALIZAR DENÚNCIA EM TODOS OS ORGÃOS DA ONU LOCALIZADOS NO ESTADO DA BAHIA E COBRAR RESPOSTAS DE MANIFESTAÇÃO DOS MESMOS.

7. ENTRAR COM REPRESENTAÇÃO CONTRA O PROMOTOR DO CASO PAI FABRÍCIO NA PROCURADORIA GERAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO

8. TAMBÉM ENTRAR COM REPRESENTAÇÃO NO CONSELHO NACIONAL DE PROCURADORES DO MINISTÉRIO PÚBLICO

9. O COMITÊ FARÁ UM ENCONTRO COM PAI FABRÍCIO EM SALVADOR E TAMBÉM MONTARÁ UMA AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE O CASO DE PAI FABRÍCIO EM ILHÉUS.

POR FIM, ENCAMINHOU-SE QUE O COMITÊ TEM A SUA PRÓXIMA REUNIÃO AGENDADA PARA O DIA 26 DE JUNHO AS 16H, NESTA MESMA SOCIEDADE PROTETORA DOS DESVALÍDOS COM A SEGUINTE PAUTA.

PAUTA DA NOVA REUNIÃO:

1. CONSTRUÇÃO DE UMA MANIFESTAÇÃO NO 2 DE JULHO;

2. CONSTRUÇÃO DE UM GRANDE ATO CONTRA A VIOLÊNCIA DE ESTADO NO MÊS DE JULHO


segunda-feira, 17 de junho de 2013

MOÇÃO DE REPÚDIO ao assassinato do Babalorixá Everaldo de Jesus Almeida

São Paulo, 17 de Junho de 2013.
 
O CEN/SP manifesta seu repúdio ao assassinato do Babalorixá Everaldo de Jesus Almeida, 70 anos, o Everaldo de Oxóssi, da cidade de Salvador, Líder do Terreiro Filho de Azacrá, fato que aconteceu no último domingo, dia 16 de junho.
O Babalorixá Everaldo de Oxóssi era um dos mais velhos sacerdotes e conhecido nacionalmente, mantendo ao longo de sua vida um trabalho integro e respeitado.
Seu falecimento ocorreu de forma violenta e truculenta, pelo qual não podemos deixar passar de forma banal.
Pois não apenas ele que foi assassinado, e sim toda uma história viva de sabedoria, o que para os religiosos de Matrizes Africanas quanto mais idosa a pessoa, maior o seu respeito e admiração, portanto, toda a Comunidade de Matrizes de Religiões Africanas se sente de luto.
 
É extremamente penoso constatar que continuamos vivendo em uma sociedade repleta de preconceitos e intolerância, e, em um momento como esse, é fundamental que exponhamos nossas posições, para repudiar a intolerância religiosa e defender uma sociedade tolerante que respeite a liberdade religiosa.
 
Vivemos em um país laico, garantido pela constituição e precisamos que esta laicidade seja respeitada, e a segurança garantida, não podemos permitir agressões físicas as Sacerdotisas, Sacerdotes e adeptos de Religiões de Matrizes Africanas, e muito menos que tenham as suas vidas ceifadas de forma brutal.
 
Estamos problematizando, portanto um processo de agressão direta e indireta que nega a nossos amigos, familiares, colegas de trabalho e outros o livre direito à identidade religiosa e a expressão de sua fé.
Será mesmo essa sociedade que queremos? Podemos mesmo alimentar idéias e sentimentos tão retrógrados? Não aceitaremos calados o que aconteceu.
 
Perante isso reivindicamos ao Estado da Bahia e demais autoridades que seu assassinato seja investigado e os culpados condenados, que sua morte antecipada não seja em vão e não se torne mais um número entre os índices alarmantes do genocídio da população negra brasileira.
 
Portanto, se trata de uma luta democrática, só assim haverá mobilizações e vitórias.
 
Não ao genocídio da população negra, pelo respeito as Religiões de Matrizes Africanas, pela laicidade do Estado Brasileiro.”
 
Coletivo de Entidades Negras do Estado de São Paulo

domingo, 16 de junho de 2013

Nota de Falecimento: Babalorixá Everaldo de Oxóssi

É com pesar que o Coletivo de entidades Negras informa o falecimento do Babalorixá Everaldo de Oxóssi.
Com 49 anos de iniciado e respeitado em todo Brasil, Pai Everaldo, ou Veveco, sempre foi conhecido pela educação, os bons conselhos e respeito as pessoas. Participava ativamente de encontros, atividades de defesa da Religião e de Combate a Intolerância Religiosa.
Pai Everaldo é mais uma vítima da violência que assola o nosso Estado, tendo sido assassinado hoje, por volta das 10 horas da manhã em sua venda, localizada no final de linha do Nordeste de Amaralina. Os motivos ainda são desconhecidos, mas a Comunidade Religiosa se organiza para cobrar das autoridades competentes um devido esclarecimento para este caso que chocou a todos.

LANÇAMENTO OFICIAL DA CASA DAS REDES - 18 A 20 DE JUNHO



A capital federal recebe, em movimento totalmente organizado pela sociedade civil, a inauguração de mais uma embaixada em seu território: a Casa das Redes. Utilizando-se de tecnologias fortalecidas e aperfeiçoadas ao longo de anos de trabalho de diferentes redes colaborativas, a Casa nasce em Brasília se propondo a oferecer apoio logístico e multimídia a todas as redes de cultura, tanto do Brasil quanto da América Latina.

Após meses de atuação, articulação e conexão com movimentos do DF, a Casa prepara uma programação livre para os dias 18 a 20 de Junho. Oficinas, observatórios, encontros, mini-conferências, Pós TV e percursos culturais por Brasília marcam o Encontro das Redes, que abordará de forma dinâmica e integrada diversos temas que tangem os modos de organização da sociedade civil hoje: Cultura Digital, Política de Drogas, Nas Ruas e Nas Redes, Feminismo, Tecnologias Sociais, Juventude, Cultura Popular, Meio Ambiente, Redes em Rede, Pontos de Cultura, Guerra de Memes, Midialivrismo, Rede Global de Música são algumas das tags que permearão as trocas entre os presentes em diferentes formatos de conversa entre os representantes de movimentos, coletivos, redes e poder público que estarão presentes no encontro.

Inscreva-se e contribua para a construção desse campo cognitivo de onde sairão idéias, encaminhamentos, tecnologias e conceitos aprimorados à respeito das redes e dos movimentos sociais nos diversos cantos do país:http://bit.ly/InscricoesRedes

Todas as atividades ocorrerão na Casa das Redes, que fica no número 38 do Bloco O, na Quadra 703, Asa Norte.

Foto: LANÇAMENTO OFICIAL DA CASA DAS REDES - 18 A 20 DE JUNHO

Inscreva-se: http://bit.ly/InscricoesRedes

A capital federal recebe, em movimento totalmente organizado pela sociedade civil, a inauguração de mais uma embaixada em seu território: a Casa das Redes. Utilizando-se de tecnologias fortalecidas e aperfeiçoadas ao longo de anos de trabalho de diferentes redes colaborativas, a Casa nasce em Brasília se propondo a oferecer apoio logístico e multimídia a todas as redes de cultura, tanto do Brasil quanto da América Latina.

Após meses de atuação, articulação e conexão com movimentos do DF, a Casa prepara uma programação livre para os dias 18 a 20 de Junho. Oficinas, observatórios, encontros, mini-conferências, Pós TV e percursos culturais por Brasília marcam o Encontro das Redes, que abordará de forma dinâmica e integrada diversos temas que tangem os modos de organização da sociedade civil hoje: Cultura Digital, Política de Drogas, Nas Ruas e Nas Redes, Feminismo, Tecnologias Sociais, Juventude, Cultura Popular, Meio Ambiente, Redes em Rede, Pontos de Cultura, Guerra de Memes, Midialivrismo, Rede Global de Música são algumas das tags que permearão as trocas entre os presentes em diferentes formatos de conversa entre os representantes de movimentos, coletivos, redes e poder público que estarão presentes no encontro.

Inscreva-se e contribua para a construção desse campo cognitivo de onde sairão idéias, encaminhamentos, tecnologias e conceitos aprimorados à respeito das redes e dos movimentos sociais nos diversos cantos do país: http://bit.ly/InscricoesRedes

Todas as atividades ocorrerão na Casa das Redes, que fica no número 38 do Bloco O, na Quadra 703, Asa Norte. 

Participe: http://bit.ly/EventoRedes

Fiquem ligad@s!

Agora, sob as águas e bençãos de Oxum, o Orooni vai ao Abassá de Ogum. A Ialorixá Jaciara Ribeiro, abre as portas à Juventude de Candomblé. A semente será regada.


sábado, 15 de junho de 2013

27 cidades pelo mundo terão atos de protesto

Por Paulo Saldaña | Estadão Conteúdo
A mobilização iniciada em torno do aumento da tarifa de ônibus ultrapassou as fronteiras do Brasil. Dezenas de manifestações estão sendo organizadas em outros países, em apoio aos protestos realizados em São Paulo, principalmente depois do ato de quinta-feira, 13, marcado pela ação violenta da Polícia Militar. Há eventos marcados pelo Facebook em pelo menos 27 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.
A organização dos atos é comandada por brasileiros que moram fora e muitos já têm a confirmação online de milhares de pessoas, como é o caso do ato organizado em Dublin, na Irlanda. Marcado para as 13 horas de domingo, 16, o evento tinha, até as 22h50 de sexta-feira, 14, a confirmação de 1.353 pessoas. “Não podemos ficar parados enquanto o Brasil está em luta. Em apoio a todos os brasileiros, vamos sair do Facebook e fazer uma marcha aqui em Dublin”, anota o descritivo do evento.
Uma das organizadoras, a catarinense Andréa Cordeiro, de 32 anos, diz que tem acompanhado as manifestações no Brasil com atenção. “Ficamos chocados com as ações da polícia. É uma junção de coisas: não só o aumento de uma passagem, mas todo um sistema falho”, diz ela sobre os motivos da convocação. Andréa morou em São Paulo por 22 anos e passa uma temporada em Dublin para aperfeiçoar o inglês.
Essa não é a primeira vez que ela se envolve em manifestações na Irlanda sobre temas polêmicos do País. “Organizamos o movimento contra o (deputado Marco) Feliciano. O cartaz era: não estamos no Brasil, mas Feliciano não nos representa.” O protesto começará no Monumento da Luz e seguirá até o Brazilian Day.
Participantes já planejam carregar cartazes e se vestirem com as cores da bandeira.
Muitas das manifestações convocadas pela rede social estão ligadas ao evento chamado Democracia Não Tem Fronteiras. Em geral, os atos estão marcados para terça-feira, dia 18. Além de Dublin, cidades como Paris (França) Madri (Espanha), Bruxelas (Bélgica), Vancouver (Canadá) e Buenos Aires (Argentina) tiveram atos agendados.
Na Alemanha, das quatro cidades onde estão agendadas manifestações, a maior é a de Berlim. Até sexta-feira, 14, havia 1.206 confirmações. A chamada para o evento compara os acontecimentos de São Paulo com a revolta ocorrida na Turquia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Nota da EPS do PT sobre a luta contra os reajustes de passagens

1012098_553544351350761_1432577342_n
Nota da Comissão Executiva da CN da da EPS-PT sobre as manifestações populares na capital de São Paulo
A Comissão Executiva da Coordenação Nacional da Esquerda Popular Socialista, do PT, vê com muitas preocupações as posturas e posicionamentos no seio de nosso Partido quanto às manifestações de protesto contra o reajuste das passagens de transporte coletivo na capital paulista especificamente, e em outras capitais, às quais se agregam partidos, correntes e outros movimentos sociais. Ao mesmo tempo registra que, para que o movimento amplie sua legitimidade e respaldo popular é preciso uma condução política que evite ações extremadas. Ações estas que não estejam sintonizadas com a subjetividade de quem se quer representar. O exercício legítimo da autodefesa, por lutadores e lutadoras sociais, não pode se confundir com atos isolados de agressões e violência que desconsiderem o nível de consciência e organização das massas.
Nesse sentido, emitimos nossa opinião:
  • Frente ao recente ativismo social na capital paulista é equivocado tratá-lo como algo ilegítimo e inadequado, em seu todo.
  • O setor empresarial que opera e disputa as concessões e permissões de transporte público no Brasil, há muito que ganha rios de dinheiro com planilhas de duvidosa procedência; com informações fraudadas sobre desgastes de componentes e peças de ônibus; com gastos sobrevalorizados na mão de obra de manutenção de veículos; com subsídios de combustíveis; com pagamento antecipado de tarifas (no caso da compra direta de cartões que serão usadas durante o período posterior ao da aquisição); no lucro garantido com a tarifa paga “na hora”, frente aos prazos que o setor tem para cobrir seus gastos com o serviço. Incluindo aí o salário de seus trabalhadores. Certamente é um dos setores que mais ganha no mercado financeiro, com aplicações das receitas antecipadas que auferem. Isso sem falar no uso intensivo de equipamentos públicos, vias e praças, pessoal de manutenção e fiscalização públicas, que nem sequer são remunerados com as tarifas do setor.
  • Note-se que a possível fraude em planilhas contribui decisivamente até mesmo para o aumento do cálculo da inflação no país, ao superestimar a “sua” inflação setorial.
  • Os protestos de rua que ocorrem em várias capitais contam com o apoio da maioria dos petistas e devem ser estimulados pelas direções partidárias. Nosso foco deve ser debater o custo do transporte e do direito à mobilidade urbana, e não dar destaque a esse ou aquele excesso que sempre é possível ocorrer em manifestações populares. 
  • Quanto aos excessos, estes devem ser tratados de forma singularizada e individualizada. Inclusive porque há excessos claros por parte da PM. Excessos são uma parte. Não são o todo. Até o direito burguês individualiza a responsabilidade por atos supostamente criminosos. Elevar a “parte” à condição de “todo” é criminalizar os movimentos sociais! Registrar apoio ao direito de manifestação, mas defender que este não “atrapalhe” a dinâmica da cidade, da fábrica, dos campi, do latifúndio etc é torná-los assépticos, inodoros, insípidos, incolores e… indolores ao interesses do capital.
  • Se há erros de condução, estes devem ser criticados enquanto tais. O que não podemos é deslegitimá-los com os mesmos argumentos dos porta vozes reacionários da direita. Até porque a ação da PM de Alckmin tem, comprovadamente, sua responsabilidade desencadeadora das reações da massa. Antes de qualquer violência vinda de setores das manifestações, a PM tucana agiu de forma orquestrada visando iniciar os conflitos.
  • A gestão Fernando Haddad tem feito mudanças substanciais na capital paulista. Pessoalmente, o companheiro Haddad tem se mantido fiel às suas origens, à sua formação e ao seus compromissos. Mesmo diante da complexa tarefa de administrar a maior cidade do Continente. E com as “heranças” que recebeu. Por isso deve ter a resoluta solidariedade do PT. E esta solidariedade deve aparecer na forma de qualificação do debate sobre o transporte público e sua condição de serviço essencial ao povo e à sociedade em geral. Assim, o empresariado privado que explora essa atividade deve ser confrontado de uma forma mais ampla.
  • Quanto ao diálogo, sobretudo nesse momento de tensões, o mesmo deve ser feito de forma incondicionada. Para quem advoga por tratamento “republicano” aos nossos adversários ideológicos (mídia de direita, partidos neoliberais, lideranças do latifúndio, banqueiros, agentes do Judiciário, do MP etc), nada mais contraditório do que demonstrar preconceito com tais manifestações populares.
  • É sempre possível que haja infiltração do aparato repressivo do Estado nesses protestos, estimulando provocações, num contexto de tensão; que – por sua vez – pode, inclusive motivar militantes e cidadãos comuns a agir de forma inadequada. Isso demanda tratamento cuidadoso, para que nos afastemos da crítica midiática de direita, que quer nos colocar na defensiva e nos isolar de lutadores sociais que, por ventura, discordem de nossos governos.
  • No caso da depredação da portaria da sede do PT, em SP, ou bem isso é um grave erro político, se foi organizado por correntes de esquerda (que confundem: partido, governo e Estado), ou é fruto de ações de setores de massa inorgânica e sem direção; ou, até mesmo de provocadores da direita. Em quaisquer dessas circunstâncias isso deve ser tratado no terreno do crime comum e a busca de ressarcimento é legítima.
- Fonte:http://esquerdapopularsocialista.com.br/nota-da-eps-do-pt-sobre-a-luta-contra-os-reajustes-de-passagens/

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons