quinta-feira, 26 de junho de 2014

Atos contra o Mundial têm pouca participação


Em 17 de junho de 2013, cerca de cinco mil pessoas foram à região do Iguatemi, em apoio aos protestos contra o aumento da tarifa do metrô em São Paulo. Em 12 de junho de 2014, cerca de 80 pessoas foram ao mesmo local, em manifestação contra a realização da Copa do Mundo.



O poeta Pareta Calderasch, responsável por convocar a reunião que deflagrou a primeira manifestação em Salvador, avalia que um dos elementos causadores do esvaziamento dos protestos foi "o desvirtuamento da pauta".

Para Calderasch, o transporte foi deixado de lado, em prol de protestos anti-Copa. "Desviaram os protestos, votando a favor de manifestações na direção da Fonte Nova, quando não era essa a intenção", afirma.

Já o representante do Comitê Popular da Copa na Bahia, Argemiro Almeida, lista a paixão pelo futebol e a repressão policial aos atos como fatores responsáveis pelo afastamento. Para Almeida, representante da principal entidade das manifestações deste ano, não houve um abandono da questão da mobilidade urbana.

"Eu sou testemunha de que as pautas de mobilidade urbana foram postas nos protestos, que a defesa do direito à cidade foi veemente defendido", defendeu o ativista.

Pautas

O sociólogo Walter Takemoto, nome de destaque do Movimento Passe Livre Salvador (MPL), que puxou os protestos do ano passado, acredita que o esvaziamento das ruas acontece "porque a bandeira anti-Copa não é popular", diferentemente da do transporte público, "que era uma pauta unificadora".

Ainda assim, Takemoto considera que os protestos mais fortes de 2014, feitos durante greves, "são mais maduros e debatem as questões com mais qualidade".

De acordo com o historiador Marcos Rezende, coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras (CEN), as disputas políticas do movimento de 2013 também pesaram para o esvaziamento.

Neste período, o MPL teve três grupos dissidentes: Coletivo Tarifa Zero (CTZ), União Independente pelo Passe Livre e Resistência MPL.

"Este ano houve uma radicalização negativa, de virulência e rastreamento de pensamento pró-governo", disse Rezende, reafirmando que as pautas foram desviadas.

"Respeitamos as entidades que estão nas ruas, mas nunca lutamos contra a Copa. Esta pauta é perene, ao contrário das históricas defendidas no ano passado", disse ele , citando luta indígena, extermínio da juventude negra, combate à homofobia e o debate sobre reforma política.

Fonte: http://www.atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/atos-contra-o-mundial-tem-pouca-participacao-1601632

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