sábado, 31 de maio de 2014

Na Nigéria, bonecas ‘Rainhas da África’ desbancam a Barbie em vendas

Rainha africana
Com a economia da Nigéria em ascensão e mais crianças negras do que em qualquer outro lugar do mundo, Taofick Okoya ficou perplexo ao descobrir, anos atrás, que não havia no mercado uma boneca negra para a sobrinha. O empreendedor, hoje com 43 anos, notou que havia uma brecha no segmento de brinquedos, com pouca concorrência de multinacionais como a Mattel, fabricante de Barbie.

Foi aí que ele decidiu criar seu próprio negócio. Encomendou as peças na China, montou-as na própria Nigéria e acrescentou um toque local – trajes típicos desta região da África
Sete anos depois, Okoya vende entre 6 mil e 9 mil unidades mensais das linhas “Rainhas da África” e “Princesas Naija”. Ele calcula dominar de 10% a 15% de um mercado ainda pequeno, mas que cresce aceleradamente. “Eu gosto”, disse Ifunanya Odiah, de 5 anos, que mal continha o entusiasmo ao ver uma boneca fabricada por Okoya em um shopping center de Lagos, a maior cidade do país. “Ela é negra, igual a mim.”
Embora muitas multinacionais estejam explorando os mercados africanos, a experiência de Okoya indica que, pelo menos em algumas áreas, há espaço para que empresas locais aproveitem o conhecimento nativo de modo a atender uma classe média cada vez maior e mais sofisticada.
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Ninguém duvida do potencial econômico da Nigéria. O economista Jim O’Neill, criador da sigla Brics (que reúne grandes nações em desenvolvimento – Brasil, Rússia, Índia, China e posteriormente África do Sul). Recentemente, ele popularizou outra sigla, a Mint, alusiva a uma nova onda de emergentes: México, Indonésia, Nigéria e Turquia.
Com cerca de 170 milhões de habitantes, a Nigéria é disparadamente a mais populosa nação africana. E, com um crescimento em torno de 7% ao ano, aspira ultrapassar a África do Sul como maior economia do continente.
Fonte: Exame.
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sexta-feira, 30 de maio de 2014

"BOLOTA - UMA CERTA JABUTICABA MUITO ESPERTA"

Bolota é uma jabuticaba que fica toda prosa quando escuta a dona Zezé, uma linda mulher negra com tranças nos cabelos, ser elogiada por ter os olhos cor de ... jabuticaba
O livro fala da semente que a fruta guarda e de uma outra, que está na barriga da dona Zezé.
É interessante a forma como a história é ilustrada:
com bordado feitos à mão pela autora, Iray Galrão, professora da Bahia de religiões africanas e literatura infantil.

"BOLOTA - UMA CERTA JABUTICABA MUITO ESPERTA"
AUTORA Iray Galrão
EDITORA Escritinha
PREÇO $27
INDICAÇÃO a partir de 6 anos


Um belíssimo presente para os pequenos!

Para saber mais entre em contato com a autora:
https://www.facebook.com/iray.galrao
E-mail: iraygalrao@uol.com.br | 7133560137/88925728(Tim)


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Mais que um nome na placa, morte materna e o racismo institucional

28 de maio é o Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, momento em que se reflete sobre a situação da saúde reprodutiva das mulheres no mundo. O Brasil recentemente apresentou a sua melhora na diminuição da taxa de mortalidade materna e que mesmo não alcançando o Objetivo para o Desenvolvimento do Milênio que trata sobre a Saúde Materna, ODM 5, obtivemos avanços positivos, e isso é fato. No entanto são dados globais, que precisamos ficar atentas às especificidades e particularidades das mulheres que tem cor/raça/etnia, idade e lugar. Ao longo dos anos estão sendo apresentados estudos que nos apresentam as diferenças no acesso das mulheres por conta de sua raça/cor (mulheres negras, indígenas e brancas), idade (mulheres adolescentes e adultas) e de vários lugares (rural e urbano, norte e sul). E que apesar da redução das desigualdades, ainda há muito que se alcançar e o SUS que acreditamos precisa ser implementado na sua plenitude com equidade, e os indicadores de saúde precisam ser vistos com equidade.
Mais que o nome na placa
Alyne, uma mulher negra e jovem, da Baixada Fluminense teve a sua vida interrompida por conta da mortalidade materna causada por atendimento inadequado, com isso o Estado Brasileiro foi condenado pelo Comitê CEDAW (Comitê pela Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher – Nações Unidas), em 2011 sendo acusado da morte de Alyne, e dez anos depois de sua morte a sua família foi indenização pelo governo. Alem disso, Alyne teve uma homenagem póstuma com o seu nome colocado em uma Unidade de Terapia Intensiva de uma Maternidade do Rio de Janeiro.
No entanto entre homenagens e indenizações outras “Alynes” estavam tendo o seu direito a saúde reprodutiva violado com a falta de acesso ao serviço de saúde na hora do parto, e que infelizmente a Rede Cegonha, estratégia que o Governo Brasileiro resolveu implementar para a melhoria da saúde materna, ainda não conseguiu impactar na melhoria do acesso de algumas mulheres, principalmente das negras, quilombolas e da zona rural. Apresento aqui quatro casos de violação de direitos que aconteceu neste período:
Racismo adoece e mata. Nos casos acima citados pode observamos que as mulheres mais impactadas pela violação do direito no acesso aos serviços de saúde são as mulheres negras, de periferia, de zona rural, ou seja, todas as interseccionalidades em que as opressões de raça, gênero e lugar operam para negar o direito a vida e a cidadania das mulheres negras.
Para não esquecer, direito a saúde é:
  • Os direitos sexuais
  • Acesso a métodos contraceptivos
  • O acesso ao aborto legal e seguro
  • Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva de jovens
  • Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva de mulheres vivendo com HIV
  • Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva das mulheres com deficiência
  • Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva das mulheres negras e indígenas
  • Envelhecimento e saúde sexual
  • As novas tecnologias reprodutivas
  • Parto Humanizado
  • O acesso à informação
  • Educação sexual abrangente
*Enfermeira. Mestra em Enfermagem. Doutoranda em Saúde Pública. Coordenadora de Saúde do Odara Instituto da Mulher Negra

terça-feira, 27 de maio de 2014

Nota Pública: Associação dos Remanescentes de Quilombo Rio dos Macacos

somos-quilombo-rio-dos-macacosA respeito das informações divulgadas recentemente pela Secretaria Geral da Presidência da República,em seu site, e pela revista VEJA (Ed. 2373, nº 20) sobre o conflito envolvendo a Marinha do Brasil e o Quilombo Rio dos Macacos, na Bahia, a comunidade, junto com movimentos e organizações que apoiam a nossa luta, vêm a público esclarecer que:
(1) A comunidade apresentou na Audiência Pública promovida pelo Ministério Público Federal, no dia 06 de maio, uma proposta que contempla suas reais necessidades e propõe o uso compartilhado da Barragem dos Macacos, além de ceder mais 28 ha do território tradicional reivindicado (301 ha), no entorno da Vila Militar; a comunidade aguarda o posicionamento oficial do Governo Federal a respeito da proposta.
(2) A proposta de território apresentada pela Marinha e Governo Federal, na mesma oportunidade, divide o território em duas áreas isoladas, sem acesso entre elas; se destina, como consta na nota expedida pela Secretaria, a apenas 40 famílias e não às 67 identificadas no estudo do INCRA sobre o território; não contempla nenhum curso (rios e lagoas) d’água, tampouco o uso compartilhado e sob administração da Marinha da Barragem dos Macacos proposto pela comunidade; retira a maior parte da área agricultável do território tradicional quilombola e tem mais da sua metade composta por Áreas de Preservação Permanente.
(3) O Ministério Público Federal, em posicionamento durante a audiência, manifestou preocupação com a postura arbitrária do Juiz da 10ª Vara Federal, Evandro Reimão dos Reis, destacando as ilegalidades cometidas no decurso processual e a flagrante imparcialidade do Juiz, que dificulta ao máximo o direito de defesa da comunidade (não admitiu uma dezena de recursos) e facilita os encaminhamentos de interesse da Marinha. Por essa razão, o MPF entendeu que a Advocacia Geral da União deve pedir a suspensão do processo judicial enquanto se encaminham as tratativas sobre uma possível solução negociada.
(4) A declaração do ministro Gilberto Carvalho sobre a impossibilidade da suspensão do processo não possui fundamento legal nem justificativa razoável, considerando que a AGU é parte autora do processo e pode propor a suspensão em comum acordo com os quilombolas, que são a parte acionada (art. 265, II, do Código de Processo Civil).
(5) Até o presente momento, não foram cumpridos os acordos firmados no final de 2013 sobre a reforma e construção das casas em risco de desabamento e abertura de estrada para acesso alternativo ao quilombo, sem submeter-se a constrangimentos e violências pela atual passagem por dentro da Vila Militar.
(6) Até o presente momento, apesar da abertura de inquérito logo após a agressão, a Polícia Federal não elucidou nem indiciou os militares envolvidos nos fatos ocorridos no dia 06 de janeiro, em que duaslideranças da comunidade foram barbaramente presas e torturadas tão somente pela sua entrada e saída do território pela portaria da Vila Naval.
(7) Em síntese, a proposta “contempla os interesses dos diversos órgãos federais envolvidos na questão”, de acordo com a nota da Secretaria Geral, mas não contempla a viabilidade e sustentabilidade, presente e futura, da comunidade. Pelo contrário, exclui diversas famílias, dividindo a comunidade em duas e comprometendo a sua soberania alimentar, num verdadeiro atentado à sua continuidade e reprodução tanto física quanto cultural. A referida nota também não considera as perdas territoriais da comunidade, que incluem a área da própria Vila Naval, de onde foram expulsas dezenas de famílias e destruídos diversos terreiro de candomblé.
(8) Reafirmamos ser obrigação do Estado Brasileiro a demarcação e titulação do território da comunidade, bem como a garantia do acesso às políticas públicas do Programa Brasil Quilombola, para que não seja preciso pedir “autorização” a quem quer seja “para construção de um centro comunitário” ou, pior, “para retomada do plantio e da criação de animais para subsistência”.
(9) A revista Veja (Ed. 2373, nº 20) publicou nesta semana “reportagem” intitulada “O falso quilombo do ministro” (sic), baseada em falsas premissas e acusações sem nenhum lastro na realidade. Não ouviu os quilombolas ou verificaram as informações divulgadas. Mais uma vez a dita revista demonstra seu racismo e o seu comprometimento com as forças conservadoras, ignorando o jornalismo e os fatos, atacando de forma grosseira e criminosa uma comunidade negra que vem sofrendo há décadas com a violação de seus direitos pelo Estado brasileiro. Rio dos Macacos não se intimidará diante do ataque e tomará as medidas necessárias para reparar o dano provocado pela matéria.
Simões Filho, 27 de maio de 2014.
ASSOCIAÇÃO DOS REMANESCENTES DO QUILOMBO RIO DOS MACACOS, MOVIMENTO DOS PESCADORES E PESCADORAS (MPP), CONSELHO PASTORAL DOS PESCADORES (CPP), AATR, QUILOMBO XIS – AÇÃO CULTURAL COMUNITÁRIA, CAMPANHA REAJA OU SERÁ MORTA, REAJA OU SERÁ MORTO, NÚCLEO DE ASSESSORIA DO SERVIÇO DE APOIO JURÍDICO (SAJU) – UFBA

Mobilização Virtual pelo Fim da Morte Materna e do Racismo Institucional

pelo fim da morte materna


Em alusão ao dia 28 de Maio, Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, estamos fazendo uma campanha virtual - Mobilização Virtual pelo Fim da Morte Materna e do Racismo Institucional. 
Então, vamos aderir a mobilização, informação sobre eventos, dados, depoimentos, denuncias, enquetes no que se refere a violação de direito a saúde da mulher e a saúde materna, vamos utilizar alguns hashtag para alertar e chamar atenção das pessoas. Vamos lá estamos aguardando essa contribuição e mobilização coletiva!! 
#mortematernanão, #racismomata, #28maio, #contraaviolenciaobstetrica, #nãoaoracismoinstitucional, #pelodireitodasmulheres, #abortoseguro

Conselheiros da Igualdade Racial analisam candidaturas de negros e mulheres

Pauta de reunião ordinária nesta terça e quarta-feira, inclui também trabalhos de grupos sobre ações afirmativas, Plano Juventude Viva, comunidades tradicionais e agendas transversais
SEPPIR – A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), realiza a 45ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), nesta terça e quarta-feira (27 e 28 de maio). A atividade acontece no auditório do anexo da SEPPIR, situado no SEPN Quadra 514, Bloco C, Lote 8, Asa Norte, a partir das 9h, em Brasília-DF.

Na pauta, “reunião dos Grupos de Trabalho: Ações Afirmativas, Juventude Viva, Comunidades Tradicionais e Agendas Transversais e Orçamento”; “apresentação e aprovação dos relatórios elaborados”; “apresentação e discussão da análise da execução do Orçamento União para a Igualdade Racial de 2013”; “informe sobre a análise das candidaturas de negros e mulheres nas Eleições de 2014”; e “Sessão Simbólica de Sanção do Hino da Negritude com o Deputado Vicentinho”.

O CNPIR é um órgão colegiado de caráter consultivo e integrante da estrutura básica da SEPPIR. Tem como finalidade propor, em âmbito nacional, políticas de promoção da Igualdade Racial com ênfase na população negra e outros segmentos raciais e étnicos da população brasileira.

Além de combater o racismo, o Conselho ainda tem por missão propor alternativas para superar as desigualdades raciais, tanto do ponto de vista econômico quanto social, político e cultural, ampliando, assim, os processos de controle social sobre as referidas políticas. Ao todo, é composto por 44 membros, dentre entidades da sociedade civil e representantes do Poder Público.

Confira a programação:

27 de maio
9h – Abertura e verificação de quórum mínimo para instalação do CNPIR
9h10 – Aprovação da Ata anterior
9h20 – Leitura e aprovação da pauta
9h30 – Informes Gerais
10h40 – Apresentação e discussão da análise da execução do Orçamento União para a Igualdade Racial de 2013
12h – Informe sobre a análise das candidaturas de negros e mulheres nas Eleições de 2014;
13h – Intervalo almoço
14h – Reunião dos Grupos de Trabalho:
1. Ações Afirmativas,
2. Juventude Viva,
3. Comunidades Tradicionais, e
4. Agendas Transversais e Orçamento
18h – Encerramento.

28 de maio
9h – Reunião dos Grupos de Trabalho:
1. Ações Afirmativas,
2. Juventude Viva,
3. Comunidades Tradicionais e,
4. Agendas Transversais e Orçamento
10h – Sessão Simbólica de Sanção do Hino da Negritude com o Deputado Vicentinho
13h – Intervalo almoço
14h – Apresentação e aprovação dos relatórios dos grupos de trabalho: Ações Afirmativas,
Juventude Viva, Comunidades Tradicionais e Agendas Transversais e Orçamento
17h10 – Encaminhamentos e deliberações
18h – Encerramento

Fundação Cultural Palmares certifica mais 44 comunidades quilombolas em quatro estados

QuadroQuilombolasPor Daiane Souza, FCP
A Fundação Cultural Palmares (FCP) acaba de certificar 44 comunidades de quilombos conforme declaração de Autodefinição em quatro estados: Bahia, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Sul. A publicação se encontra no Diário Oficial da União do dia 21/05. Até dezembro de 2014 estão previstos os registros de outras 39 comunidades, a fim de que se chegue a 2500 certificações.
Alexandro Reis, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da FCP, explica que desde 2011 há um esforço para qualificar o processo de expedição de certidões a fim de evitar insegurança jurídica quanto ao reconhecimento das comunidades quilombolas. “Quanto mais comunidades reconhecidas, mais políticas públicas serão direcionadas  para os quilombos”, disse.
De acordo com ele, a Certidão de Autodefinição também é um indicador importante de consciência das comunidades, bem como um passaporte para a realização de políticas públicas. “A Certidão é um instrumento importante de valorização dessas comunidades. O Governo Federal tem se esforçado para garantir a melhoria da qualidade de vida dos quilombolas”, afirma.
O documento é considerado inicial, em termos de processo, para o ingresso dos remanescentes de quilombos em vários programas governamentais como, por exemplo, o Minha Casa Minha Vida, a construção de escolas e a merenda escolar e o acesso à declaração de aptidão do PRONAF que financia projetos de agricultura familiar.
No bloco de certificações publicadas, os estados com maiores números de certificações são Bahia (13) e Rio Grande do Sul (12). Na contagem nacional, Bahia e Maranhão são os que têm os maiores números com 492 e 369, respectivamente.
Objetivo alcançado - Para Fátima Duarte de Bisa Vicente, de Canguçu em Rio Grande do Sul, a certificação foi a notícia do dia para o quilombo composto por 18 famílias. “Estamos muito felizes. Esse documento é a comprovação da nossa identidade”, disse. “Vai contribuir muito para nos sentirmos mais fortes e avançarmos cada vez mais para o desenvolvimento”, completou.
Quilombola de Tomba, de Paratinga na Bahia, Aristóteles Gomes de Sá, vê na certificação um importante instrumento para a luta contra o preconceito. Liderança da comunidade, ele explica que o quilombo constituído por pescadores que vivem do Rio São Francisco, já passou por significativos constrangimentos por conta de sua raiz. “Houve um tempo, recente, em que as nossas crianças eram separadas das outras crianças na escola”, lembra com tristeza.
A escola ficava na cidade mais próxima e, de acordo com ele, as turmas eram divididas por níveis onde as crianças negras frequentavam sempre as classes “C” e “D”. “Daí passamos a investir na divulgação de nossa cultura e em educação”, conta Sá, orgulhoso da comunidade que hoje tem duas escolas e foi contemplado com um Ponto de Cultura que leva o nome do quilombo. “A Certificação é mais um passo na busca pelas políticas de reparação. Com ela ficará mais fácil superar os preconceitos que ainda nos cerca”, conclui.
Além da comunidade de Tomba, as comunidades de Poção de Santo Antônio e Barro, também de Paratinga, foram certificadas como quilombolas.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Do Pelô ao Zumbi, povo de santo repudia judiciário brasileiro e pede respeito

Não à toa, o local utilizado no Brasil colonial para castigar os escravos foi ponto inicial para o povo de santo pedir respeito e protestar contra a intolerância. Também não fortuitamente a caminhada escolheu a estátua de Zumbi dos Palmares, também no Centro Histórico de Salvador, para finalizar o ato.  A decisão do juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro, que, em uma sentença, não considerou os cultos afrobrasileiros como religiões, reuniu candomblecistas e umbandistas, que saíram do Pelourinho embalados pelo som dos atabaques, danças e rituais e exigiram respeito.





"Saímos, simbolicamente, do Pelourinho até o monumento de Zumbi dos Palmares, em protesto contra a intolerância do Judiciário brasileiro com as nossas religiões. É inadmissível, que em pleno século XXI precisemos, ainda, lutar e pedir respeito. Ele (juiz Eugênio Araújo) se coloca como se fosse ele quem tivesse o poder de decidir o que é religião. Esse sentimento de intolerância é de todo o Judiciário e não sossegaremos até transformá-lo", declarou o coordenador do Coletivo de Entidades Negras, Marcos Resende.

Os rituais do povo de santo começaram ainda no Largo do Pelourinho. Dançando e cantando, candomblecistas e umbandistas fizeram oferendas e percorreram as ruas estreitas do Centro Histórico de Salvador.

A yalorixá Jaciara Ribeiro, ou simplesmente Mãe Jaciara, do Terreiro Axé Abassá de Ogum, um dos ícones da luta contra a intolerância religiosa no Brasil, fez duras críticas a forma com que as religiões de matriz africana ainda são tratadas.


“É inadmissível que essas coisas continuem acontecendo. O nosso Estado é laico e essa decisão judicial demonstra o quanto ainda precisamos avançar em muitas questões. É perversa a forma com que tratam as religiões de matriz africana. Ninguém nos diz o que nós somos, só a nossa fé responde”, respondeu Mãe Jaciara.





Toga "racista"
A pré-candidata a deputada estadual, Olívia Santana (PCdoB), também fez duras críticas à “sentença racista”. 
“Ele (juiz Eugênio Araújo) usou do poder que tem como juiz e utilizou da toga para praticar o racismo e a intolerância. Estamos reunidos para repudiar o racismo, principalmente por partir de uma pessoa que fala em nome do Estado. É inaceitável esse tipo de postura. Ele só voltou atrás dos argumentos, mas manteve a sentença que incentiva a discriminação. O povo de santo não aceita e fez um esse ato. É preciso que uma atitude de Estado seja tomada para que essa sentença seja revertida”, declarou Olívia Santana.


PPLE

O protesto também teve espaço para a política partidária. A criação do Partido Popular da Liberdade de Expressão (PPLE), lê-se pepelê, foi abordada como ponto fundamental para a democracia e luta contra a intolerância.

A ideia, de acordo com Edmilson Sales, cotado para assumir a Executiva municipal da legenda após a oficialização, é reunir descendentes das tradições afrobrasileiras dispostos a contribuir  para estabelecer a igualdade racial. “Com o PPLE, lutaremos juntos pelas nossas causas”, afirmou.

Povo de santo se revolta contra decisão de juiz e faz protesto

O movimento negro de Salvador realiza um protesto das religiões de matriz africana, na tarde desta quarta-feira (21), contra a decisão do juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro, que, em uma sentença, não considerou os cultos afro-brasileiros como religiões. O magistrado voltou atrás do argumento de que as manifestações de crença não têm características de religião – embora não tenha mudado a decisão -, depois da repercussão do caso.
Um dos organizadores da manifestação do povo de santo e coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras, Marcos Resende, falou sobre o protesto. "Sairemos simbolicamente do Pelourinho, local onde negros foram torturados, até o monumento de Zumbi dos Palmares, em protesto contra a intolerância do Judiciário brasileiro com as nossas religiões. É inadmissível, que em pleno século XXI precisemos, ainda, lutar e pedir respeito", declarou.



Resende minimizou a reconsideração do juiz. "Ele se coloca como se fosse ele quem tivesse o poder de decidir o que é religião. Esse sentimento de intolerância é de todo o Judiciário e não sossegaremos até transformá-lo", prometeu.



Os adeptos do candomblé e umbanda se revoltaram com a sentença. Araújo recusou o pedido do Ministério Público Federal para retirar do YouTube os vídeos com agressões às crenças de origem africana. Na nova decisão, o juiz manteve os vídeos no ar com o argumento de liberdade de expressão.

A escolha da estátua de Zumbi para a concentração da manifestação se deu, segundo os organizadores, porque o herói do Quilombo dos Palmares simboliza a luta pela liberdade e pela garantia dos direitos do povo negro no Brasil.

sábado, 3 de maio de 2014

Tá bom para você?!



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Nei Lopes: Racismo e bananas - Agora falando sério


Nei Lopes é um dos mais importantes compositores da MPB. Grande nome das escolas de samba Acadêmicos do Salgueiro e Vila Isabel, é autor de livros consagrados, como a "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana" e "O racismo explicado aos meus filhos", entre outros.
A pedido de Conexão Jornalismo, Nei Lopes analisou o polêmico episódio ocorrido na Espanha envolvendo o jogador brasileiro Daniel Alves: 


RACISMO E BANANAS - Agora falando sério.

"O racismo contra pretos e mestiços foi muito bem plantado na mente brasileira, sendo hoje uma árvore maldita, mas frondosa. Que só será derrubado no dia em que suas vitimas forem detentoras de capital econômico, de coesão e de resistência pelo menos semelhante ao de outros povos e segmentos historicamente discriminados. E isto se dará no campo e nas avenidas, na terra e no mar"
(Nei Lopes)


Na República Velha, fazendo eco a formulações racistas surgidas no ambiente do colonialismo europeu na África, implantavam-se políticas objetivando veladamente o embranquecimento físico e cultural da nação brasileira. A ideologia que sustentava essas ações partia do pressuposto da inferioridade do povo negro; e prosperou de forma quase imperceptível até a década de 1970.
Essa suposta inferioridade era sutilmente apregoada quase sempre como "brincadeira", em textos humorísticos do teatro, do rádio, da tevê; em cenas cinematográficas das chanchadas etc. Mesmo nos livros, e até nos didáticos, os clichês de ignorância, feiúra, ingenuidade, sensualidade ou força física animalescas, além de habilidade musical, coreográfica e desportiva (apesar das alegadas má aparência e imaturidade emocional) entre outros, preparavam o inconsciente coletivo nacional para o advento final da feliz "mestiçagem brasileira". E esta era a expressão eufemística com que se disfarçava o projeto de eliminação da mancha que se acreditava ter sido deixada pelo escravismo na sociedade nacional.
As reações a esse genocídio anunciado datavam pelo menos da época abolicionista, mas foram seguidamente silenciadas ou cooptadas. Até que, nos anos 70, em plena ditadura militar, ventos soprados do Norte fizeram com que, ironicamente, mas com causa facilmente explicável (os Estados Unidos estavam aqui), o movimento pelos direitos civis do povo afrobrasileiro retomasse seu curso.
Nesse importante decênio, a saga do herói Zumbi era recuperada em sua essência histórica e ensejava a criação do Dia Nacional da Consciência Negra. Na seguinte, já na vigência de um esboço de ordem democrática, no centenário do Treze de Maio, a marcha "por uma nova Abolição" por pouco não motiva uma forte repressão do Exército. No correr do tempo, governos municipais, estaduais e também o federal, atendendo à articulação das entidades negras de militância, iam criando organismos institucionais de combate ao racismo e à exclusão. Até que chegamos aos tempos de hoje.

 - O racismo contra pretos e mestiços foi muito bem plantado na mente brasileira -
- O racismo contra pretos e mestiços foi muito bem plantado na mente brasileira -  
Na presente década, a questão afrobrasileira está posta em todas as mesas de discussão. Inacreditavelmente, entretanto, ela não conseguiu sensibilizar o foco de onde emanam todas as contradições da sociedade nacional neste momento: a mídia televisiva (e certa subcultura virtual, a seu reboque), tida como o grande oráculo do que muitos hoje referem como "videocapitalismo". Embora as diretrizes emanadas dessa fonte ensinem que "todos são iguais perante as leis do consumo", a tevê brasileira insiste em ser loura de olhos azuis - orientação que sua matriz hollywoodiana já redirecionou há muito tempo - não se preocupando em mostrar os "outros" dentro de sua normalidade, insistindo em mostrá-los em situações de subalternidade ou no máximo pitorescas.
Essas questões, cujas raízes e conseqüências foram abordadas em nosso livro "O racismo explicado aos meus filhos", lançado pela Editora Agir em 2007 e felizmente ainda em catalogo, são também, há dez anos ininterruptos, reiteradamente discutidos no blogue "Meu Lote" (www.neilopes.com.br). Só que, neste exato momento, nenhuma grande questão nacional é apenas posta na mesa. Todas elas, ou quase todas, estão, para o mal ou para o bem, indo para as ruas e até para os estádios de futebol, só não chegando, ainda, aos sambódromos, esses admiráveis espaços da ilusão e do distanciamento.
Digo mais: o racismo e a exclusão não estão chegando agora ao futebol, onde permanecem instalados desde sempre, como prova a rarefação da presença negra entre árbitros, técnicos e dirigentes. O que se vê hoje são as questões cruciais da Nação fazendo "quebrar o pau" nas ruas e nos salões, inclusive naqueles das altas instâncias do poder, como também o são os campos da bola. As torcidas "organizadas", tomadas pelo conhecido sentimento coletivo de intolerância e revolta contra o "outro", o inimigo, pouco diferem dos manifestantes baderneiros das cidades. Assim, a banana jogada no gramado pode ser simbolicamente comparada ao rojão e ao coquetel molotov atirados nas manifestações. E, como sempre, há aquelas figuras ou organizações que aproveitam para "faturar em cima". Então, tome de campanhas, videoclipes, mobilização de "artistas" etc.
O gesto do jogador Daniel Alves que motivou a solicitação deste artigo, pode ser lido como uma espécie de paráfrase do velho rifão, que agora assim se traduz: "Dê-me um cacho de bananas que eu farei uma bananada".
Entretanto, o racismo contra pretos e mestiços foi muito bem plantado na mente brasileira, sendo hoje uma árvore maldita, mas frondosa. Que só será derrubado no dia em que suas vitimas forem detentoras de capital econômico, de coesão e de resistência pelo menos semelhante ao de outros povos e segmentos historicamente discriminados. E isto se dará no campo e nas avenidas, na terra e no mar.

Nei Lopes é compositor popular e escritor.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Xingar de macaco: uma pequena história de uma ideia racista


“Para entender o poder e o escopo do xingamento de macaco, precisamos de uma dose de história”. É o que pensaJames Bradley, professor de história da Medicina/Ciência da Vida na Universidade de Melbourne, autor do texto abaixo, traduzido pelo professor da Uneafro-Brasil e doutorando em literatura da USP, Tomaz Amorim Izabel.
Nas últimas 24 horas muito foi dito e escrito sobre Daniel, Neymar, bananas, macacos e racismo. Não sou um acadêmico e tampouco jornalista. Não passo de um mero professor de rede pública estadual de São Paulo e mais um militante do movimento negro. O que formulei sobre o assunto nada mais é que fruto do acúmulo das lutas concretas. Do ensinamento que recebi d@s lutador@s mais velh@s e o que aprendi com meus iguais. E as afirmações são simples:
O racismo é algo sério, não podemos brincar com ele;
Daniel promoveu uma reação interessante, deu visibilidade ao debate sobre racismo, mas a forma e o conteúdo de seu “protesto” não nos serve. Tampouco a reação de Neymar, que agora sabemos, não partiu dele;
A maioria dos atletas, principalmente no futebol, são alienados e não tem opinião qualificada sobre temas relevantes para a sociedade. E isso não é preconceito ou generalização, mas sim uma constatação mais uma vez comprovada. Só falam bobagens e no máximo se prestam a assistencialismos em seus territórios de origem, vide Pelé, Zico, Ronaldo, Cafú entre outros;
Comparar negros a macacos é racismo e não podemos admitir; Fortalecer a ideia de que devemos absorver ofensas racistas é um desrespeito à população negra, além de um golpe ideológico: “Sofram calados, não façam escândalo, levem na esportiva”; 
Não somos todos macacos! Somos negr@s e merecemos respeito;
A campanha de Luciano Huck e Neymar é racista. Suas camisetas e seu vídeo são racistas. E ganhar dinheiro com uma campanha racista é canalhice, simples assim.
Ou, daqui pra frente, será tranquilo para você levar bananadas por aí e fingir que não se sentiu ofendido?
A ordem é rir da situação para desmobilizar o agressor, tal qual nos orienta papai e mamãe: “Filh@, quando te chamarem de macaca, leva na brincadeira que é melhor! Se você se irritar, aí é que o o apelido pega!”. Pois o que precisamos é desobedecer essa orientação e denunciar a agressão.
Para qualificar o debate, segue abaixo o texto do professor Bradley.
Seguimos!
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Por James Bradley – do  The Conversation
Professor de História da Medicina/Ciência da Vida na Universidade de Melbourne

A maioria de nós sabe que chamar alguém de macaco é racismo, mas poucos de nós sabem por que macacos são associados na imaginação europeia com indígenas e, principalmente, afrodescendentes.
Para entender o poder e o escopo do xingamento de macaco, precisamos de uma dose de história. Quando eu era aluno de graduação na universidade, eu aprendi sobre racismo e colonialismo, particularmente sobre a influência de Charles Darwin (1809-1882), dos quais as ideias pareciam fazer o racismo ainda pior.
Na verdade, isto é fácil de inferir. A teoria da seleção natural de Darwin (1859) mostrou que os ancestrais mais próximos dos seres humanos foram os grandes macacos. E a ideia de que os homo sapiens descendiam de macacos se tornou rapidamente parte do teatro da evolução. O próprio Darwin foi muitas vezes representado como meio-homem, meio-macaco.
Além disso, enquanto a maior parte dos evolucionistas acreditava que todas as raças humanas descendiam do mesmo grupo, eles também notaram que a migração e a seleção natural e sexual tinham criado variedades humanas que – aos seus olhos – pareciam superiores a africanos ou aborígenes.
Ambos estes grupos tardios foram frequentemente representados como sendo os mais próximos evolutivamente dos humanos originais e, portanto, dos macacos.
O papel do pensamento evolucionista
No começo do século XX, o aumento da popularidade da genética mendeliana (nomeada em referência a Gregor Johann Mendel, 1822-1884) não fez nada para destituir esta maneira de pensar. Se é que ainda não piorou as coisas.
Ela sugeria que as raças haviam se tornado raças separadas e que os africanos, em particular, estavam muito mais próximos em termos evolutivos dos grandes macacos do que estavam, digamos, os europeus.
E ainda assim, durante este mesmo período, sempre houve uma corrente da ciência evolutiva que rejeitou este modelo. Ela enfatizava as profundas semelhanças entre diferentes raças e que as diferenças de comportamento eram produto da cultura e não da biologia.
Os horrores do Nazismo deveram muito ao namoro da ciência com o racismo biológico. O genocídio de Adolf Hitler, apoiado de bom grado por cientistas e médicos alemães, mostrou onde o mau uso da ciência pode levar.
Isto deixou o racismo científico nas mãos de grupos de extrema direita que só estavam interessados em ignorar as descobertas da biologia evolutiva do pós-guerra em benefício de suas variantes pré-guerra.
Claramente o pensamento evolucionista teve algo a ver com a longevidade do xingamento de macaco. Mas a associação europeia entre macacos e africanos tem um pedigree cultural e científico muito mais extenso.

Pego no meio
No século 18, uma nova maneira de pensar sobre as espécies emergiu. Anteriormente, a vasta maioria dos europeus acreditava que Deus havia criado as espécies (incluindo o homem), e que estas espécies eram imutáveis.
Muitos acreditavam na unidade das espécies humanas, mas alguns acreditavam que Deus havia criado espécies humanas separadas. Neste esquema, os europeus brancos eram descritos como próximos aos anjos, enquanto africanos negros e aborígenes estavam mais próximos aos macacos.
Muitos cientistas do século XVIII tentaram atacar o modelo criacionista. Mas, ao fazê-lo, acabaram dando mais poder para o xingamento de macaco.
No meio do século XVIII, o grande naturalista francês, matemático e cosmólogo Comte de Buffon (Georges-Luis Leclerc, 1707-1788) deu continuidade à ideia de que todas as espécies de animais descendiam de um pequeno número de tipos gerados espontaneamente.
Espécies felinas, por exemplo, supostamente descendiam de um único ancestral gato. Ao migrarem do seu ponto de geração espontânea, os gatos degeneraram em diferentes espécies sob influência do clima.
Em 1770, o cientista holandês Petrus Camper (1722-1789) pegou o modelo de Buffon e aplicou-o ao homem. Para Camper, o homem original era o grego antigo. À medida que este homem original se moveu do seu ponto de criação ao redor do mundo, ele também degenerou sob influência do clima.
Na visão de Camper, macacos, símios e orangotangos, eram todos versões degeneradas do homem original. Então, em 1809, o ancestral intelectual de Darwin, Lamarck (Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, Chevalier de Lamarck, 1744-1829) propôs um modelo de evolução que via todos os organismos como descendentes de um único ponto de criação espontânea.
Larvas evoluíram em peixes, peixes em mamíferos e mamíferos em homens. Isto aconteceu não através da seleção darwinista, mas através de uma força vital interna que levava organismos simples a se tornarem mais complexos, trabalhando em combinação com a influência do meio ambiente.
Deste ponto de vista, humanos não compartilhavam um ancestral comum com macacos; eles eram descendentes diretos deles. E africanos então se tornaram a ligação entre macacos e europeus. A imagem popular comumente associada com a evolução darwinista da transformação de estágios do macaco ao homem deveria ser propriamente chamada de lamarckiana.

O poder do racismo
Cada uma dessas maneiras de pensar o relacionamento entre humanos e macacos reforçou a conexão feita por europeus entre africanos e macacos. E fazendo parecer que pessoas de origem não-europeia eram mais como macacos do que como humanos, estas diferentes teorias foram usadas para justificar a escravidão nas fazendas das Américas e o colonialismo no resto do mundo.
Todas estas diferentes teorias científicas e religiosas trabalharam na mesma direção: para reforçar o direito europeu de controlar grandes porções do mundo.
O xingamento de macaco, na verdade, tem a ver com a maneira com a qual os europeus, eles mesmos, se diferenciaram, biológica e culturalmente, em um esforço de manter superioridade sobre outros povos.
A coisa importante a se lembrar é que aqueles “outros” povos estão muito mais cientes daquela história do que os europeus brancos. Invocar a imagem de um macaco é utilizar o poder que levou à desapropriação indígena e a outros legados do colonialismo.
Claramente, o sistema educacional não faz o bastante para nos educar sobre ciência ou história da humanidade. Por que se fizesse, nós veríamos o desaparecimento do xingamento de macaco.


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