segunda-feira, 9 de março de 2015

Brasil – No combate a Intolerância Religiosa

Ao analisarmos os conflitos entre Israel e Palestina, poderíamos pensar a realidade dos dois países como algo impossível de ocorrer em nosso país, considerando a laicidade do Estado brasileiro.
No entanto, é de extrema importância que atentemos para essa possibilidade, à luz de acontecimentos que, no Brasil, cada vez mais beiram a estupidez e o fanatismo.
A formação de um exército denominado Gladiadores do Altar pela Igreja Universal nos leva a rememorar situações semelhantes às protagonizadas pelo Nazismo de Adolf Hitler, que exterminou milhares de judeus e cristãos, e pelo fundamentalismo islâmico de Maomé, que em muito se assemelha ao populismo do líder da organização acima citada, principalmente pela defesa de uma estrutura de governo baseada em seus princípios e convicções religiosas, onde todos estejam subordinados à reprodução de uma suposta verdade absoluta apresentada nas escrituras chamadas de sagradas.
A expansão da bancada evangélica não seria preocupante se esta se baseasse nos princípios constitucionais desta grande nação – a saber, a defesa do respeito às diversas crenças e orientações religiosas presentes no Brasil, traço da nossa diversidade cultural resultante de nossa formação étnica. Mas, contrários a esse princípio de pluralidade, políticos brasileiros levados ao poder pelos fiéis de suas igrejas reproduzem o racismo de forma clara e perversa.
A expansão da Igreja Universal do Reino de Deus pelo território nacional e ao redor do mundo se dá na mesma velocidade com a qual se reproduzem suas práticas de intolerância religiosa e violação aos direitos humanos, traço marcante do racismo presente nesse fundamentalismo cristão neopentecostal, exercido mais diretamente contra as religiões de matrizes africanas e contra as comunidades LGBT – tendo como uma das mais emblemáticas a agressão que termina tragicamente na morte da Iyalorixá Gildásia dos Santos, a nossa Mãe Gilda de Ogum, definindo a data do óbito da líder religiosa como Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa. – Lei nº 11.625/2007 Presidência da República.
Precisamos atentar e discutir práticas como a formação desse Exército de Gladiadores do Altar, sem a ingenuidade cristã notória nos discursos de “Jesus Cristo é o Senhor”, que mascaram o ódio e a apologia ao extermínio das religiões de matrizes africanas, mas precisamente a Umbanda e o Candomblé.  Ódio veiculado em diversos canais da concessão pública de rádio e televisão, contrariando os critérios constitucionais.
Carregamos a espada de Ogum, o machado de Xangô e produzimos a luta em defesa do povo negro. Sob o alá de Oxalá, produzimos a paz e a fraternidade. Então, não podemos admitir que o fundamentalismo cristão naturalize ou normatize as diversas violações contra os direitos humanos, ferindo a Constituição da Republica Federativa do Brasil e rasgando a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

CEN - Coletivo de Entidades Negras

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