sábado, 9 de maio de 2015

O show e a luta não podem parar



Nesta sexta-feira, 08 de maio não foi  apenas o fim de mais uma semana, se encerrava também a carreira de uma ator transformista, que teve sua vida ceifada após mais uma de suas tantas brilhantes apresentações.
Desde os anos 90 Fernando Bergen Monteiro, dava vida a personagem Andrezza Lamarck, que sempre com características muito marcantes nos brindava com números maravilhosos, como o fez até a última noite de sua vida, momentos antes de ser assassinado ao sair  do local onde habitualmente se apresentava.
Quem conseguirá esquecer aquela personagem que encenava a canção Paraíba do também saudoso Luiz Gonzaga, ou as memoráveis recordações de sua encenação de Guerreira, da tão querida e saudosa Clara Nunes.
Mas a morte deste artista não nos deixa apenas a perda artística, mas também da pessoa extremamente carinhosa, solidária e corajosa que Fernando sempre se mostrou, tendo enfrentado diversas dificuldades, sempre se mostrou um grande exemplo de superação como a grande maioria da população LGBT.
Simultaneamente somos tomados pela revolta resultante da omissão do Estado brasileiro, que se nega a criminalizar as práticas LGBTfóbicas crescentes em todas as cidades deste país, quando se nega a inserir o combate a LGBTfobia nas escolas e se permite silenciar pela imposição de pensares machistas, fundamentalistas que obstruem a construção de políticas que promovam os direitos desta população que já não se cala mais diante destas práticas.
A morte de Andrezza Lamarck é a representação de que enquanto o Estado brasileiro se negar a criminalizar estas práticas, permanecerá em nossa sociedade a certeza da impunidade, como quem comete um ato heróico, haja vista que até mesmo no Congresso Nacional, se legitima o pensar que LGBT precisa morrer.  
A população LGBT grita e sangra todos os dias, na tentativa de manter-se viva, sendo que quase sempre a população se nega a ouvir seus gritos, que nunca ecoam nos espaços de decisão  e construção de políticas públicas.
Pressionaremos cada representação do parlamento até que tenhamos assegurado o nosso direito à vida, no que defende todos os instrumentos de defesa da vida humana.
Precisamos manter acesos os ideais de Fernando, que na personificação de Andrezza defendia a arte como forma de se relacionar com o mundo produzindo alegria. Descansa em paz querido artista. Onde estiveres o teu show tem que continuar.

Gabriel Teixeira
Coordenador LGBT do CEN
Conselheiro Estadual LGBT

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