quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Feminismo, empoderamento e solução: a singularidade de Karol Conka

Fotos: Roberta Aline e Lenna Vianna
Sucesso indiscutível entre a crítica e os internautas, a curitibana Karol Conka "não tem asas mas sabe voar", como ela mesmo canta em sua poesia que leva em shows pelo Brasil e pelo mundo. Em sua passagem por Teresina na última sexta-feira (20), Karol recebeu o Playlist para um bate-papo super descontraído e falou sobre composições, moda, ativismo e empoderamento.
Contrariando ou "tombando" algumas opiniões, a negrita, como é chamada pelos fãs, não é tão desconhecida assim, e os números comprovam isso. A artista já soma quase 280 mil curtidores em sua página no Facebook, 144 mil seguidores no Instagram, 43 mil seguidores no Twitter e outras milhares de visualizações em seus vídeos no Youtube. 
"Eu gosto de focar na solução"
No seu rap, Karol mostra o que tem na veia e que sabe fazer. A artista nos conta que empoderamento e autoestima estão na mira principal da sua poesia. “Eu falo de tudo. De mim, do que incomoda o próximo e que também me incomoda. Eu gosto de focar na solução, então minhas músicas sempre tem alguma coisa de empoderamento, autoestima, ou força”, explicou a rapper.
Quando questionada se ela achava isso importante para o contexto atual, rapidamente Karol se apressou em responder que para ela, questões como estas sempre foram importantes. “Eu acho que isso sempre foi importante. Só que agora com a internet está mais visível. A gente vê o quanto tem gente pregando ódio e vê o quanto tem gente querendo fazer a diferença. Eu acho que mais do que nunca a gente tem que falar. Agora é hora de falar mesmo.”

"Me sinto ícone sim!"

"É no meu tempo, as minhas regras vão te causar um efeito. É quando eu quero, se conforma, é desse jeito. Se quer falar comigo então fala direito", o verso extraído da música de trabalho mais recente lançada por Karol, “Tombei”, prova como o discurso feminista tem espaço total em seu trabalho. “A cantora, que já contou em várias entrevistas admirar artistas como Beyoncé, Rihanna (que está no repertório do seu show), e outras grandes estrelas do pop mundial admite que se espelha nelas nesse aspecto, e hoje, consegue se reconhecer como um ícone feminista no país com sua história e suas experiências.
“Hoje eu recebo muitos depoimentos, mensagens e histórias de superação através da minha música, hoje eu me sinto ícone sim. Minha história é total de superação. Teve muita coisa que eu nem contei ainda e teve muita coisa que as pessoas passaram e elas não contam - é importante servir de exemplo pra que as pessoas não caiam e não se sintam fracas ou diminuídas, é importante servir de exemplo por causa disso, um leva o outro”, reforçou Karol.

"Não tenho nenhuma restrição"

A rapper não é ícone só no feminismo, Karol tem virado referência de estilo também na moda. Com roupas criativas, coloridas e muita personalidade nas escolhas, a negrita caiu no gosto do público e acaba sendo imitada nas ruas e em muitos outros espaços por meninas e meninos que se identificam com seu estilo ousado e sem nenhuma restrição.
“Eu me sinto uma boneca, acho legal, divertido. As pessoas me desenham, desenham roupas para mim e hoje que eu tenho stylist eu fico lá preparada e eles me mostram muitas coisas que combinam com minha personalidade. Eu gosto de ver as meninas montadas de Karol Conká. Eu acho que não tenho nenhuma restrição em roupa”, garante.

"Preconceito é insuportável"

Ativista assumida, Karol também fala que críticas o preconceito pela cor da pele, religião, filosofia, ou qualquer outro, sempre estão presentes na sua poesia. Para ela, ocupar esse espaço na música, supre uma lacuna deixada pelas escolas, que deveriam trabalhar melhor essa questão.  “Preconceito é insuportável” garante Karol e acrescenta que foge da vitimização, mas acredita que há muito a ser reparado na história.
“Eu sempre expus na minha poesia e deixei isso claro nas minhas atitudes. Tem muita coisa que tem que ser ensinada que acontece no meu dia-a-dia e as escolas não estão fazendo isso. Através da música, através da arte, a gente consegue conscientizar mais sobre o que é o preconceito, que machuca e que precisa ser reparado na história. Não é vitimismo, existem muitas coisas a serem reparadas do passado e ainda hoje a gente sofre. Lugar de negro é em todos os lugares”

"Não posso viver nessa bolha"

Mesmo imersa em uma “bolha”, como a própria rapper define sua atual agenda que envolve viagens, ensaios, hotel, fãs, e outras atividades, Karol garante que não deixa de pesquisar e conhecer o trabalho que está sendo desenvolvido e porque não, divulgado por artistas como ela na cena rap nacional. Na conversa, Karol mostrou interesse em conhecer o trabalho do rapper piauiense Preto Kedé, citado durante a entrevista e garantiu que fugir dessa “bolha” é o que mantém sua conexão com a arte.
“Eu pesquiso muito dentro da minha possibilidade de tempo e gosto de saber tudo o que está rolando. Tenho que ter conexão com o mundo e não posso viver nessa bolha que virou minha vida com viagem, hotel, fãs e casa”, pontuou a artista.
Levando a plateia à loucura, Karol cantou seus sucessos do disco BatukFreak lançado em 2013, além de sucessos como Lista Vip, Toda Doida e Tombei, que não estão no disco mas marcam sua nova fase na carreira. Amanhã, a Banda UÓ lança sua parceria com a rapper que já garantiu, está trabalhando em um novo CD e novas parcerias, com direito à música nova lançada ainda em dezembro.

Fonte: http://cidadeverde.com/playlist/73180/feminismo-empoderamento-e-solucao-a-singularidade-de-karol-conka

domingo, 22 de novembro de 2015

Novas dicas de livros infantis para celebrar a cultura afro-brasileira

Fonte: http://ataba.com.br/




No ano passado, publicamos uma seleção de livros que abordavam aspectos da cultura afro-brasileira, desde contos provenientes de diferentes países do continente africano, até biografias de alguns líderes negros, passando também pelas pequenas narrativas que abordavam o cotidiano das crianças afro-descendentes.
A resposta a essa coletânea foi muito positiva, mostrando-nos que há um grande interesse em abordar esses temas com as crianças. Além disso, muitas das obras que indicamos reafirmam aspectos da identidade afro, ajudando na discussão sobre preconceito e diversidade, propiciando o diálogo entre os leitores.
Para ampliar ainda mais o repertório de crianças e adultos sobre o tema, preparamos uma nova seleção de títulos lidos, selecionados e resenhados por nossa equipe. Dessa vez, a lista mantém a presença de contos de tradição oral africana e as biografias de alguns líderes. Mas, buscamos outros gêneros, como a poesia afro-brasileira e também histórias que pudessem valorizar a beleza negra, especialmente no que se refere aos cabelos, símbolos de resistência e força, que – infelizmente – ainda são objeto de preconceito para muitos brasileiros.
Mais do que celebrar a Consciência Negra,  essas histórias buscam resgatar a consciência de todos os leitores, apostando na riqueza que as nossas diversidades e singularidades podem trazer à experiência humana.
Para saber mais sobre cada um dos títulos, clique sobre as capas e você poderá ler as resenhas que preparamos especialmente para nossos leitores.

Se você desejar adquirir algumas dessas obras, todas estão à venda na livraria, cujo link segue aqui.
Boa leitura e boa conversa!
Joazinho_Maria_ler9781898
martin e rosa_ler9781718Neguinho_brasileiro_ler9781902nao_derrame_o_leite_ler9781890
Antologia de poesia afro_ler9781889
Panquecas_de_Mama_Panya_ler9781325Batu_filho_do_rei_ler9781895Ynari_menina_das_cinco_tranças_ler9781903no_na_garganta_ler9781901
Mil_cabelos_Ritinha_ler9781900Rapunzel_e_Quibungo_ler9781899Onde_esta_voce_iemanja_ler9781896betina_ler9781893Meninno_coracao_de_tambor_ler9781892Princesa_Nada_boba_ler9780466nove_pentes_dafrica_ler9781888tumbu_ler9781904

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

CARLOS MARIGHELLA

Um sujeito que viveu a repressão dos regimes autoritários. Essa poderia ser a primeira impressão constatada ao visualizarmos a trajetória do baiano Carlos Marighella. Nascido em 1911, na cidade de Salvador, esse famoso militante político teve a oportunidade de vivenciar o autoritarismo do Estado Novo (1937-1945) e, décadas mais tarde, assistir ao golpe que instalou a ditadura militar no Brasil no ano de 1964.

Sua trajetória política aconteceu nos primeiros anos do governo provisório de Getúlio Vargas, quando participou de algumas manifestações que exigiam a reorganização do cenário político nacional com a elaboração de uma nova Carta Constituinte. Durante os protestos acabou sendo preso pelas autoridades e, com isso, começou a enxergar com importância maior a sua atuação política mediante os problemas sociais e econômicos vividos naquele período.

No ano de 1936, decidiu abandonar seus estudos de Engenharia Civil e se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), que na época era dirigido por figuras históricas como Astrojildo Pereira e Luís Carlos Prestes. Sua chegada ao partido se deu em uma época bastante complicada, pois, um ano antes, os dirigentes comunistas haviam tentado derrubar Getúlio Vargas com a deflagração da Intentona Comunista. Mais uma vez, Marighella fora alvo das forças repressoras do Estado.

Já na primeira detenção conheceu os métodos escusos com que as forças policiais da época agiam contra os inimigos do regime. Carlos foi brutalmente espancado e sofreu várias torturas ao longo de um mês. Saindo da cadeia um ano depois, prosseguiu em sua luta política buscando aumentar os militantes do ideário comunista. Em 1939, foi mais uma vez preso e torturado, sofreu novas sessões de tortura para que delatasse as atividades de seu partido.

Somente com a queda do Estado Novo, em 1945, Carlos Marighella saiu da prisão para viver uma nova fase de sua luta política. Naquele ano, venceu as eleições como um dos mais bem votados deputados federais da época. No entanto, seguindo instruções políticas do governo norte-americano, o governo Dutra realizou a cassação de todos os políticos que estivessem filiados a partidos de inspiração comunista.

Dessa forma, impedido de atuar pelos meios legais, Marighella continuou a buscar apoio político entre trabalhadores e estudantes. No ano de 1959, o triunfo da Revolução Cubana e a falta de uma ação transformadora pelo PCB levaram o apaixonado idealista a questionar sobre a possibilidade de uma revolução popular armada capaz de transformar o cenário político nacional. Com o estouro da Ditadura Militar, foi mais uma vez perseguido pelas forças policias.

Já no primeiro ano da ditadura, entrou em confronto direto com o regime ao trocar tiros com a polícia e bradar a favor do comunismo. Novamente encarcerado, aproveitou o tempo de reclusão para produzir “Por que resisti à prisão”, obra onde explicava a necessidade de se organizar um movimento armado em oposição aos sombrios tempos da repressão.

No ano de 1967, mais uma vez liberto, resolveu romper com o marasmo dos comunistas para formar com outros companheiros dissidentes a Ação Libertadora Nacional. Essa organização clandestina teria como principal objetivo treinar grupos guerrilheiros com o objetivo de formar um expressivo movimento armado urbano. Após treinar os guerrilheiros na zona rural, o segundo objetivo era arrecadar meio milhão de dólares com a realização de uma série de assaltos a banco na cidade de São Paulo.

Na primeira ação, conseguiu pilhar 10 mil dólares de uma instituição bancária da época. Contudo, a penosa missão de manter esse grupo sob a onipresente repressão militar foi se tornando cada vez mais difícil, principalmente, pela falta de preparo de seus comandados. No ano de 1968, um militante capturado por policias confirmou Carlos Marighella com um dos articuladores daquela onda de assaltos.

Logo de imediato, os meios de comunicação subservientes aos interesses do regime militar distorceram toda a trajetória de lutas de Marighella, descrevendo-o como um “líder terrorista”. No final de 1968, o cerco em torno de Carlos piorou com a publicação do AI-5. No ano seguinte, o seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick reforçou a perseguição sobre todos aqueles que representassem uma ameaça à ordem imposta.

No dia 4 de novembro de 1969, em uma ação planejada pela Delegacia de Ordem Política e Social, Carlos Marighella foi morto na cidade de São Paulo, aos 57 anos de idade. Sua morte representou um dos mais incisivos golpes contra os setores radicas da esquerda nacional e contribuiu para que a Ditadura Militar alcançasse sua própria estabilidade. Somente com a crise do regime, no final da década de 1970, a imagem desse ativista foi redimida como um dos símbolos contra a repressão política no Brasil.


Por Rainer Sousa
Graduado em História

Fonte: http://www.brasilescola.com/historia/carlos-marighella.htm

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Nunca antes Brasília foi tão negra, diz Valmir sobre marcha das mulheres


A capital federal está ocupada por grupos de mulheres negras que participarão da grande marcha realizada nesta quarta-feira (18). Mulheres de todos os lugares do Brasil, de cidades, do campo, das favelas, dos quilombos, que lutam cotidianamente contra o racismo e contra o machismo e buscam a afirmação da sua identidade e a conquista de direitos. As informações foram destacadas pelo deputado federal Valmir Assunção (PT-BA), nesta terça-feira (17), ao defender a participação popular nos debates envolvendo a criação de políticas públicas no país. São esperadas 20 mil mulheres que levarão às ruas o lema ‘Contra o Racismo e a Violência e Pelo Bem Viver’. “Nunca antes Brasília foi tão negra. É um momento de reafirmação da contribuição econômica, política, cultural e social das mulheres negras que constroem diariamente o Brasil, além de exigir o fim do extermínio feminicídio que sofre a mulher negra e a efetivação de políticas públicas. E esta reivindicação não é para menos. O mapa da violência 2015 sobre homicídio de mulheres no Brasil traz dados assustadores para as mulheres, em especial a mulher negra”, aponta Valmir. Elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o estudo mostra que nos últimos 10 anos houve um aumento de 54% no número de homicídios de mulheres negras. Em 2003 havia o registro de 1.864, em 2013 foram 2.875 casos registrados.

Fonte: http://www.politicalivre.com.br/2015/11/nunca-antes-brasilia-foi-tao-negra-diz-valmir-sobre-marcha-das-mulheres/

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Negros ganharam 63,7% do recebido por não negros em 2014, diz Seade

Estudo divulgado nesta terça-feira (17) pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que o rendimento médio do trabalhador negro passou a representar 63,7% do valor recebido por não negros 2014, na Região Metropolitana de São Paulo – RMSP. Em 2013, a proporção era de 65,3%.
O rendimento médio por hora dos negros é R$ 8,79, enquanto os dos não negros é de R$ 13,80. Apesar dessa piora, tais valores vêm se aproximando lentamente ao longo dos anos, uma vez que os rendimentos dos negros já chegaram a equivaler a 54,6% dos não negros,
em 2002.

De acordo com a Fundação Seade, as razões mais evidentes dessa situação residem nas diferentes estruturas ocupacionais em que esses segmentos estão inseridos, com os negros mais representados na construção e nos serviços domésticos, onde seus rendimentos são menores e, em menor proporção; nos serviços e na indústria de transformação, onde os rendimentos dos não negros são superiores.
O crescimento, entre 2013 e 2014, do rendimento por hora dos não negros (2,9%), contrapondo-se à relativa estabilidade entre os negros (0,3%), resultou no aumento da distância entre os dois valores, já que em 2013 o rendimento médio por hora dos negros correspondia a 65,3% dos não negros.
Desemprego
De acordo com o estudo, entre 2013 e 2014, a taxa de desemprego total aumentou para não negros (de 9,4% para 10,1%) e permaneceu inalterada para os negros (12,0%), reduzindo a diferença de 2,6 para 1,9 ponto porcentual.

Quanto à qualidade da inserção no trabalho, verifica-se que, na perspectiva de garantias trabalhistas e previdenciárias, os não negros encontravam-se, em 2014, em situação ligeiramente melhor do que os negros: 62,9% do total de não negros ocupados e 61,7% de negros estavam inseridos em ocupações regulamentadas (soma de assalariados no setor privado com carteira de trabalho assinada e no setor público).
No âmbito do assalariamento privado, a proporção de negros em ocupações com carteira assinada (55,2%) era maior do que a de não negros (54,2%), mas no setor público era menor (6,5% dos negros contra 8,7% dos não negros).
Assalariados
Já ao se considerarem ocupações com menor nível de regulamentação, cujos rendimentos geralmente são menores, havia, em 2014, maior representação entre os negros: 9,0% dos negros ocupados e 5,0% dos não negros eram empregados domésticos; 16,4% e 14,8%, eram trabalhadores autônomos; e 8,8% e 8,6% eram assalariados sem carteira de trabalho assinada no setor privado, respectivamente.

A distância entre as parcelas de assalariados negros e não negros no setor público, possivelmente, tem origem no fato de que cerca de metade desses ocupados possuir nível de escolaridade superior.
Explicação semelhante pode ser adotada para a menor parcela entre os negros (4,2%), do que entre os não negros (8,8%) no agregado das demais posições – que reúne empregadores, profissionais universitários autônomos e donos de negócios familiar, etc.
Neste caso, dispor de riqueza acumulada, que permita montar um negócio ou possuir nível superior de escolaridade, provavelmente, são fatores que explicam a exclusão de grande parte dos negros.
É bastante expressiva a parcela de negros como empregados domésticos. Esse segmento compõe-se de ocupações cujos requisitos de qualificação profissional dependem menos da formação escolar do que da experiência de trabalho. O emprego doméstico tem sido exercido, predominantemente, por mulheres negras, mais velhas e com baixo nível de escolaridade.
Fonte: http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2015/11/negros-ganharam-637-do-recebido-por-nao-negros-em-2014-diz-seade.html

sábado, 14 de novembro de 2015

CORREIO celebra cultura africana com Afro Fashion Day no Pelourinho


No Dia da Consciência Negra, Salvador celebrará a cultura africana em  um evento gratuito que reunirá moda, beleza, arte, música e dança através de oficinas e uma feira de manufaturas e gastronomia na Praça da Cruz Caída, no Pelourinho.
No pôr do sol do dia 20 de novembro, um desfile apresentará criações de designers locais de roupas e acessórios. São 26 marcas vestidas por 40 pessoas, entre modelos e convidados negros.

O Afro Fashion Day é uma realização do jornal CORREIO com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, do Governo do Estado, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial da Bahia (Senac-BA).
“Essa é a hora de mostrar que o negro também é bonito e o fato de só ter marcas de Salvador reforça nossa identidade no vestir”, comenta a estudante de Engenharia Átina Uli, 22 anos, uma das modelos que vão desfilar no Afro Fashion Day. Ao lado dela, Maiara Prata, 18, aplaude a iniciativa. “Já sofri preconceito, mas aprendi com meu pai a acreditar em mim”, diz a modelo de 18 anos. 

Convidados, como o cantor Magary Lord, também vão desfilar peças da Afreeka, Aládio Marques, By Aninha Acessórios, Candida Specht, Carol Barreto, Com Amor, Dora, Crioula, Dresscoração, Gefferson Vila Nova, Goya Lopes, Ismael Soudam, Jeferson Ribeiro, Juliana Fonseca, Katuka Africanidades, Kelba  Deluxe, La Abuela, Luciana Galeão, Meninos Rei, Mônica Anjos, N Black, Negrif, Ori Turbantes, Outerelas, Porto de Biquíni, Vinicius Cerqueira e Vivire diante de um público estimado de 2 mil pessoas.
Ed Cruz, do Balé Folclórico da Bahia, fará uma performance durante o evento
(Foto: Angeluci Figueiredo/CORREIO)
Três profissionais do Balé Folclórico da Bahia estarão no desfile, unindo moda e dança em uma “performance surpreendente”, garante o bailarino Ed Cruz, 24 anos. O DJ Mauro Telefunksoul será responsável pela trilha sonora.
O desfile está marcado para as 18h30, mas o Afro Fashion Day vai começar bem antes, às 15h, com duas oficinas de maquiagem  conduzidas por profissionais  do Senac-BA e uma oficina de turbantes com Cecília Cadile. As vagas  serão preenchidas pelo público interessado, na hora do evento.
O cantor Magary Lord é um dos convidados do desfile que vai movimentar a Cruz Caída
(Foto: Jorge Thadeu/Divulgação)
Outro destaque será a feira de manufaturas e gastronomia. Quase todas as marcas que estarão no desfile vão vender peças em um espaço colaborativo. Muitas delas criadas especialmente para o Afro Fashion Day. No espaço destinado aos quitutes, o público vai encontrar iguarias do restaurante Dona Mariquita e do Original Abará.
“Eu acho que O Afro Fashion Day fica mais simbólico ainda no Dia da Consciência Negra, mas poderia ser o ano inteiro. Rio de Janeiro e São Paulo têm suas semanas de moda. Por que a gente também não pode ter um evento com a cara da diversidade de Salvador?”, resume Sergio Costa, diretor executivo do jornal CORREIO.
Afro Fashion day
15h Oficinas gratuitas de maquiagem e turbante, cada uma com 40 vagas. Inscrições no local 
15h às 21h  Feira de manufaturas e gastronomia
18h30  Desfile coletivo

O pedido de ‘desculpa’ de Lilian Witte Fibe ao filho de Lula




Lilian Witte Fibe pede ‘desculpa’ por noticiar (e comemorar) falsa informação sobre o filho de Lula. Retratação da jornalista, no entanto, não convenceu internautas. No início da semana, o ator Tonico Pereira, da TV Globo, havia cobrado explicações de Witte Fibe 

No último fim de semana, o jornal O Globo pediu desculpas por noticiar a informação de que o lobista Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, disse em sua delação premiada ter destinado R$ 2 milhões a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Lula. O responsável por publicar a mentira foi o colunista Lauro Jardim, recém-demitido da revista Veja.
“A coluna errou ao publicar essa informação no dia 11 de outubro. No texto, afirmou-se que constava da delação de Baiano um relato em que ele dizia ter gastado R$ 2 milhões para pagar despesas pessoais de Lulinha. Baiano não mencionou Lulinha e, pelo nome, não apontou qualquer familiar de Lula como beneficiário de dinheiro desviado da Petrobras”, publicou o colunista.
Depois da retratação do jornal, o ator Tonico Pereira, 67 anos, da TV Globo, usou o seu perfil no Facebook (ver abaixo) para cobrar explicações de Lillian Witte Fibe, jornalista que participa do quadro ‘Meninas do Jô’ e que também noticiou a falsa informação sobre o filho do ex-presidente metalúrgico. Na ocasião, Witte Fibe falou sobre o episódio em tom de comemoração e escreveu uma nota ‘indignada’ contra Lula e o seu filho.
“Você também vai pedir desculpas ao filho do Lula?”, questionou Tonico. “Será que no próximo ‘Programa do Jô’, no quadro ‘As Meninas do Jô’, a senhora Witte Fibe vai admitir que errou?”, completou.

“Desculpa!”

Pressionada nas redes sociais, a jornalista publicou no Twitter um pedido de “desculpas” que não convenceu os seus seguidores.
“Correção importante. Delator da Lava Jato não menciona Fabio, filho de Lula. Desculpa!”, escreveu a jornalista.
Internautas questionaram a discreta manifestação de Witte Fibe. “Mas o pedido de desculpas deveria ser na mesma proporção da calúnia que a senhora alimentou, não?”, indagou Louise Caroline.
“É necessário ter responsabilidade quando se acusa alguém, pois o estrago pode não ter conserto. A ânsia não pode preceder a prudência”, observou Wendel.
“Jornalista que tranforma devaneio em fato e informa o que não sabe é como um médico querendo operar a fimose de um tomate”, escreveu Enio de Souza.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Mulheres negras: As maiores vítimas de feminicídios no Brasil

O Brasil ocupa a incomoda quinta posição no ranking global de homicídios de mulheres entre 83 países pesquisados pela Organização das Nações Unidas (ONU). É o que mostra o “Mapa da violência 2015: homicídio de mulheres no Brasil”, divulgado nesta segunda-feira, 09 de novembro. Em 2013, a taxa de mortes por assassinato de mulheres para cada 100 mil habitantes foi de 4,8 casos. A média mundial foi de dois casos. 4.762 mulheres foram mortas violentamente em 2013: 13 vítimas fatais por dia.
O Mapa, realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil), aponta um aumento de 21% no número de feminicídios no país, entre 2003 e 2013, quando 13 mulheres foram mortas por dia no Brasil. A maioria dessas mortes, 50,3%, são cometidas por familiares e 33,2% por parceiros ou ex-parceiros, dados de 2013.
Este cenário é ainda mais alarmante quando se trata das mulheres negras. A década 2003-2013 teve um aumento de 54,2% no total de assassinatos desse grupo, saltando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. Aproximadamente 1 mil mortes a mais em 10 anos. Em contrapartida, houve recuo de 9,8% nos crimes envolvendo mulheres brancas, que caiu de 1.747 para 1.576 entre os anos.
A vitimização de mulheres negras – a violência contra elas, que pode não ter se concretizado como homicídio –, cresceu 190,9% na década analisada. A vitimização desse grupo era de 22,9%, em 2003, e saltou 66,7%, no ano passado. “Alguns estados chegam a limites absurdos de vitimização de mulheres negras, como Amapá, Paraíba, Pernambuco e Distrito Federal, em que os índices passam de 300%”, observa a pesquisa.
A ministra da Mulher, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, avalia que os dados sobre aumento de homicídios de mulheres negras revelam o quanto precisamos “avançar e articular lutas e esforços”. “Que possam nos motivar e não nos desanimar para pensarmos uma sociedade melhor”, destacou durante a apresentação do estudo, em Brasília.
Já a secretária de Políticas para as Mulheres do Ministério, Eleonora Menicucci, classifica os índices de feminicídios como “lamentáveis, de entristecer qualquer homem ou mulher de bem neste país”. Sobre o recorte racial, ela avalia que existe uma reação ao protagonismo das mulheres negras, que “assumiram, na última década, um lugar de sujeitos políticos muito determinado”. Ela destaca também o papel do feminismo entre jovens mulheres para combater os crimes de ódio e de intolerância no país.
A representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, diz que a “garantia do direito de mulheres e meninas de viverem sem violência é o cerne do mapa”, que revela a “perversa relação entre racismo e machismo no Brasil”.
Para Ivana de Siqueira, coordenadora executiva da Flacso Brasil, a violência contra as mulheres é uma situação “com a qual não podemos mais conviver”. Ela destaca os índices de mortes em domicílio, mortes por estrangulamento e mortes de mulheres negras: “As mulheres estão morrendo pela combinação desses três fatores, morrem por serem mulheres, no ambiente doméstico e por parentes próximos ou parceiros”. Para ela, são dados que nos fazem “refletir e rever medidas, não só do governo. O machismo e o racismo precisam ser trabalhados no âmbito da educação, mas, lamentavelmente, o Plano Nacional de Educação retirou do currículo a questão de gênero”, afirma.
O estudo aponta que, entre 2006, ano da promulgação da Lei Maria da Penha, e 2013, apenas cinco Estados registraram diminuição de feminicídios: Rondônia, Espírito Santo, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. Para o sociólogo Julio Jacobo, as políticas públicas atuais “são corretas, mas não são suficientes”. O sociólogo atribui parte do aumento recente de feminicídios à reação do sistema patriarcal às políticas e lutas das mulheres. Para ele, a impunidade e a invisibilidade dos feminicídios de negras também são fatores que contribuem para essa tendência.
Luis Codina, representante da Opas no Brasil, destaca a importância de trabalhar a igualdade de gênero desde a adolescência e desconstruir o modelo existente.
mapa_violencia3_infoO estudo foi realizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da área de Estudos sobre Violência da Flacso Brasil, com apoio da ONU Mulheres, da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) e da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.
O documento observa a existência de escalada na violência contra mulheres a partir de 1980, como uma “tendência histórica que evidência um lento, mas contínuo, aumento do flagelo” vivido por elas. As mortes ocorrem em todos os estados e no Distrito Federal, indistintamente, como um traço “cultural do patriarcalismo” que, supostamente, “autoriza que o homem pratique essa violência”. “Como essas mulheres foram vitimadas de forma dispersa ao longo do território nacional, reina a indiferença, como se não existisse um problema”, assinala o documento.
Embora a pesquisa encerre o recorte sobre os homicídios em 2013, quando ainda não existia a Lei do Feminicídio, o documento reúne dados do Sistema Único de Saúde (SUS) relativos a 2014. O SUS registrou 85,9 mil atendimentos a mulheres e meninas “vítimas de violência exercida por pais, parceiros e ex-parceiros, filhos, irmãos”.
*Com informações da Agência Patrícia Galvão, Flacso Brasil e Presidência da República.

Apple é chamada de racista após jovens negros serem expulsos de loja

Após um funcionário ter expulsado estudantes negros de uma loja na Austrália, a Apple está sendo chamada de racista nas rede sociais.
O caso aconteceu nesta terça-feira (10) em uma loja de Melbourne. Um dos estudantes envolvidos, chamado Francis Ose, publicou em sua página no Facebook um vídeo que mostra a cena (Clique aqui para acessar o vídeo).
As imagens mostram um grupo de seis jovens, alunos do Maribyrnong College, sendo comunicados por um funcionário da loja de que deveriam deixar o local. A justificativa: um segurança achou que eles poderiam roubar algo.
“Esses caras [da segurança] estão um pouco preocupados com a presença de vocês na nossa loja. Eles estão preocupados de que vocês possam roubar algo”, afirma o funcionário da Apple, no vídeo.
“Por que nós roubaríamos algo?”, replica um dos jovens. Após uma breve conversa, o funcionário da loja interrompe os jovens. “Rapazes, fim da discussão. Eu preciso pedir a vocês que deixem a loja.”
No Facebook, Ose chamou a ação de racista: “Simplesmente racista. Eles tiveram que pedir desculpa”. Mabior Ater, outro estudante do grupo, afirmou ao à Fairfax Media que sempre foi à loja e nunca teve problemas. “Eu tenho ido à [loja de] Highpoint por muito tempo e nunca pensei que assim pudesse acontecer. É claro que eu estou ofendido.”
Depois do que aconteceu, o diretor da escola dos jovens os acompanhou até o local, em busca de desculpas, segundo o jornal “Guardian”. “[O gerente] se desculpou com a gente e nos disse que nós éramos bem-vindos lá a qualquer momento”, afirmou o diretor, segundo o periódico. “Parece que temos justiça agora.” Questionada pelo jornal, a Apple não se manifestou.
Cena de vídeo em que funcionário de loja da Apple, na Austrália, expulsa estudantes negros por preocupação de que fossem roubar alguma coisa. (Foto: Reprodução/Facebook/Francis Ose)Cena de vídeo em que funcionário de loja da Apple, na Austrália, expulsa estudantes negros por preocupação de que fossem roubar alguma coisa. (Foto: Reprodução/Facebook/Francis Ose)

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Passa na CDH projeto que tipifica o crime de racismo na internet

A veiculação de informações que induzam ou incitem a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional na internet, ou em outra rede de computadores destinadas ao acesso público, deverá se tornar crime com pena de um a três anos de reclusão e multa. É o que prevê o projeto PLS 518/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) nesta quarta-feira (11).
A proposta, que seguirá agora para decisão terminativa na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), atribui ainda ao juiz o poder de determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, a interdição das mensagens ou páginas que veiculem o conteúdo ilícito.
Ao justificar a iniciativa, Paim argumenta que a internet tem sido usada para a publicação de material racista, para propagação de discurso de ódio e para a disseminação de preconceito “em atitudes que extrapolam, nitidamente, a liberdade de expressão e de opinião, causando prejuízos reais às suas vítimas”.
O relator, senador Telmário Mota (PDT-RR), apresentou análise favorável à matéria. Ele lembra que o Direito Penal exige a exata adequação da conduta ao tipo penal para que seja caracterizado o crime. Nesse sentido, o PLS 518/2015 elimina questionamentos sobre o aumento da pena para o agente que não utilize meios de comunicação social ou publicação tradicional, mas divulgue conteúdo discriminatório ou preconceituoso na internet, inclusive por mensagens de cunho privado.
Imagem: O senador Paulo Paim é autor do projeto que tipifica o crime / Geraldo Magela/Agência Senado

terça-feira, 10 de novembro de 2015

'Uma mulher negra feliz é um ato revolucionário'

O colunista Maurício Moraes convida a feminista Juliana Borges para ocupar o espaço de sua coluna em CartaCapital  dentro do projeto #AgoraÉQueSãoElas.



O que é ser mulher negra?

Por Juliana Borges
Quando você pensa numa mulher negra, o que vem à sua cabeça? Qual é a imagem que seu cérebro lhe apresenta? As mulheres negras são historicamente estereotipadas e chegaram a ser animalizadas como instáveis, incapazes para o trabalho intelectual, quentes, lascivas, desconfiadas, brutas, impacientes, braçais, bravas.
Um discurso alicerçado na constituição de uma sociedade escravocrata, que persiste com nova roupagem para a manutenção dos mecanismos de opressão, repressão, exploração e abuso que sofremos.
O histórico de exploração e de construção imagética do que é ser negra no Brasil, a ponto de nos obrigar a reconstruir nossa identidade, nos garante o direito de sermos bravas. Mas chamam-nos bravas, raivosas, para deslegitimar a indignação e revolta pela exploração a que somos submetidas.
Não somos braçais. Dizem-nos braçais, “as que aguentam”, como pretexto para que nos fizessem cargueiros, como mão de obra superexplorada, escravizada até pouco mais de cem anos, e corpos violados pelos “senhores”. Não somos impacientes. Dizem-nos impacientes para desautorizar nossa ânsia por liberdade e igualdade.
Tomamos para nós a tarefa da resistência não por escolha, mas porque nos tiraram o direito ao núcleo familiar quando nos separaram de nossos companheiros e quando os assassinaram, assim como a nossos pais, tios, primos, irmãos e filhos.
Aprendemos a resistência como único meio de sobrevivência frente à barbárie a qual somos submetidas. Aprendemos a guerrear como único meio de defesa do que sobrou de nossos lares e de nossa história.
Subverteremos a sensualização a qual somos constantemente submetidas e celebraremos nossos corpos explorados pelo desejo da negação e tentativa de inferiorização. Nossos quadris, nossos seios serão celebrados como rainhas não de uma festa, mas da vida inteira.
Sob este discurso, espaços nos são negados. Se as mulheres são subrepresentadas, faça mais um recorte. Com certeza, uma mulher negra estará mais ainda sem voz, sem espaço e representatividade.
Nossa autoestima é confrontada todos os dias por não nos enxergarmos em nenhuma revista, programa de TV, comercial. E mais que isso, nossa autoestima é confrontada todos os dias porque, por muito tempo, o amor nos foi negado.
Ser mulher negra é um processo de reencontro cotidiano, de reconstrução da identidade que nos foi tomada e negada. Bell Hooks, em um de seus textos mais notórios, fala sobre a vivência do amor para os negros e, principalmente, para as mulheres negras. Sobre essa experiência roubada, a de amar. 
E é aí que reside umas das questões fundamentais do feminismo negro: a condição para que o “ser brava” não sirva aos interesses da branquitude, mas que transforme este grito, há tanto reprimido, em luta transformadora, garantidas todas as especificidades das opressões que vivemos.
A condição para que subvertamos esta lógica e amemos. Tenho uma amiga, e ela saberá quando ler, que diz que “uma mulher negra feliz é um ato revolucionário”. E essa felicidade passa pela reconstituição do amor que liberta.
Às mulheres negras foi imposto se preocupar e cuidar do outro, abrir mão de necessidades próprias. E, por desconhecer essa possibilidade de amor, afastamos e respondemos agressivamente. Porque a agressão é o que está mais presente em nosso cotidiano em um amplo espectro de violência.
Ser brava passa por isso e potencializa-se quando passamos pelo processo de reconstrução identitária, do nosso processo de cura. É preciso reconstituir cacos internos para recompor esse ser que habitamos e para expormos. Acredito fortemente nessa potência do amor.
O feminismo negro tem em uma de suas facetas essa subversão de imagens e construções históricas, que se apresentam na especificidade mais totalizante que podemos ansiar na luta que travamos pela justiça e pela igualdade. É a transformação em potência máxima da resistência e da libertação não só das mulheres negras.
O feminismo negro é o que possibilita que possamos bravamente amar e, assim, destruir e transformar qualquer realidade opressora à nossa frente.
E esse amor revolucionário transborda. Aliar-se a nós é se deixar levar por esse mar ora bravo ora sereno. Mergulhar nesse processo revolucionário e nos enxergar em nossa inteireza.
Quantos textos literários de mulheres negras você leu? Quantas intelectuais negras você leu? A quantos filmes produzidos por mulheres negras você assistiu? Quantas produtoras negras você conhece? Deixa esse bravo amor entrar.
* Juliana Borges é formada em Letras. Está, hoje, Secretária Municipal de Mulheres do PT São Paulo
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/uma-mulher-negra-feliz-e-um-ato-revolucionario-9107.html

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