sexta-feira, 4 de março de 2016

Lino Guedes: percursor da negritude na poesia brasileira

Negro preto cor da noite, nunca te esqueças do açoite que cruciou tua raça em nome dela somente faze com que a nossa gente um dia gente se faça!. Os versos aqui citados são do poeta negro brasileiro Lino Guedes, morto no dia 4 de março de 1951. Nascido em Socorro, SP, em 24 de junho de 1897, Lino de Pinto Guedes foi primeiro poeta negro brasileiro do século XX que assumiu em suas obras, uma postura cristã, simples e convencional a todos os mortais.


Voz para a negritude




Lino Guedes foi o primeiro poeta negro que neste século, como escritor, se aceitou negro e publicou as “conseqüências”. Poeta que, logo após a morte de Lima Barreto, em 1922, dava a lume o seu “Canto do Cisne Negro” (1926), tornando-se, com isso – como exigem alguns – o iniciador da “negritude” no Brasil. E é sobre ele que, no fogo do entusiasmo, um seu companheiro de jornalismo, o mulato Judas Isgorogota, em 1929, profetizava, pela Gazeta: “Nenhum poeta negro das Américas jamais se igualará a Lino Guedes, neste aspecto de sua arte e de seu pensamento, calmo, simples, puto, cristão. Aqui não há revoltas nem anseios impossíveis; – há compreensão humana dos dramas humanos, sentida e propagada através de uma poesia que fala diretamente àqueles que vão encontrar nela o bálsamo salvador da simplicidade, da bondade… (…) Esta poesia tem uma função social que nem todos percebem, mas que eu sinto, e isto me basta”. De todos os poetas negros que passaram pela Imprensa Negra nas primeiras décadas do século, é o único que fez alguma fortuna literária. Tanto que em 1954, três anos após sua morte, anunciava-se uma edição completa de suas obras, compreendendo vários gêneros literários: poesia, conto, romance, ensaio, biografia, etc.




O personagem:


João da Cruz e Souza ainda vivia no Rio de Janeiro e havia terminado de escrever “Evocações e Faróis”, quando em Socorro (SP), no dia 24 de junho de 1897, nascia Lino de Pinto Guedes, mais comumente chamado Lino Guedes ou, como pseudônimo literário, Laly. Os pais de Lino foram os ex-escravos José Pinto Guedes e Benedita Eugênia Guedes. Foi criado em Campinas, onde se diplomou pela Escola Normal “Antônio Álvares” e ainda jovem iniciou carreira de jornalista no Diário do Povo e no Correio Popular, daquela cidade. Trabalhou após no Jornal do Comércio, n`O Combate, no A Razão, no São Paulo – Jornal, Correio de Campinas, Correio Paulistano e no Diário de São Paulo, onde por muitos anos chefiou a Revisão. Teve também atuação na Imprensa Negra, sendo redator-chefe de Getulino, na década de 20. Em 1924, acompanhava-o na direção desse jornal o contista de Malungo, Gervásio Morais, que o secretariava. Lino Guedes teve boas relações de amizade com escritores respeitados em São Paulo. E recebeu comentários, com elogios, de nomes como Coelho Neto, João Ribeiro – o autor do clássico “O Folclore” (estudos de literatura popular); de Silveira Bueno. Mas nem sempre foi apreciado na coletividade negra paulistana. Apesar de fazer do negro tema de seus versos, é acusado às vezes de certo escapismo no que dizia respeito à luta social do elemento afro-brasileiro. No entanto isso, no caso deste comentário, não é o mais importante.


OBRAS:


“Luiz Gama e sua individualidade literária” (1924);
“Black” (1926);
“Ressurreição negra” (1928);
“O Canto do Cisne Preto” (1926);
“Urucungo” (1936);
“Negro Preto Cor da Noite” (1936);
“O Pequeno Bandeirante, Mestre Domingos” (1937);
“Sorrisos de Cativeiro” (1938);
“Vigília de Pai João, Ditinha” (1938);
“Nova Inquilina do Céu, Suncristo” (1951).
Fonte: http://www.palmares.gov.br/?p=1892

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