terça-feira, 5 de abril de 2016

Administradora é vítima de racismo em 'calourada' no Acre

A administradora Paula Braga, de 31 anos, foi vítima de racismo no último sábado (2), durante uma festa universitária, conhecida como "calourada", em Rio Branco. A acreana conta que, em determinado momento, percebeu que um grupo de pessoas ria dela. Questionados, eles chegaram a afirmar que o cabelo de Paula seria "Bombril".
O caso ganhou repercussão nas redes sociais e a organização da calourada "Agrovet", por meio de nota divulgada neste domingo (3), repudiou o crime do racismo. "Somos contra qualquer tipo de discriminação e nosso público era heterogêneo e com muita diversidade, o que nos deixou muito orgulhosos", dizia a nota.
Paula lembra que quem primeiro percebeu os olhares por parte do grupo foi uma amiga, que se irritou. "Começou uma rixa e eu tentei separar. Depois, uma moça do grupo chegou e falou que ninguém estava rindo por mal, mas por minha causa. Ela disse que outra pessoa falou que gostava de 'negão' e que eu lembrava um e mencionou que meu cabelo era de Bombril", diz.
A reação inicial, conforme a acreana, foi tranquila, mas, após o ocorrido, não demorou muito para deixar a festa. "Fiquei me perguntando o que tenho a ver com isso, mas só disse que me amava demais para me preocupar com piadas. Depois veio aquela sensação ruim, caiu a ficha. Sai um pouco, chorei, veio a questão da reflexão e magoou. Fui embora logo depois", afirma.
Acreana Paula Braga, de 31 anos, diz ter sido vítima
de racismo em calourada (Foto: Arquivo pessoal)
'Machuca saber que sua aparência incomoda os outros', diz Paula
Paula revela que não foi a primeira vez que a cor da pele e o cabelo cacheado despertaram olhares e comentários preconceituosos. Para ela, o que falta é conscientização, reflexão e debate, principalmente sobre os padrões de beleza impostos no Brasil, que exaltam uma beleza, muitas vezes, europeizada.
A administradora acrescenta que não espera pedidos de desculpa e que não pretende processar ninguém, uma vez que não conhece nenhuma das pessoas envolvidas no ocorrido. Porém, para ela, é necessário a reflexão não apenas em relação à cor da pele, mas também às questões de gênero."Já sofri preconceito na escola, faculdade e outras festas. Tive relacionamento em que a pessoa me disse que não podia gostar de mim por causa da minha cor e cabelo. Por mais que sejamos fortes, nos amemos e saibamos o nosso valor, machuca muito saber que incomoda aos outros a nossa aparência. É como se você tivesse algo contagioso", ressalta.
"Não gosto da exaltação perante a minha cor, mas gosto de exaltar enquanto ser humano. Me amo como sou, aprendi a me respeitar, porque é preciso aprender a se respeitar, se aceitar e amar as características. Sou negra. Ninguém é igual e não quero ser igual. Somos diferentes e é nesse ponto que temos que aceitar as diferenças", defende.

Fonte: g1.globo.com

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