domingo, 21 de fevereiro de 2016

Hoje na História, 21 de fevereiro de 1965 Malcolm X é assassinado no Harlem

No dia 21 de fevereiro de 1965, Malcolm X, líder da luta contra a opressão dos negros nos Estados Unidos, é assassinado no Harlem.



Malcolm Little nasceu em 19 de maio de 1925 no Nebraska, Estados Unidos. Ele ainda era criança quando o pai, pastor batista, foi assassinado por brancos, provavelmente membros da Ku Klux Klan. Órfão (a mãe estava internada num hospital psiquiátrico), Malcolm e seus irmãos foram entregues a orfanatos.
Malcolm e uma irmã foram morar em Boston, onde sobreviveram com trabalhos temporários. Depois, ele mudou-se para o Harlem, bairro de maioria negra em Nova York. Escapou do serviço militar por fingir-se paranóico. Sua carreira no país dos brancos parecia programada: empregos temporários, pequenos delitos, prisão.
Em 1946, foi para a cadeia por roubo e receptação. Justamente no isolamento da penitenciária, ocorreu a conversão que transformaria o profundo conhecedor dos becos de Nova York num dos mais carismáticos líderes negros dos Estados Unidos. Atrás das grades, ele entrou em contato com os ensinamentos de Elijah Muhammed, líder da "Nação do Islã".
Malcolm estudou o Alcorão e outros escritos filosóficos e ao deixar a prisão em 1952 passou a dedicar-se à organização do Movimento dos Muçulmanos Negros. Trocou seu sobrenome de escravo "Little" por "X", dizendo que "o X significa a rejeição do nome de escravo e ausência de um nome africano para ocupar o seu lugar".
Elijah Muhammed considerava-se eleito por Deus para livrar os negros americanos da opressão dos brancos. Malcolm X, seu principal missionário, transformou a mesquita do Harlem em centro do movimento.
Movimento muçulmano
A luta dos negros americanos por igualdade de direitos intensificava-se desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Nos anos 1960, o movimento sofreu uma divisão: enquanto Martin Luther King apostava na chamada "resistência pacífica", os muçulmanos liderados por Elijah Mohammed e Malcolm X defendiam a separação das raças, a independência econômica e um Estado autônomo para os negros.
A principal reivindicação de Malcom X era a melhoria da qualidade de vida para os negros na América. Pelo menos num ponto seu programa diferia do de outros grupos: Malcolm X argumentava que eles tendiam a esperar mais mil anos para alcançarem seus objetivos. "Enquanto nós, muçulmanos, não estamos dispostos a esperar nem mais cem anos. Queremos a separação total entre escravos e senhores de escravos."
Segundo Erik Lincoln, professor de Filosofia Social da Universidade de Atlanta e autor do livro The Black Muslims in America, o movimento muçulmano negro foi, essencialmente, um movimento de protesto social que se comportava mais ou menos como uma seita. Seus adeptos eram principalmente negros da classe mais baixa, que tentavam encontrar seu caminho e seu lugar na sociedade norte-americana. "Talvez, eles, de fato, pretendessem construir sua própria sociedade - uma nação negra de islâmicos", diz.
O projeto muçulmano não se tornou realidade, mas foi elogiado até por um de seus mais severos críticos, o sociólogo James Baldwin. Segundo ele, "Mohammed conseguiu realizar o que diversas gerações de assistentes sociais, comitês, resoluções, projetos habitacionais e parques infantis não haviam logrado: curar e recuperar alcoólatras e vagabundos, redimir egressos de penitenciárias e impedi-los de voltar".
Assassinato
Com o passar do tempo, Malcolm foi ficando cada vez mais famoso. Começou a se distanciar do clichê de que todos os brancos são "endemoniados" e não queria continuar mantendo a fachada de movimento puramente religioso e apolítico.
Em março de 1964, Malcolm X rompeu com o movimento e organizou a Muslim Mosque Inc., e mais tarde a "Afro-American Unity", organização não religiosa. Numa viagem a Meca, a cidade sagrada dos muçulmanos, em 1963, mudou o nome para Al Hajj Malik Al-Shabazz. Seu rompimento com a "Nação do Islã" e sua entrementes posição conciliatória em relação aos brancos lhe trouxeram um certo isolamento.
No dia 21 de fevereiro de 1965, aos 39 anos, ele foi morto com 13 tiros quando discursava no Harlem. Jamais foram encontradas provas, mas suspeitou-se do envolvimento da "Nação do Islã" no assassinato.
Suas ideias foram muito divulgadas na década de 1970 por movimentos como o Black Power e as Panteras Negras. Sua vida e obra também estão documentadas em vários filmes, sendo o mais famoso deles Malcolm X, dirigido por Spike Lee, de 1992.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

11 de Fevereiro de 1990: Libertação de Nelson mandela

No dia 11 de Fevereiro de 1990, Nelson Mandela foi libertado. O líder do Congresso Nacional Africano (ANC) passara 28 anos na prisão devido à luta contra o apartheid.
Todos reconheceram que a África do Sul estava diante de uma viragem histórica, quando o então chefe de governo Frederik Willem de Klerk anunciou, em 2 de Fevereiro de 1990, a libertação de Nelson Mandela. Símbolo da luta da população negra contra o racismo, ele  tornara-se, ao longo dos 28 anos que passou na cadeia, o prisioneiro mais famoso do mundo.
Nelson Rolihlahla Dalibhunga Mandela nasceu a 18 de Julho de 1918. O seu pai era chefe da tribo Thembu, do povo xhosa. Nelson Mandela começou a estudar Direito na universidade para negros de Fort Hare, mas foi expulso por liderar uma greve estudantil. Em Joanesburgo, estagiou num escritório de advocacia e fez um curso de Direito por correspondência. Em 1942, formou-se pela Universidade de Pretória.
Já nos tempos de estudante, Mandela era comprometido politicamente e ingressou cedo no Congresso Nacional Africano (ANC). O Congresso Nacional Africano empenhava-se  em reivindicar direitos e melhorar a qualidade de vida da maioria negra oprimida pelos brancos na África do Sul – a princípio, através de contactos com lideranças políticas e cartas com pedidos de apoio; mais tarde, organizando greves e manifestações.
Em 1952, Mandela abriu o primeiro escritório de advocacia para negros de Joanesburgo, uma ousadia tremenda, num país em que o regime diminuía a cada dia os direitos da população negra. A situação política interna chegou a tal ponto que, em 1960, a polícia abriu fogo contra os que participavam numa grande manifestação em Shaperville. Saldo da violência: 69 mortos e centenas de feridos. O governo decretou estado de excepção e mandou prender vários militantes, entre os quais Nelson Mandela.
O ANC e outros partidos e associações que criticavam o regime foram proibidos. Em Dezembro de 1961, Mandela ajudou a criar a ala militante Lança da Nação, tornando-se o primeiro comandante da organização clandestina especializada em sabotagens. Em 1962, saiu escondido do país para pedir apoio, principalmente financeiro, à sua causa.
Ao retornar à África do Sul, ainda no mesmo ano, foi preso e condenado a cinco anos de prisão porparticipar na organização de protestos. Em Outubro de 1963, Mandela e outros sete réus foram condenados a prisão perpétua, acusados de terem organizado 150 actos de sabotagem. Até 1981, ele esteve na temida prisão de Robben Island, perto da Cidade do Cabo. Mais tarde foi transferido para a prisão de alta segurança de Pollsmoor.
Depois de se tratar de uma tuberculose durante algumas semanas numa clínica, Mandela passou a viver numa casa, no pátio de outra prisão perto da Cidade do Cabo. Nos 28 anos em que esteve preso, a resistência dos negros sul-africanos contra o apartheid foi se tornando cada vez mais violenta. A comunidade internacional também aumentou a pressão contra o governo sul-africano através de sanções e boicotes.
Ao assumir o governo em 1989, Frederik de Klerk reconheceu que reformas eram inevitáveis, para que o país não submergisse na guerra civil e no caos. Em Fevereiro de 1990, cancelou a interdição do ANC, revogou algumas leis racistas e libertou Nelson Mandela. Os anos seguintes ainda foram bastante confusos, com a minoria branca a tentar manter a supremacia, semeando a discórdia entre os grupos negros.
Até que, nas primeiras eleições democráticas em 1994, o ANC obteve 60% dos votos e Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul, cargo que ocupou até 1999. Em 1993, ele e Frederik de Klerk receberam o Prémio Nobel da Paz "pelo seu comprometimento em prol da conciliação e pela sua coragem e integridade."


O número de Nelson Mandela na Ilha Robben

Nelson Mandela e Frederik de Klerk

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